quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

A VENEZUELA NÃO ESTA SOZINHA!


China apóia a Venezuela diante da interferência de outros poderes
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Hua Chunying, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.
Publicado em: quinta - feira, 17 de janeiro de 2019 22:02

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A China pede para respeitar a soberania da Venezuela e rejeita qualquer interferência estrangeira nas decisões do governo do país sul-americano.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do gigante asiático, Hua Chunying, defendeu nesta quinta-feira as novas medidas do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, para recuperar a economia nacional.
O diplomata pediu para não interferir nos assuntos internos da Venezuela, enquanto expressou a disposição de Pequim de trabalhar para resolver a crise política que atravessa o país através do diálogo entre as partes envolvidas.
A mídia regional interpretou o anúncio da China como um endosso do segundo mandato de Maduro em face da negação do setor da oposição e de certos países da área que não reconhecem a legitimidade do novo mandato do líder de Chávez.

O chefe da Assembléia Nacional Constituinte (ANC) da Venezuela, Diosdado Cabello, informou na quarta-feira a decisão da Justiça Nacional de abrir uma "investigação formal" para investigar a controvérsia entre Maduro e os opositores.
Nos últimos anos, apesar da pressão do Estados Unidos,  o gigante asiático tem aumentado significativamente suas relações nos domínios económico e militar, com vários países latino-americanos, como Venezuela e Panamá, um fato que  tem levantado grande preocupação entre o país s' autoridades Norte-americano

A Venezuela tem uma dívida externa de cerca de 150 bilhões de dólares, dos quais 28 bilhões são com a China, seu maior credor.

Pequim por ajuda Caracas para garantir o abastecimento de energia e em segundo lugar  reforçar um aliado oposto US  na América Latina, injetou mais de 50 000 milhões de para a Venezuela.
msm / ktg / tmv / mjs


AMPLIAÇÃO DA UNIDADE?

Ampliar a unidade! Mas em que direção?

imagemA firmeza estratégica e os desafios táticos para o novo ciclo de lutas
Giovanni Frizzo*
A tarefa de enfrentar o ultraliberalismo destrutivo das condições de vida e o caráter fascista do governo federal somente poderá perspectivar êxito se atrelados à firmeza estratégica de ruptura com a ordem do capital, portanto revolucionária e socialista. É certo que estamos diante de um cenário distinto das últimas décadas, pois o aprofundamento da crise do capital nos últimos quatro anos impacta no Brasil e na América Latina com força destruidora dos direitos e das soberanias nacionais de forma mais abrupta. O novo padrão de acumulação capitalista, originado com a crise mundial, é composto necessariamente de retrocessos civilizatórios que vão desde a esfera econômica produtiva, com o desmonte de direitos trabalhistas, previdenciários e do serviço público, até a esfera dos direitos humanos com medidas de restrições à liberdades, repressão à lutas sociais e fortalecendo as ideias patriarcais racistas, xenofóbicas e homofóbicas como política de Estado.
Aparentemente, há uma certa concordância nesta caracterização política e econômica  do projeto que derrotou os governos de conciliação de classes do PT e a implementação das políticas neoliberais com mais intensidade e desrespeito às regras do “jogo democrático” da institucionalidade burguesa. Aliás, esta é uma lição importante para a classe trabalhadora: a burguesia demonstrou que não tem nenhum constrangimento de operar também por fora da ordem para impor seu projeto antipopular. A grande questão a ser resolvida é: como as organizações da classe trabalhadora responderão às ofensivas contra o povo trabalhador neste momento em que a sua própria existência corre risco?
Uma palavra de ordem se repete nos círculos de organizações políticas progressistas ou socialistas: ampliar a unidade. E esta é, sem dúvida, fundamental para o enfrentamento. Porém, por si só, esta palavra pode se esvaziar facilmente em seu conteúdo de acordo com a direção dada à elas. Para ilustrar isso, basta que façamos outra pergunta como desdobramento da primeira: ampliar a unidade para qual direção? As diferentes análises da conjuntura recente nos dão pistas para compreender o tamanho dos desafios postos para a classe trabalhadora. Pois, a história do movimento comunista internacional e das lutas sociais – seus êxitos e limites – sempre se defrontaram com dois inimigos: a elite dominante burguesa (nas suas formas distintas de cada momento histórico) e o oportunismo conciliatório no seio das lutas dos trabalhadores e trabalhadoras (oportunismo muito bem caracterizado por Lenin em “O Que Fazer?”, no qual aponta que os oportunistas querem levar a classe para o pântano).
Para nosso quadro, é fundamental compreender que estamos vivenciando um período de mudança de ciclo de luta sociais, demarcado especialmente pelas grandes jornadas e manifestações desde o agravamento da crise do capital no Brasil, que pode ser localizada a partir de 2013. Ainda de forma embrionária, o novo ciclo de lutas sociais se abriu cheio de contradições internas, bastante heterogêneo e sem direção política unitária, necessita aprofundar o sentido de ruptura com a ordem do capital em sua estratégia, combinando as diferentes táticas de cada situação que se apresenta. Porém, a perspectiva conciliatória oportunista, através de seu malabarismo discursivo, caracteriza que estas mesmas lutas sociais foram dirigidas pelo imperialismo e com caráter conservador que culminaram com o impeachment de Dilma Roussef e com a vitória de Bolsonaro nas Eleições de 2018. Tal narrativa se afirma na memória seletiva (de que seus governos foram excelentes para todo mundo, esquecendo-se do sentido também destrutivo para a classe trabalhadora) e na tentativa de salvar o seu projeto derrotado pela ofensiva reacionária tanto no impeachment como nas eleições.
Com todas as formas legais e ilegais, a força empresarial que levou Bolsonaro à vitória canalizou boa parte da indignação popular com a crise econômica e política que assolou o país, para um projeto que se diz antissistema, mas se apresenta cada vez mais atrelado ao jogo político das oligarquias que comandam o país a décadas. Como a burguesia não joga só no terreno da ordem, mas também por fora dela, fizeram o que fizeram para que Lula não pudesse ser candidato, pois este conseguiria também canalizar a indignação popular para uma vitória eleitoral. Neste caso, a pergunta para o oportunismo é: seria o conservadorismo da sociedade brasileira que elegeria Lula? Pensamos que não, pois não foi apenas o conservadorismo que determinou o resultado eleitoral.
É fato que as organizações socialistas não conseguiram levar a cabo uma direção política à indignação popular em um patamar de elevação das lutas sociais para enfrentar a contraofensiva reacionária. E isto precisa ser compreendido pedagogicamente para não incorrer em novas derrotas pelos mesmos motivos.Outro elemento a ser compreendido é que não são as disputas de narrativas que levarão adiante qualquer processo de enfrentamento. A luta de classes se localiza em um terreno concreto da vida em que o preço do feijão determina mais a consciência do que mil tuítes de um intelectual burocrata qualquer.
No terreno fértil das narrativas conciliatórias oportunistas, a unidade ampla se circunscreve sob uma frágil sustentação de combater o fascismo apenas com ações referentes a liberdade de seus presos e aos denunciados nas arbitrárias operações políticas e judiciais que, supostamente, pautam a corrupção. No limite, esboçam algumas palavras de ordem de combate a agenda econômica regressiva, mas na prática concreta as burocracias sindicais e estudantis atuam para barrar o avanço das lutas sociais. Diversos são os exemplos recentes que ilustram isso, como o cancelamento das Greves Gerais convocadas em 2018 e as políticas de desmonte do serviço público e reformas da previdência que os governos estaduais de conciliação de classes estão operando pelo país.
A própria caracterização do projeto fascista do governo Bolsonaro precisa ser esmiuçada nas ações de combate ao projeto burguês. Pois a defesa abstrata de democracia e contra o fascismo pouco diz a boa parte da massa da população que ainda está encharcada de esperança de grandes mudanças sociais no país. E permanecerá algum tempo assim, envolvida em falsos indicadores econômicos ou sociais oficiais, em frases do seu presidente que destilam ódio e até mesmo em alguma sensação de diminuição do desemprego. Através da reforma trabalhista e seus desdobramentos como a terceirização, é possível que o desemprego diminua, de forma modesta, por um curto período de tempo com empregos de precariedade extrema. E mesmo com tamanha informalidade, a sensação de uma pequena parte de desempregados que agora terão algum tipo de renda (mesmo que inconstante) fará com que pouco importe se o governo é fascista, liberal ou qualquer outra caracterização, pois o que está em jogo para o trabalhador é sua sobrevivência e está disposto a qualquer ideologia por isso.
Aliada a este discurso, a questão do combate à violência é de forte apelo populista. Especialmente para a classe média e suas aspirações individualistas de sucesso irrealizável, pouco importa se as polícias irão matar antes de perguntar quem é bandido, pouco importa se há uma guerra civil instaurada nos morros e periferias, desde que não cheguem perto de seu pequeno patrimônio adquirido as custas de seu endividamento. Se será com intervenções militares que isso aconteça, pouco importa para estes setores que apoiarão tais medidas repressivas, incluindo a criminalização das lutas sociais. Portanto, uma vez mais, pouco importará uma luta antifascista abstrata enquanto seu individualismo persevera.
Não é por outra razão que o bloco de sustentação política do governo – seus assessores e empresários – passam disseminando ódio contra direitos humanos, perspectivas de esquerda e organizações políticas que se contrapõem a ofensiva reacionária. Precisa manter o inimigo vivo para justificar suas ações anti-populares que somente beneficiam a burguesia. Essas justificativas são centradas na crise política, na corrupção do PT e disseminando inverdades de “ditaduras comunistas”.
A necessária unidade das forças sociais para enfrentar o fascismo ultraliberal, portanto, precisa colocar a agenda econômica e dos direitos em primeiro plano. Primeiro porque não estão dissociadas e, segundo, porque é exatamente esta agenda que ruirá ainda mais as condições de vida dos trabalhadores e trabalhadoras em médio prazo. A agenda de destruição dos serviços públicos, privatizações e ataque aos direitos (como a previdência, saúde e educação públicas) são insustentáveis para qualquer governo. O endividamento, a miséria e o aumento da violência urbana e no campo pode retomar a indignação popular também contra seu próprio governo eleito. E essa indignação popular precisa ter direção organizada pelos setores que nunca saíram das ruas e das lutas, em uma perspectiva de ruptura com a ordem, e não mais de retomada de um projeto fracassado de conciliação oportunista. É certo também que esta direção organizada precisa ter inserção nas massas e para isso a necessária constituição de frentes/fóruns é fundamental, de forma ampla a partir de um programa de frente única contra os ataques aos direitos e às liberdades, apontando um horizonte que supere as lutas defensivas para uma agenda de ofensiva da classe contra a burguesia e oligarquias que transformam o país em um grande balcão de negócios privados.
Embora, neste momento, se perceba uma certa coalizão das frações burguesas em torno das medidas retrógradas de Bolsonaro, há uma possível tendência de que as suas contradições internas serão mais explícitas a partir do momento em que a destruição da previdência e dos serviços públicos, as privatizações, o avanço do latifúndio e a completa financeirização de capitais se consolidar ou não avançar de acordo com a sanha capitalista de mercantilizar o país. E este será o momento decisivo em que diferentes forças sociais buscarão saídas. A burguesia pode descartar Bolsonaro (nas próximas eleições ou mesmo interrompendo seu governo) e estabelecer outra alternativa; a conciliação de classes apresentará seu pacto liberal republicano de apassivamento que nada serve para a maior parte da população; e a classe trabalhadora, desde que organizada desde já, pode também insurgir-se como força popular capaz de levar a cabo uma alternativa socialista consolidada nas massas de trabalhadores e trabalhadoras. 
Toda essa perspectiva, com suas possíveis tendências, se fundamentam nas diversas experiências históricas, tanto de vitórias da classe trabalhadora como também das formas de operar da burguesia em diferentes contextos e situações postas em que prevaleceu a via prussiana, isto é, recomposição das forças burguesas para mudar a forma de operar a sua principal estrutura de poder: o Estado. Como a dinâmica da luta de classes não pode ser captada em análises universais e absolutas, se trata aqui de possibilidades e tendências em que, uma vez mais, a expressão “golpear juntos, marchar separados” se redobra de sentido. Derrotar o ultraliberalismo fascista e superar o oportunismo expresso na estratégia democrático-popular requentada, que visa o retorno à institucionalidade como projeto de poder de gestão da ordem burguesa, é a grande tarefa da classe trabalhadora por dentro das forças sociais que se proponham a enfrentar a terrível quadra histórica que vivemos. É certo que estamos ainda muito longe disso, mas para percorrer a longa jornada é preciso dar o primeiro passo, e esse determinará a direção e o horizonte de nossa marcha.
*Professor da UFPel (Universidade Federal de Pelotas) e militante do PCB – RS

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

PARTIDO COMUNISTA DA VENEZUELA

PCV: Por um Governo de Unidade Popular Revolucionária

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Partido Comunista da Venezuela
Em coletiva de imprensa no dia 14 de janeiro, o Birô Político do Partido Comunista da Venezuela, através da apresentação feita pelo camarada Oscar Figuera, Secretário Geral do Comitê Central do PCV, os comunistas venezuelanos anunciaram os seguintes pontos:
“Denunciamos um quadro grave de ameaça à integridade e à paz do nosso país, assim como aos direitos do povo trabalhador venezuelano da parte do imperialismo norte-americano e europeu, através da configuração de um poder paralelo, poder dual para desconhecer o processo venezuelano”.
“Demandamos da Assembleia Nacional Constituinte e do Governo Nacional uma definição, para que avancemos em uma linha de construção de um Governo de Unidade Popular Revolucionária”.
“É preciso ter claro o plano da reação da direita interna como instrumento do imperialismo norte-americano e europeu. Constituíram um TSJ no exílio que não tem legalidade e que serve ao poder internacional”.
“Tem se mantido uma Assembleia Nacional que atua a serviço do capital, com orientação de desconhecer total mente o Presidente da República Bolivariana da Venezuela”.
“Exigimos a dissolução da Assembleia Nacional dissidente e pró-imperialista, que se põe de forma contrária aos interesses nacionais, com a imediata convocatória de eleições de uma nova Assembleia Nacional, acompanhada de um Governo de Unidade Popular Revolucionário com a presença de organizações populares, movimentos sociais, comunas, movimento sindical classista, entre outros”.
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

JORGE BEINSTEIN -COMUNISTA CIENTISTA POLÍTICO

Adeus ao camarada Jorge Beinstein

imagemFaleceu, dia 10 de janeiro, o economista, cientista político e militante comunista argentino Jorge Beinstein. De acordo com seu amigo Jose Schulman, Jorge foi dormir a “siesta” e não acordou. Jorge era da geração dos anos 70, foi membro da organização revolucionária ERP e sofreu o exílio, tendo vivido na Iugoslávia e na França, onde alcançou os mais altos graus da carreira universitária.
Era um economista marxista excepcional e antecipou, em seus artigos, a fase atual do capitalismo, chamada por ele de “estágio de decadência sistêmica”. Considerava o ideal comunista legitimado pela história.
Jorge Beinstein colaborou com todos os governos populares da América Latina e com Cuba, e foi solidário com todos aqueles que lutam por justiça social. Deixa uma obra extensa cuja leitura é obrigatória para todos os militantes e simpatizantes da luta pelo Socialismo e pelo Comunismo.
Partido Comunista Brasileiro PCB Comissão Política Naciona

domingo, 13 de janeiro de 2019

Em defesa da soberania dos povos indígenas e da demarcação dos seus territórios

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Comitê Central do PCB
O Partido Comunista Brasileiro (PCB) defende a soberania e os direitos dos povos indígenas que habitam há milênios as terras que, apenas nos últimos séculos, passaram a ser chamadas de território brasileiro. Os comunistas repudiam a falaciosa e demagógica declaração de Bolsonaro que anuncia ações que visam “integrar” os povos indígenas ao Brasil, tendo em vista ser uma política que nega os costumes, crenças, hábitos e rituais dos Povos Indígenas, em um processo de homogeneização da cultura brasileira dominante, capitalista, representando um imenso retrocesso na política do Estado brasileiro para com essas populações.
Na verdade, a “integração” dos indígenas na sociedade brasileira já possui mais de cinco séculos, sendo que os caminhos tomados para essa “integração” foram e não têm sido outros que o da escravidão e da exploração do sua força de trabalho (quando não do extermínio puro e simples). Nessas lamentáveis condições, milhares de povos indígenas tornaram-se parte constituinte da formação histórica do Brasil.
Atualmente há no território brasileiro cerca de 800 mil indígenas, distribuídos em pouco mais de 300 povos distintos, com, pelo menos, 180 línguas diferentes, o que coloca o Brasil como um dos países com maior diversidade étnica e linguística do mundo. Um governo que desconhece e desrespeita essa realidade não tem qualquer moral para propor uma política para os povos indígenas, muito menos para atacar os parcos direitos indígenas já existentes.
Combater os povos indígenas brasileiros é uma atitude profundamente antinacional, além de uma covardia contra povos que vem sofrendo há mais de 500 anos com a colonização e o capitalismo. O governo Bolsonaro mostra toda sua hipocrisia ao declarar ser nacionalista e, ao mesmo tempo, atacar os povos indígenas, que, mais do que ninguém, vivem integrados às terras brasileiras.
Mas, além de uma demonstração de ignorância, covardia e desrespeito em relação à questão indígena, as ações e declarações do presidente são acompanhadas de uma política pública de ataque aos povos indígenas. O PCB denuncia a política do atual governo contra os povos indígenas, que retira a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) do Ministério da Justiça e transfere este órgão para o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Esta transferência demonstra uma redução da importância da FUNAI, que vem acompanhada da redução de seu orçamento e de seu poder de atuação. Denunciamos também a retirada da atribuição de demarcar territórios indígenas da FUNAI, passando-a para o Ministério da Agricultura. Ora, trata-se de entregar os interesses indígenas para o setor que deseja ocupar os territórios indígenas e que são inimigos da própria existência dos povos indígenas.
O governo Bolsonaro, na verdade, busca desmantelar toda a política e os direitos indígenas conquistados a partir da Constituição de 1988. O demagógico discurso pseudonacionalista vem acompanhado de uma política pública que corta verbas para os direitos indígenas, incluindo segurança, infraestrutura, comunicação, saneamento básico, dentre tanto outros. As posições defendidas pelo novo governo (defesa de política de não demarcação de terras indígenas e de “desmarcação” da Terra Indígena Raposa Serra do Sol; comparação dos indígenas em reserva com animais em zoológicos; a transferência da FUNAI para outro Ministério, retirando de sua responsabilidade institucional a política de demarcação dos territórios indígenas; defesa de uma política novamente integracionista e assimilacionista para os povos indígenas) demonstram um imenso retrocesso na abordagem do Estado brasileiro para com as populações indígenas em nosso país. O novo governo procura aniquilar aquilo que os povos indígenas brasileiros possuem de mais importante: o acesso coletivo e não capitalista à terra demarcada, fator fundamental para a manutenção das culturas e dos tradicionais modos de vida e organização social.
O PCB cerrará fileiras com as organizações indígenas contra esses retrocessos e em defesa da plenitude dos seus direitos: direito à educação diferenciada, com a regularização das escolas indígenas; o acesso à saúde diferenciada, com valorização da medicina tradicional; o combate ao preconceito e o racismo institucional; dentre tantos outros elementos. Em especial, o PCB estará junto na luta pela demarcação de todas as Terras Indígenas em nosso país. Defendemos a continuidade de todos os processos de retomadas de terras pelos povos indígenas, com o necessário suporte do Estado brasileiro.
Os comunistas estão juntos com os povos indígenas em suas lutas e pelo direito à soberania completa dos povos indígenas sobre seus territórios! Defendemos uma política pública de valorização da cultura indígena como parte integral da cultura brasileira em formação. E contamos com os povos indígenas na construção de um modo de vida alternativo ao capital, na construção da revolução socialista, com um Brasil livre e soberano também para os povos indígenas!
Demarcação Já!
Pelos Direitos Indígenas!
Pela Soberania dos Povos Indígenas!
Pelo Poder Popular e Pelo Socialismo!

Extradição de Battisti viola pacto internacional

imagemBrasil de Fato
No pedido de refúgio à Bolívia, Battisti cita a Convenção sobre o Protocolo de Refugiados, de 1951
Foto: Miguel Schincariol/AFP
O escritor e ativista italiano Cesare Battisti, de 64 anos, preso na madrugada deste domingo (13) em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, não poderia ser extraditado ou expulso do país antes de uma resposta oficial da Comissão Nacional de Refúgio (Conare), segundo acordos internacionais. Condenado a prisão perpétua na Itália, Battisti enviou uma solicitação de refúgio à Comissão em 18 de dezembro – o Ministério de Relações Exteriores da Bolívia acusou recebimento do pedido em 21 de dezembro.
O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do Brasil, Augusto Heleno, informou que um avião da Polícia Federal irá à Bolívia para buscar Battisti. A ideia é que ele faça uma escala para troca de aeronave e, em seguida, seja encaminhado de volta à Itália.
Conforme nota de orientação do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), “os solicitantes de refúgio estão protegidos contra a devolução pelo artigo 33 (1) da Convenção de 1951 e pelo direito internacional consuetudinário durante todo o período de reconhecimento da condição de refugiado. O Estado requerido não pode extraditar um solicitante de refúgio ao seu país de origem enquanto seu pedido de reconhecimento da condição de refugiado esteja sendo considerado, inclusive durante a etapa de apelação”.
O mesmo documento aponta que “deve-se prosseguir com o pedido de refúgio e se deve chegar a uma conclusão final a respeito uma vez que se tenha promulgado uma sentença, seja condenatória ou pela absolvição. Isto se pode fazer seja no Estado requerido onde se encontrava inicialmente pendente o pedido de refúgio, mediante um acordo de readmissão a esse Estado, ou mediante a transferência da responsabilidade para examinar o pedido de refúgio ao Estado que solicita a extradição, sempre que neste mesmo Estado se apliquem normas processuais similares”.
No pedido de refúgio à Bolívia, Battisti também cita a Convenção sobre o Protocolo de Refugiados, de 1951, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, a Constituição Política do Estado Plurinacional da Bolívia e outros tratados e convênios internacionais dos quais o país é signatário.
Leia a solicitação na íntegra em https://www.brasildefato.com.br/2019/01/13/battisti-esta-protegido-por-pedido-de-refugio-enviado-em-dezembro-a-conare-entenda/
Relembre o caso
Battisti foi preso, no final dos anos 1970, por participar do grupo de extrema esquerda Proletários Armados para o Comunismo (PAC). Condenado a uma pena de treze anos por uma série de delitos políticos, como subversão, fugiu da cadeia poucos e obteve asilo político na França, nos anos 1990. Contrariadas, as autoridades italianas decidiram acusá-lo pelo assassinato de quatro homens – três deles, ligados ao fascismo, durante os “Anos de Chumbo”. Aquele processo, baseado em uma delação em troca de benefícios, resultou na condenação do ativista a prisão perpétua.
Em 2004, após mudança de governo na França, Battisti mudou-se para o Brasil para não ser extraditado – ele é casado com uma brasileira. Cinco anos depois, o Ministério da Justiça reconheceu sua condição de refugiado político.
O STF condicionou a decisão da extradição à análise do então presidente da República. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no último dia do segundo mandato, garantiu a permanência do ativista no Brasil. Em 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) validou a decisão de Lula, e o governo concedeu a ele visto de permanência no país.
Por se tratar de um caso de perseguição política, o caso Battisti está sujeito a mudanças nas esferas de governo. Um ano após o golpe contra Dilma Rousseff (PT), a defesa entrou com um habeas corpus preventivo no STF para evitar a extradição – pretendida por Michel Temer (MDB). Em outubro de 2017, o ativista italiano foi detido em Corumbá (MS), próximo à fronteira com a Bolívia: foi preso por evasão de divisas, mas recebeu habeas corpus dias depois.
No final do ano passado, o ministro do STF Luiz Fux decidiu, de forma monocrática, pela prisão de Battisti. Após um mês foragido, com o decreto de extradição assinado por Temer, o escritor foi preso em Santa Cruz de La Sierra.
* Com informações do jornalista Katu Arkonada
Edição: Daniel Giovanaz
https://www.brasildefato.com.br/