terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Os sapatos de William Bonner



William Bonner, do Jornal Nacional, costuma dizer que todas as noites sua equipe tenta colocar um elefante dentro de uma caixa de sapatos. Sempre conseguem. Trata-se da configuração do jornal de maior audiência na TV brasileira. Significa que grande quantidade das notícias produzidas é jogada na lata do lixo e outras tantas somente são divulgadas após lapidar edição que envolve a escolha de enquadramentos, incidências e aparas. Por ficarem de fora, não serão discutidas pelo público: o “lixo”, outros enquadramentos, outras incidências, outras maneiras de ver e de apresentar os temas.



É o que se denomina agendamento (agenda setting), teoria bastante conhecida em todo o mundo por qualquer estudante de comunicação, desde os anos 70, que revela como os meios de comunicação determinam a pauta (agenda) para a opinião pública. Ou seja, resolvem o que e de que forma – de que ângulo, de que ponto de vista, sob que aspecto ou profundidade – nós, indefesos leitores/ouvintes, devemos discutir a história de cada dia. Pois, para muitos, o que não deu no Jornal Nacional, a caixa de sapatos de Bonner, não aconteceu.



Tem-se no agendamento o instrumento de impor ao leitor/ouvinte uma carga de opiniões político-ideológicas ou culturais que interessam às instâncias de poder vinculadas aos donos do veículo de comunicação. Dito de outra forma, a linha ideológica nasce de modo “espontâneo”, das necessidades dos profissionais da comunicação de manter uma relação de boa convivência e conforto em seus postos de trabalho. Ou seja, a linha ideológica da notícia nasce não só do perfil intelectual e cultural do jornalista, de suas relações e afinidades ou do seu compromisso social, mas também e sobretudo do tipo de (in)dependência profissional com seu veículo empregador.



De qualquer forma, para a unanimidade dos estudiosos não há isenção na produção de qualquer matéria jornalística, mesmo a que não é rotulada como opinativa. E assim, o ouvinte/leitor recebe o “benefício” do agenda setting para não precisar pensar. Já na década de 20, dizia o Estadão: “Um verdadeiro jornal constitui para o público uma verdadeira bênção. Dispensa-o de formar opiniões e formular ideias. Dá-lhes já feitas e polidas, todos os dias, sem disfarces e sem enfeites, lisas, claras e puras” (Editorial do O Estado de São Paulo, de 14/01/1928).



Pode-se inferir então que um mergulho no “lixo” e nas aparas, e um exame por ângulos e critérios ideológicos diversos no noticiário jornalístico, certamente produziriam caixas de sapatos diferentes da de Bonner. Um mergulho e um exame que serão facultados a qualquer ouvinte/leitor quando o veículo de comunicação lhe oferecer os diversos ângulos e a totalidade dos fatos, para que exerça criticamente sua análise e sua escolha. Será, enfim, a oportunidade de poder formar sua opinião, sua versão dos fatos.



Para que isso aconteça, a sociedade precisa se dar conta de que existe um direito que a Constituição lhe garante: o Direito à Informação. Informação em sua integralidade, que permita acesso a uma leitura crítica, personalizada, liberta das amarras opinativas unidirecionais viciadas. Democraticamente aberta a múltiplas interpretações e juízos. Múltiplas caixas de sapatos...



Um novo olhar

Uma amostragem do que “não aconteceu” (o lixo e as aparas do Bonner) pode ser vista no noticiário dos últimos dias:



Na última quinta-feira (24/12), o prestigiado jornal francês Le Monde¹ escolheu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como "o homem do ano de 2009. Por seu sucesso à frente de um país tão complexo como o Brasil, por sua preocupação com o desenvolvimento econômico, com a luta contra as desigualdades e com a defesa do meio-ambiente”.



Poucos dias antes, Lula foi escolhido pelo jornal espanhol El País² a primeira das cem personalidades mais importantes do mundo ibero-americano em 2009. Com direto a foto de capa inteira e perfil assinado pelo próprio primeiro-ministro da Espanha, José Luis Zapatero. "Homem que assombra o mundo", "completo e tenaz", “por quem sinto uma profunda admiração", escreveu o premiê espanhol.



Neste dia 29 de dezembro, o jornal britânico Financial Times³ escolheu o presidente brasileiro como uma das 50 personalidades que moldaram a última década, porque “é o líder mais popular da história do Brasil”. “Charme e habilidade política... baixa inflação... programas eficientes de transferência de rendas...", diz o jornal.



Há nestas notícias da imprensa internacional o reflexo de um novo dia, de um novo tempo de novos sonhos. Um novo olhar do mundo sobre o Brasil. No entanto, para o leitor/ouvinte dos nossos jornalões, simplesmente nada disso aconteceu.



(1) http://www.lemonde.fr/opinions/article/2009/12/24/lula-l-homme-de-l-annee-2009-par-eric-fottorino_1284552_3232.html#ens_id=1284699



(2) http://www.elpais.com/articulo/internacional/hombre/asombra/mundo/elpepuint/20091211elpepuint_1/Tes



(3) http://www.ft.com/cms/s/0/32e550e8-efd4-11de-833d-00144feab49a.html



( * ) Em Boletim H S Liberal você terá acesso às fontes desta postagem e poderá comentá-la.

Estas informações/opiniões não apareceram – ou não mereceram o devido destaque – nos “jornalões”, revistas semanais e blogs mais difundidos. O objetivo é fornecer, ou destacar, contrapontos à tendência ideológica da grande mídia. Assim, estimular o debate democrático do que acontece no mundo e no Brasil. (Favor manifestar-se caso não queira receber as próximas informações).

COMENTARIO DE LUIZ NAVARRO: Èsses fatos da mídia, são para que o Lula saiba que êle não é o preferido do sistema capitalista, do qual é um mero executor de determinações. O Lula saiu presidente porque interessava aos imperialistas Norte-americanos ter um dirigente popular comprometido até os dentes. A prova maior foi a nomeação do Henrique Meirelles para o "BANCO CENTRAL", antes do Lula Tomar posse na frente do BUSH. O Lula é um marionete do capitalismo.

O Lançamento da REVISTA COMUNISTA INTERNACIONAL


É com muita honra que o PCB apresenta abaixo o editorial do primeiro número da REVISTA COMUNISTA INTERNACIONAL, que nasce como um importante instrumento do proletariado e dos setores populares na luta contra o capital.
A Revista surge no nonagésimo aniversário de fundação da III Internacional.

O lançamento da Revista Comunista Internacional foi anunciado no Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, que se deu na Índia recentemente. A iniciativa é de Partidos marxistas-leninistas, com os quais o PCB tem grandes afinidades políticas e ideológicas e vem se relacionando na perspectiva de contribuir para o revigoramento do caráter revolucionário do Movimento Comunista Internacional: Partido Comunista da Grécia, Partido do Trabalho da Bélgica, Partido Comunista Operário da Hungria, Partido Socialista da Letônia, Partido Comunista de Luxemburgo, Partido dos Comunistas de México, Partido Comunista dos Povos de Espanha, Partido Comunista Operário da Rússia, Partido Comunista Turco e Partido Comunista de Venezuela. Inicialmente, a Revista será editada apenas nos idiomas inglês, grego, espanhol e russo,

A Comissão Política Nacional do PCB, aprovando relatório das atividades de seus delegados presentes ao Encontro Mundial torna público à sua militância, a seus amigos e simpatizantes e aos revolucionários brasileiros de uma maneira geral que o nosso Partido assumiu a responsabilidade pela edição da Revista Comunista Internacional, em língua portuguesa, para distribuição no Brasil.

Diante deste fato histórico para o movimento revolucionário no âmbito mundial, o PCB envidará todos os seus esforços para aportar a esta iniciativa a contribuição que estiver à sua altura.

Viva a Revista Comunista Internacional!
Viva o Internacionalismo Proletário!

PCB - Partido Comunista Brasileiro

Nasce a Revista Comunista Internacional

"Os comunistas não têm porque esconder suas idéias e intenções. Declaram abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados derrotando pela violência toda a ordem social existente". Manifesto do Partido Comunista, K. Marx e F. Engels

Atenas, 27/11/2009,

Com o número um, em dezembro de 2009, nasce a Revista Comunista Internacional, como uma iniciativa de várias revistas teóricas e órgãos jornalísticos de Partidos Comunistas. A revista, que sai em inglês, espanhol e russo, tem sua sede em Atenas.

O Conselho Editorial da revista está composto por representantes das edições: "Études Marxistes" (Partido do Trabalho da Bélgica), "Revista Comunista" (Partido Comunista Grego), "Szabadság" (Partido Comunista Operário da Hungria), "????????? ??????" (Partido Socialista da Letônia), "Zeitung vum Letzebuerger Vollek" (Partido Comunista de Luxemburgo), "El Comunista" (Partido dos Comunistas Mexicanos), "Propuesta Comunista" (Partido Comunista dos Povos da Espanha), "????????? ????" (Partido Comunista Operário da Rússia), "Genelek" (Partido Comunista Turco), "Debate Abierto" (Partido Comunista da Venezuela).

Quanto aos princípios desta nova revista e seus objetivos, o CONSELHO EDITORIAL DA "REVISTA COMUNISTA INTERNACIONAL" assinala o seguinte:

"A publicação do primeiro número da REVISTA COMUNISTA INTERNACIONAL expressa a necessidade de cooperação entre revistas teóricas e políticas de Partidos Comunistas que têm posições comuns numa série de assuntos teóricos e ideológicos fundamentais. Esta necessidade vem amadurecendo por meio da avaliação do período de retrocesso do movimento comunista internacional depois do triunfo da contra-revolução na URSS e nos países orientais e centrais da Europa, assim como através dos assuntos que o movimento comunista tem enfrentado no desenvolvimento da luta de classes moderna.

Os passos dados rumo à cooperação e coordenação dos Partidos Comunistas e Operários no período passado foram muito importantes e necessários. Consideramos estes avanços essenciais, os apoiamos e seguiremos apoiando. Foi alcançado um certo nível de discussão, intercâmbio de informação e coordenação, de posições e ações comuns em vários assuntos.

Entretanto, é fundamental conquistar a unidade político-ideológica do movimento comunista sobre a base do marxismo-leninismo, a defesa das conquistas que trouxe para a classe operária em nível internacional o primeiro esforço histórico de construir o socialismo, assim como a concepção sobre o caráter da derrocada e de suas causas. Tudo isso constitui condição prévia para a superação da profunda crise do movimento comunista e a revitalização do objetivo estratégico socialista.

Por isso, afirmamos que, em paralelo à continuação desta cooperação e coordenação dos Partidos Comunistas e Operários, como o encontro internacional anual, é necessário reforçar a cooperação teórica entre as revistas teóricas marxista-leninistas. Não nos esquecemos de que a principal condição para a formação de um partido revolucionário é o domínio da teoria revolucionária, o que foi o foco de atenção da III Internacional Comunista Leninista, que este ano celebra seu 90º aniversário. Desde a primeira publicação de sua revista teórica, titulada "Comunista Internacional", o Komintern expressou seus princípios organizativos e suas posições teóricas.

A REVISTA COMUNISTA INTERNACIONAL, seguindo a tradição leninista, é uma publicação com um claro caráter político-ideológico. É uma publicação com um ponto de vista e não uma simples compilação de teses de Partidos Comunistas, o que já se cumpre com outras publicações, tais como o Boletim Informativo dos encontros internacionais de Partidos Comunistas e Operários, assim como outras publicações partidárias. Nosso objetivo é contribuir à popularização e ao desenvolvimento da teoria marxista-leninista com análise ideológica e posicionamento político ante os modernos desenvolvimentos do capitalismo e os problemas da luta de classes. Consideramos que o reforço da orientação marxista-leninista no seio do movimento comunista internacional é uma condição sine qua non para sua necessária reorganização.

As revistas teóricas e políticas dos Partidos Comunistas que cooperam na publicação da REVISTA COMUNISTA INTERNACIONAL estão unidas com base na concepção comum sobre assuntos importantes relativos ao movimento comunista internacional, na defesa dos princípios do marxismo-leninismo, do internacionalismo proletário, da necessidade da revolução socialista, da ditadura do proletariado e da construção da sociedade socialista.

Unimos nossas forças:

- para contribuir à reorganização teórica e ideológica do movimento comunista internacional sobre uma base marxista-leninista sólida, não obstante as diferentes aproximações em temas de estratégia.

- para sublinhar expressamente o papel de vanguarda da classe operária no processo revolucionário e seu papel dirigente na luta pelo progresso social, pela transição revolucionária do capitalismo ao socialismo.

- para defender os princípios leninistas do partido, em condições de crescimento da pressão sobre os Partidos Comunistas para sua incorporação à ordem capitalista.

- para mostrar a necessidade de lutar contra as uniões imperialistas, tais como o FMI, a OTAN, a UE, etc.

- para defender a experiência histórica do movimento comunista internacional, com segurança, sem negar a necessária crítica e as conclusões científicas que ajudaram o atual movimento comunista internacional a dar passos adiante. Consideramos que é necessário seguir a via das tradições revolucionárias da Comuna de Paris, da Revolução Socialista de Outubro, da Internacional Comunista e da experiência socialista da URSS e dos outros países.

A reorganização teórica e ideológica do movimento comunista internacional não pode realizar-se sem uma firme confrontação das correntes que atuam no seio do movimento operário, tais como a socialdemocracia, todo tipo de oportunismo dentro do movimento comunista, revisionismo, reformismo, nacionalismo, cosmopolitismo e liberalismo.

Por isso, expomos abertamente, ao conjunto do movimento comunista internacional, nossas posições, nossa concepção e nossa crítica ao existente retrocesso e distorção do marxismo e contribuímos ao início de uma discussão importante em suas fileiras para sua orientação teórica e ideológica. Nos dirigimos a todas as publicações teóricas dos Partidos Comunistas que apóiam os princípios acima expressos e que queiram contribuir neste esforço.

Julgamos necessário dedicar o primeiro número da REVISTA COMUNISTA INTERNACIONAL à atual crise econômica capitalista internacional, que assinala os limites históricos do modo de produção capitalista e acumula material explosivo que pode contribuir aos processos revolucionários nos anos vindouros."

Original: Site da Revista Comunista Internacional http://www.iccr.gr

Postado:Prof.Sérgio

Seguiremos organizando o povo para a luta, diz MST



Em 2009, fizemos grandes jornadas de lutas e mobilizações que recolocaram a Reforma Agrária na pauta do governo e da sociedade. Apontamos que a democratização da terra era e é a saída para a crise e, como consequência, enfrentamos diversas ofensivas e tentativas de criminalização por parte do inimigo - cujas tentativas de desmoralização culminaram na instalação de uma CPMI contra a Reforma Agrária.
Confira a entrevista concedida para a página do MST por Joba Alves, da coordenação nacional do MST, que faz um balanço político das lutas do Movimento em 2009 e elenca os desafios para 2010.

Quais foram os principais focos da luta do movimento este ano? Por quê?

Joba Alves - Nossa atuação se deu centrada em trazer para a pauta do governo e da sociedade a Reforma Agrária, que estava sendo pouco debatida na agenda política e praticamente abandonada pelo governo como política pública. O governo fez uma opção pelo agronegócio como modelo de desenvolvimento para o campo brasileiro e mantém a realização da Reforma Agrária apenas medida compensatória para solução de conflitos sociais isolados. Fizemos lutas pelo assentamento das mais de 90 mil famílias acampadas. Além disso, reivindicamos a recomposição do orçamento da Reforma Agrária, que sofreu cortes pelo governo que alegou ser por conta da crise econômica. Como parte da luta, exigimos a atualização dos índices de produtividade que há mais de 30 anos estão desatualizados(a portaria em vigor usa ainda os dados do censo agropecuário de 1975, para medir a produtividade media das fazendas em cada uma das 450 micro regiões do país).

Isso impulsionou o acirramento da luta com o latifúndio.

JA - Também faz parte das nossas reivindicações uma melhor política de desenvolvimento para os assentamentos. Neste aspecto, as nossas lutas cumpriram um papel fundamental, tanto do ponto de vista da força que demonstrou no acampamento em agosto, quanto pela articulação junto à sociedade, imprescindível nas conquistas. Mantivemos o enfrentamento às empresas transnacionais da agricultura, que avançam no controle da produção, do território e dos recursos naturais, travestidas de agronegócio. Na luta política, contribuímos em temas como o da crise financeira, fazendo um amplo debate com forças da classe trabalhadora para tirar um entendimento comum sobre a crise e seus efeitos, além de uma agenda comum de lutas dos setores populares do país, visando uma unidade entre os diversos movimentos sociais. Defendemos também o controle popular e nacional sobre os recursos naturais (e a estratégica função que cumprem para a conquista da nossa soberania), que se expressou na campanha em defesa do petróleo, onde contribuímos na articulação de um caráter nacional. Tivemos também uma importante atuação em defesa do ambiente e participamos de articulações com diversos setores contra mudanças devastadoras propostas pelo agronegócio no Código Florestal. Entendemos que a destruição da legislação ambiental causará uma maior degradação da natureza para beneficiar a expansão do agronegócio.

Qual o balanço do processo de Reforma Agrária neste ano? Houve algum avanço?

JÁ - Tivemos vitórias políticas simbólicas, mas houve pouco avanço no campo econômico. Do ponto de vista das desapropriações, não há o que comemorar. Não houve um número significativo de famílias assentadas. Ao contrário, foi o pior ano em conquista de assentamentos - praticamente não houve nada. As nossas conquistas se deram no campo político, como a conquista do compromisso do governo em atualizar os índices de produtividade – uma reivindicação histórica dos movimentos de luta pela Reforma Agrária no país. A desapropriação da fazenda Nova Alegria, em Felisburgo, além de representar uma conquista por toda história e simbologia, traz um novo precedente importante para as desapropriações de terras no país com a utilização do critério da função social ambiental. Isso era coisa até então inédita no país e que pode possibilitar novas desapropriações. Outra vitória no campo político foi a conquista da área da Syngenta no Paraná, que impôs uma derrota às transnacionais e que leva o nome do nosso companheiro Keno, que marca a história de resistência. São simbólicas também as condenações sofridas pelo Estado brasileiro na OEA, que confere uma derrota moral não só aos latifundiários (que a depender da parte mais poderosa da Justiça brasileira se manterão impunes), mas ao conjunto das instituições brasileiras que criminalizam os movimentos sociais e agem com parcialidade. Significa um reconhecimento internacional às perseguições impostas às lutas populares por setores do Estado brasileiro. Nesse mesmo sentido, a realização do acampamento nacional em Brasília representou uma grande demonstração de força política, de unidade e de forte apoio da sociedade à reforma agrária e ao MST.

E quais conquistas podemos destacar?

JÁ - A nossa conquista principal foi trazer a Reforma Agrária para a pauta do centro do governo e da sociedade, numa correlação de forças tão adversa e, ao mesmo tempo, impor derrotas mesmo que no campo político e simbólico aos setores mais reacionários do país. A nossa capacidade de dar respostas aos ataques do latifúndio, aliado a setore s do Poder Judiciário, da mídia e da Polícia Militar no RS, SP, PE e Pará, onde não só a nossa base respondeu com as lutas de massa, como soube mobilizar amplos setores da sociedade que se posicionaram em defesa do MST e da Reforma Agrária. O Acampamento Nacional (realizado durante o mês de agosto, em Brasília com mais de dois mil militantes) deu uma demonstração de força política do MST e trouxe para a pauta da sociedade e do governo a Reforma Agrária e impôs respeito frente aos nossos inimigos e ao governo federal. Precisamos valorizar também as diversas iniciativas de defesa do MST assumidas por inúmeros setores da sociedade frente aos processos de criminalização impostos por nossos inimigos, numa demonstração de solidariedade. Precisamos saber interpretar e valorizar a conquista de Felisburgo e a
vitória contra a Syngenta no Paraná, e a conseqüente importância para a luta pela Reforma Agrária.

Qual a avaliação da postura política e das ações do governo federal e do Incra em 2009?

JÁ - O governo federal fez uma opção clara pelo agronegócio como modelo a ser aplicado no campo brasileiro e tem atuado com descaso em relação à Reforma Agrária, que está sendo tratada como política compensatória e só é aplicada em situação de conflito social, não como política de Estado para combater o latifúndio e a concentração da terra. O governo federal segue a mesma política do seu antecessor, incorporando aos números de famílias assentadas, os projetos de colonização na Amazônia, e incluindo nos dados regularização fundiária e reposição de famílias em lotes vazios de assentamentos antigos. São ações importantes, mas que não mexem com a estrutura de concentração fundiária. O governo vem apostando também em políticas que favorecem a concentração de terra, como a política proposta pelo governo para a produção de etanol e biodiesel, que tem na visão deles o agronegócio como modelo. São opções como essas que tornam o país o maior concentrador de terras do mundo, como atestou recentemente o censo agropecuário. Grande parte da bancada ruralista é base de apoio do governo federal, que cobra suas faturas prá apoiar o governo em processos de votações importantes no Congresso e na véspera de período eleitoral.

Assistimos, ao longo do ano, a episódios como o assassinato de Elton Brum no RS, o fechamento das escolas itinerantes, tentativas de criminalização no Pará e Pernambuco. Como o Judiciário se articulou nesse processo de recrudescimento da criminalização do MST em 2009?

JÁ - Ma verdade, grande parte do Judiciário brasileiro sempre esteve historicamente comprometida com o latifúndio. Sempre foi muito ágil em reprimir as ações dos movimentos sociais, em especial a luta pela terra, ao mesmo tempo em que sempre foi moroso e parcial com os crimes cometidos pelo latifúndio. É só olharmos para os assassinatos cometidos contra trabalhadores no campo pelos fazendeiros: praticamente quase nada foi julgado. Além disso, mais de 15 mil famílias estão sendo impedidas de ser assentadas simplesmente por conta de ações de juízes que suspenderam as emissões de posse. Há um elemento novo que é a manifestação pública, por meio de pronunciamentos políticos fora dos autos de membros do Poder Judiciário em defesa explícita do agronegócio e contra os movimentos sociais, em especial contra o MST. A maior expressão dessa novidade é o presidente do STF, Gilmar Mendes. Isso estimula outros juízes a seguirem o mesmo comportamento, bem como legitima a violência contra os movimentos sociais. Existe uma articulação estreita entre o latifúndio, judiciário e a mídia: um manda, o outro executa e outro publiciza, dá destaque e cria escândalos. As atitudes do presidente do STF Gilmar Mendes são a expressão maior desta relação promíscua, comprometida com o projeto das elites brasileiras, que no campo têm o agronegócio como o modelo a ser seguido e defendido. Não por acaso Gilmar Mendes tem se pronunciado politicamente contra as ações dos movimentos sociais e em especial o MST. Apesar dos vários crimes cometidos pelo agronegócio, assassinatos, trabalho escravo, lavagem de dinheiro, entre outros, não há um pronunciamento do ministro contra tudo isso. Ao contrário, ele tem se colocado na defesa destes criminosos, como ocorreu com os Habeas Corpus concedidos por ele, ao banqueiro Daniel Dantas.

Ainda nesse contexto de criminalização, o que a criação de uma CPMI sinaliza?

JÁ - A CPMI representa a disputa de modelo para o campo entre o agronegócio e a pequena agricultura e os movimentos sociais, que são para o latifúndio um empecilho para a consolidação total do agronegócio. Além de os movimentos sociais fazerem a luta direta pela defesa da Reforma Agrária, a defesa do território, também atuam na denúncia dos crimes cometidos pelo agronegócio e todas suas mazelas, se tornando uma péssima propaganda perante a sociedade e a comunidade internacional. Os movimentos sociais do campo representam o ultimo obstáculo a ser removido do caminho do agronegócio. Eles têm a maioria no Parlamento, o controle da grande imprensa, sustentação de praticamente todo o Poder Judiciário e apoio do governo federal. Além disso, colocaram todos os recursos para tentar impor uma derrota moral aos seus inimigos. Aprenderam que não é mais possível ter como forma de enfrentamento aos movimentos sociais apenas a repressão física, com assassinatos e cadeias. Perceberam que a sociedade não aceita mais essa prática, que continua existindo. Então, agora, atuam no sentido de desmoralizar os movimentos sociais, tentando impor a imagem de vândalos, corruptos e criminosos a todos aqueles que fazem a luta social. Querem tirar todo o caráter social das reivindicações, ao mesmo tempo em que precisam melhorar a sua imagem diante da sociedade. Criminalizam a Reforma Agrária para se “descriminalizar”, usando a imprensa e o posicionamento público de autoridades. Certamente, não foram as ações realizadas nas áreas griladas da Cutrale e o espetáculo midiático feito em torno dela, tampouco os enfrentamentos nas terras do Dantas no Pará, que fizeram ser instalada a CPI. Eles precisam derrotar a Reforma Agrária e a CPI é parte desse processo de criminalização, que agora articula as várias formas de criminalização, que estão em curso pelo Estado e suas várias ferramentas, em um enfrentamento articulado nacionalmente com toda uma espetacularização na mídia. Essa CPI não tem legitimidade. Nem no seu conteúdo - que não passa de matéria requentada e que foram objeto de outras CPMIs e órgãos fiscalizadores como TCU e Ministério Público - nem mesmo pelo setor proponente, que tem um histórico de crimes que vão de trabalho escravo até corrupção e envolvimento político com empresas do agronegócio. A sociedade brasileira condenou amplamente esta CPI, foram inúmeras manifestações de apoio recebidas pelo MST dos mais diversos setores da sociedade, seja com realização de atos de apoio, que se realizaram por todo o país, seja pelo reconhecimento de instituições do próprio Estado, que premiaram o MST pela sua atuação na defesa da Reforma Agrária.

Quais as perspectivas e principais desafios a serem enfrentados em 2010 pelo MST e a classe trabalhadora em geral?

JÁ - Teremos um ano curto para cumprir nossas tarefas e enfrentar enormes desafios políticos e organizativos, internos. É um ano de eleições nacionais e Copa do Mundo, que envolvem toda a sociedade brasileira. Precisamos avançar no assentamento das famílias acampadas, fazer uma boa jornada de lutas em março e abril prá manter nossas reivindicações na ordem do dia. Precisamos avançar no debate sobre as contradições do agronegócio, que em tempos de mudanças climáticas é o principal vilão, que despeja veneno nas mesas dos brasileiros, que tem causado inúmeras violências contra as populações do campo, sem terra, indígenas, quilombolas e ribeirinhos etc. Precisamos lutar junto com a sociedade contra a proposta de mudança do Código Florestal proposta pelo latifúndio. Isso representa não apenas mais espaço no campo para o agronegócio, mas uma desgraça ao ambiente. Precisamos debater com a sociedade que a Reforma Agrária nunca foi tão necessária em nosso país como atualmente, seja pela justiça social que se implanta com sua realização, seja pelo agravamento dos problemas nos grandes centro urbanos. É um tema imprescindível da sobrevivência da humanidade no planeta, que precisa enfrentar o aquecimento global e as mudanças climáticas. Mostrar para a sociedade como o modelo do agronegócio, controlado pelas empresas transnacionais coloca em risco a soberania alimentar do país. Por outro lado ele só produz alimentos contaminados, já que o Brasil se transformou o maior consumidor mundial de venenos agrícolas. E ele é o responsável pelas alterações climáticas e o desequilibro do meio ambiente que afeta a toda população, sobretudo as que vivem amontoadas nos grandes centros. Nós, brasileiros, temos responsabilidades importantes no cenário mundial e mais ainda os movimentos sociais do campo, que representam parte da solução dos problemas das mudanças climáticas. Se por um lado o agronegócio é o grande causador do aquecimento global, a Reforma Agrária é a responsável pelo esfriamento do planeta com a produção de alimentos. É preciso conter o avanço do agronegócio e dos grandes projetos no campo para salvar o planeta. Será preciso compreender os grandes temas da sociedade para juntos dar a nossa contribuição. Para isso, visamos uma ampla aliança com os setores urbanos, também na perspectiva de fazer com que a sociedade se envolva mais no seu comprometimento na defesa da Reforma Agrária. Caso contrário, a Reforma Agrária ficará no campo e ai ficará vulnerável aos ataques dos setores conservadores da elite brasileira. Será um ano de muitas lutas, apesar do calendário curto, quando precisaremos combinar as nossas lutas específicas com as bandeiras do conjunto da classe trabalhadora e dos setores progressistas. Dessa forma, vamos enfrentar o processo de criminalização dos movimentos sociais, que será intenso. Não com postura de vitimização, mas promovendo um bom debate sobre os verdadeiros problemas do povo brasileiro e desvelando as contradições do modelo de desenvolvimento do campo e da sociedade, que é um modelo insustentável do ponto vista social, ambiental, econômico e político. Certamente seguiremos organizando o povo para luta e debatendo com a sociedade a necessidade de um outro modelo como forma de superação da pobreza e da miséria e de todas as contradições do atual modelo econômico e social e político.

Postado:Prof.Sérgio

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

DISPUTA ENTRE NEOLIBERAIS!

Todo o apoio aos trabalhadores, ao povo e ao governo da Bolívia!
O Partido Comunista Brasileiro (PCB) vem a público manifestar seu apoio à decisão firme, corajosa e soberana tomada pelo governo da Bolívia. O companheiro Evo Morales, no seu centésimo dia como presidente, nada mais fez do que realizar aquilo que tinha prometido ao longo de toda a sua campanha eleitoral. O presidente Lula não sabe o que é isso, e a história aqui foi outra, quando, em 2003, ao completar seus cem primeiros dias de governo, Lula e toda sua equipe entoavam a desculpa ridícula de que não se podia “dar cavalo de pau em transatlântico”. Aos poucos os trocadilhos e as metáforas foram ficando de lado, sendo substituídas pela mais pura subserviência aos banqueiros e ao sistema empresarial, pelo rompimento descarado de Lula e do PT com sua trajetória no campo popular e simbologia de esquerda. Já ultrapassamos os mil dias de governo Lula e nenhuma guinada foi realizada enquanto a esperança naufragava.


Na Bolívia a nacionalização dos recursos naturais atende a uma legítima e antiga aspiração do povo e dos trabalhadores: a de usufruir plenamente de suas riquezas nacionais, que há séculos vêm sendo saqueadas pelas grandes empresas capitalistas.


A Petrobrás – cuja criação representou uma grande vitória dos trabalhadores brasileiros na luta pela soberania nacional – há muito vem se comportando como uma empresa privada qualquer, espoliando riquezas alheias com o total apoio dos governos, pagando pelo gás boliviano um terço do seu valor de mercado. A atitude do governo brasileiro deveria ser a de propor uma integração latino-americana de novo tipo, voltada para os interesses da classe trabalhadora e dos povos irmãos da tão sofrida América Latina – muito próximos em comparação aos interesses privados capitalistas e imperialistas. Ao invés de apelar para tribunais internacionais ou chantagear os trabalhadores bolivianos com a ameaça do desemprego e os consumidores brasileiros com o aumento de tarifas, a Petrobrás pode e deve seguir atuando na Bolívia, prestando seus serviços e sendo remunerada com um pagamento mais justo, apoiando o desenvolvimento daquele país.


Os comunistas do PCB se solidarizam com a luta do povo boliviano por seu progresso socioeconômico e por sua independência política, e esperamos que o governo brasileiro não embarque na histeria fomentada pela burguesia brasileira. Esta, que nunca foi nacionalista, através da grande mídia vem procurando a todo custo distorcer as informações sobre o processo de nacionalização e criar um clima de disputa artificial entre os dois povos e os dois governos. Se interessa ao empresariado a reeleição de Lula, por outro lado também lhe interessa mostrar que a volta do PSDB à presidência é uma alternativa igualmente rentável – para a burguesia a opção será entre neoliberais mais competentes em cativar o povo do que em roubar (PT) e neoliberais mais competentes em roubar do que em cativar o povo (PSDB). Como não queremos ser cativos nem continuar sendo roubados, nossa opção ontem, hoje e amanhã é pelo socialismo e pelo enfrentamento à burguesia e todos os seus representantes políticos.


É por isso que nossos reais inimigos não estão na Bolívia ou na Venezuela, países que hoje experimentam governos de mudança social efetiva. Nosso real inimigo está na cobiça do capital, que tenta, cada vez mais, ampliar a exploração sobre os frutos do suor dos trabalhadores em todo o mundo. Não somente na Bolívia, assim também tem sido a ação dos capitalistas no Distrito Industrial de Manaus, responsável por uma imensa produção de riquezas, riquezas estas que pouco significam para melhorar a vida da maioria dos seus trabalhadores – super explorados, mal remunerados, e desorganizados na defesa de seus interesses. As riquezas, sejam elas naturais ou produzidas, devem pertencer ao povo, no Brasil, na Bolívia e no mundo todo.


Viva os trabalhadores e os povos boliviano e brasileiro.
Viva o poder popular! Viva o socialismo!


Manaus, 21 de maio de 2006.


Comitê Estadual do PCB do Amazonas

Nova 'farra das passagens'



Notas fiscais apresentadas pelos congressistas para obter reembolso da verba indenizatória revelou o escândalo

Menos de um ano depois do escândalo conhecido como a “farra das passagens”, documentos sigilosos revelam que recursos públicos bancaram despesas de viagem de deputados e acompanhantes a pontos turísticos em finais de semana, feriados e períodos em que o Congresso esteve vazio.

Os gastos constam de documentação entregue pela Câmara a reportagem da “Folha de S. Paulo” após determinação do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de uma relação de 70 mil notas fiscais apresentadas pelos congressistas para obter reembolso da verba indenizatória, destinada exclusivamente à atividade legislativa.

Os dados se referem a quatro meses, entre setembro e outubro de 2008, período cujos recibos estão trancafiados em uma sala do Congresso. Lá estão notas fiscais de resorts, hotéis-fazenda, pousadas à beira-mar e restaurantes sofisticados visitados por deputados em Estados diferentes daqueles que eles representam.

Este é o quinto exemplo de desvio de finalidade da verba revelado pela “Folha de S. Paulo”. Foram mostrados casos de deputados que apresentaram notas de empresas de fachada ou fantasmas, o uso da verba em campanhas eleitorais, gastos em empresas próprias e despesas com festas de fim de ano.

Com base nas reportagens, a Corregedoria da Câmara abriu investigação preliminar, mas não decidiu quais casos seguirão para o Conselho de Ética e quais serão arquivados.

Feriado

Entre os novos casos está o de Enio Bacci (PDT), do Rio Grande do Sul, que, acompanhado, passou o fim de semana do feriado de 12 de outubro na pousada à beira-mar Vila do Farol, em Bombinhas, próximo a Florianópolis. Por duas diárias, pagou R$ 830.

Bacci alegou que tinha um compromisso na segunda-feira seguinte na capital catarinense, e que antecipou a viagem para fazer ‘contatos políticos’ na região. Disse também que procurou hospedagem a “20 km ou 30 km” de Florianópolis (na verdade, são 66 km) para economizar no deslocamento.

Questionado sobre o fato de ter escolhido o hotel mais caro de Bombinhas, uma das principais cidades turísticas do Estado, reagiu indignado: “Prefiro ser citado pelo pagamento do hotel que por corrupção. Os corruptos não pagam hotel com a verba porque roubam bilhões”, disse.

No mesmo fim de semana, Edinho Bez (PMDB), de Santa Catarina, visitou as cidades históricas de Pirenópolis e Goiás Velho, em Goiás, acompanhado da mulher. A hospedagem do casal foi paga pela Câmara.

O deputado disse que o destino de sua viagem foi na verdade a cidade de Nova Veneza (GO), que, segundo ele, é co-irmã do município com o mesmo nome em Santa Catarina, seu reduto eleitoral. Indagado sobre Goiás Velho, onde também há registro de despesa com hospedagem, ele afirmou que visitou a cidade no caminho de volta para Brasília .

Postado:Prof.Sérgio

domingo, 27 de dezembro de 2009

Injustiças tributária, uma realidade no Amazonas?



A população do interior do Estado tem sofrido na mão dessa OLIGARQUIA que está a mais de cinco décadas no Amazonas?


A tabela abaixo nos mostra o quanto é inexplicável o modelo de distribuição de recursos no Amazonas, independentemente do ângulo que você queira buscar de interpretação sobre esses números (valor médio por habitante/mês).

Repare que o município que possui a maior média de repasse por habitante é Presidente Figueiredo, com R$ 146,36 hab/mês (aí explicado pela presença das mineradoras). Manaus aparece em 4º, com R$ 35, 17 hab/mês e Coari, a “terra do gás”, aparece apenas em 6º, com R$ 34, 57 hab/mês.

As cidades de Parintins, Tabatinga e São Paulo de Olivença são as três últimas colocadas, com a média de R$ 11,00 hab/mês, bem abaixo da média estadual.

Essa distribuição, com certeza, deve ser melhor explicada ou, no mínimo, ser modificada futuramente, através de estudos técnicos. Dizem que o trabalho realizado pela Fundação Getúlio Vargas, seis anos atrás, foi um verdadeiro desastre.







Postado:Prof.Sérgio

sábado, 26 de dezembro de 2009

A ECONOMIA DA DESTRUIÇÃO



Os Estados Unidos: a Economia da destruição e a Terapia de Choque
*Robson de Moraes

A economia norte americana está assentada em complexo militar - industrial. Se o Pentágono fosse um país, estaria entre as quinze maiores economias do mundo. Segundo Stephen Dais, com os dólares que foram gastos com armamento pelo governo americano, no período de 1947 a 1989 (8,2 trilhões de dólares), poderia se construir um outro do país do porte dos E.U.A , incluindo todas as suas indústrias e infra-estrutura existente. Só no ano de 2002 foram gastos com armamento, em todo o planeta a soma de 0,8 trilhões de dólares, sendo que cinco países são responsáveis por metade deste gastos.Em 2005, somente o Ministério da Defesa Americano, superou a cifra de um bilhão de dólares por dia. O orçamento de desenvolvimento e pesquisa do Pentágono, equivale a algo entre 70% e 80% das pesquisas militares realizadas no planeta. Seymour Melman, afirma que desde 1951 o orçamento militar americano envolve uma quantia maior do que a somatórias de todas as corporações sediados no país. O setor bélico (estatal e privado), empregava em 1986, mais de 6 milhões de pessoas, um em cada 20 empregos depende direto ou indiretamente de gastos militares (Washington Post - 17/01/1986) , sendo que a fronteira entre o que é incluindo ou não no orçamento militar é mantido inteiramente na sombra. George McGovern, sustenta que em 1969 a cada um dólar pago de imposto pelo cidadão dos estados Unidos, apenas 28% ficavam liberados para despesas não militares. Como se pode concluir, considerar o grande irmão do norte como um estado militarista tem a sua razão.

Atualmente o Capital Financeiro, a industria militar americana, aliado ao capital petrolífero e a grande mídia, compõem o centro hegemônico na estrutura de poder da sociedade americana. A administração W. Bush, foi apenas uma expressão mais reveladora da presença deste agrupamento no domínio da maior potência militar do planeta. Após os atentados de 2001, foram autorizados mais gastos militares. As empresas contratadas no setor privado são as mais lucrativas. A Rockwell International multiplicou por oito seus contratos com o Pentágono. Desde então, segundo Mario Pianta, as contribuições às campanhas presidenciais multiplicaram por quatro.

Richard Chenney (Vice - Presidente de Bush), foi executivo principal da Halliburtun Corp, empresa mãe de uma das maiores beneficiárias de contratos com Pentágono (Kellogg, Brown & Root), que ganhou contrato milionários para as obras do Iraque ocupado. Na vigência da política contra o “eixo do mau”, os gastos militares foram elevados em 18% para fim de modernização tecnológica. Empresas como Boeing, Lockeed Martin e Northorp Grummann, estão entre as que mais faturaram com os avanços da máquina da guerra.

Vinte e dois, dos cinqüentas estados americanos, dependem das despesas militares. Em 14 estados o emprego está ligado a empresas com íntima relação com o sistema de defesa. A economia deste país não pode suportar o desarmamento. Em sete estados a indústria da guerra representa 20% da economia. Desta forma, é fácil chegar a conclusão que a economia dos Estados Unidos é extremamente dependente da máquina de destruição da vida. Os grupos industriais norte americanos, que nas décadas de 1920 e 1930, eram inseridos na produção automobilística, migraram com a crise de 1929 e a II Grande Guerra, para as encomendas militares. O complexo industrial militar do Tio Sam é de um tipo jamais visto na história da humanidade, que resultou (direta ou indiretamente), nas guerras mais sangrentas da experiência humana na Terra.

*Professor; membro da Comissão de Políticas Urbanas da Associação dos Geógrafos (AGB-GO) e militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

A história da economia armamentista norte americana andou lado a lado, com o aumento do déficit público. As aparentes tentativas de fazer encolher ou de formatar o complexo militar - industrial, converteu – se em seu oposto, isto é, em mais gastos militares. Em 1949, houve uma depressão na economia dos Estados Unidos, com diminuição do Produto Interno Bruto e quebra das importações. Este fenômeno estava relacionado ao desarmamento seguido pelo fim da Guerra. A Guerra da Coréia reverteu esta tendência, realimentando a taxas de lucros. A saída encontrada pela economia capitalista para a crise de super - produção, veio com a corrida armamentista e não através da Teoria Geral de Keynes como muito se divulga. Para Claudio Katz é importante observar o desenvolvimento tecnológico, que se faz fundamental neste setor, Katz indica que todas as inovações tecnológicas significativas nas últimas décadas, foram inicialmente concebidas em esfera militar: a microeletrônica surge como resolução de problemas de balísticas; a energia nuclear veio do âmbito militar etc.

No imediato pós guerra, a demanda mundial era inferior a capacidade produtiva dos Estados Unidos. A pura e simples expansão produtiva poderia agravar ainda mais a super - produção. A indústria da guerra tem o “mérito” de elevar o poder de compra e consequentemente o consumo, sem produzir uma massa de mercadorias que vão ao mercado competir com outras mercadorias já existentes. A produção induzida pelo governo, tem a vantagem de não concorrer com a produção não militar. Os setores da economia voltado para a produção de mercadorias, perderam o controle da reprodução ampliada do capital para a indústria armamentista. O governo americano passou a ser o grande comprador “consumidor coletivo”.

A partir da estruturação da economia de guerra dos E. U A. fica patente a insuficiência do argumento, que defende a idéia na qual a cada crise a economia capitalista se renova, volta a crescer, acumula e desenvolve novamente as forças produtivas. O Grande Irmão do Norte criou uma economia baseada na guerra permanente, bem diferenciado do imperialismo britânico precedente.

Governos no mundo inteiro, não tem como subsidiar nada. A capitalização de recursos estatais são provenientes da própria população. Na prática o que ocorre é que uma parte da sociedade subvenciona a outra parte. O setor da economia não militar financia por meio de impostos a ajuda governamental à produção bélica. Os países mais ricos do mundo passam a ter sua base econômica embalada pelo crescimento da dívida pública, o G– 7, (grupo dos sete países mais ricos do mundo: E.U.A, França, Reino Unido, Itália, Canadá , Alemanha e Japão), criado no contexto do choque do petróleo de 1975 e do esgotamento do acordo de Breton Woods, vem implementando esforços de controlar artificialmente o déficit estatal através da financeirização, na qual a especulação passa a ter papel destacado e constituir-se como principal ator. Financeirização empresarial, desenvolvimento de estratégias de lucratividade a curto prazo, vão construindo o cenário em que o setor produtivo vai cedendo lugar aos ativos financeiros. O resultado? Todos nós já conhecemos: a atual crise econômica.

Aliada a incrível máquina de guerra estadounidense, uma outra tática é largamente adotada: a chamada terapia do choque, técnica que consiste em se aproveitar momentos de pavor para introduzir mudanças tidas como necessárias. Segundo o economista norte americano Milton Friedman, considerado um dos principais teóricos do liberalismo econômico contemporâneo, defensor do Capitalismo Laisse - Faire e do livre mercado, Somente uma crise, real ou pressentida, produz mudança verdadeira”. A afirmação de Friedman é a ponte que vincula uma onda de desastres naturais e provocados, com a ascensão do chamado neoliberalismo, nas mais variadas regiões do planeta.

Nas terras do Tio Sam o furacão Katrina, que arrasou com a região metropolitana de New Orleans, em agosto de 2005 e vitimou milhares de pessoas, foi recebido por “Tio Miltie” (nome dado pelos alunos de Friedman), em matéria publicada no Wall Street Journal, como uma “enorme possibilidade de reforma no sistema educacional de Lousiania”. Antes da passagem do Katrina, havia 123 escolas públicas e 7 privadas. Os professores contavam com uma forte representação sindical. Depois da tempestade, só restaram 4 escolas públicas, pois, as demais foram privatizadas. Os 4.700 professores demitidos e depois, uma parcela recontratada com salários reduzidos e sem estabilidade. O Americam Interprise Institute, declarou : “ O Katrina realizou em uma semana, o que os reformadores neoliberais não conseguiram em anos”, é o Capitalismo de Desastre.

Em 1947 Milton Friedman e Friedrich Hayek fundaram a sociedade de Mont Pelerin, um clube que incorporava economistas defensores da idéia de livre mercado, que levou o mesmo nome da pequena cidade suíça onde reuniam-se anualmente. Neste momento histórico, o mundo acabava de sair de uma Grande Guerra e de uma depressão econômica. O contexto da fundação do grupo de Mont Pelerin não era o mais estimulante para os novos liberais. Desde a crise de 1929 e a Teoria geral de John Maynard Keynes, a intervenção do estado como instrumento de regulação da economia era amplamente praticada. Friedman e Hayek eram vistos como pensadores exóticos e completamente descontextualizados das reais necessidades existentes no mundo da economia.

Em um de seus livros (Capitalismo e Liberdade), Friedman sistematiza os principais elementos que orientariam o mercado global e nos Estados Unidos seria transformada na agenda do movimento neo– conservador: Em primeiro lugar os governos deveriam abolir sistematicamente todos os entraves e empecilhos existente no caminho da acumulação de capital; Deveriam vender todos os ativos que pudessem ser administradas por empresas privadas. Deveria ainda cortar os gastos sociais. As diretrizes apresentadas tinham o inconveniente de ser extremamente impopular não podendo ser aplicada em um país onde a democracia e vontade popular fosse base estruturante da vida política, pois a reação a tais medidas poderia representar perda de popularidade e consequentemente de voto.

Com o crescimento das orientações do Desenvolvimentistas no Terceiro Mundo e as constantes ameaças aos interesses americanos nestas regiões é que vem a tona a Doutrina do Choque, em que se aproveita de um momento na qual a sociedade se encontra atordoada para realização da agenda apresentada por Friedman. Os sucessivos golpes militares executados na América Latina vão fornecer o ambiente necessário para a aplicação da agenda Neoliberal, sendo que a resposta popular passaria a ser simplesmente criminalizada e taxada de vandalismo, terrorismo ou comunismo.

O Chile é o palco da primeira experiência . O choque implemetado pela violenta deposição do Governo eleito de Salvador Allende e a ascensão de Augusto Pinochet, foi a bandeirada de largada do experimento Neo- liberal. Com tanques e canhões de guerra nas ruas a sociedade chilena presenciou a taxa de desemprego subir de 3% (durante o governo Allende ) para 20% um ano após o golpe. As manifestações populares duramente reprimidas pela Lei Marcial e o toque de recolher. A economia contraiu 15%. Em contrapartida grandes empresas estrangeiras passavam a controlar a economia aumentando expressivamente sua lucratividade.

A próxima experiência vem com outro golpe militar um novo choque, desta vez na Argentina (1976), que ao colocar o Peronismo na clandestinidade, a Junta Militar proíbe greves e elimina todas as restrições para demissão de trabalhadores. A ditadura privatizou centenas de |Companhias Estatais, transformando o país em solo atrativos para as multinacionais com a admiração e agradecimento de Washington. As celas e presídios ficaram abarrotadas de prisioneiros criminalizados pela resistência. Bolívia, Colômbia, Uruguai, Paraguai, entre outros seguiram o mesmo caminho.

Na década de 1980. o choque, na América Latina, foi causado pelo impacto da dívida externa. Com a elevação brutal dos juros da dívida promovida pelo Banco Central americano (FED), os países endividados foram obrigados a recorrer a empréstimos de curto prazo (F.M.I), o que invariavelmente agravou a situação.

O ideário neoliberal e sua Doutrina de Choque não se restringe aos países sul americanos. A Inglaterra do final da década de 1970 vivencia sua terapia de choque com Margareth Thatcher. Eleita em 1979 com o slogan “ O trabalhismo não está funcionando”, provocou a elevação dos níveis de desemprego e da inflação. Em 1982 seu índice de aprovação chegava a 18%. Mas um fato inusitado veio a proporcionar ao governo conservador inglês, bem como a junta militar argentina a edição de um novo choque. As Ilhas Malvinas, identificado como território britânico no atlântico sul e considerado, até então, como um peso para os cofres da coroa, foi ocupada por tropas argentinas. A guerra estava declarada. Uma ampla campanha de mídia foi iniciada relembrando a trajetória do orgulho do Império Inglês. No final da guerra (11 semanas e pouco mais de mil mortos), a popularidade de Thatcher ultrapassava a 59%. A reeleição estava garantida. O novo inimigo, agora interno, são os trabalhadores das minas de carvão em greve. Com o aparato repressor já montado pela recente guerra, a greve dos mineiros (o sindicato mais forte da Inglaterra) foi derrotada em um manifestação final com mais de setecentos feridos. O choque estava completo atordoados os Keynesianos e a esquerda trabalhista não puderam mais reagir. Privatizações, estímulo a fusões e cortes sociais foi o que se seguiu.

Os países do Bloco Socialistas não estavam imunes a Terapia do Choque de vertente Neoliberal. A ascensão do Movimento Solidariedade de Lech Walesa ao governo levou a Polônia a inflação de 600% e ao racionamento de comida. A festejada Perestroika (reestruturação) e Glasnost (abertura) de Mikhail Gorbachev, culminou com Boris Yeltsin e a completa bancarrota e desaparecimento da URSS. Na África do Sul a chegada ao governo de Nelson Mandela e dos militantes anti-apartheid do C.N.A (Congresso Nacional africano), incorporou a premissa neoliberal e foi incapaz de corrigir as graves distorções sociais e econômicas existentes no país

Nos Estados Unidos da era Reagan o mesmo ocorreu. O ex ator de Hollywood, em uma única canetada demitiu 11.400 controladores de vôo em greve, dobrando um importante sindicato deste país. Recentemente, os atentados às Torres Gêmeas fornecem os ingredientes necessários para a execução da chamada Terapia do Choque. Atordoadas pela ação que vitimou milhares de pessoas, o governo americano em uma imaginada cruzada, constrói todo um cenário propício a manobras políticas e econômicas de seus interesses. Governos em várias partes do planeta apresentam “preocupações” semelhantes e recorrem a medidas de exceção que fortalecem o controle e a obediência, evitando ou combatendo diretamente as mais variadas reações.

A crise do capitalismo expressada pelo descenso político do neoliberalismo, pode representar uma crise de hegemonia norte americana, no entanto, a edificação de um bloco de forças anti-imperialistas e anti-neoliberais, encontra uma série de dificuldades. O que se denomina de Pós-Neoliberalismo, é um termo por demais genérico e incorpora diferentes formas de negação do Consenso de Washington. A quadra histórica que vivemos é amplamente marcada pela perda de legitimidade das correntes liberais e por variados esforços de viabilização de projetos alternativos tendo ainda como pano de fundo o cheiro de pólvora e cadáver do belicismo americano.

Postagem de: Luiz Navarro

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

DECLARAÇÃO DE CARACAS


Aos 185 anos da transcendente batalha de Ayacucho que pôs fim ao colonialismo espanhol e deu início a nossa primeira independência ...

Desde Caracas, local de nascimento do Libertador, a capital da revolução bolivariana liderada pelo comandante Chávez, declaramos aos povos do mundo:

Somos Movimento Continental Bolivariano, depois de transitar através da trajetória de sucesso da Coordenadora Continental Bolivariana (CCB).

Somos Movimento Continental Bolivariano (MCB), para assumir com inteligência e paixão revolucionária a causa heróica da Pátria Grande e do socialismo emancipador.

Somos "pensamento e ação fundidos em armas contra as injustiças". Unidade de uma grande variedade e combinação de diferentes identidades políticas, sociais, culturais e revolucionárias.

Somos a combinação de várias formas e métodos de luta.

Nesta hora crucial para os nossos povos, assumimos com determinação as respostas que, desde as mais variadas resistências e ofensivas em curso sofrem o traiçoeiro e desesperado contra-ataque da militarizada superpotência em evidente declínio como império do “Norte revolto e brutal".

A revolução bolivariana, ponto de partida junto à insurgência zapatista no México, desta nova e promissora época, e a heróica revolução cubana, principal conquista dos povos das Américas no século XX, serão defendidas com o coração e a alma por nosso movimento. Com indignação carregada de sangue se for necessário!

Os avanços políticos e sociais de diferentes projetos no Equador, Bolívia, Nicarágua, El Salvador, Uruguai, Brasil ... e, especialmente, a ALBA e tudo o que aponte na direção da autodeterminação, para as profundas reformas e para transformações revolucionárias, assim como as perspectivas de aprofundamento e ampliação destes processos, terão no MCB um bastião de solidariedade e impulso desde a resistência e ofensivas de nossos povos.

Ajudar a derrotar o regime golpista em Honduras e abrir um canal para a constituinte popular é uma questão de honra.

Abortar todas as tentativas de golpe semelhante no Paraguai ou em qualquer lugar, é um dever incontornável.

Vamos fazer o impossível para ajudar a isolar e derrotar o monstro narco-para-terrorista que representa o regime de Álvaro Uribe, imposto a sangue e fogo neste país irmão, com pretensões de se espalhar para outras nações da região.

Contribuiremos para a troca humanitária de prisioneiros e prisioneiros e para uma solução política para o conflito armado colombiano em busca da desejada paz.

Não há chantagem sobre o planeta que nos levará a renunciar ao merecido apoio à insurgência e todas as forças sociais e políticas democráticas que representam a liberdade e emancipação do povo colombiano. A mesma atitude assumimos frente à insurgência indígena no México e no resto do continente.

Não nos assustam a arrogância, a agressividade e a vocação belicista de um imperialismo decadente e senil, tomado de imperativas razões de sobrevivência e incerta continuidade, apropria-se através da força militar do valioso patrimônio natural dos nossos povos, para tentar reverter sua ofensiva transformadora e desestabilizar e erradicar os governos revolucionários e progressistas da região.

Ninguém pode tirar o que conquistamos. Ninguém poderá apoderar-se impunemente das fontes de água, biodiversidade, minerais, mares, florestas, praias, reservas científicas e valores culturais.

Desde que nossos territórios habitados por nossos povos indígenas, trabalhadores e trabalhadoras, camponeses, jovens, crianças, comunidades rurais e urbanas, as mulheres discriminadas, as igrejas dos pobres, negros, mestiços, etnias discriminadas, artistas e intelectuais, cooperativistas e produtores nacionais, vamos travar as lutas necessárias para preservar e assumir coletivamente essas riquezas, para evitar a sua conversão em fontes de exploração, expansão e lucro das grandes empresas transnacionais e oligárquicas. Igualmente acompanharemos a insubmissão contra todas as formas de exploração, dominação e exclusão de que somos vítimas.

Seremos combatentes pela libertação dos presos políticos colombianos, venezuelanos, hondurenhos, bascos, peruanos e porto-riquenhos que cumprem penas por sua luta de libertação e de solidariedade nas prisões de impérios e governos antidemocráticos na América, Europa, África e Ásia.

Nossas pequenas pátrias amadas, caminho para a construção da Grande Pátria que Bolívar sonhou, terão em conta no MCB um firme defensor contra os desmandos do imperialismo americano e europeu

As bases gringas na Colômbia, Honduras, Porto Rico e em todo o continente irão enfrentar em breve o clamor e a mobilização que as isolarão, reforçando a resposta suficiente para deter os perversos planos de guerra que envolvem a sua presença e expansão na Nossa América e que, se implementadas, podem ser derrotadas por nossos povos.

A unidade antiimperialista será uma das nossas relevantes metas. Confluiremos em todas as iniciativas que a ampliem e fortaleçam.

Não haverá justa causa no mundo que não conte com o nosso concurso militante.

As resistências e lutas dos povos do Iraque, Irã, Afeganistão, Paquistão, Curdistão, Turquia, Euskal Herria, Galiza, República Saharaui, e outros povos da África, terão no MCB um aliado forte e leal.

As demandas e as lutas dos imigrantes do Terceiro Mundo na Europa e nos E.U.A. serão apoiadas com determinação. Não haverá presos ou detidos nas prisões do império e dos Estados repressivos que não ouçam o nosso grito de liberdade.

O colonialismo em Porto Rico, nas Ilhas Malvinas e ao longo das ilhas do Caribe e do mundo nos terão pela frente.

ABAIXO AS COLÔNIAS! VIVA A LIBERDADE DOS POVOS!
SOMOS MCB!
SOMOS A DEMOCRACIA VERDADEIRA, O ANTIIMPERIALISMO E O ANTICAPITALISMO!
SOMOS A TRANSIÇÃO CRIADORA PARA O SOCIALISMO!
EM BOLÍVAR E NOS HERÓS DA AMÉRICA NOS ENCONTRAMOS!
ATÉ A VITÓRIA, SEMPRE!

CARACAS, 9 de dezembro de 200

Postagem de: Luiz Navarro

NA AMERICA LATINA O POVO DÁ AS COSTAS A QUEM NÃO É VALENTE


Na América Latina o povo dá as costas a quem não é valente

Atilio Borón*, especialista em geopolítica.

“Os governos do Brasil, Argentina, Chile ou Uruguai consideram que a solução dos problemas do capitalismo se encontram no próprio capitalismo”

Zazpika-Gara (resumo da entrevista à Rebelión)

Atilio Borón é um dos grandes nomes da sociologia latino-americana contemporânea. Nasceu em Buenos Aires em 1943; suas obras se esgotam nas livrarias rapidamente. Talvez porque não seja um professor convencional e suas reflexões insistem na necessidade de transformar a realidade, trabalhando por um mundo melhor. Um mundo no qual este “continente de esperança”, como o definira Salvador Allende, seja um exemplo de que realmente é possível viver sem que o “mercado” regule nossas vidas e nossos sonhos.

Joseba Macías (JM) - Uma novidade significativa na América Latina que você bem conhece, é que boa parte dos países do continente passaram a ser governados por organizações que resultam do que poderíamos chamar de uma “reflexão socialista”. Ritmos, tradições e matizes diversas, sem dúvida, mas algo impensável há pouco tempo atrás.

Atilio Borón (AB) - Falando de socialismo em toda a sua extensão, realmente só temos como país socialista, no momento, Cuba. Logo depois há três governos, Venezuela, Equador e Bolívia, que desenvolveram processos de construção da alternativa socialista, processos muito diferentes entre si. E mais, por sorte, no momento no qual já não há mais modelos a copiar. O caso boliviano, por exemplo, se sustenta sobre uma extraordinária capacidade de organização que vem da época pré-colombiana e que deixou em maus lençóis todos os sociólogos pós-modernos que entenderam o ascenso de Evo Morales como uma manifestação precisamente pós-moderna... Na Venezuela, sem embargo, não há uma tradição organizativa nem pré-colombiana, nem pós-colombiana, o que explicaria a importância do papel da liderança de Hugo Chávez. Também Rafael Correa, no Equador, formado no cristianismo progressista da Universidade de Lovina e mais tarde doutorado em Economia em Illinois... Na minha opinião, o resto vai em outra direção. Os governos do Brasil, Argentina, Chile ou Uruguai consideram que a solução dos problemas do capitalismo se encontram no próprio capitalismo. Na Argentina, por exemplo, não resta nenhuma dúvida quando você ouve Kirchner falar. No Brasil, em dois séculos de história do sistema bancário, nunca esse sistema foi tão rentável para o grande capital como nos anos de Lula no poder. Representam mecanismo adaptativos dentro do próprio capitalismo.

Agora: também é certo que estes governos são um suporte fundamental para aqueles outros que citava no início e que estão trabalhando por uma alternativa verdadeiramente socialista. Esse é um fato real e objetivo e a isso não é estranha a forte pressão popular que, desde a base, se desenvolve nos países como Argentina e Brasil. Sem esquecer que todos estes governos da chamada “centro-esquerda” que foram tímidos, pró-capitalistas e amigos dos norte-americanos, correm nos próximos meses sérios riscos de serem desalojados do poder. Entretanto, os governos que levaram adiante com mais audácia processos de mudança, reformando a constituição, a economia, as instituições ou convocando plebiscitos de forma permanente, estão todos muito fortes. Alguma lição haveria de retirar de tudo isso, por exemplo, que quando não és valente, o povo te dá as costas. Os povos preferem o original à cópia.

JM - Gostaria de conhecer também a sua opinião sobre o papel jogado na América Latina pela social-democracia espanhola. Na distância, ao menos, dá impressão de que sua influência é realmente importante na hora de salvaguardar os interesses econômicos das empresas espanholas na região ou de exportar “receitas políticas”.

AB - Sem dúvida nenhuma. A socialdemocracia espanhola basicamente é uma cortina de fumaça que esconde a proteção das políticas de saque que estão levando a cabo muitas das empresas espanholas ali localizadas. Ai está o caso da Repsol, por exemplo. Ou o da Iberia, quando comprou os aviões da Aerolíneas Argentinas e seus escritórios por todo o mundo. Esta socialdemocracia nos vendeu também o modelo do Pacto de Moncloa, como exemplo a “exitosa” transição espanhola e vem apropriando-se paralelamente de muitos meios de comunicação em nome do grupo Prisa que ficaram sujeitos aos grandes ditames dos Estados Unidos: rádios, televisões, diários, revistas, livros escolares... Como no Estado Espanhol. Só que, na América Latina, o fato se agrava pelas condições de pobreza, de atraso cultural, etc.

JM - Na longa lista de países nos quais estão presentes estes interesses não podemos esquecer a Colômbia...

AB: - Exatamente. Sustentando a presença das empresas espanholas com a ajuda desse criminoso comum chamado Álvaro Uribe. Publiquei diversas reflexões e ensaios sobre Uribe, alguns baseados nos documentos desclassificados pelos próprios EUA. Fica claro que já desde 1991, nos informes do DEA, é o homem que articula as relações entre o cartel de Medellín e o Governo colombiano para facilitar os negócios da droga. E isso o disse o próprio DEA. O dossiê de lá para cá é incrível . E aí está a socialdemocracia espanhola apoiando tudo isso... E sem que possamos chegar a explicar diretamente ao povo espanhol, porque o controle dos meios de comunicação é absolutamente feroz.

JM - Terminando, se lhe parecer adequado, falando desta crise planetária que, paradoxalmente, parece fortalecer uma vez mais as opiniões eleitorais dos partidos conservadores em todo o mundo. Como se explica este fenômeno?

AB - Creio que a chave de tudo isso é o reflexo da grande vitória ideológica que o neoliberalismo conseguiu nos últimos quarenta anos. Ficou estabelecido que qualquer alternativa que não seja capitalista representa um delírio, uma aventura, uma salto no vazio. Creio que esta crise não vai ter a forma de um “V”, como dizem alguns, mas um “L” como já ocorreu no Japão a partir da década de 90. Estamos ante uma crise profunda e de muita longa duração. Você acredita que o G20 pode resolvê-la? É absolutamente patético. Nós instruímos os médicos que envenenaram-nos para nos dar o remédio, a curar...

Em definitivo, creio que estamos ante uma crise muito mais grave que as duas crises anteriores, a de 1929 e a de 1973. Em primeiro lugar porque nenhuma destas crises coincidiu com uma crise energética. E mais, em paralelo se desenvolve uma crise alimentar que não tem proporções. Na Europa, na África, na Ásia, na América Latina observamos motins motivados pela fome... Enquanto se utiliza uma área cada vez maior de terra para produção de biocombustíveis. Um exemplo: o pacto Bush-Lula firmado em São Paulo no ano de 2007... E finalmente vamos adicionar o tema das alterações climáticas para entender que esta crise não teve paralelo na história.

Dado este estado de coisas, só podemos pensar na construção de uma verdadeira economia pós-capitalista. Chamemos-lhe como quisermos, se trata definitivamente de avançar no processo de desmercantilização de maneira muito acelerada. Não podemos continuar com critérios mercantis para regular a relação entre nossas sociedades e a natureza. E este deve ser um princípio básico do mundo a construir: desmercantilizar a natureza, a saúde, a educação, a segurança social ....

Rebelión publicou este artigo com a permissão do autor, respeitando sua liberdade para publicá-lo em outras fontes.

O original encontra-se em: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=96979

*Politólogo e Sociólogo argentino. Site: http://www.atilioboron.com.

Traduzido por: Dario da Silva
Postagem de: Luiz Navarro

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Ipea: maioria das cidades não oferece atividade cultural gratuita



Mais da metade dos municípios brasileiros não contam com qualquer programa de cultura bancado pelo poder público nem com instituições que ofereçam entretenimento de graça. O dado consta de levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Os dois estados mais ricos são justamente os que mais centralizam a oferta de cultura gratuita. Em Minas Gerais, 19% das cidades não têm estabelecimentos públicos para esse fim, enquanto em São Paulo falta oferta em 10% dos municípios.

Em todo o país, 2.953 das 5.564 cidades, ou 53% do total, não têm instituição que ofereça diversão com recursos públicos. Ao detalhar o estudo, o Ipea descobriu, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que 82,6% dos municípios não têm museus. A maioria deles (37%) está no Nordeste.

A pesquisa também revela que as atividades culturais estão mais próximas dos grandes centros. Os municípios com mais de 100 mil habitantes — que são apenas 4% do total — concentram 74% do consumo cultural do país. Outro dado preocupante é que apenas 10% da população frequenta bibliotecas assiduamente. Apesar disso, o Ipea aponta que a quantidade de municípios que não tinham biblioteca caiu de 19% em 1999 para 11% em 2006.

Segundo o presidente do Ipea, Márcio Pochmann, a obrigação de oferecer entretenimento cultural não é apenas do governo. “O setor privado pode fazer o que o Estado não faz. Mas o papel do poder público é crucial, principalmente para as populações de baixa renda, que não podem pagar, por exemplo, por ensino e saúde privados”, ressalta Pochmann. “Há um descompasso muito grande entre avanço econômico e a vida urbana do século 21.”

Quando se fala especificamente de teatro, apenas 16% dos municípios brasileiros (905) têm espaços para espetáculos. Outras 967 cidades têm museus, o que corresponde a 17% do total. “A população aqui nunca viu uma peça de teatro”, diz o secretário de Educação do município de Anori (AM), Carlos Castro. A cidadezinha tem 13 mil habitantes e nenhum museu e cinema.

Educação

O estudo do Ipea, intitulado “Presença do Estado no Brasil: Federação, suas Unidades e Municipalidades”, mapeou também a participação dos governos na área da educação. Nesse setor, os pesquisadores descobriram que cerca de 971 mil habitantes não têm acesso direto ao ensino médio porque 46 municípios simplesmente não oferecem escolas desse tipo.

O município amapaense de Ferreira Gomes, com 5 mil habitantes, é um dos que não oferecem matrícula no ensino médio. Os alunos que completam o ensino fundamental são obrigados a seguir para a cidade mais próxima, Tartarugalzinho, caso queiram continuar os estudos. “A viagem de barco é demorada, dura 3 horas, e os alunos acabam desistindo”, diz Roberto Miranda, técnico da Secretaria Municipal de Educação de Ferreira Gomes.

De acordo com o levantamento do Ipea, apenas 2,8% dos municípios brasileiros têm estabelecimento público de ensino superior. Desses, 23,6% se localizam em São Paulo, o que demonstra grande concentração geográfica das universidades públicas.

“O maior problema é que universidade virou fonte de lucro, apesar de a Constituição determinar que as escolas tenham que funcionar sem fins lucrativos. Como no interior o poder aquisitivo da população é baixo, os empresários do setor não têm interesse em expandir o ensino superior nos lugares mais distantes”, diz Cláudio Marinho, da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes).

Em outro estudo, o Ipea já havia constatado que apenas a metade dos jovens brasileiros de 15 a 17 anos frequenta o ensino médio na idade adequada e que 44% dos estudantes nessa faixa etária ainda não concluíram o ensino fundamental.

O acesso ao ensino superior é ainda mais difícil. Apenas 13,6% dos jovens de 18 a 24 anos chegam a uma universidade. Dos que iniciam o ensino médio, apenas 30% conseguem completar essa etapa de ensino.

Sem entrar em campo

A pesquisa do Ipea apurou que 22% dos municípios brasileiros não têm quadras esportivas mantidas pelo poder público. Um programa considerado prioritário pelo governo federal tenta justamente combater a violência nas cidades abrindo as escolas que têm esse espaço para a comunidade durante o fim de semana.

Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belém, o projeto tem dado resultado positivo. No entanto, em 1.245 municípios o programa não pode ser aplicado simplesmente porque não há espaço para práticas esportivas.

A maioria das cidades que não contam com quadras está no Norte e no Nordeste. Na cidade de Bennach, no Pará, as aulas de educação física são feitas na rua porque não existe espaço esportivo para as crianças.

“O maior problema nem é a falta de espaço, pois a gente dá aula até de futebol num campinho aqui perto. A questão é que os professores não conseguem desenvolver o cronograma estabelecido pela Secretaria de Educação”, reclama o diretor da Escola Municipal Professora Santana Marques, João Rodrigues.
Fonte:Correio Braziliense

Postado:Prof.Sérgio

ROBERTO FREIRE É MENINO DE RECADO

Laerte Braga: Roberto Freire é menino de recado
Atualizado em 03 de outubro de 2009 às 18:38 | Publicado em 03 de outubro de 2009 às 18:38

O CONSELHEIRO LARANJA E O MINISTRO

Laerte Braga

O presidente nacional do PPS – Partido Popular Socialista (?) – Roberto Freire fez declarações a jornalistas em São Paulo pedindo o afastamento do ministro das Relações Exteriores Celso Amorim e alegando como razão para seu pedido, de seu “partido”, o fato de Amorim ter se filiado ao PT.

Segundo Roberto Freire a política externa do Brasil está acima de partidos e ao se filiar a um partido Celso Amorim compromete o País num momento delicado. Referia-se ao abrigo dado pelo Brasil ao presidente constitucional de Honduras Manuel Zelaya na embaixada brasileira em Tegucigalpa.

Roberto Freire foi deputado federal pelo MDB eleito a partir de 1970 e até 1994, quando foi eleito senador. Em 2002 voltou à Câmara por falta de votos para reeleger-se senador (por pouco não perde as eleições para deputado federal em seu estado original, Pernambuco).

Hoje, cidadão paulista (parte do território brasileiro seccionada por organizações estrangeiras como PSDB, DEM. FIESP/DASLU), garante a sobrevivência com a aposentadoria integral do Instituto de Pensão e Aposentadoria do Congresso Nacional e um jabá de doze mil reais numa estatal paulista para funcionar como laranja do governador José Serra em seus projetos presidenciais.

Freire é a pior espécie de político que se pode conhecer. Quando eleito deputado federal pela primeira vez, em 1970, no MDB, integrava os quadros do Partido Comunista Brasileiro (PCB). O caráter de frente política que caracterizava o MDB permanece em linhas gerais no PMDB, hoje.

Em 1989 Roberto Freire candidatou-se a presidente da República e empolgou determinada parcela da opinião pública, classe média inclusive, já no Partido Comunista Brasileiro.

Todas as vezes que era perguntado sobre o processo de privatizações que começava a ser montado no Brasil a partir de interesses estrangeiros e do neoliberalismo, respondia que a primeira coisa a se fazer “é desprivatizar o Estado”. Ou seja, não se podia privatizar o que já era privado, o Estado brasileiro.

Perdeu, mas conseguiu projeção nacional. Foi líder do governo Itamar Franco na Câmara e senador em Pernambuco por conta de uma aliança partidária quase imbatível que elegeu Miguel Arraes governador daquele Estado.

Nesse meio de caminho e antes de virar senador, Roberto Freire convocou um congresso do PCB e propôs a transformação do partido em PPS. Por via das dúvidas, já que manobrava atendendo a interesses pessoais e dos grupos pelos quais fora cooptado (os tucanos, particularmente FHC), tentou segurar na Justiça a “propriedade” da sigla PCB.

Não conseguiu. Verdadeiros comunistas infensos ao canto da sereia de tucanos, recobraram a sigla e retomaram aos caminhos da luta no que hoje é o que sempre foi, o Partido Comunista Brasileiro. Um partido identificado com os princípios marxistas, voltado para a luta popular e distante desse mundo podre da política institucional tal e qual se pratica no Brasil, pratica Roberto Freire.

As declarações de Roberto Freire não foram produto de sua vontade, ou do seu entendimento, ou do entendimento do seu partido (até porque ele decide sozinho, é dono do partido). Foram decididas no núcleo que sustenta e comanda a campanha de José Serra à presidência em 2010.

Parênteses, para explicar que Roberto Freire, como senador, foi um dos principais articuladores do governo FHC na condução das privatizações, das reformas determinadas pelo FMI e Banco Mundial, aquele negócio de “desprivatizar o Estado” era boutade de campanha.

O que Roberto Freire ignorou ao falar como laranja de um esquema, muito bem remunerado, não se esquecendo doze mil por mês, foi que ao longo da história dos vários governos brasileiros, boa parte dos ministros das relações exteriores tinha filiação partidária.

No governo de Getúlio, Osvaldo Aranha era filiado ao PTB (antigo, não esse arremedo de hoje) e chegou a ser presidente nacional do partido. Com JK os ministros Macedo Soares, Negrão de Lima, Sette Câmara eram todos filiados ao ex-PSD. Afonso Arinos Mello Franco, ministro de Jânio Quadros e de um gabinete parlamentarista de João Goulart, era filiado a antiga UDN e, o pior de todos os esquecimentos.

Fernando Henrique Cardoso, ministro das Relações Exteriores do governo de Itamar Franco era e é filiado ao PSDB (tucanos).

A exceção de FHC, todos os outros chanceleres citados acima eram homens dignos, de caráter, íntegros no trato da coisa pública e a filiação partidária não os impediu de colocar os interesses nacionais acima de interesses partidários ou pessoais, ao contrário de FHC, que usou o governo de Itamar como plataforma para o projeto neoliberal no Brasil a partir de agências e governos estrangeiros, caso da vinculação de FHC à Fundação Ford.

Esse sim, canalha, vendeu o Brasil. E com o voto de Roberto Freire, inclusive a favor da reeleição comprada a peso de ouro.

O ministro Luís Felipe Lampreia do governo FHC, por quase sete anos no Itamaraty, ou mais de sete anos, ao sair do cargo virou consultor de empresas privadas e o recente escândalo envolvendo a embaixatriz Lúcia Flecha de Lima em um caso de negócios com o senador ACM, mostrou como atuava o lobby de empresas privadas no governo do tucano e em muitos casos no Itamaraty. Foram vários os contratos obtidos pela OAS (Obras do Amigo Sogro), de um ex-genro de ACM nos países onde o marido de Lúcia era embaixador e com a participação direta do chanceler Lampreia.

Hoje, consultor, se vale das ligações e contatos que construiu no governo para continuar fazendo a mesma coisa.

Lampreia não tinha filiação partidária, é de carreira do Itamaraty.

Como se vê, a questão da filiação partidária de um ministro, qualquer que seja ele, não implica em ter mais ou menos caráter. Lampreia não tem nenhum, é agente de interesses estrangeiros no Brasil. Celso Amorim resgatou a política externa brasileira e conferiu ao País um respeito que não tinha no governo FHC. É só lembrar o chanceler que substituiu Lampreia, Celso Láfer. Submeteu-se a uma revista no aeroporto de New York, inclusive tirando os sapatos no período de paranóia de Bush com atentados. Ou seja, caiu de quatro.

O problema de Roberto Freire é que o ex-senador, ex-deputado e agora conselheiro laranja de Serra, numa estatal paulista qualquer, esqueceu-se da História. Rompeu seu compromisso com a História et pour cause com qualquer princípio de dignidade ou respeito que chegou a merecer num determinado momento. Jogou fora a História e continua jogando fora sua história.

Declarações mesquinhas, pequenas, típicas de menino de recado.

Há uma diferença sem tamanho entre o ministro Celso Amorim, Chanceler com letra maiúscula e aqueles aos quais Roberto Freire está acostumado. Amorim nem cai de quatro e nem tira o sapato. E nem é laranja de ninguém por conta de doze mil reais por mês.
Postagem de: Luiz Navarro

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

UM DIA BRASÍLIA CAIRÁ!

Aurora em Brasília
Roberto Numeriano

Um dia,
Brasília cairá.
A cúpula aberta para o céu recolherá todas as águas
para quem tem fome e sede.
A cúpula voltada para a terra abrigará
os candangos de ontem e de hoje.

Não...
Não haverá incêndios e gritos.
Não haverá barricadas.
Nem balas ou pedras.

Cairá num grande abraço de ferro,
pelas mãos do povo.
Mãos de lápis.
Mãos de foices e martelos.
Mãos tecedeiras.
Mãos de fuzil.
Mãos de barro e de flor.

Um dia,
Brasília cairá.
E nela vai desaguar a terra e o sangue dos tempos.
Memórias pantanais.
Mandacarus caatingueiros.
Pampas minuanos.
Amazônicos silêncios.
E Canudos.
E Contestado.
E Farroupilha.
E Confederação do Equador.

Ergue-se-á uma assembléia de olhos de sonhos.
Das bocas voarão palavras livres.
Dos votos, a verdade sem a fraude das ilusões.

Um dia, Brasília cairá.
Abrigar-se-ão, nessa terra vermelha,
As mães amamentando as bocas de futuro de seus filhos.
E haverá terra.
E haverá pão.
E haverá escola.
E haverá trabalho.

Brasília e Recife, abril de 2008 e abril de 2009

Postagem de: Luiz Navarro

sábado, 19 de dezembro de 2009

O papel do Capitalismo do cassino na reciclagem da idiotice



Na Bolsa de Valores Verde, que já foi criada, já atuam todos os gigantes de Wall Street: Morgan Stanley, Citigroup, Goldman Sachs, Bank of America, J.P Morgan e outros. Todos já embolsaram os trilhões que lhes deram os governos de Bush e Obama e, ao invés de resgatar as dívidas dos empréstimos habitacionais, jogaram hot money no novo "jogo verde do carvão", provando assim quão eficaz poderá se tornar o "capitalismo do cassino" na reciclagem da idiotice.

Por Laura Britt, no Monitor Mercantil
Em meio a uma inflação de esperanças por uma "guinada verde" de Barack Obama em comparação com a secreta política antiecológica de Bush Jr., e, por decisões salvadoras desta cúpula de Copenhague, a fim de serem contidas as mudanças climáticas, os pontos de vista do professor Hames Hansen, da Universidade de Columbia, recomendam fortemente postura de incredulidade.


"Gostaria que não fosse realizada (a cúpula) se se trata de o mundo acreditar que estamos evoluindo em itinerário correto, enquanto na realidade marchamos rumo a catástrofe", declarou o cientista norte-americano ao jornal britânico The Guardian.

Igualmente crítico surgiu contra Obama, assim como do teoricamente "verde" ex-vice-presidente dos EUA Al Gore. Em artigo, publicado pelo The New York Times, Hansen sustenta que, "na realidade, a lógica deles eterniza a poluição atmosférica e, simplesmente, permite aos responsáveis pela poluição e aos financistas de Wall Street torturarem o mundo, abocanhando bilhões de dólares".

Se estes pontos de vista não tivessem sido formulados por um homem como Hansen seriam rapidamente rejeitadas como um "anticapitalismo superblindado". Mas, quando o autor é, coincidentemente, diretor de pesquisas do Instituto da Nasa dos EUA, talvez o mais conhecido e reconhecido ambientólogo do mundo e o cientista que tem "instruído" como nenhum outro os políticos norte-americanos com seus rotineiros depoimentos no Congresso norte-americano, algum motivo muito sério deve existir.

O ponto forte da intervenção de Hansesn é que mergulha mais fundo do que a espuma superficial da cobertura jornalística de Copenhague - "se, finalmente, tivermos decisões legalmente comprometidas ou se nos limitarmos com um acordo político, se for encontrado algum acordo entre países ricos e países em desenvolvimento - para se chegar à verdadeira raiz do problema".

Venda de indulgências

Isto é, na estratégia básica do "comércio poluidor" internacional, que estigmatizou todas as conferências internacionais, desde a do Rio de Janeiro e de Kioto, até a de Copenhague, a qual busca soluções ecologicamente eficazes no âmbito do anarquicamente livre mercado. Uma lógica análoga com a benevolência da Igreja Católica, a qual vendia "atestados de perdão" durante a Idade Média: Os bispos recolhiam dinheiro, enquanto os fiéis, aliviados, poderiam se atirar a novos pecados.

Teoricamente, o sistema de "cap and trade" funciona assim: uma autoridade política (o governo, no interior do país, ou um acordo de compromisso, em nível internacional) define os limites máximos de emissão de poluentes para as empresas ou as nações.
Com base nestes limites, emitem-se licenças de emissão, as quais, em seguida, são vendidas e compradas como se fossem um produto qualquer, e seus preços são definidos pela lei da oferta e da procura.

Assim, um país ou uma empresa que polui menos do que o limite que lhe tem sido creditado poderá vender os direitos de emissão de poluentes que não utilizou para um outro país ou empresa. As arrecadações deste comércio de dióxido de carbono sustentam programas de "crescimento verde", enquanto, o incentivo de redução de custo leva todos à limitação de emissões, com resultado de os limites permitidos serem reduzidos continuamente.

Mais poluição

Entretanto, conforme já escreveu Hansen, "a estratégia que é baseada no livre mercado, por mais que tenha sido elogiada internacionalmente, provou-se ineficaz para com a desaceleração do super-aquecimento do planeta". O motivo básico é simples: se as emissões de poluentes forem reduzidas consideravelmente, então, com base na lei de oferta e de procura, o preço do carbono despencará.

Consequentemente, por um lado, os vendedores de direitos de emissão terão menos dinheiro para apoiarem suas "políticas verdes", enquanto os compradores terão incentivos mais fortes para continuam pouluindo. Desta forma, o "mercado auto-regulável" terá como consequência a volta dos poluentes ao anterior nível alto.

Teoria barata? Nada disso. Em 31 de outubro deste ano, o jornal francês Le Monde, sob o título "O mercados dos loucos", publicou uma reveladora reportagem, de acordo com a qual José Manuel Barroso Durão, presidente da Comissão Européia, órgão executivo da União Européia, vetou na Comissão Européia um analítico plano para economia de energia pelos países-membros da União Européia.

O motivo? A economia de energia derrubaria o preço do dióxido de carbono muito abaixo de 18 euros a tonelada em que oscila hoje, com resultado de a Europa perder muito dinheiro das vendas de direitos de emissão de poluentes em terceiros países. Em outras palavras, é bem melhor respirar dióxido de carbono do que perder o dinheiro que pagam os chineses e os indianos para continuar emitindo mais carbono!

Títulos tóxicos

Está esquizofrênica situação agrava-se mais ainda por dois fatores. O primeiro é aquele que dá o direito aos EUA ou ao Brasil de poluírem mais com argumento de que não destróem tão rapidamente - quanto desejariam - seus grandes bosques ou as selvas tropicais da Amazônia, respectivamente.

Já o segundo e mais importante fator é a criação de novos fatores monetários, literalmente, de "produtos tóxicos" da Wall Street sobre as licenças de emissão de poluentes a exemplo, exatamente, como foram criados os famigerados CDS sobre os empréstimos habitacionais de alto risco no EUA.

Conforme revelou, recentemente, o Wall Street Journal, os produtos monetários sobre o comércio de carbono somam hoje algo em torno de US$ 100 bilhões e se prevê que atingirão US$ 3 trilhões em 2020.

Na Bolsa de Valores Verde, que já foi criada, já atuam todos os gigantes de Wall Street: Morgan Stanley, Citigroup, Goldman Sachs, Bank of America, J.P Morgan e outros. Todos estes bancos de investimentos já embolsaram os trilhões que lhes deram os governos de Bush Jr. e Barack Obama e, ao invés de resgatar as dívidas dos empréstimos habitacionais, jogaram hot money no novo "jogo verde do carvão", provando assim quão eficaz poderá se tornar o "capitalismo do cassino" na reciclagem da idiotice.

Rapinagem à custa do Terceiro Mundo

Uma das idéias alternativas que foi proposta no lugar de "cap and trade" apoia-se no denominado "imposto do carbono", isto é, na oneração do preço de todos os produtos, de acordo com a contribuição de cada um na poluição atmosférica.

Além de outros problemas que esta idéia acumula, coloca-se a questão de protecionismo indireto contra os produtos do Terceiro Mundo: o Ocidente aplicará severas taxações sobre os produtos chineses e indianos sustentando que assim faz não porque são produtos mais competitivos de que os seus, mas porque são mais "poluidores".

Além disso, a pressão do Ocidente sobre as novas forças industriais periféricas que são acusadas da maior parte da poluição mundial silencia determinadas verdades incômodas. De repente, alguma redução análoga da emissão de poluentes pelo Ocidente se deve - muito - à transferência de indústrias de transformação à Ásia e à América Latina.

Em outras palavras, o Ocidente realizou exportações de poluentes a estas regiões - e países - as quais convoca em seguida para pagarem, até em dobro, primeiro com a exigência de enfrentarem dentro de duas décadas aquilo que o Ocidente não conseguiu enfrentar em dois séculos de Revolução Industrial; e, depois, por intermédio da venda dos "direitos de emissão de poluentes".

Postado:Prof.Sérgio

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

PALESTINA LIVRE



Essa luta é de todos nós.

(Nota Política do PCB)

O próximo dia 27 de dezembro marca um ano da invasão genocida do Estado de Israel à Faixa de Gaza, que destruiu toda a infraestrutura da região, saneamento, distribuição de água e eletricidade, comunicação e rodovias, além de escolas, creches, hospitais, dezenas de milhares de residências e centenas de prédios públicos.

A insana investida israelense ocorreu às vésperas da posse do então recém eleito presidente dos EUA, Barack Obama, candidato pelo Partido Democrata, que, durante a campanha, havia prometido uma mudança radical na política externa norte- americana, incluindo a retirada das tropas estadunidenses do Iraque e do Afeganistão, além do reconhecimento do Estado Palestino e do fim dos conflitos na região.

Passado um ano, nada disso ocorreu. Ao contrário, o que se vê é justamente o recrudescimento da agressividade imperialista na região do Oriente Médio.

A população da Faixa de Gaza foi submetida a um dos maiores ataques por terra e ar desde o fim da 2ª Guerra Mundial. Mais de uma tonelada de bombas foram despejadas por dia sobre um povo indefeso, em condições desiguais para combater.

Além dos ataques militares, Israel aumentou o cerco a Gaza, proibindo a entrada de remédios e alimentos durante dias, o que agravou sobremaneira a condição de penúria do povo palestino, vítima de um verdadeiro genocídio.

Até hoje, diversos hospitais operam em condições precárias, falta distribuição de água em várias partes de Gaza e o embargo a diversos produtos de primeira necessidade ainda continua nas fronteiras policiadas por Israel.

De tudo o que se tentou destruir, a única coisa que não se abalou foi a determinação do povo palestino em resistir heroicamente, como tem feito há décadas contra a invasão israelense, promovida e apoiada pelo imperialismo, sobretudo o norte-americano.

A cada dia que passa cai mais a máscara de Obama, cujas promessas de campanha para o Oriente Médio não passaram de palavras ao vento: mantém-se o processo de opressão e o quadro de instabilidade na região. Acima do discurso fácil de campanha eleitoral, estão os interesses das grandes empresas bélicas e do petróleo, que de fato mandam na Casa Branca e operam as ações no Oriente Médio.

Nós do PCB sempre estivemos ao lado dos povos que lutam contra a opressão e o domínio imperialista em seus territórios. Estivemos ao lado do povo palestino em todos os momentos mais difíceis da sua resistência e luta política e não será diferente enquanto não se conquistar a autonomia do Estado Palestino.

Conclamamos toda a nossa militância e as organizações internacionalistas a promoverem atos de solidariedade aos povos do Oriente Médio que lutam contra as ocupações e imposições imperialistas e, em especial ao povo palestino que, a cada ataque, a cada ação fascista do Estado de Israel e dos EUA, nos dão uma lição de heroísmo, resistência e persistência pelo direito de viver em sua terra, com paz, liberdade e dignidade.



Comitê Central do PCB.

Dezembro de 2009.

Postagem de: Luiz Navarro

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009


CAMARADA JOSÉ PAULO NETTO:

O PCB SE ORGULHA E SE ENGRANDECE COM SUA VOLTA AO PARTIDO!

Tive o privilégio de conviver e aprender com José Paulo Netto durante dez anos, como membros que fomos do Comitê Central e da Executiva Nacional do PCB, a partir do VII Congresso do Partido, em 1982.

Em 1992, quando o PCB se dividiu em dois, eu tinha certeza de que José Paulo não ficaria no PPS. Mas, para ser franco, não tinha certeza de que, pelo menos naquele momento, ele não ficaria no PCB. Aos olhos de grande parte da militância do Partido da época, o Movimento em Defesa do PCB parecia quixotesco e ortodoxo. Como muitos ex-militantes do PCB, José Paulo Netto, desde então, não militou em qualquer partido.

Mas ele nunca deixou de ser comunista. Pelo contrário, transformou-se num dos mais importantes intelectuais brasileiros da atualidade, dedicando sua vida à produção teórica, à luta ideológica contra o capital e à formação política da juventude. Não limitou a esfera de sua contribuição intelectual ao ambiente acadêmico.

José Paulo também nunca se afastou do PCB, colaborando com o Partido em diversas atividades e sobretudo na formulação política, tendo participado destacadamente dos debates das Teses ao XIV Congresso, juntamente com dezenas de comunistas amigos e simpatizantes.

Ou seja, ele havia saído formalmente do PCB, mas o PCB jamais saiu dele.

Nesta sexta-feira, 4 de dezembro de 2009, José Paulo Netto resolveu esta contradição. Voltou oficialmente ao seu Partido, num singelo e emocionante encontro com uma delegação do Comitê Central do PCB, na sede nacional do Partido, no Rio de Janeiro.

A meu ver, José Paulo não voltou ao PCB porque lhe deu saudades e muito menos por qualquer outra razão de natureza pessoal. As Resoluções do XIV Congresso, a nossa coerência política e a reconstrução revolucionária do PCB fizeram com que o Partido merecesse a confiança dele em voltar a militar como intelectual orgânico comunista.

O PCB lhe recebe com carinho e orgulho, camarada José Paulo Netto!

Ivan Pinheiro

Secretário Geral do PCB
Postado por: Luiz Navarro