quinta-feira, 14 de maio de 2009

ANARQUIA EM MANAUS





Manaus sob o comando de Deus-dará
Estudantes, taxistas e mototaxistas; kombeiros, desempregados, moradores de área de risco à procura de seus direitos, imundície pra todo lado, um trânsito infernal e a população desesperada... à beira de um estado de nervos e plena apoplexia coletiva: esta é a paisagem urbana de Manaus que é governada por Amazonino Mendes e Eduardo Braga. Sim, Eduardo Braga, pois não faz sentido que o Estado não priorize e tenha co-responsabilidade administrativa numa cidade que lhe oferece R$ 6 bilhões de arrecadação a cada ano. Estão, pois, todos implicados neste desgoverno, desde que Serafim e Eduardo simplesmente se divorciaram no imperativo conjugal de governar a cidade a quatro mãos. Estão implicados todos da classe política sempre e quando põem em pauta apenas o umbigo de suas pretensões pessoais.



Pensando naquilo

Mesmo sabendo do pandemônio que se formaria após sua viagem a Brasília, o prefeito Amazonino resolveu ir à capital da República, mesmo que isso significasse a pecha de omisso e ausente que sobrou para seu currículo eleitoral junto à população. Ele preferiu reunir-se com Alfredo, o ministro dos Transportes, e dar seqüência a sua compulsiva determinação de voltar a governar o Estado. “Quando você não consegue vencer um inimigo é melhor aliar-se a ele”, como dizia seu bestiário maquiavélico que ele teima em não atualizar. O Negão só faz isso, isto me, pensar naquilo que ele deixou em 2002, além do outro vício que não consegue largar, as pedras de dominó. A gestão da cidade está entregue a meia dúzia de colaboradores esforçados a quem ele confiou à encrenca gerencial.



Vaidade e imediatismo

Nesta terça-feira o prefeito de Manaus esteve em Brasília no ministério da Integração e das Cidades, que têm outros 5 mil municípios em estado de calamidade pública para acudir. Nada que o próprio Buchada e o vice-prefeito Carlos Souza não pudessem pressionar se fosse esta mesmo a verdadeira razão. O problema é que o prefeito, o governador, o ministro e a classe política em geral se acostumou a tratar o interesse público sob o prisma estreito, miserável e vesgo dos próprios interesses políticos e pecuniários e fim de papo; por isso Manaus está assim. Eduardo, Alfredo e Amazonino foram prefeitos de Manaus e são responsáveis, por exemplo, pelo esfacelamento urbano da cidade. Eles maquiaram os problemas que agora aparecem na crueza de sua dramaticidade. E agora, apesar disso, se mostram incapazes de deixar - temporariamente ao menos – a própria vaidade política e imediatismo eleitoral para identificar ações emergenciais e efetivas para gerir os estragos que eles próprios causaram.



Balada de presepadas

O problema da água, da buraqueira, do plano diretor, dos transportes, por exemplos, é fácil de diagnosticar e foram fabricados na gestão de algum deles de forma marota e irreversivelmente deletéria. A privatização da Cosama é a própria ilustração desse jeito traquina e perverso de priorizar o interesse pecuniário pessoal em nome do prejuízo coletivo. E por aí vai o asfaltamento nas coxas, feitos com material de segunda ou terceira categoria que não resiste a pressões climáticas e de movimentação de cargas. Na mesma balada da presepada gerencial, vão os transportes coletivos, alvos permanentes de roubalheiras da poupança popular, sobretudo daqueles mais excluídos. É clássica e emblemática a descoberta feita pelo então vereador Francisco Praciano em torno da fraude nas planilhas do Sinetram, que desviaram mais de R$ 300 milhões na gestão Alfredo Nascimento com a cobrança indevida na tarifa dos ônibus.

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