quarta-feira, 27 de maio de 2009

CORRUPÇÃO NA AMERICA LATINA



CORRUPÇÃO - Para empresários, corrupção é o principal problema na AL / Alejandra Claveria

Segundo estudo, 86% das empresas da Argentina, Brasil, Chile e México estimam que a corrupção e insegurança jurídica são os principais problemas de seus países

Nada menos que 86% das empresas do Brasil, Argentina, Chile e México consideram que a corrupção e a insegurança jurídica são os principais problemas em seus países. Este foi um dos resultados do estudo International Business Report 2009, realizado pela consultoria Grant Thornton Internacional, que pesquisou os principais problemas regionais de acordo com opiniões de 150 empresários.

Entretanto, 73% das companhias acredita que a segunda problemática é a falta de confiança nas políticas de governo, enquanto 68% relatou que o impacto da crise financeira mundial e a recessão nos Estados Unidos constituem um problema que afeta o panorama regional.

Ao avaliar os resultados por país, a pesquisa revelou que a corrupção e insegurança jurídica são as principais preocupações na Argentina e no Brasil, com 89% e 80%, respectivamente.

Enquanto isso, a falta de confiança nas políticas do governo é o maior problema no México, segundo 83% das empresas privadas pesquisadas no país, e a inflação é a ameaça central no Chile, de acordo com 82% dos diretores nacionais.

Javier Martínez, diretor de marketing da Grant Thornton Internacional, disse à AméricaEconomía.com que os problemas de corrupção e insegurança não são novos para a região. Acrescentou ainda que os altos índices destes elementos nas instituições públicas e privadas locais desmotivam, entre outras coisas, o investimento estrangeiro e a confiança dos empresários locais e estrangeiros.

"A insegurança jurídica desestimula o investimento estrangeiro e local. Sente-se que as leis serão mudadas na metade do caminho, isso vai gerar preocupação e problemas internos nas empresas e delimita seu crescimento", explicou.

Para o executivo, a corrupção e insegurança levam também à falta de confiança nas políticas dos governos, o que provoca queda no crescimendo das empresas. "A corrupção não só é sentida pela pessoa no momento de realizar um trâmite, mas também as empresas lidam diariamente com a corrupção em diferentes níveis e isso se traduz em burocracia, lentidão, estancamento e lentidão de crescimento", disse.

Segundo o professor de economia do IAE Business School, Pedro Frías, os dados da pesquisa "não são surpreendentes, já que a corrupção generalizada, como se mostra neste estudo, é sintoma do ambiente social da região".

O acadêmico explicou que a corrupção é comum em um sistema econômico, mas quando passa para um nível mais generalizado se torna um problema, sobretudo em um ambiente de negócios. "O fato de existir corrupção faz com que as empresas aproveitem qualquer negócio só pela oportunidade que se apresenta", afirmou.

O impacto da crise

A crise financeira e seu impacto em cada um dos países pesquisados ficou no segundo lugar para México e Brasil. Enquanto o primeiro país mostrou-se mais preocupado, com 82%, a nação sul-americana o fez com 69%.

Por sua vez, para 65% dos empresários chilenos é muito importante a atual situação econômica, ao contrário de seu vizinho Argentina, onde as empresas não consideram que o país esteja sendo afetado pela crise, com 38% do empresariado pessimista quanto a isso.

"As crises dependem dos processos políticos dos países. Por exemplo, a Argentina tem mais problemas internos e próprios que internacionais. Portanto, o empresário argentino não atribui muita importância à crise. Ao contrário do empresário mexicano que se sente mais afetado pela proximidade geográfica com os Estados Unidos", explicou Martínez.

Para o executivo da Grant Thornton Internacional, a crise econômica mundial está golpeando alguns países com mais força do que outros, mas todos vão sentir o ambiente recessivo das economias avançadas durante 2009. "O México e Brasil terão um 2009 com retrocessos em seu Produto Interno Bruto e o Chile e Argentina também não vão escapar dessa conjuntura, embora a sofram em menor grau", comentou.

Finalmente, a ausência de competitividade internacional também foi vista como um problema que enfrentado pelos países. Embora com menores porcentagens que nos setores anteriores, aqui se destacaram o México, com 52%, e a Argentina, com 45%.

Fonte: AmericaEconomia

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