segunda-feira, 25 de maio de 2009

Eduardo Braga: não há orgulho de ser amazonense


Escola municipal em Manaus

CONSTRANGIMENTO


Amazonas é destaque nacional em analfabetismo e evasão escolar
Não há orgulho de ser amazonense quando o Estado mais uma vez ocupa posições constrangedoras no ranking nacional de Educação. Dessa vez foi à chaga do analfabetismo onde o Amazonas aparece em primeiro lugar entre os alunos analfabetos matriculados nas unidades de educação de jovens e adultos a partir dos 15 anos de idade. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, se referem a 2007, quando a pujança da economia alcançava patamares elevadíssimo de fartura pecuniária na receita estadual e foram divulgados nesta sexta-feira. Ou seja, temos 19% de analfabetos na rede pública de educação de jovens e adultos. O segundo colocado é Santa Catarina com 9,4%.



Taxas da vergonha

E o que é tão grave quanto as taxas de analfabetismo é o fato de termos a maior taxa de evasão escolar da população matriculada no ensino fundamental do país. Essa pesquisa é da Fundação Getúlio Vargas e os dados são de 2006, para mostrar que mais de 34 mil alunos de idade entre 15 e 17 anos estão fora da sala de aula, ou por evasão ou por falta de vaga. Ou de vergonha! Não dá pra ser feliz nem ter orgulho de ser amazonense desse jeito, senhores governantes, secretários de ensino e gestores municipais. Temos a quarta economia do país e respondemos por 65% de todos os tributos federais arrecadados na Região Norte e a Zona Franca faturou mais de R$ 50 bilhões em 2008. A cada ano o Estado tem batido recordes de arrecadação e de péssimo desempenho em educação.



Atravessando analfabetos

É bem verdade que no Estado de São Paulo ainda temos 10% dos analfabetos no Brasil. O Estado mais rico da Federação. E que essa contradição faz parte da visão de mundo da classe política do país, com raras exceções. Por isso, olhando a paisagem do interior, na educação não poderia ser diferente o abandono crônico em que se encontra a população ribeirinha. E é por isso que ganha força e sentido a crítica do ex-governador Gilberto Mestrinho quando critica mais de um bilhão de reais investidos na ponte sobre o Rio Negro que vai atravessar analfabetos, não apenas vai ligar nada a coisa alguma. Iremos a lugar algum com uma população analfabeta e com uma educação de péssima qualidade como a que temos no Estado.



Excesso de picaretagem

Na semana passada, o secretário de Educação Gedeão Amorim, que pretende candidatar-se a deputado federal, ou seja, só pensa naquilo quando deveria estar envolvido com as questões pedagógicas e de gerenciamento dos recursos humanos e educacionais, anunciou que vai punir professores que não cumprem o plano pedagógico. Ou seja, ele arranjou o culpado para o fiasco em que enfiou o ensino no Estado. Com um salário que obriga os docentes a correr atrás de bicos para encarar a sobrevivência como cumprir planos que são impostos sem levar em conta as condições humanas dessa categoria tão penalizada? Outro dia, Gedeão, com um sorriso amarelo, disse que o fracasso do Amazonas no ENEM é porque os melhores alunos se recusavam a fazer as provas. Tanta picaretagem assim já nos parece excessiva...

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