quinta-feira, 28 de maio de 2009

PROTESTOS GERA O CAOS


kombeiros pedem que prefeito cumpra ¨PROMESSA DE CAMPANHA

Quem estava em Manaus no início dos anos 90 e viveu o clima de confronto entre a prefeitura de Manaus, Artur Neto à frente, e a liderança de alguns camelôs determinada a mandar pelos ares a ordem estabelecida, não teve como não lembrar e associar o confronto entre motoristas de kombi-lotação, policiais da Guarda Metropolitana de Manaus e agentes de trânsito e os kombeiros da Zona Norte. Campos de guerra em vários pontos da periferia onde se formaram barricadas, queima de pneus, lançamento de granadas de efeito moral e tiros de pistola no meio da rua. Um pandemônio generalizado que promete continuar. Sob a liderança de uma guerreira amazonas, a motorista Suely dos Santos, a confusão destrambelhou nas proximidades da sede da Cooperativa de Transporte da Zona Norte (Cooptrazon), localizada na Rua Curaçao, no conjunto Nova Cidade, Zona Norte, e atraiu vários moradores do bairro. Este fator é o que mais preocupa as autoridades pois a população, já revoltada com outras falcatruas e promessas não cumpridas da classe política ameaça ampliar o movimento e há riscos efetivos de perda do controle da situação.



“Perdeu a cabeça”

Os kombeiros já haviam anunciado o confronto sob a alegação de que eles tinham a palavra do prefeito Amazonino para legalizar a situação da categoria que, desde a semana passada, está agindo na ilegalidade com o decreto do prefeito que proíbe explicitamente a circulação das kombis-lotação. A líder e presidente da Cooptrazon atribuiu a causa do conflito diretamente ao diretor de trânsito do Instituto Municipal de Transportes e Trânsito (IMTT), Audo Albuquerque, de ter se descontrolado e ameaçado os kombeiros com tiros e ameaça de prisão. “A gente não estava nem trabalhando. Nenhum kombeiro está na rua fazendo lotação”, justificou Suely dos Santos, que cresce e se impõe junto a seus pares e a população.



Promessas e miragens

Desde a semana passada que o prefeito tenta conseguir reforço policial com o estado para reprimir a categoria e nada consegue. A reprise dos anos 90, em que a Polícia Militar entrou em conflito com os ambulantes causou um desgaste gratuito ao então prefeito, hoje, senador Artur Neto, que jamais disputará cargo executivo por causa disso. Um desgaste manipulado, ampliado e perenizado por esta máquina de fazer política em todos os sentidos, especialmente com a utilização do saco das maldades, chamada Negão. Ironicamente a história se repete como farsa e o atual prefeito colhe os louros às avessas de promessas temerárias que ele fez para se eleger. O povo que foi às ruas também lembrou de outras miragens como o Bolsa-família do Negão, anunciado para tirar Serafim Correa do páreo.



Tiros e barricadas

O comandante do trânsito, Audo Albuquerque, tentou se defender e justificou a ação da Guarda Metropolitana como uma resposta às barricadas com pneus queimados e à tentativa de impedir a operação para apreender kombis-lotação, proibidas desde a semana passada pelo prefeito. “Foram eles que partiram para a agressão com pedaço de pau, ferro e até arma de fogo. Tentaram atropelar um dos guardas”, disse Albuquerque, que confirmou que atirou nos pneus de uma das kombis, de propriedade de Fabrício Marques de Lima. A viatura de Fabrício não tinha adesivo de lotação e levou três tiros de Pistola 40, arma exclusiva da Polícia Militar. É importante anotar que a Guarda Municipal não porta armamento e não tem permissão legal para fazê-lo. Fabrício não levava passageiros e que se dirigia para uma reunião na Cooptrazon. Ele estava acompanhado da mulher, Áquila de Souza Cesário, do filho de nove meses e de duas sobrinhas. Segundo Áquila, os guardas metropolitanos também lançaram spray de pimenta no rosto dela, do filho e das sobrinhas.



Nem permissão nem preparo

Os policiais da ROCAM chegaram à cena do filme de terror e evitaram o pior, embora não tenham deixado de criticar o uso de armamento por parte da Guarda Metropolitana. “Eles não têm permissão nem preparo para uso de armas de fogo”, disse um oficial da PM preocupado com o que poderia ter ocorrido e poderá acontecer em breve. O policial comentou que o apoio da população é um indício de que a situação vai se agravar. O povo quer a Kombi porque o serviço dos ônibus é precário e raro. Daí os gritos de queremos kombis ouvido espontaneamente na tarde desta terça-feira por gente do povo que ocupou a Avenida Samaúma, no bairro Monte das Oliveiras. Pneus e madeira foram queimados no local e lavada parte da alma revoltada da população.

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