quarta-feira, 20 de maio de 2009

OS SEM-MERENDA


Euzivaldo Queiroz

Uma cena comum: para não ficar com fome durante o período das aulas, alunos trazem de casa a merenda que deveria ser fornecidas pela semed.



Jorge Eduardo DantasDa equipe de A CRÍTICA


As quatrocentos e vinte e quatro escolas que compõem a rede pública municipal sofrem, desde o início do ano, com dificuldades no recebimento dos materiais utilizados na preparação da merenda escolar. Ao que tudo indica, atualmente todos os centros de ensino “se viram como podem” para evitar que os estudantes da Educação Infantil e Ensino Fundamental fiquem sem merendas, recorrendo a “cotas” entre os professores e pedindo aos estudantes que tragam materiais para a preparação de refeições. A Secretaria Municipal de Educação (Semed) afirmou que os problemas de distribuição existem, mas está trabalhando para resolvê-los até o fim do mês. De acordo com o que foi apurado pela reportagem, essas dificuldades se manifestam de forma diferenciada em cada escola: enquanto alguns colégios apresentam pequenos atrasos e ausências nas cestas enviadas aos colégios, outros encontram mais dificuldades para manter o serviço aos alunos. Professores, gestores e funcionários não falam sobre o assunto com medo de represálias, contribuindo para que o problema continue sem solução. Na Escola Municipal Dom Luís Soares, no Novo Aleixo, Zona Leste, professores estão fazendo cotas para comprar gêneros alimentícios. No fim do mês passado, a vereadora Mirtes Salles (PP) denunciou, no plenário da Câmara Municipal de Manaus (CMM), que a Escola Haydee Carneiro, no Centro, também sofre com falta de merenda.
Na Escola Regina Vitória Pires Muniz, no Coroado, também na Zona Leste, servidores reclamaram que a quantidade de comida enviada à escola só diminuiu desde o início de 2009. “Fazemos cotas para não deixar faltar para os meninos e meninas. Essa situação extrema ainda não ocorreu, mas os profissionais é que acabaram penalizados”, disse uma funcionária. A estudante Eliziane Assis de Souza, 21, que cursa o nono ano do Ensino Fundamental na Escola Abílio Alencar, no quilômetro 35 da AM-010 (Manaus-Itacoatiara), contou que no período noturno não há merenda escolar naquele centro. “Quem tem dinheiro, compra lanche e quem não tem fica com fome”, falou a estudante. Um funcionário da Escola Lago e Silva, situada no quilômetro 21 da mesma rodovia, contou que em alguns dias do mês os professores solicitam verduras dos 201 alunos do colégio para fazer sopa. “É fácil verificar esta situação. É só você vir nos horários de entrada e saída. Aí você vê um monte de meninos e meninas trazendo pimentão, cebola, alho, batata”, contou o funcionário.

Nenhum comentário: