sábado, 23 de maio de 2009

Piso salarial do Amazonas é de R$ 520




Na indústria, o piso médio não ficou entre 1,5 salário mínimo. Já no setor de serviços, não passou de 1,25 do mínimo
Segundo dados da pesquisa do Dieese, aproximadamente 81% das negociações, acordadas em 2008 no Amazonas, estipularam um piso salarial entre 1,5 salário mínimo.

Fruto das negociações salariais travadas no ano passado entre empregadores e empregados, o piso salarial médio do trabalhador amazonense é de R$ 520,89. O valor foi constatado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que acompanhou 16 acordos e convenções coletivas firmados no setor industrial e no segmento de serviços do Estado. O estudo também revelou que o salário mínimo do brasileiro está cada vez mais longe de ser o ideal.
A pesquisa, realizada em todas as regiões do país, constatou uma crescente aproximação dos acordos salariais com o salário mínimo vigente, o que também se confirmou no Amazonas. De acordo com a supervisora técnica do Dieese no Estado, Alessandra Cadamuro, a maioria dos acordos realizados em nível local não chegou a dois salários mínimos. “Aproximadamente 81% dessas negociações estipularam um piso salarial entre um e 1,5 salário mínimo, principalmente na indústria. Pouco ficou acima disso”, explicou.
No caso do segmento de serviços, que envolve segurança, saúde, transporte e turismo, o valor ficou ainda menor. “Grande parte das oito negociações desse setor atingiram apenas um piso de 1,25 salário mínimo”, comentou Alessandra. Apesar disso, a aproximação com os valores oficiais refletem avanços na política de valorização do salário mínimo, implementada pelo governo nos últimos anos. “Os valores ficaram bem superiores a inflação, e maiores que a média dos reajustes salariais“, comparou.

Acordo nacional
O estudo mostrou que, em todas as regiões, os valores médios de pisos mais elevados foram aqueles conquistados em negociações de abrangência nacional. Nestes casos o valor se aproximou de 1,69 salário mínimo. Na lista dos privilegiados estão os bancários e funcionários de grandes empresas brasileiras, como a Eletrobrás. “Isso acontece porque o valor já vem alto da negociação nacional e, quando chega nas regiões, ele só pode ser ampliado, nunca reduzido”, salientou Alessandra Cadamurro.
Cadamuro lembrou que não entra na pesquisa as negociações ligadas ao funcionalismo público, apenas aquelas que acontecem no âmbito da indústria, do comércio e dos setores rural e de serviços. No caso do Amazonas, os acordos rurais e do comércio não foram acompanhados em 2008, mas isso poderá acontecer nos próximos levantamentos. Na Região Norte, onde todos estão inclusos, o piso salarial médio chegou a R$ 519,89, que é maior que o da Região Nordeste e próximo do Centro-Oeste do país.

Longe da remuneração ideal

Mesmo ampliado para R$ 415 no ano passado, o salário mínimo do brasileiro ficou mais longe do ideal em 2008, de acordo com o levantamento do Dieese. Comparado mensalmente com o valor estipulado na pesquisa da cesta básica, a média dessa diferença ficou em 4,89 vezes. Em 2007 esse número foi de 4,51 e em 2006 não passou de 4,46. “Está havendo um crescimento significativo na diferença, o que representa uma perda no poder de compra do brasileiro Vale lembrar que o Dieese se baseia na pesquisa da cesta básica para definir o salário ideal”, explicou.
Cadamurro explicou que esses valores da pesquisa não podem ser considerados amostras estatísticas, pois as negociações nunca são iguais no decorrer dos anos. Porém, ela serve de embasamento para que sindicalistas conheçam a tendência das discussões e os números acertados nos anos anteriores. Ela garantiu que isso contribui para dar mais sustentabilidade para os argumentos dos trabalhadores, que conquistam ganhos maiores.
“É importante para quem vai negociar. Desde que o movimento sindical brasileiro começou a usar dessa estratégia, tivemos ganhos importantes, inclusive na valorização do salário mínimo”, concluiu.

AndRés pascal

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