domingo, 31 de maio de 2009

Transporte coletivo: Brasília,Campinas,Fortaleza,e Manaus




A passagem em Fortaleza custa R$ 1,80, uma das tarifas mais baratas do País




Leandro Prazeres
A CRÍTICA

Em meio a uma discussão confusa e interminável sobre a redução da meia-passagem estudantil, A CRÍTICA fez um levantamento em quatro cidades de diferentes regiões do Brasil para comparar as realidades do transporte coletivo dessas cidades com a da capital amazonense.

As cidades escolhidas foram Fortaleza, Campinas, Porto Alegre e Brasília levando em conta os aspectos populacionais e econômicos. Todas são cidades de médio porte. A análise dos dados permite uma conclusão imediata: é impossível gerir bem um sistema de transporte coletivo se as informações desses sistemas estiverem nas mãos dos empresários.

Das cinco cidades analisadas, apenas em Manaus e Brasília os dados do sistema de transporte coletivo são controlados pelas empresas de transporte coletivo. Em Manaus, por exemplo, esses dados são geridos pelo Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo do Amazonas (Sinetram).

Em Brasília, porém, o governo do Distrito Federal interveio, nos últimos meses, na empresa que controla os dados e que é formada por um grupo de empresários que atua no transporte coletivo da cidade.

“Nós interviemos por conta do péssimo serviço prestado. Os estudantes não conseguem comprar os créditos pela Internet e na hora de fazer o recadastramento, as filas são enormes. Além disso, desconfiamos de que eles estejam manipulando os dados do sistema em benefício próprio”, diz o secretário de Transportes do Distrito Federal, Alberto Fraga.

Caso de polícia

Quando foi chamado para compor o secretariado do governador José Roberto Arruda (DEM), os analistas imaginaram que ele iria para a secretaria de Segurança Pública. “Ele vai para a secretaria de Transportes porque aquilo lá é caso de polícia”, disse Arruda ao explicar a nomeação.

Depois de intervir na empresa e normatizar o transporte alternativo (feito por vans), Brasília caminha agora para o “passe-livre” estudantil que deve custar R$ 3,5 milhões por mês aos cofres públicos. “A lei está pronta e deve ser aprovada dentro de 10 dias”, disse Fraga.

O diretor-presidente da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza S/A (Etufor), José Ademar Gondim Vasconcelos, concorda com Fraga. Ele conta que o controle sobre os dados do sistema foi fundamental na rodada de negociações para reajustar a tarifa no início deste ano.

Hoje, a passagem inteira na capital cearense custa R$ 1,80, uma das tarifas mais baratas do Brasil. Ao contrário de Manaus, lá os estudantes têm número ilimitado de passes-estudantis, com direito à integração temporal. Por aqui, os estudantes têm direito a 44 meias-passagens.

“Quando fomos negociar com os empresários, eles pediram R$ 1,90, mas a prefeita (Luziane Lins-PT) bateu o pé. Fechou em R$ 1,8 e disse que se eles estivessem insatisfeitos que fossem trabalhar em outro ramo. Nós tínhamos a nossa própria planilha. Não tinham como enrolar a gente”, conta Gondim.

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