segunda-feira, 1 de junho de 2009

Amazônia, uma prioridade de segunda categoria


igarapé do Educandos manaus
Antonio Paulo


É de impressionar a forma, não sei se discriminatória, desconhecimento ou ignorância mesmo, como os Estados da Amazônia são tratados seja pelo Governo Federal, políticos, pela mídia e pelo restante do País. Sem querer ser bairrista, mas os fatos e não-ações são evidentes. Vamos a eles:
O Amazonas, Pará e tantos outros Estados amazônicos estão submersos e não é porque causa de chuvas. A enchente cíclica deste ano deverá ultrapassar a histórica de 1953. Municípios inteiros estão debaixo d’água, o Estado está sob emergência e o Governo Federal sequer dar uma resposta à altura do problema. Não se fala em recursos, a ajuda da Defesa Civil é irrisória. Nem deputado, senador, ministro, ninguém tem força política suficiente para abrir os cofres do Tesouro Nacional e liberar recursos para os ribeirinhos que sofrem com a cheia. Fala-se muito. Promete-se muito e não se vê resultados.

Enquanto isso, ministros, comitivas inteiras e o próprio presidente Lula já foram ao Nordeste prestar solidariedade, ver de perto a situação dos vitimados das alagações. No mês passado, Lula veio a Manaus fazer e ajudar fazer política eleitoral, com inaugurações que vão servir para campanhas em 2010. Será que o governador, tão amigo do presidente, convidou-o a sobrevoar o Estado e ver in loco a realidade do interior amazonense? Cadê o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima; o das Cidades, Márcio Fortes, que não se dignam a vir ao Estado ver de perto, trazer recursos e solidariedade governamental?

Não quero dizer aqui que os nordestinos não estejam sofrendo, mas quando a chuva passar, em dois ou três dias estará tudo seco. É hora de limpar as ruas e as casas, reestruturar o que foi perdido e tocar a vida pra frente.

Na Amazônia não acontece assim. O pico da enchente será em junho, daqui a quase um mês e olha que já ultrapassamos a cota de emergência. E o rio não baixa de um dia pra noite. Pelo menos, até fim de julho esse processo deve ocorrer.

E o que dizer da mídia? A não ser a nossa imprensa, TVs e rádios, ninguém mais faz cobertura decente sobre a calamidade da enchente no Amazonas e na Amazônia como um todo. As reportagens diárias, manchetes dos jornais impressos e telejornais vão para as chuvas e vítimas do Nordeste. Quando as cabeças de rede pedem imagens ou matérias para suas afiliadas do Norte, querem o pitoresco, o inusitado provocado pela enchente. Não há informação de fundo, detalhada, esmiuçada. É lamentável.

Diante dessas constatações é que sempre desconfio quando ouço discursos, somente discursos, de que a Amazônia é prioridade, é estratégica para uma política nacional e internacional. É verdade que somos a maior floresta tropical do planeta, com a maior biodiversidade, manancial de água, entre outras potências naturais; mas, na hora de tratar a Amazônia com essa prioridade, cuidando mais dos seus habitantes, por exemplo, o Estado brasileiro age como sempre agiu: com indiferença, discriminação, um caso menor. É uma prioridade de segunda categoria.

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