domingo, 7 de junho de 2009

Colombo é ¨persona non grata¨



Chávez quer apagar qualquer rastro de homenagem ao navegante genovês

Thomas Coex-AFP

CARACAS, Venezuela (AFP) - A última estátua de Cristóvão Colombo foi recentemente removida de Caracas, de cujas ruas o presidente, Hugo Chávez, deseja apagar qualquer rastro de homenagem ao navegante genovês, por considerá-lo a origem de um “genocídio” - uma atitude muito criticada por historiadores e urbanistas.

O desaparecimento desta estátua é o último episódio de uma história de desamor entre a Venezuela de Hugo Chávez e Colombo, que começou no dia 12 de outubro de 2003, dia do Hispanismo ou da Raça, que o presidente venezuelano rebatizou como dia da Resistência Indígena.

“Retirar a estátua de Colombo é erguer a estátua da estupidez humana e do disparate político. O presidente quer o impossível: apagar a história da Venezuela e da América Latina para escrever uma a seu gosto”, declarou à AFP o historiador venezuelano Elías Pino Iturrieta.

Chávez, no entanto, considera que “Cristóvão Colombo foi o chefe de uma invasão que produziu não uma matança, mas sim um genocídio. Noventa milhões de aborígenes viviam nesta terra; 200 anos depois, restavam três milhões. O que foi isso? Um genocídio!”, disse Chávez.

Para Jorge Rodríguez, prefeito governista do distrito de Libertador, em Caracas, onde fica o parque de El Calvario, local da estátua retirada, levantar monumentos em homenagem a Colombo “seria tão injustificável quanto colocar uma estátua de Adolf Hitler em Berlim”.

Segundo Pino Iturrieta, no entanto, “a esta alturas do século 21, renegar esta parte da história” é um “anacronismo”. “O próprio Simón Bolívar era uma das figuras mais robustas da cultura espanhola, um branco descendente de colonizadores e conquistadores”, lembrou o historiador, referindo-se ao ídolo inspirador de Hugo Chávez

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