sábado, 6 de junho de 2009

Conflito índio-policia deixa 31 mortos no Peru



Nelida Nantip, da organização indígena Orpian, chora ao saber da morte de um irmão


LIMA (AFP e Ansa) - Trinta e uma pessoas morreram, entre elas nove policiais, durante um confronto ontem entre indígenas e a polícia de choque em Bagua, na Amazônia peruana, a 900 quilômetros de Lima. Outras 50 ficaram feridas.

O confronto começou quando os policiais chegaram para desocupar uma estrada bloqueada por indígenas de comunidades locais. Os moradores locais, que bloqueiam a estrada Fernando Belaunde Terry há dez dias, completavam ontem 56 dias de greve geral contra o governo do presidente Alan García, para reivindicar a anulação de decretos que, segundo as comunidades, permitirão a exploração indiscriminada da Amazônia e causarão prejuízos para o meio ambiente.

Os enfrentamentos de ontem começaram durante a manhã, após centenas de policiais tentarem retirar, com gás lacrimogêneo e armas, os indígenas da estrada, localizada na “Curva Del Diablo”.

À intervenção policial, os manifestantes responderam com lanças e pedras, embora a polícia sustente que dispararam contra um de seus helicópteros, o que provocou a morte de um agente.

O presidente peruano, Alan García, responsabilizou o ocorrido a “pseudodirigentes” da região amazônica, enquanto o líder dos indígenas, Alberto Pizango, acusou o governo de “genocídio”, após assegurar que 31 pessoas morreram durante os enfrentamentos. Pizango denunciou que “o governo mandou matar nossos irmãos” e age “como se os povos indígenas fossem criminosos”.

Por sua vez, a ministra do Interior, Mercedes Cabanillas, disse que nove policiais morreram nos conflitos.

A imprensa local também confirmou a morte do presidente do comitê de luta, Santiago Valera, em circunstâncias desconhecidas, além de um professor e um estudante universitário, por disparos.

Em Lima, durante uma entrevista coletiva, Nelida Calvo Nantip, da organização indígena Orpian, chorou ao tomar conhecimento de que um irmão dela havia morrido no conflito.

Nenhum comentário: