domingo, 7 de junho de 2009

Inimigos da Região Amazônica



A senadora Kátia Abreu lidera a lista. Ela é presidente nacional do agronegócio



Brasília (AE) – Em reação às sucessivas derrotas no Congresso, ambientalistas de quatro organizações não-governamentais e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) fizeram uma eleição simbólica para escolher parlamentares amigos e inimigos da Amazônia. A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) que já havia sido eleita “Miss Desmatamento” pelo Greenpeace, encabeçou a lista dos “inimigos”, formada por nove parlamentares. A senadora Marina Silva (PT-AC), ex-ministra do Meio Ambiente, por sua vez, apareceu na relação dos parlamentares “amigos” da Amazônia.

Mais Pressão

Ao anunciar os resultados anteontem, ambientalistas admitiram ter aberto espaço para ruralistas agirem no Congresso. Agora, diante das batalhas perdidas, prometem maior pressão. A eleição seria o início simbólico desta retomada. “Assistimos a um desmonte da legislação de proteção ao meio ambiente”, avaliou Raul Silva Telles do Valle, do Instituto Socioambiental. Como exemplo das tentativas de redução das garantias ambientais, ele cita a Medida Provisória 452 – que criava o licenciamento ambiental automático de rodovias – e a Medida Provisória 458, sobre a regularização fundiária na Amazônia, além do esforço para substituir o Código Florestal. “Mas o controle social agora estará mais presente”, disse. Coordenadores da eleição, realizada pela Amigos da Terra-Amazônia Brasileira, Greenpeace, Instituto Socioambiental, Imazon e MST, pretendem agora entregar os prêmios aos parlamentares escolhidos. A data, porém, não foi divulgada.


Outro lado

Os parlamentares escolhidos como “inimigos” tiveram reações diferentes. “É a democracia: todos têm liberdade para se expressar. Eu vou continuar meu trabalho no mesmo ritmo, de acordo com minhas convicções”, comentou Kátia Abreu. O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) foi mais contundente. “Esse tipo de ação reducionista sobre o debate que se deveria ter sobre a Amazônia é meramente panfletária e gera apenas publicidade para algumas ONGs”, afirmou, em nota. O deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), foi ainda mais ácido: “Essas ONGs, mantidas por recursos externos, estão a serviço de uma guerra comercial. Elas deveriam ser investigadas pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e Banco Central pelos desserviços que prestam ao Brasil e à Amazônia”. O deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA) teve reação semelhante: “Defendo a região e não interesses alienígenas, como eles fazem”.

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