segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Bolivianos votaram pela igualdade entre comunidades



Presente à eleição presidencial boliviana o jornalista Max Altman mostra desde La Paz, como os bolivianos se reuniram para presenciar o último comício do Movimento ao Socialismo (MAS), do presidente Evo Morales e de seu vice, Álvaro Garcia Linera, na cidade de El Alto, antes da realização das eleições, no domingo (6). Altman também descreve o que aconteceu com o antigo bastião da direita, a chamada "media luna".


Quinta-feira (3), houve encerramento de campanha dos candidatos. Evo Morales, Álvaro Garcia Linera e o MAS (Movimiento al Socialismo) reuniram em El Alto mais de meio milhão de pessoas segundo avaliacao da imprensa local.

Perguntei a Maria Elena Duarte, uma cidada comum, se tinha estado no comício e se tinha havido grande esforco de mobilizacao por parte do governo, respondeu enfática "nós nos autoconvocamos porque estamos comprometidos com a mudanca e confiamos no 'hermano'.

O presidente boliviano centrou seu discurso nas medidas para alavancar a economia, investimento em infra-estrutura, especialmente estradas e aeroportos, industrializacao do gás, petróleo e lítio para agregar valor a essas matérias primas, já estando a buscar recursos na India, China, Rússia, Espanha e Brasil, instalação de usinas termelétricas.

No plano social reforçar os programas existentes e estender benefícios sociais aos professores do ensino básico e médio.

Evo e Linera fizeram um apelo especial à classe média: "Alguns companheiros de classe média dizem 'ele pode ser índio, pode ser indígena, mas faz respeitar nosso país, internamente e no exterior, e isto traz dignidade a nosso povo. Por eso quiero decir a la clase media: bienvenidos a ese proceso revolucionario."

O candidato da chapa Plano Progresso realizou seu comício final em Santa Cruz. Seu companheiro de chapa é Leopoldo Fernandez, que está preso acusado pelo massacre de Pando, departamento que governava.

Reyes insistiu que chegará ao segundo turno. E que vencerá as eleições. E que suas primeiras medidas serão tirar seu companheiro de chapa da prisão e "devolver a Bíblia" ao palácio presidencial de Quemado.

Fim da meia-lua

Não faz muito, durante o auge das investidas violentas dos setores mais reacionários e racistas de direita da chamada "meia lua" dos departamentos de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando, na tentativa de derrocar o governo Evo, o próprio presidente estava praticamente proibido de pisar nesse território.

A força do voto acaba de romper o ignominioso veto que uma elite senhorial havia imposto aos povos dessa região. "Agora não existe mais meia lua. A Bolívia é hoje uma lua cheia, em sua integridade territorial e política", exclamou Evo.

Segundo a totalidade dos observadores internacionais, as eleições foram justas, limpas e transparentes e transcorreram em clima de alegria e tranquilidade. Um dado a ressaltar foi a pequena abstenção, menos de 10 por cento — de um registro eleitoral biométrico que acresceu mais de um milhao de votantes ao montante anterior, demonstrando a vontade de participação do povo boliviano, o que confere legitimidade maior ainda aos governantes eleitos.

De acordo com resultados de boca de urna e de contagem rápida, Evo alcançou 62,5 por cento dos votos válidos. Seu mais direto competidor, Manfred Reyes Villa conquistou 27,6 por cento dos votos. Terceiro colocado, Samuel Doria Medina, 6,1 por cento e os demais cinco candidatos somaram 3,8 por cento.

Novos departamentos

Vale lembrar que nas eleições presidenciais de 2005, Evo alcançou 53,7 por cento dos votos. A par da expressiva vitória presidencial, o MAS (Movimiento al Socialismo) conseguiu o controle os dois terços da Assembleia Legislativa Plurinacional, o que permite avançar na regulamentaçao de 10 artigos fundamentais da Constituição.

O povo boliviano decidiu-se também, por ampla maioria, a favor do referendo autonômico de cinco departamentos: La Paz, Oruro, Potosi, Cochabamba e Chuquisaca. Essas províncias mais Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija que já haviam manifestado pela autonomia, deverão configurar sua autonomia, nos limites da Constituição.

É lícito, outrossim, afirmar que o povo boliviano votou pela igualdade entre suas comunidades, pelas suas culturas, contra o racismo, pela desconcentração do poder e pela presença do Estado na economia

Postado:Prof.Sérgio

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