segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

DO BRASIL DE FATO

Noite de solidariedade ao MST no Rio de Janeiro

10 de dezembro de 2009

Do Brasil de Fato
"Somos todos Sem Terra, e todos os Sem Terra somos nós. Ali, nas estradas, marchando, desatando nós. Se Sem Terra nada somos, e sem os Sem Terra? Que será de nós". Assim o sociólogo Mauro Iasi abriu a noite em que cerca de 400 pessoas prestaram solidariedade ao MST. Parlamentares, intelectuais, ativistas e estudantes lotaram o auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) na quarta-feira (9/12), para condenar a perseguição ao movimento.
As falas das muitas autoridades presentes eram uníssonas. A criminalização ao MST representa a condenação das lutas sociais e a inviabilização da atuação de todos os movimentos. "Não constitui um fenômeno qualitativamente distinto da criminalização da pobreza, e suas estratégias de sobrevivência no capitalismo transnacional do trabalho", afirmou o jurista Nilo Batista. A todo momento, alguém lembrava a importância da solidariedade ao MST. A força dos setores progressistas da sociedade depende do combate à perseguição ao movimento.
Com a conivência dos três poderes, conduzida pela mídia comercial, a construção da imagem negativa do MST está entranhada na sociedade brasileira. A associação entre seus militantes e criminosos se tornou frequente. "O discurso assumiu contornos incomuns mesmo para essa direita", afirmou o professor da UFRJ Roberto Leher. A estratégia política seria aproveitar o episódio da Cutrale - em que sem-terras derrubaram 16 pés de laranja numa fazenda grilada pela empresa - para estigmatizar o movimento e instalar Uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) contra o MST.
Também se ressaltou a necessidade de unidade na atuação e a preocupação com as lutas futuras. "Temos o compromisso de fazer com que nossos filhos sejam todos sem-terrinhas. A luta não está só em nosso tempo", advertiu o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). Além dele, também estiveram presentes os parlamentares Alessandro Molon (PT), Paulo Ramos (PDT) e Inês Pandeló (PT), entre outros.
Carlos Walter evocou o economista chileno Rafael Agacino para defender a tese de que a criminalização das lutas sociais estrutura-se na condenação do coletivismo. "O maior êxito das políticas neoliberais não foi a flexibilização da moral, ou a abolição das barreiras alfandegárias. Foi a desconstrução da idéia de sujeito coletivo", disse. O intelectual considera que a pressão sobre o MST mira na tentativa de construir sujeitos coletivos.
A dirigente do MST Marina dos Santos resumiu o espírito dentro do movimento. "Nós não vamos ceder um milímetro na luta contra o Capital no campo. Não vamos ceder um milímetro em todas as lutas para que o povo brasileiro construa uma sociedade mais justa". Foi aplaudida de pé.
Antes do evento, houve a exibição de um vídeo de apoio ao movimento, filmado no Uruguai. Personalidades como o escritor Eduardo Galeano, e o recém-eleito presidente José Mujica, da Frente Ampla, manifestaram solidariedade. Entre as falas, apresentações artísticas animaram o enfeitado salão. Os músicos Lucio Sanfilippo e Tiago Prata demonstraram sintonia com o tema. Apresentaram belas versões de "Funeral de um lavrador" e "Assentamento", de Chico Buarque. MC Leonardo, o Coletivo de Hip Hop Lutarmada e os MC´s Delírio Black e Mano Zeu também se apresentaram.
O ato foi organizado por movimentos sociais parceiros, junto a centrais sindicais e mandatos parlamentares. Há alguns meses, simpatizantes de todo o mundo já haviam elaborado, em solidariedade, um "Manifesto contra a violência do agronegócio e a criminalização das lutas sociais". Assinaram o documentos Chico Buarque, Boaventura de Souza Santos, Antonio Candido, Luiz Fernando Veríssimo, Sebastião Salgado, Noam Chomsky, István Mészáros e Eduardo Galeano, entre outros.
A mesa do evento reuniu alguns dos intelectuais e militantes mais conhecidos na luta pelos direitos humanos. Além dos já citados, o jurista Nilo Batista, o professor Roberto Leher e a coordenadora do MST Marina dos Santos, também tiveram assento na mesa a professora Virgínia Fontes, o magistrado Geraldo Prado, os militantes da Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência Marcia Jacintho e Deley de Acari, o jornalista Mario Augusto Jakobskind e a professora Anita Prestes.

Tags:

Apoio
Ato em defesa da Reforma Agrária reúne apoiadores do MST
8 de dezembro de 2009

Nesta quarta-feira (9/12), representantes de diversas entidades, movimentos, partidos políticos, parlamentares, intelectuais e artistas se reúnem em um ato em defesa da Reforma Agrária, em solidariedade ao MST e contra a criminalização das lutas sociais. O ato acontece às 18h, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro.

A criminalização das legítimas lutas sociais do MST - objetivo não explicitado que motivou a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Movimento - coloca em risco a frágil democracia existente no país. As entidades, os movimentos, os partidos, os sindicatos e centrais, os intelectuais do Brasil e do mundo que firmaram o Manifesto Contra a Violência do Agronegócio e a Criminalização das Lutas Sociais, em defesa do MST, compreendem que não é hora de silêncio e de passividade. Ao contrário, é preciso espalhar manifestações em todos os estados e em todos os países para que as corporações do agronegócio e a direita saibam que os que lutam pela democracia e pelos direitos sociais assumiram a consigna "Somos Todos Sem Terra!".

O ato tem como objetivo impulsionar um massivo movimento contra a criminalização das lutas sociais. O ato pretende também denunciar a manipulação utilizada pela mídia ao retratar o episódio da ocupação das fazendas controladas irregularmente pela Cutrale. Uma ofensiva com a clara intensão de impedir a revisão dos índices de produtividade agrícola.

Entre os organizadores e participantes do ato estão:

Associação Brasileira de Imprensa (ABI)
Associação Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ADUFERJ)
Associação Docentes Universidade Fed Fluminense (ADUFF)
Justiça Global
Sindicato dos Jornalistas Profissionais
Sindicato dos Economistas
Partidos e mandatos parlamentares de esquerda, entre eles PT, PCB e PSOL
Sindicato Estadual dos Profissionais de Ensino do Rio de Janeiro - SEPE



Criminalização
Nacional
Rio de Janeiro
Parceiro
Postado por: Luiz Navarro

Nenhum comentário: