segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

DISPUTA ENTRE NEOLIBERAIS!

Todo o apoio aos trabalhadores, ao povo e ao governo da Bolívia!
O Partido Comunista Brasileiro (PCB) vem a público manifestar seu apoio à decisão firme, corajosa e soberana tomada pelo governo da Bolívia. O companheiro Evo Morales, no seu centésimo dia como presidente, nada mais fez do que realizar aquilo que tinha prometido ao longo de toda a sua campanha eleitoral. O presidente Lula não sabe o que é isso, e a história aqui foi outra, quando, em 2003, ao completar seus cem primeiros dias de governo, Lula e toda sua equipe entoavam a desculpa ridícula de que não se podia “dar cavalo de pau em transatlântico”. Aos poucos os trocadilhos e as metáforas foram ficando de lado, sendo substituídas pela mais pura subserviência aos banqueiros e ao sistema empresarial, pelo rompimento descarado de Lula e do PT com sua trajetória no campo popular e simbologia de esquerda. Já ultrapassamos os mil dias de governo Lula e nenhuma guinada foi realizada enquanto a esperança naufragava.


Na Bolívia a nacionalização dos recursos naturais atende a uma legítima e antiga aspiração do povo e dos trabalhadores: a de usufruir plenamente de suas riquezas nacionais, que há séculos vêm sendo saqueadas pelas grandes empresas capitalistas.


A Petrobrás – cuja criação representou uma grande vitória dos trabalhadores brasileiros na luta pela soberania nacional – há muito vem se comportando como uma empresa privada qualquer, espoliando riquezas alheias com o total apoio dos governos, pagando pelo gás boliviano um terço do seu valor de mercado. A atitude do governo brasileiro deveria ser a de propor uma integração latino-americana de novo tipo, voltada para os interesses da classe trabalhadora e dos povos irmãos da tão sofrida América Latina – muito próximos em comparação aos interesses privados capitalistas e imperialistas. Ao invés de apelar para tribunais internacionais ou chantagear os trabalhadores bolivianos com a ameaça do desemprego e os consumidores brasileiros com o aumento de tarifas, a Petrobrás pode e deve seguir atuando na Bolívia, prestando seus serviços e sendo remunerada com um pagamento mais justo, apoiando o desenvolvimento daquele país.


Os comunistas do PCB se solidarizam com a luta do povo boliviano por seu progresso socioeconômico e por sua independência política, e esperamos que o governo brasileiro não embarque na histeria fomentada pela burguesia brasileira. Esta, que nunca foi nacionalista, através da grande mídia vem procurando a todo custo distorcer as informações sobre o processo de nacionalização e criar um clima de disputa artificial entre os dois povos e os dois governos. Se interessa ao empresariado a reeleição de Lula, por outro lado também lhe interessa mostrar que a volta do PSDB à presidência é uma alternativa igualmente rentável – para a burguesia a opção será entre neoliberais mais competentes em cativar o povo do que em roubar (PT) e neoliberais mais competentes em roubar do que em cativar o povo (PSDB). Como não queremos ser cativos nem continuar sendo roubados, nossa opção ontem, hoje e amanhã é pelo socialismo e pelo enfrentamento à burguesia e todos os seus representantes políticos.


É por isso que nossos reais inimigos não estão na Bolívia ou na Venezuela, países que hoje experimentam governos de mudança social efetiva. Nosso real inimigo está na cobiça do capital, que tenta, cada vez mais, ampliar a exploração sobre os frutos do suor dos trabalhadores em todo o mundo. Não somente na Bolívia, assim também tem sido a ação dos capitalistas no Distrito Industrial de Manaus, responsável por uma imensa produção de riquezas, riquezas estas que pouco significam para melhorar a vida da maioria dos seus trabalhadores – super explorados, mal remunerados, e desorganizados na defesa de seus interesses. As riquezas, sejam elas naturais ou produzidas, devem pertencer ao povo, no Brasil, na Bolívia e no mundo todo.


Viva os trabalhadores e os povos boliviano e brasileiro.
Viva o poder popular! Viva o socialismo!


Manaus, 21 de maio de 2006.


Comitê Estadual do PCB do Amazonas

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