quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

MARIO ALVES, HERÓI E MÁRTIR DA LUTA PELO COMUNISMO

(*) Frank Svensson

Tive o privilégio de conhecer o camarada Mario Alves ainda como um dirigente dedicado do PCB. Filiou-se ao mesmo ainda estudante, com 15 anos de idade, em 1939, participando das lutas estudantis contra o fascismo. Por toda a vida foi tido como um homem estudioso, inclusive do corpo teórico do marxismo-leninismo. Quis conhecer in-loco a aplicação do mesmo nas experiências da União Soviética, bem como, da China Popular. Perseguido em sua terra natal, a Bahia, veio militar no Rio de Janeiro e posteriormente em São Paulo onde dirigiu a revista Problemas. Em 1958, assumiu a direção do jornal Novos Rumos. Mário Alves dominava vários idiomas e durante o período de clandestinidade trabalhou como tradutor para garantir seu sustento.

Filiei-me ao PCB em Belo Horizonte, em 1959. Por coincidencia a primeira incumbência que me foi atribuida foi a de conduzir uma reunião onde iria falar um dirigente por nome Mario Alves. Foi no Sindicato dos bancários daquela cidade, por solicitação de Ivan Ribeiro (o filho) então dirigente da Juventude do PCB em BH. Lembro-me da presença de alguns dirigentes sindicais entre eles Sinval Bambirra. Mario Alves mostrou-se um orador brilhante, discreto mas muito seguro do que dizia. Terminada a reunião quiz saber quem eu era e o que fazia. Informei-lhe que eu era universitário e militava na base dos arquitetos e estudantes de arquitetura. Nunca me esqueci de um conselho seu: “Jovem, para ser um bom comunista é muito importante ser um bom profissional, fazer-se indispensável à sociedade pelo saber fazer”. Quantas vêzes a vida não tem me feito lembrar disso e reconhecer a profundidade de sabedoria aí contida! Esse posicionamento explica em muito a galeria de profissionais, cientistas e intelectuais que a história do PCB pode apresentar.

Quando do golpe militar em 1964, Mario Alves começou a se opor às posições predominantes no Comitê Central, formando a chamada Corrente Revolucionária. Em 1968, funda junto com Carlos Marighela, Appolonio de Carvalho e Jacob Gorender o PCBR. A proposta geral do mesmo consistia na constituição de um novo partido que reformulasse a linha tradicional do PCB a respeito da necessidade da aliança com a burguesia nacional, sem no entanto abraçar a bandeira da Revolução Socialista imediata.

No dia 16 de janeiro de 1970, aos 47 anos, Mário Alves desaparece. Foi preso pelo DOI-CODI e levado ao quartel da Polícia do Exército, na rua Barão de Mesquita, Tijuca, um dos centros de tortura da ditadura. Foi "espancado barbaramente de noite, empalado com um cassetete dentado, o corpo todo esfolado por escova de arame, por se recusar a prestar informações exigidas pelos torturadores do 1° Exército e do DOPS",

Em que pese divergências havidas, o PCB reconhece o camarada Mario Alves como herói e mártir da luta pelo comunismo e faz questão que seu exemplo e história de vida sejam conhecidos.

(*) Frank Svensson é membro da Comissão Política do Comitê Central do PCB

Publicado por: Luiz Navarro

domingo, 24 de janeiro de 2010

A DEMOCRACIA NORTE-AMERICANA NO HAITI!


Um país acorrentado

Por que o jornalista brasileiro ainda hoje se surpreende quando a comunidade internacional suspeita da “ajuda” de Washington ao Haiti? Generosa ajuda de quase 20 mil homens, com equipamentos bélicos pesados. Dez vezes maior que a atual força internacional da ONU comandada pelo Brasil. Grandes helicópteros a pousar emblematicamente nos jardins do palácio presidencial haitiano.

Ingenuidade? Ignorância? Melhor apostar em submissão cultural do eterno colonizado. Ou o jornalista não tem a obrigação de saber do que houve na Coréia, no Vietnã, no Iraque, no Paquistão, no Afeganistão? E, antes, e bem antes, no próprio Haiti? E o porquê do país ser o mais pobre do planeta?

É Eduardo Galeano, profundo conhecedor das veias ainda abertas na América Latina, quem reaviva nossa memória. (http://resistir.info/galeano/haiti_18jan10.html). (*)

ANTES. “A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca ideia de querer um país menos injusto”.

(...) “Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder”. (...) “...cada vez que Préval (substituto de Aristide), ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe: – Recite a lição”. A lição: “é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo”. (...)

“Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. (Deixaram-lhe sucessivos ditadores fieis a Washington). Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem "uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização". (...)

BEM ANTES. “Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda surra nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos haviam conquistado antes a sua independência, mas tinha meio milhão de escravos a trabalhar nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores”.

“A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém lhe comprava, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia”.

Hoje, o Haiti entra para o rol dos países em reconstrução, mais uma mina de ouro a ser entregue aos donos do capital, a exemplo da ex-Iugoslávia, do Iraque, do Paquistão, do Afeganistão. Funciona mais ou menos assim: 1. As tropas invadem o país e destroem toda sua infra-estrutura (melhor se a infra-estrutura já estiver destruída, como no caso do Haiti). 2. O FMI (leia-se Washington) garante o empréstimo de centenas de milhões de dólares. 3. As tropas de ocupação garantem as instalações das empresas dos EUA que participarão da reconstrução e da recondução dos dólares ao seu país. Fica a dívida. 4. As tropas de ocupação deixarão o país quando a dívida for paga: nunca.

O jornalista brasileiro deveria saber um pouco mais. Ou sabe de tudo?

Boletim H. S. Liberal

Postado por: Luiz Navarro

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

CARTA A 'GLOBO'

À Redação de “O Globo” RJ, 13/01/2010





Tendo em vista matéria publicada em “O Globo” de hoje (p.4), intitulada “Comissão aprovará novas indenizações” e na qualidade de filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benario Prestes, devo esclarecer o seguinte:

Luiz Carlos Prestes sempre se opôs à sua reintegração no Exército brasileiro, tendo duas vezes se demitido e uma vez sido expulso do mesmo. Também nunca aceitou receber qualquer indenização governamental; assim, recusou pensão que lhe fora concedida pelo então prefeito do Rio de Janeiro, Sr. Saturnino Braga.

A reintegração do meu pai ao Exército no posto de coronel e a concessão de pensão à família constitui, portanto, um desrespeito à sua vontade e à sua memória. Por essa razão, recusei a parte de sua pensão que me caberia.

Da mesma forma, não considerei justo receber a indenização de cem mil reais que me foi concedida pela Comissão de Anistia, quantia que doei publicamente ao Instituto Nacional do Câncer.

Considerando o direito, que a legislação brasileira me confere, de defesa da memória do meu pai, espero que esta carta seja publicada com o mesmo destaque da matéria referida.

Atenciosamente,

Anita Leocádia Prestes

CPF 059050957/87

RG 1492888 IFP/RJ

Comentários de Luiz Navarro - Esta atitude de Anita Leocádia Prestes, filha do saudoso "CAVALEIRO DA ESPERANÇA", é para colocar vergonha na "cara", daqueles que se disfarçam de "SOCIALISTAS", e que na maioria das vezes recebem menos de "trinta moedas", para servir de lacaios do poder, praticando todos os atos reprováveis que a ética e honradez, não permitem fazer por pessoa digna e de carater ilibado.

COMUNICADO A OPINIÃO PÚBLICA

Comunicado a opinião pública nacional e internacional

O Estado de Exceção: lembrança do Estado de Sítio ditatorial


Ante do golpismo e a desestabilização causada pela oposição direitista e terrorista que afeta nosso país, e as repercussões que se vão gerando desde diferentes organizações e atores da política nacional, declaramos o seguinte:

1 - A nossa solidariedade com a família Zavala e as famílias dos companheiros Martín Ocampos, Juan Ramón González, Enrique Brítez, Bienvenido Melgarejo e Andrew Ozuna Grance, camaradas mortos entre 2008 e 2009, totalizando mais de 100 trabalhadores rurais mortos pelos poderes de fato e pelo aparato policial, judicial e burocrático, ainda intactos sob o atual governo.

Além disso, a nossa solidariedade alcança vários compatriotas que foram torturados pela polícia, que é contrária ao projeto e ao processo de mudança impulsionado pelas mobilizações populares.

Sabemos que o problema de fundo é a estrutura socioeconômica e modelo de segurança em vigor no nosso país e, portanto, nós estendemos a nossa voz em protesto contra as injustiças que sofremos como povo.

2 - Nós categoricamente rejeitamos a proposta do Estado de Exceção (Estado de Sítio) formulado por Federico Franco, um dos líderes da conspiração golpista, que violando sua função constitucional como vice-presidente, continua a fazer alianças com setores da história mais negra da política nacional, diretamente envolvidos com a máfia, o tráfico de drogas, o latifúndio e o terrorismo de Estado, a fim de bloquear o processo de mudança e empreender uma sinistra volta ao passado.

Já sem nenhum Estado de Exceção tinham sido cometidos, e continuam a cometer violações das garantias dos nossos compatriotas, principalmente no interior do país, e agora uma medida como a suspensão dos direitos e garantias constitucionais teria graves conseqüências para o movimento popular, que na verdade constitui uma ameaça para toda a oligarquia que se enriqueceu com sangue, fogo, violações e mentiras, quebrando e martirizando a vida de milhares de paraguaios que lutam por um país onde seus filhos possam desenvolver livremente as suas capacidades.

Precisamente, por este último fato é que rejeitamos esta medida: porque sabemos perfeitamente os interesses que estão primando nas cabeças e na política de ordenar e dirigir o trabalho de uma força policial que já está “colombonizada” com o permanente assessoramento de uma instituição terrorista como o Departamento Administrativo de Segurança (DAS) da Colômbia, que por sua vez é orientado pela CIA norte-americana.

3 - Como povo já temos experiência suficiente, com décadas de ditadura, na violenta repressão que a polícia impõe contra as famílias dos trabalhadores rurais organizados, com os trabalhadores e proletários em geral, por isso estamos seguros de que a proposta de um Estado de Exceção serve apenas para aguçar a repressão no campo, decapitando o movimento popular e provocando conflitos entre o nosso povo e as forças de segurança.

4 - A partir do Partido Comunista Paraguaio, acreditamos que podemos e devemos lutar contra os restos do terrorismo de Estado e o terrorismo manipulado pelos poderes da máfia e das lideranças da cúpula policial, fiscal, judicial e burocrática que com a violência irracional de marginais da vida política e social democrática e libertadora.

5 – A segurança, a pacificação e a tranqüilidade do nosso povo só serão alcançadas através do desmantelamento do aparelho de repressão e de terror, com a participação ativa dos movimentos sociais e políticos do campo popular, com a maior transparência e acompanhamento possível de personalidades do DDHH, uma vez que os militantes patrióticos, progressistas e revolucionários não têm nada a esconder e ainda muito a contribuir para o nosso país acabar a máfia, o tráfico de drogas, as grandes propriedades e o terror.


Não ao Estado de Exceção!

Não a colombianização do nosso país!

Pela participação ativa do movimento popular na luta contra todo tipo de terrorismo, em especial contra o terrorismo de Estado!



Comissão Política do Partido Comunista Paraguaio



Asunción, 15 de Janeiro de 2010

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Ministros usam jatinho da FAB 813 vezes em 2009





Os ministros do governo Lula usaram os jatinhos da Força Aérea Brasileira 813 vezes em 2009. Esse número pode ser maior, uma vez que não revelaram suas viagens 7 dos 37 ministros.

O recordista de viagens nas asas da FAB foi o ministro da Justiça, Tarso Genro (PT), que é pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul e viaja com frequência a esse Estado. Tarso usou jatinhos oficiais 85 vezes em 2009, sendo a maioria das vezes para ir até Porto Alegre.

O ministro da Justiça é seguido no ranking por Luiz Eduardo Barreto (Turismo), com 81 viagens nos jatinhos da FAB em 2009. Em terceiro lugar está Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), com 73 viagens. Depois: José Gomes Temporão (Saúde), com 60 viagens, e Pedro Brito (Portos), 52 viagens.

Postado:Prof.Sérgio

Calote nos trabalhadores



O setor da construção civil concentra o maior número de reclamações em relação ao atraso no pagamento de salários


A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Estado do Amazonas (SRTE/AM), registrou 184 denúncias de atraso de salário nos últimos sete meses. A grande maioria dos casos está na Construção Civil, seguido do Comércio.

O artigo 459 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) determina que o empregador pague a remuneração até, no máximo, o quinto dia útil do mês subsequente ao vencido. A partir desta data-limite, a empresa pode ser punida com multa per capta, com valor calculado em cima do salário atrasado de cada funcionário. “O trabalhador não é sócio, ele vende a sua força de trabalho por determinado tempo, e precisa receber, logicamente”, observa o superintendente Dermilson Chagas. O valor da multa não é pago ao trabalhador, e é direcionado aos cofres públicos.

Denúncias

Do total de denúncias recebidas pela SRTE/AM de junho de 2009 a 15 de janeiro de 2010, 170 foram representadas diretamente por trabalhadores prejudicados, 10 por sindicatos de classe e quatro pelo Ministério Público do Trabalho. Chagas afirma que, em todo o Estado, as terceirizadas de mão de obra para construção civil são as campeãs em atraso de salário.

“Na maioria dos casos os atrasos ocorrem em obras públicas, porque os poderes estadual e municipal só repassam a verba quando a documentação relativa à licitação está toda correta. Como as empreiterias têm pressa de terminar a obra, vão tocando o serviço enquanto resolvem as pendências, e no fim das contas o prejudicado é o trabalhador”.

Os funcionários com salário atrasado devem formalizar denúncia diretamente na SRTE/AM, ou informar ao sindicato de classe.

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial (Sintracomec), Juarez Coutinho, afirmou que a entidade busca negociação com as empresas em débito com os funcionários. “Sabemos o constrangimento que é para um pai de família não cumprir o trato com o dono da taberna onde ele compra comida por conta da má administração patronal. Nosso interesse é sempre resolver o mais rápido possível”, afirma
Fonte:SRTE/AM

Postado:Prof.Sérgio

Recursos para as prefeituras



Fiscalize as verbas do seu municípios

Agência Senado

BRASÍLIA – As mais de 5,5 mil prefeituras brasileiras recebem a partir de hoje a segunda parcela de janeiro do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), a principal arrecadação da maioria das cidades do País. O FPM dos 62 municípios do Amazonas teve uma redução de 24,1%. Em janeiro de 2009, o tesouro nacional repassou R$ 12,9 milhões ao Estado, enquanto este ano os valores previstos para as prefeituras amazonenses neste mês são da ordem de R$ 9,7 milhões.

De janeiro a dezembro do ano passado, as prefeituras do Amazonas receberam um montante de R$ 1,58 bilhão de FPM. Manaus arrecadou R$ 161,5 milhões, R$ 42,2 milhões a menos que 2008. Essa diferença está sendo paga pelo Governo Federal no chamado Apoio Financeiro aos Municípios (AFM).

O valor total do fundo constitucional a ser pago, este mês, aos 5.562 municípios brasileiros será de R$ 528,6 milhões, com o desconto do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostra que o segundo repasse do fundo, em 2010, está 22% menor que o do mesmo período do ano passado. Na estimativa da Receita Federal do início do mês, o repasse seria de R$ 536.424.700,00.

Ao anunciar os números do levantamento, o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, demonstrou preocupação com o fraco desempenho do FPM neste início de ano. Ele esclarece que tradicionalmente, pela sazonalidade, janeiro é um mês de melhor repasse. “Via de regra, é o terceiro maior repasse do ano e só fica atrás de dezembro e maio”, avaliou. Segundo ele, caso não ocorra uma recuperação rápida do fundo, as prefeituras que vêm de um longo período de crise vão iniciar 2010 amargando uma queda ainda mais acentuada do Fundo de Participação.

O repasse da última parcela do Apoio Financeiro aos Municípios (AFM) que deveria ser feito hoje, segundo anúncio feito pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, foi transferido para sexta-feira (22), informou ontem a página eletrônica da CNM. O repasse do AFM em valor “arredondado” é de R$ 500 milhões e o pagamento aos municípios será automático.

Dessa parcela final, as 62 prefeituras do Amazonas têm direito R$ 20,77 milhões de reposição do FPM, mas Manaus ficará com mais da metade desse montante, R$ 14.538.044,49. Os outros 61 municípios receberão R$ 6,24 milhões de reposição das perdas do FPM.

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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O Haiti é laboratório para os militares brasileiros


Por: Otávio Calegari Jorge*

A noite de ontem foi a coisa mais extraordinária de minha vida. Deitado do lado de fora da casa onde estamos hospedados, ao som das cantorias religiosas que tomaram lugar nas ruas ao redor e banhado por um estrelado e maravilhoso céu caribenho, imagens iam e vinham. No entanto, não escrevo este pequeno texto para alimentar a avidez sádica de um mundo já farto de imagens de sofrimento.

O que presenciamos ontem no Haiti foi muito mais do que um forte terremoto. Foi a destruição do centro de um país sempre renegado pelo mundo. Foi o resultado de intervenções, massacres e ocupações que sempre tentaram calar a primeira república negra do mundo. Os haitianos pagam diariamente por esta ousadia.

O que o Brasil e a ONU fizeram em seis anos de ocupação no Haiti? As casas feitas de areia, a falta de hospitais, a falta de escolas, o lixo. Alguns desses problemas foram resolvidos com a presença de milhares de militares de todo mundo?

LABORATÓRIO CONTRA REBELIÕES NAS FAVELAS

A ONU gasta 500 milhões de dólares por ano para fazer do Haiti um teste de guerra. Ontem pela manhã estivemos no BRABATT, o principal Batalhão Brasileiro da Minustah (United Nations Stabilization Mission in Haiti). Quando questionado sobre o interesse militar brasileiro na ocupação haitiana, o coronel Bernardes não titubeou: o Haiti, sem dúvida, serve de laboratório (exatamente, laboratório) para os militares brasileiros conterem as rebeliões nas favelas cariocas. Infelizmente isto é o melhor que podemos fazer a este país.

Hoje, dia 13 de janeiro, o povo haitiano está se perguntando mais do que nunca: onde está a Minustah quando precisamos dela?

Posso responder a esta pergunta: a Minustah está removendo os escombros dos hotéis de luxo onde se hospedavam ricos hóspedes estrangeiros.

Longe de mim ser contra qualquer medida nesse sentido, mesmo porque, por sermos estrangeiros e brancos, também poderíamos necessitar de qualquer apoio que pudesse vir da Minustah.

A realidade, no entanto, já nos mostra o desfecho dessa tragédia – o povo haitiano será o último a ser atendido, e se possível. O que vimos pela cidade hoje e o que ouvimos dos haitianos é: estamos abandonados.

A polícia haitiana, frágil e pequena, já está cumprindo muito bem seu papel – resguardar supermercados destruídos de uma população pobre e faminta. Como de praxe, colocando a propriedade na frente da humanidade.

Me incomoda a ânsia por tragédias da mídia brasileira e internacional. Acho louvável a postura de nossa fotógrafa de não sair às ruas de Porto Príncipe para fotografar coisas destruídas e pessoas mortas. Acredito que nenhum de nós gostaria de compartilhar, um pouco que seja, o que passamos ontem.

Infelizmente precisamos de mais uma calamidade para notarmos a existência do Haiti. Para nós, que estamos aqui, a ligação com esse povo e esse país será agora ainda mais difícil de ser quebrada.

Espero que todos os que estão acompanhando o desenrolar desta tragédia também se atentem, antes tarde do que nunca, para este pequeno povo nesta pequena metade de ilha que deu a luz a uma criatividade, uma vontade de viver e uma luta tão invejáveis.

Janeiro/2010

[*] Investigador da Universidade de Campinas em missão

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Educação no Brasil ainda é baixa, relatório indica que índices de repetência e abandono escolar são mais elevados da América Latina



Elevados índices de repetência e de abandono da escola no Brasil foram apontados em relatório da Unesco


SÃO PAULO - Com índices de repetência e abandono da escola entre os mais elevados da América Latina, a educação no Brasil ainda corre para alcançar patamares adequados para um País que demonstra tanto vigor em outras áreas, como a economia. Segundo o Relatório de Monitoramento de Educação para Todos de 2010, da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), a qualidade da educação no Brasil é baixa, principalmente no ensino básico.

Veja o relatório da Unesco

O relatório da Unesco aponta que, apesar da melhora apresentada entre 1999 e 2007, o índice de repetência no ensino fundamental brasileiro (18,7%) é o mais elevado na América Latina e fica expressivamente acima da média mundial (2,9%).

O alto índice de abandono nos primeiros anos de educação também alimenta a fragilidade do sistema educacional do Brasil. Cerca de 13,8% dos brasileiros largam os estudos já no primeiro ano no ensino básico. Neste quesito, o País só fica à frente da Nicarágua (26,2%) na América Latina e, mais uma vez, bem acima da média mundial (2,2%).

Na avaliação da Unesco, o Brasil poderia se encontrar em uma situação melhor se não fosse a baixa qualidade do seu ensino. Das quatro metas quantificáveis usadas pela organização, o País registra altos índices em três (atendimento universal, igualdade de gênero e analfabetismo), mas um indicador muito baixo no porcentual de crianças que ultrapassa o 5º ano. Problemas que a educação brasileira ainda enfrenta, a estrutura física precária das escolas e o número baixo de horas em sala de aula são apontados pelos técnicos da Unesco como fatores determinantes para a avaliação da qualidade do ensino.

Crise financeira

A crise financeira que ainda reprime o desenvolvimento de países em todo o mundo poderá também ter um reflexo bastante negativo na educação, alerta o relatório da Unesco. De acordo com a organização, o aumento da pobreza e os cortes nos orçamentos públicos das nações podem comprometer os progressos alcançados na educação na última década, principalmente nos países pobres.

"Enquanto os países ricos já estão criando as condições necessárias para sua recuperação econômica, muitos nações pobres enfrentam a perspectiva imediata de uma degradação de seus sistemas educativos", alerta Irina Bokova, diretora-geral da Unesco. "Não podemos permitir o surgimento de uma "geração perdida" de crianças privadas da possibilidade de receber uma educação que lhes permita sair da pobreza."

Com este cenário, a Unesco avalia que a comunidade internacional não deverá alcançar nenhum dos seis objetivos estabelecidos em 2000, em Dacar, no Senegal, que, juntos, visam a universalização do ensino fundamental até 2015. Segundo o relatório, seria necessário cobrir um déficit de US$ 16 bilhões para atingir essas metas, acabando com o analfabetismo, que hoje atinge cerca de 759 milhões de adulto no mundo, e possibilitando que as mais de 140 milhões de crianças e jovens que continuam fora da escola tenham a oportunidade de estudar.
Fonte:Estadão

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UNE quer 50% dos recursos do fundo do pré-sal para educação



O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Augusto Chagas, reivindicou, em reunião com o presidente Lula, nesta terça-feira (19), que o governo se empenhe mais nas discussões para que parte dos recursos do Fundo Social do Pré-sal sejam investidos em educação e em projetos que aumentem o tempo de permanência dos brasileiros na escola.
Chagas afirmou que, apesar das políticas educacionais nos últimos anos terem apresentado melhorias na qualidade do ensino do país, é preciso ampliar os investimentos no setor. Segundo ele, a média de permanência do brasileiro adulto na escola é de sete anos e que não chega a 30% o percentual de escolas públicas que têm uma quadra de esportes.

O salário dos nossos professores ainda é muito defasado e o Brasil tem apenas 13,9% de jovens, de 18 a 24 anos, com acesso à universidade. Isso tudo demonstra a necessidade de se aplicar melhor os recursos em educação, principalmente, em aumentar o aporte de recursos em educação. Portanto, na nossa avaliação, essa questão do fundo será muito importante", disse o presidente da UNE.
Fonte: Agência Brasil

Postado:prof.Sérgio

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

AS FARC,s SÃO INVENCIVEIS SIM!

Assim como as Farc,s, também é invencível o MST, e é natural que a forma de luta é determinada pela necessidade de executar um programa. Não será um ou outro que determinará a forma de luta. O imperialismo Norte americano invade nações, mata estupra e impõe a sua falsa democracia há muito tempo. è necessário dar um basta aos tiranos e falsos democratas na sua caminhada nefasta de provocar conflitos para poder vender as armas fabricadas por milionários judeus, radicados em solo Norte americano. O MST é nascido da necessidade da população, de possuir terra e teto que possuem os grileiros e os corruptos manipuladores do dinheiro público, e sua forma de luta será sempre de acordo com a democratização do direito da população possuir meios de sobrevivencia adequados as suas necessidades.

Portanto meu caro Inácio Pontes, a luta de um povo ou organização será determinada pela necessidade de combater as injustiças, a tirania e o sistema disfarçado de democracia que provoca conflitos para vender armas.
Escrito e publicado por: Luiz Navarro

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

`AS FARC SÃO INVENCÍVEIS!

Escrito por Dax Toscano Segovia

Nesta entrevista, o importante jornalista colombiano analisa a atualidade e a história das FARC, o maior grupo guerrilheiro que existe na América.

À “belíssima Lucero” e ao seu companheiro de luta, Simón Trinidad

Resumo latino-americano/ ABP – Dias antes de contatar Jorge Enrique Botero, o entrevistador começou a ler um livro de autoria do jornalista colombiano, intitulado “Simón Trinidad, um homem de ferro”. A leitura o fascinou desde o início ao tratar das passagens da vida de um dos comandantes das FARC, hoje detido injustamente num cárcere norte-americano, país para o qual foi extraditado com o aval de Uribe, mas também por explicar a história de resistência e rebeldia de um povo que vem sofrendo os embates de uma criminosa oligarquia criolla e do voraz imperialismo ianque, o que permite compreender porque a insurgência colombiana é a força revolucionária que, ao levantar as armas, se constituiu em exército e os colombianos que formam parte dessa massa são despossuídos, sem-terras e violentados por esses grupos do poder e seus criminosos aparatos militares e paramilitares.

Botero é um jornalista diferente daqueles melindrosos e cretinos que vemos nos cenários dos escritórios das indústrias midiáticas. Trajando seu uniforme de combate, Jorge Enrique percorre os lugares mais recônditos para indagar, investigar sobre os acontecimentos, sobretudo para, através de uma prática militante não apenas relacionada a sua atividade de jornalista, mas sim com a causa revolucionária, divulgar com objetividade e veracidade o que ocorre nos locais onde avança a luta pela conquista de uma Nova Colômbia.

Apesar das acusações feitas contra ele pelo narco-paramilitar presidente da Colômbia, Álvaro Uribe Vélez e seus auxiliares, não possui nenhum temor de expor com clareza as mentiras que se divulgam sobre as FARC-EP através de uma muito efetiva campanha propagandística, difundida pelos meios de comunicação a serviço da oligarquia colombiana e do imperialismo ianque.

Com seus conhecimentos, resultado de suas vivências e sua atividade como repórter, assim como de seu amplo saber sobre a história de seu país, pôde demonstrar que a insurgência colombiana não é uma agrupação terrorista, e sim uma formação constituída de homens e mulheres com profundas convicções e ideais revolucionários que lutam para mudar a realidade vergonhosa a que está submetida a maioria de colombianas e colombianos.

Jorge Enrique Botero representa o que os jornalistas deveriam ser: profundos conhecedores da história e realidade social dos povos, indagadores assíduos que buscam a raiz das coisas, pessoas com convicções profundas e com sólidos princípios, lutadores e revolucionários da causa dos oprimidos e explorados e não rasteiros e obedientes reprodutores dos donos das indústrias midiáticas.

Com Botero é possível compreender em sua totalidade o que é a insurgência colombiana, representada, principalmente, pelas FARC-EP.

1. A propaganda do imperialismo e da oligarquia colombiana representada, principalmente, pelas indústrias midiáticas qualificam as FARC-EP como uma organização terrorista, de narcotraficantes. Como jornalista e investigador, o que pode dizer sobre essas afirmações?

Responderia a você, Dax, o mesmo que disse a um tribunal dos EUA, quando julgavam um dos comandantes das FARC extraditados para esse país, Simón Trinidad, em virtude de um tratado que existe entre o governo da Colômbia e o dos EUA. Um magistrado perguntou o que eram as FARC para mim. Respondi que para mim as FARC são uma organização político-militar que levanta armas contra o governo colombiano há quase 50 anos, que possui uma estrutura e uma forma organizativa que permitem a existência de um exército rebelde dentro do território colombiano e que é inspirada em ideais e convicções políticas e ideológicas, estendida por todo o território colombiano e que tem uma decidida vocação de poder e que, neste momento, é um fator de poder no país.

Não é de nenhuma maneira uma organização terrorista. Me parece que esta tem sido uma criação pérfida da mídia orientada e dirigida pelas elites da Colômbia e dos EUA, que se aproveitam um pouco da conjuntura posterior ao 11 de Setembro de 2001 e sustentam em evidências inexistentes, posto que não há provas sobre isso.

São muito mencionados certos tipos de ações empreendidas pelas FARC para sustentar sua suposta condição de organização terrorista, como, por exemplo, os seqüestros. Este é um dos cavalos de batalha com que se trabalha a idéia de terrorismo das FARC.

Eu posso relatar, por já ter estado em contato e no local, sobre a condição dos prisioneiros de guerra, membros da força pública, que estão atualmente sob a custódia da insurgência. São pessoas que caíram em poder de seu adversário depois de horas e horas de combate, de enfrentar com balas seu adversário. Então, algumas pessoas duraram dez, quinze horas combatendo e caíram em poder de seu adversário. Elas não podem ser chamadas de seqüestradas. São prisioneiros de guerra. Isso não possui outra denominação.

Por outro lado, se acusa a insurgência armada de ser uma organização terrorista porque, supostamente, faz recrutamentos forçados de menores de idade. Isso é absolutamente falso! Eu podia constatar essa situação com meu próprio trabalho como repórter.

Evidentemente existem menores de idade na insurgência. Isso é uma questão inegável e tampouco é algo que diminui a insurgência. Quando as câmeras fotográficas de todo o mundo entraram na zona de Caguán, puderam registrar, aberta e livremente, a presença de menores de idade ali. Porém, a explicação da presença dos menores não tem nada a ver com um recrutamento forçado. Tem a ver com a falta de oportunidades e de futuro que possuem esses garotos, tem a ver com a ausência total do Estado, de uma perspectiva educativa e com a ausência total, em muitos casos, de condições materiais adequadas para seu desenvolvimento. E mais, eu diria que a grande maioria desses menores que militam nas fileiras insurgentes estão ali porque seus pais ou seus familiares foram assassinados, seja pelas forças paramilitares, seja pelas forças do Estado. Eu vi crianças que chegam lá fugindo de episódios brutais de violência. E o que faz a guerrilha? A guerrilha os acolhe. Não vai deixá-los à própria sorte.

Posso dar meu testemunho de que são crianças que não participam diretamente dos confrontos bélicos, que não estão submetidos aos terríveis riscos do combate e que desempenham, quando muito, funções ligadas à logística. Isso é muito irônico. A acusação de terrorismo às FARC quanto ao seu método de recrutamento de menores é uma verdadeira ironia, porque o que se vê é que esses menores são obrigados sim a aprender a ler, a escrever, alfabetizando-se no mundo insurgente.

Então, qual violação aos Direitos Humanos Internacionais está ocorrendo aqui? Ao meu modo, nenhuma.

Enfim, há uma série de acusações que necessitam de evidências, não são mais que uma construção da mídia.

2. Outra acusação que fazem às FARC como parte de uma campanha de desprestigio, que está mais evidente desde o assassinato de Raúl Reyes, de Iván Ríos, as deserções de pessoas que, supostamente, teriam uma alta patente dentro da estrutura militar das FARC como Karina ou a traição de comandantes na famosa Operação Jaque, é de que esta organização revolucionária está desmoralizada, em vias de ser derrotada e que seus combatentes nela permanecem não por princípios revolucionários, e sim para delinqüir. Você que conhece de fato as FARC-EP e que tem estado em acampamentos guerrilheiros, o que pode dizer a respeito?

Bom, é evidente que ao longo dos anos de 2007 e 2008 se desenvolveu uma gigantesca operação militar que vem custando milhares e milhares de milhões de dólares ao governo dos EUA e ao governo da Colômbia. Essa operação faz uso dos mais sofisticados aparatos de tecnologia moderna no terreno bélico. Assim, as FARC receberam uma série de golpes que, em primeiro lugar, comprovam que o Estado colombiano e seu grande aliado norte-americano investem somas monstruosas de dinheiro para poder confrontar seu adversário, desmentindo aquela idéia de que na Colômbia não há conflito armado. Dessa maneira, receberam golpes, é uma guerra e nessa guerra há momentos de desequilíbrio da balança militar.

Recordo, por exemplo, que no ano de 1998 as FARC empreenderam mais ou menos 10 golpes de grandes proporções às forças militares e chegaram a ter 500 soldados e policiais em seu poder como prisioneiros de guerra. A balança militar estava decididamente a favor da insurgência. Entre outras coisas, alguns analistas dizem que foi isso que obrigou o governo do presidente Pastrana a chegar a uma negociação política que ficou conhecida como a negociação de Caguán.

Agora, os golpes sofridos pelas FARC atualmente, indubitavelmente ressentiram a estrutura e, porque não, o ânimo da insurgência. Para uma guerrilha cujo grande mito fundacional, cujo grande emblema, cuja luz era Manuel Marullanda Vélez, já não tê-lo é um grande golpe mental nos guerrilheiros. Os episódios que você menciona, a morte em território equatoriano do Comandante Raúl Reyes, o posterior assassinato de Iván Ríos, etc, geraram também efeitos na estrutura militar porque eram chefes guerrilheiros e sobre seus homens, já que pesaram sobre eles a responsabilidade de substituir os antigos chefes.

Porém quero dizer a você, Dax, que eu, como observador atento dessa realidade, prognostiquei naqueles momentos que a guerrilha ia custar muitíssimo tempo e esforço para recompor-se dos golpes sofridos. E no desenvolvimento de meu trabalho como repórter e de cobertura do conflito colombiano voltei ao mundo insurgente em várias ocasiões depois desses episódios e eu fiquei verdadeiramente surpreso, atônito, diria eu, com a capacidade de recuperação que tem a guerrilha. Isso talvez porque, digamos, sua força interior é muito grande ou porque seus mitos fundacionais e seus propósitos são a prova de tudo ou, talvez, porque haviam previsto tudo.

Eu recordo bem que em minhas viagens para entrevistar o Comandante Raúl Reyes, eu mencionava com pesar ou prestava condolências por estar inteirado do assassinato ou da morte em combate de algum guerrilheiro que conhecíamos e que ele se surpreendia com a minha preocupação. Dizia “se nós assumimos que estamos em uma guerra, o mais normal que poder acontecer é a morte”. Eles têm assumido isso desde que tomaram as armas e enfrentaram o Estado. Também sabem que uma das possibilidades, inclusive uma das maiores possibilidades de sua vida, é a morte. Então, eu não sei na realidade quais são os significados ou a soma dos significados que existe hoje em dia. Depois de semelhantes golpes, as FARC estão novamente com grande disposição combativa, talvez até maior que a de alguns anos, e que com uma imensa capacidade de recuperação.

Eu acredito que o discurso deste oficial do alto comando militar e do próprio presidente Uribe no sentido de que as FARC estão a ponto de serem exterminadas, a poucas horas de sua dissolução total, não é mais que uma aspiração deles, um sonho.

Porém, eu digo com todas as letras, e não digo como uma frase feita, eu digo como uma realidade histórica, possível de comprovar pela ciência, pela história, pela política que as FARC são invencíveis! São invencíveis!

A outra discussão é sobre as possibilidades ou a capacidade de chegar ao poder. É uma outra discussão. Porém, não vão aniquilar as FARC. E como não a aniquilarão, isto nos leva a concluir, se somos seres humanos sensatos, pensamos num país, no futuro da sociedade colombiana e no âmbito latino-americano, que a única saída é uma negociação política, é a via do diálogo, é a assinatura de um grande pacto de paz que devolva aos colombianos algo que nos é de muito apreço e que perdemos durante cinco décadas, a paz, e que nos permita ver o futuro de outra maneira, não com esta sensação permanente de belicismo e agressividade a qual estamos acostumados no governo Uribe.

3. Muito poucas pessoas podem ter acesso a uma informação objetiva, verídica do que realmente constitui as FARC-EP. Esta situação permite que a propaganda do imperialismo e dos regimes narco-paramilitares colombianos se dissemine e convença muita gente, internalizando a qualificação das FARC como organização terrorista. Como comunicador social, que elementos você considera que caracterizam essa propaganda e como enfrentar essa propaganda para que as pessoas compreendam melhor o que são as FARC?

Importantíssima essa pergunta, Dax. Porque creio que aí está o nó que temos que desatar. Eu acredito que a sociedade colombiana está aterrorizada. O grande trabalho da mídia é conduzido pelas mais altas esferas do poder, sobretudo o poder econômico, é fazer a sociedade colombiana acreditar que existe um inimigo a postos, que estamos em meio aos piores perigos e que há que cerrar fileiras e apoiar a idéia de que a única forma de acabar com esse monstro que supostamente existe, pronto para devorar a sociedade colombiana, é com todos os fogos, com todos os ferros.

Repare que a construção da ameaça terrorista das FARC, que assim é denominada pelo presidente Uribe, está agregada a outro grande demônio que tem aterrorizado e paralisado a sociedade colombiana. Há movimentos de resistência, há gente na rua e na insurgência armada, porém, se você observa o conjunto da sociedade colombiana, verá que ela está absolutamente paralisada e isso facilita a construção de outro demônio que é ninguém menos que o presidente Chávez. Falta pouco para que nas rotinas familiares da Colômbia, aquela ameaça feitas às crianças que não querem comer, de trazer o bicho papão, se converta em se não comerem, trarão Chávez. É impressionante o nível de macartização, estigmatização e caricaturização que está sendo feito do presidente da Venezuela pelos meios de comunicação.

Então, nessa atmosfera de sociedade paralisada, que repito ser fruto de uma grande construção midiática e com isso respondo a sua primeira pergunta, eu vejo que não nos resta outro caminho que o de estimular e dar todo apoio, impulso, esforço que seja possível àquelas expressões comunicativas que saem do discurso oficial.

Conversávamos ontem, na abertura do encontro continental de jornalistas, sobre a quantidade de ferramentas que estão ao nosso alcance agora, e também falávamos da afortunada aparição da Telesur no espectro eletromagnético de nosso continente. E falamos até das paredes. Enfim, eu penso, Dax, que não nos resta outra saída se não nos engajar numa guerra midiática, às armas midiáticas, com todos os ferros, com todas as ferramentas ao nosso alcance!

Temos que contra-atacar de mil maneiras este ataque tão terrível do qual estamos sendo vítimas. Não como revolucionários, mas as sociedades como um todo, a sociedade colombiana no nosso caso, e a sociedade latino-americana que parece adormecer perante o exitoso projeto comunicacional impulsionado pelas elites.

Isso nós também temos que aprender. Eu não creio que vamos apelar para as imundices que eles apelam e para as manipulações. Porém, do ponto de vista técnico, do ponto de vista estético, da qualidade, temos que aprender a utilizar muitos desses recursos porque, repito, se algo que temos que reconhecer é que sua tarefa foi objetiva e eficaz. É uma porcaria, um atropelo, é uma coisa maquiavélica, mas eficaz. Então, temos que redobrar os esforços com grande decisão, para ver se conseguimos reverter ou nivelar um pouco a situação.

4. Parte dos ataques contra as FARC-EP constituem a criminalização de todas e todos aqueles que, de certa maneira, manifestam apoio à insurgência colombiana. Já o qualificaram de porta-voz dos “terroristas”. Isto faz, inclusive, com que as próprias organizações de esquerda e os intelectuais que vem expressando certo respaldo às FARC-EP, tenham medo de fazê-lo com maior empenho, mantendo-se em silêncio, enquanto o imperialismo e a oligarquia vociferam o que bem entendem. O que fazer para enfrentar esta campanha de amedrontamento que conduz ao silenciamento?

Eu tenho uma teoria sobre isso. O que se busca com essa tarefa de criminalizar, estigmatizar e pôr uma etiqueta, um “INRI” nas pessoas é basicamente amedrontar, para que nos escondamos, fujamos. Por exemplo, eu que estou na Colômbia fugiria para o Equador, para a Venezuela, para a Europa. Isso é o que querem e por isso colocam em perigo a vida de muitas pessoas e reproduzem estas qualificações absurdas e sem sustento que fazem sobre essas pessoas, organizações, equipes de trabalho.

O presidente Uribe disse numa entrevista coletiva que fulano, fulano e fulano, referindo-se a três jornalistas, entre eles eu, “são porta-vozes da insurgência e publicitários do terrorismo”. Na Colômbia, há mais de dez loucos que interpretam isso como uma ordem para assassinar uma a uma essas pessoas citadas pelo presidente. Então, é isso que acontece. As opções, repito, são duas; me escondo, passo para a clandestinidade e começo a fazer coisas que eu não conheço e não sei fazer e farei mal ou amplio meu cenário de ação e sigo fazendo meu trabalho e o faço com mais empenho, me coloco mais visível e com mais visibilidade, de certa maneira, me protejo.

E bom, tenho que apelar também para as organizações internacionais que velam por esses temas de direitos humanos, as organizações de jornalistas de todo o mundo, aos pronunciamentos de personalidades internacionais. Isso de alguma maneira limita a capacidade de agressão das pessoas contra as quais decidimos enfrentar.

Eu me situo ao lado dos que buscam crescer perante esses ataques e censuro, ainda que entenda e aceite em muitos casos, já que não parece ser o caminho mais adequado, o exílio, o desaparecer de cena, o calar-se.

5. Outra acusação contra as FARC-EP é a de que esta organização mantém seqüestrados um grande número de pessoas em campos de prisioneiros na selva, onde os mesmos são maltratados e até mesmo torturados. Você que teve a oportunidade de estar nestes lugares, pode contar-nos qual é a realidade sobre os cárceres das FARC-EP?

Este assunto sobre a suposta crueldade no tratamento aos prisioneiros de guerra é outra construção da mídia.

Vejamos.

Evidentemente as imagens do cativeiro, eu gravei várias delas, aliás, acredito que oitenta por cento das imagens que saem do cativeiro são minhas já que eu estive ali algumas vezes, são bastante fortes. Estamos falando de pessoas que estão num cativeiro localizado na selva fechada, em condições atmosféricas difíceis, em condições de salubridade complicadas, com dificuldades de alimentação muitas vezes, em épocas como verão aumentam as dificuldades de conseguir água, são lugares onde entra muito pouco sol, estão no meio da mata. Repito que, do ponto de vista do impacto visual, é muito fácil usar essas imagens para o fim que se deseja.

Eu me recordo, por exemplo, quando eu exibi algumas imagens no canal do Caracol onde eu trabalhava, dos 500 soldados que diziam terem estado presos pela guerrilha. Quando apresentei essas imagens, apresentei também um documentário e o canal me censurou, não deixou ir ao ar, porém ficou com as minhas imagens. Eu denunciei a censura e eles me demitiram. Porém, os filhos da mãe ficaram com as minha imagens e começaram a divulgá-las, colocando na metade da tela imagens dos campos de concentração nazifascista na Alemanha da Segunda Guerra Mundial e na outra metade da tela as minhas imagens, fazendo uma comparação, uma analogia entre os campos de concentração nazista e os lugares onde estive. Nada a ver! Era uma utilização, uma manipulação. Eu processei a Caracol por isso, porque entre outras coisas, estavam colocando minha vida em risco, aparentando que eu estivera ido a esses lugares para tal propósito.

Pois bem, vou falar um pouquinho das condições do cativeiro. A figura me causa sentimentos conflitantes. Eu entendo que a guerra é uma confrontação e que são pessoas que caem em meio a conflagração nesta situação. Porém, é uma situação extrema que é muito fácil de manipular e de converter em uma má imagem para a insurgência.

Advirto que são as mesmas condições nas quais estão os guerrilheiros. As pessoas que estão no cativeiro tomam café-da-manhã, almoçam e jantam o mesmo que os guerrilheiros. São pessoas que recebem assistência médica, inclusive odontológica. Do ponto de vista da rotina, não recebem maus tratos, não servem de exemplo para ensinamentos por parte de seus captores e até tenho percebido certas situações de familiaridade, de camaradagem e de amizade, de alguma forma, entre uns e outros.

Qual é a resposta que se dá a um preso que se insurreta num cárcere qualquer do mundo? É o castigo e castigos tenebrosos. Calabouço, isolamento, etc.

O que acontece a um preso em qualquer cárcere do mundo que tenta fugir? Existe uma ordem que é impedir a fuga ou a intenção de fuga, o que ocorrerá com graves conseqüências para sua vida.

O mesmo acontece lá, porque a insurgência trata de prisioneiros. Então, se um grupo de prisioneiros tenta fugir, no dia seguinte todos amanhecem presos com cadeados. Se um grupo de presos ou um preso faz coisas que possam colocar em perigo a segurança dos demais e também da insurgência e dos guerrilheiros que os guardam, recebem um castigo. Claro, que isso num relato, na utilização da mídia é transformado em algo absurdamente cruel e inumano.

Cabe advertir que é muito doloroso quando me encontro nessas situações. Creio que se tem explorado muito o tema com o intuito, repito, de dar uma aparência de crueldade, a qual estou seguro que não existe na insurgência. E se existe, são fatos isolados, fatos que são puníveis por estatuto e regulamentos das FARC.

6. Para desprestigiar as FARC-EP, a campanha propagandística do imperialismo e da oligarquia colombiana assinala permanentemente que nas fileiras desta organização se maltrata as mulheres. Você teve a oportunidade de conhecer a Lucero, a “belíssima Lucero”, a companheira de Simón Trinidad. Conte-nos algo sobre essa excepcional mulher.

(Jorge Enrique Botero se comove ao escutar o nome de Lucero. Seus olhos se enchem de lágrimas)

Homem, Dax. Escutar o nome de Lucero é emocionante. É uma emoção grande, íntima, interna.

Lucero é uma típica representante das jovens colombianas que chegam à insurgência por via política. Ela é uma garota que em sua época de estudante se forma politicamente, ingressa nas fileiras da Juventude Comunista, atua na legalidade e vê cair ao seu redor todos os companheiros de luta que não desfechavam tiros, mas lutavam na esfera legal da política.

Lucero é proveniente de uma pequena população da Costa Atlântica colombiana. Ingressa à União Patriótica e assiste ao assassinato a tiros de todos os seus dirigentes. Tem a sorte de encontrar com uma frente guerrilheira comandada por Simón Trinidad e ante a eventualidade de morrer ou abandonar a luta, prefere optar por seguir seus ideais.

Maus tratos? Jamais observei. É muito possível. Estamos falando de homens e mulheres que possuem sentimentos, inclusive, inveja. É possível que tenham ocorrido episódios meio dramáticos, inclusive violentos, entre paredes, assim como atitudes machistas, sem dúvida.

Porém, por exemplo, um episódio de violência sexual contra uma guerrilheira é o menos provável que eu possa imaginar. Um episódio de violência sexual contra uma guerrilheira é castigado com pena máxima ou se um guerrilheiro se sobrepõe ou atua de maneira agressiva contra mulheres da população civil, também é objeto de fortíssimos castigos.

Do ponto de vista prático, da rotina diária da guerrilha, o conceito e a prática do machismo não existe. Eu creio que um dos lugares onde as mulheres são mais realizadas e respeitadas em sua totalidade é no mundo da insurgência.

Acho muita graça quando escuto falácias sobre os maus tratos às mulheres, sobre a transformação de mulheres em objeto sexual e sobre uma espécie de prova na qual, para ingressar na organização, as mulheres têm de passar aos braços dos comandantes. O que se objetiva com essas afirmações mentirosas é desestimular o ingresso de garotas à insurgência e tenta-se criar a sensação de que lá é um verdadeiro inferno machista, no qual a mulher é apenas um objeto sexual para satisfazer os instintos dos demais. Porém, creio que as guerrilheiras e os guerrilheiros morrem de rir e de raiva ao ouvir tais absurdos, pois lá é o local onde as mulheres são mais respeitadas.

Obrigado, Jorge. Todo o meu carinho, respeito e admiração a você, por sua convicção revolucionária e sua atividade profissional como jornalista, mantendo-se ativo nos movimentos sociais e não apenas no cenário das indústrias da mídia.

Obrigado a você.

Dezembro de 2009.

http://www.resumenlatinoamericano.org

Tradução: Maria Fernanda M. Scelza
Publicado por: Luiz Navarro

domingo, 10 de janeiro de 2010

INTERVENSIONISMO MERCENARIO

A mão militar de Israel em Nossa América, intervenSionismo mercenário

Entrevista com Sergio Yahni, diretor do Centro de Informação Alternativa de Jerusalém

13/12/2009

Catherine Hernandez, William Urbina e Bashir Ahmed da Rádio Guiniguada

Pergunta: O golpe em Honduras e a instalação de sete novas bases militares norte-americanas na Colômbia evidenciam uma escalada de agressões contra os processos de libertação que estão ocorrendo na América Latina. Como você interpreta essa situação?

Sergio Yahni: O Centro de Informação Alternativa, que é uma organização palestino-israelense, se solidariza com os povos da América Latina em sua luta, e também vemos em sua evolução social e política um lugar de esperança não só para a América Latina, mas também para nós, já que o conflito na América Latina contra o Império e o conflito que está ocorrendo no Oriente Médio estão estruturalmente relacionados.

Não se trata apenas de métodos violentos, mas também de métodos que já haviam sido experimentados aqui no Oriente Médio pela ocupação. Então por isso eu digo que nós estamos falando de uma relação estrutural, tanto pela opressão imperialista militar, quanto pela resistência, não é uma mera relação causal.

O que acontece é que a ocupação da Palestina e os conflitos causados pelas forças armadas de Israel tornaram-se um laboratório para experiências em tecnologias militares e táticas que mais tarde também se implementam na América Latina, por exemplo, as mesmas tecnologias de armas sem pessoas, aviões sem pessoas, tanques sem pessoas, e assim por diante, que o Império começa a utilizar na América Latina e são utilizados e experimentados aqui no Oriente Médio, especialmente na Faixa de Gaza contra o povo palestino; esse é um elemento.

O outro elemento é que o exército de Israel e as empresas privadas criadas por generais e coronéis israelenses já intervêm diretamente na América Latina auxiliando a repressão, tanto como instrutores (dando treinamento militar) ou mesmo atuando diretamente.


P: Pelo menos há dois anos sabe-se que os líderes sionistas exportam seu modelo macabro para a Colômbia (Plano Colômbia), mas agora esta presença é descoberta e essa informação é tratada com mais força por causa do que está ocorrendo em Honduras. Que visão que vocês têm sobre esse assunto?


SY: Já vimos claramente essa relação na operação que assassinou Raúl Reyes.
Vimos que era uma tática clássica do exército israelense a operação militar na Colômbia que assassinou Reyes e, em seguida, toda a propaganda do famoso computador de Reyes. Foram táticas utilizadas aqui anteriormente, e vinham com a assinatura do exército israelense.



Aparentemente, os assassinos de Reyes foram treinados por oficiais israelenses que não foram responsáveis pela operação em si, e também é claro o contato direto do comerciante de armas do exército de Israel, tanto com os paramilitares na Colômbia, como com o governo da Colômbia, não poderia se nomeado: o coronel Yair Klein, que já é um histórico vendedor de armas, principalmente para os paramilitares na Colômbia.

O grande assunto no momento é a situação de Honduras, onde há uma antiga intervenção israelense na América Central, com a presença de oficiais israelenses ativos ou aposentados, que vem da época da revolução nicaragüense, onde havia um coronel israelense, juntamente com Somoza.

Sabemos agora das armas israelenses em Honduras, sabemos que Israel está treinando o exército hondurenho, mas também devemos ter em mente que estamos falando de questões secretas, que nenhum jornal publicou, e por isso sequer estamos tendo o princípio da informação.

P: Que informações vocês têm sobre o papel que jogam estas “empresas de segurança” de israelenses com os EUA, e a estratégia do governo de Israel?

SY: Existem diferentes níveis que haveríamos de analisar. O primeiro é de nos perguntarmos porque é uma empresa privada, e não diretamente o Estado, e isso tem muito a ver com uma política de ideologia neoliberal, que envolve a privatização de tudo. Temos visto que os bens sociais foram privatizados na América Latina e em todo o mundo, e o último bem social que privatizaram, e isso é latente na guerra do Iraque, são os exércitos.

Estamos em um processo no qual, para o capitalismo e o imperialismo, sai mais barato empregar forças de segurança privadas, do que um exército nacional.
Por isso Israel, que está na vanguarda do neoliberalismo, adotou a tática de privatizar a exportação de tecnologias militares.

Voltando ao caso da Colômbia, que é onde temos mais informações, sabemos que a empresa privada que treinou o exército colombiano para matar Reyes recebeu 10 milhões de dólares para essa operação, e eu estou falando sobre o material que já foi publicado em Israel.

Inicialmente, a Colômbia tinha vindo ao serviço secreto de Israel, o Mossad, para pedir ajuda, e lhes deram o contato com empresas privadas, de pessoas que também fazem esses serviços para o Mossad.
Este é o primeiro elemento que devemos levar em conta, estamos falando de um sistema complexo onde a ideologia neoliberal está intervindo.


O segundo elemento é que Israel historicamente - e quando eu digo que historicamente poderíamos voltar para os anos 60, e especialmente para os 70 - é um fornecedor de trabalhos sujos para os EUA. Por razões políticas e outras, há coisas que os EUA não podem fazer, e é aí que começa o papel de Israel, subempreiteiro, e vimos isso em tudo o que conhecemos como América Latina, África e Ásia, onde o Estado de Israel, como um Estado em primeiro lugar, e mais tarde como empresas privadas, tem feito o trabalho sujo.

Quando Somoza era indefensável estavam lá os israelenses para defendê-lo. Em casos como quando havia que dar apoio militar a grupos paramilitares na Colômbia, ali estavam as empresas israelenses para vender armas, pois era algo que os EUA por suas próprias razões e interesses não podiam fazer. Israel aparece como um sub-contratante que trabalha para os EUA.

Agora, temos que levar em conta que devemos olhar as coisas de uma perspectiva de resistência. Perceber que existem contradições e depois ver como podemos usar essas contradições. Porque se Israel é uma empresa subcontratada, dependente dos trabalhos que lhe incubem os EUA, ela também tem seus próprios interesses, e que em muitos casos, vemos que Israel tenta vender armas e treinamento além dos limites que os EUA já tinham delimitado.

Por isso temos que usar duas coisas a partir da perspectiva da resistência:
1) Utilizar essa contradição;
2) No caso de Israel, que está fazendo o trabalho sujo, é muito importante continuar as campanhas de boicote, em especial com a questão da venda de armas israelenses na América Latina.

Porque, por exemplo, é inadmissível que estas empresas de segurança, que estão matando pessoas na América Central, ou fazem parte do paramilitarismo na Colômbia, recebam contratos nacionais com o Brasil ou a Argentina. Por isso devemos começar a mobilizar as pessoas para expulsar as forças de segurança de Israel.

P: Em relação à Venezuela, é pautada por Dani Ayalón (ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel) uma base iraniana na América Latina. Qual é a visão que você tem da Venezuela a partir da perspectiva da resistência?

SY: O Estado de Israel vê a Venezuela como parte do eixo do mal, simplesmente.
Israel tem seu interesse concreto no Oriente Médio, e está em desacordo com o Irã, porque o Irã tornou-se uma base de resistência ao imperialismo na região, que não é um estado pequeno, é um Estado com capacidade militar para opor-se ao que Israel faz; poderia pôr em perigo a Israel, e é por isso que Israel está tentando isolar o Irã, mas a Venezuela rompe o isolamento do Irã e assim se torna um inimigo das políticas de Israel, porque a Venezuela não é apenas a Venezuela: é a Alba, são as relações com a América Latina, e também com o Brasil; e o Brasil mantém relações com o Irã, e isso quebra a estratégia de Israel de isolar o Irã.

Fonte: "A Voz das Canárias Bolivariana", na Rádio Guiniguada, Ilhas Canárias
POSTAGEM DE: Luiz Navarro

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O EXECUTIVO É O PATRÃO





Vereadores eleitos para defender os interesses da população, não pestanejaram para votar a "taxa do Lixo". Em momento algum qualquer dos membros do legislativo municipal de Manaus, invocou a Lei que pune os candidatos eleitos, que não cumpriram com suas promessas de campanha politica, como é o caso do atual prefeito eleito. É visível que os executivos da publica administração, são quem de fato legislam, de acordo com seus interesses e jamais dentro do interesse público. Os membros dos poderes legislativos só curvam seus dorso diante da magnitude do poder executivo, votando "sim".
Escrito e publicado por: Luiz Navarro

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

“Nosso povo continuará resistindo às tropas de ocupação das Nações Unidas”

Escrito por Carlos Aznárez

Em entrevista, o dirigente do Comitê Democrático Haitiano, Henry Boisrolin, denuncia a ocupação militar que seu país sofre na atualidade, situação da qual são cúmplices vários países da América Latina.

Resumo Latino-americano – Na América Latina há um país que não só foi o primeiro a livrar-se, mas também foi o país que ajudou outras nações subjugadas pelos espanhóis a acelerarem o caminho de sua emancipação. Trata-se do mais esquecido e lastimado dos lugares do nosso continente: o Haiti. Ali, precisamente, está se desenvolvendo uma importante escalada de resistência popular, não somente contra o mal governo de René Preval, mas também contra os que afirmam estar em solo haitiano para colaborar com sua população. Referimo-nos às tropas das Nações unidas (MINUSTAH).

Mais concretamente, no final de 2008, a MINUSTAH contava com a participação de 9.028 uniformizados (7.009 soldados e 2.019 policiais), apoiados por 502 funcionários internacionais, 1.197 funcionários nacionais e 205 voluntários da ONU, todos sob o comando de militares brasileiros.

Estas tropas mercenárias, entre as quais há argentinos, uruguaios, brasileiros, chilenos, bolivianos e de outros países, operam repressivamente contra a população haitiana e é por isso que surgem de lá inúmeras denúncias que, em geral, ficam na total impunidade.

Um dos casos documentados por organizações haitianas de direitos humanos é o massacre ocorrido em 22 de dezembro de 2006 na comunidade de Cité Soleil, após uma manifestação de aproximadamente dez mil pessoas que pediam o retorno do ex-presidente Jean Bertrand Aristide ao país e a saída dos efetivos militares estrangeiros. Segundo relatos da população local e imagens de vídeos produzidos pela organização Haiti Information Project – HIP (Projeto de Informação do Haiti), as forças da ONU atacaram a comunidade e mataram cerca de 30 pessoas, inclusive mulheres e crianças.

Isso ocorre também em um marco de silêncio generalizado em nível informativo. O Haiti não consta nas crônicas de jornais e muito menos nas telas de televisão. Seu povo não entra nas estatísticas populacionais. Mas apesar disso, o povo não se resigna à dominação, e luta.

Dessa realidade e suas conseqüências na América latina conversamos com o dirigente do Comitê Democrático Haitiano, Henry Boisrolin, quem recentemente chegou da capital haitiana com a missão de conseguir a urgente solidariedade com os que hoje encabeçam a resistência popular, os estudantes universitários e do ensino médio que se encontram há meses ocupando vários dos estabelecimentos educacionais.

- Qual é a situação do Haiti na atualidade?

- O Haiti se encontra sob ocupação, mas a grande imprensa internacional apresenta este fato como se fosse “ajuda humanitária”. Inclusive, o nome da missão da ONU diz que é “para a estabilização do Haiti”. Há uma combinação de 40 países integrantes desta Missão e desgraçadamente temos tropas latino-americanas dentro do país. Como se sabe, o comando militar encontra-se sob a liderança do Brasil. Isto é algo que nós rejeitamos, porque entendemos que é uma violação à nossa soberania e dignidade como povo.

A resistência provém de distintos setores da população, mas ultimamente são estudantes universitários, aos quais se somam alguns do ensino médio, que ganharam as ruas para exigir a retirada das tropas e a promulgação de uma lei sobre o salário mínimo votada pelo Parlamento. O que ocorre é que o governo de Preval não o aceita, sob o pretexto de que se o Haiti já tem 70% de sua população ativa desempregada, promulgar uma lei que signifique aumentar de 1,70 dólares para 4 ou 5 dólares o salário mínimo por dia, “vai provocar uma avalanche de demissões e agravará ainda mais a situação dos trabalhadores”. Para os estudantes, esta resposta é uma nova falácia do governo, e propuseram ações de resistência, ocupando várias Faculdades.

- Como reagiu o governo de Preval?

- Reprimindo os estudantes. Houve várias mortes, dezenas de detidos, professores perseguidos, lançaram bombas de gás lacrimogêneo e balas de chumbo nos manifestantes. A Missão das Nações Unidas foi acompanhar a polícia haitiana em toda esta tarefa repressiva. Isso é o que queremos denunciar e ao mesmo tempo pedir solidariedade para que os governos latino-americanos entendam que essa não é a via, que o Haiti não precisa de tropas militares. O que nós precisamos é o tipo de ajuda que dão Cuba e Venezuela, esse é o modelo válido de apoio, de humanidade, de respeito à nossa independência e soberania.

- Vamos nos deter neste último tema. As tropas das Nações Unidas dizem que eles vão para cumprir tarefas humanitárias. Pelo menos é isso que dizem as chancelarias dos países que estão implicados nesta manobra, como a Argentina, Uruguai, Brasil e outros. Inclusive, alguns partidos progressistas se encarregaram de explicar que “era melhor que viessem as tropas latino-americanas do que o Haiti permanecer invadido pelos Estados Unidos”. O que opina dessas colocações?

- Antes de mais nada, é preciso desmentir algo: não houve nenhuma autoridade legítima do meu país que tenha pedido tal intervenção, isso é uma mentira. Em 2004, ano do Bicentenário de nossa independência, havia um presidente legítimo que era Jean-Bertrand Aristide. Havia distúrbios no país, e com essa desculpa veio um comando militar norte-americano que o seqüestrou. Puseram-no num avião e o mandaram ao exílio na República Centro-Africana. Agora esta na África do Sul. Algo muito parecido ao que fizeram agora com o presidente Zelaya. Não são casos isolados e deixam precedentes que ameaçam a segurança e a democracia no resto dos países latino-americanos.

Assim é a história, ninguém pediu tal intervenção. Eles impuseram um governo de fato que organizou as eleições e aí Preval ganhou, legitimando o golpe, igual à tentativa atual em Honduras. Sim, é verdade que o presidente Preval, que ganhou as eleições, solicitou a manutenção da Missão da Minustah, mas originalmente não houve nenhuma autoridade haitiana que tenha pedido isso. Haveria que ir ao Haiti e andar pelas ruas de seus bairros mais populares para compreender a rejeição do povo à presença das tropas de ocupação.

- Como agem essas tropas invasoras?

- O acionar das tropas das nações Unidas é algo que indigna qualquer ser humano com um pouquinho de sensibilidade. Em um país onde 70% de sua população ativa não tem trabalho, onde temos uma taxa de mortalidade infantil superior a 80 por mil e uma taxa de analfabetismo no campo, que supera 70% e nas cidades 50%, ou onde se tem uma expectativa de vida que não supera os 50 anos. Estamos falando de um país com suas estruturas econômicas destruídas, onde 60% do orçamento haitiano provém da ajuda internacional e das remessas que enviam os haitianos que trabalham fora. Por tudo isso, dizer que tem que ir com tanques, aviões e helicópteros para resolver isso, é totalmente falso e cruel.

O que fizeram estes “salvadores”? Estupraram as meninas e mulheres haitianas, bateram e torturaram nossos jovens. Não somos nós que dizemos isso, foi uma investigação da própria ONU que confirmou esses fatos, e a única coisa que foi feita, foi pegar alguns soldados e mandá-los para casa, porque segundo o Convênio da Resolução 545, que permitiu a entrada das tropas no dia 1º de junho de 2004, o Haiti não tem direito de julgar nenhum militar estrangeiro, por mais que tenha cometido crimes de lesa-humanidade. Mais submissão que isso não pode existir.

- Ou seja, violações de direitos humanos realizados dentro de uma “legalidade” imposta, que garante mais impunidade...

- Exato. Mas há outro tema que quero abordar e que às vezes fica postergado porque nos aprofundamos mais em estudar a realidade política ou econômica de um país. Refiro-me à dignidade humana, o valor da relação e os sentimentos humanos, o contato entre os povos. Ou seja, uma história em comum. O Haiti, depois de se tornar independente, foi muito solidário com muitos povos latino-americanos. Ajudou Miranda, Bolívar, em duas oportunidades, com fuzis, com dinheiro e outras coisas, mas fundamentalmente com voluntários. Centenas de haitianos morreram pela independência da Venezuela e de outros países. Por isso dizemos que receber este tratamento atual é uma afronta à história. Nosso povo não cometeu nenhum crime, salvo pedir maior justiça. E sofremos um comportamento mercenário, porque muitos destes invasores vêm pelo dinheiro pago, ganham milhares de dólares sem gastar absolutamente nada. Em seis ou sete meses que estão no Haiti, voltam a seus respectivos países com uma boa quantidade de dinheiro em mãos, coisa que não podem ter em seus lugares de origem.

Então, aproveitando uma situação de debilidade, de falta de capacidade do movimento popular haitiano para reverter esta situação, vêm e te avassalam.

Tem que ver, por exemplo, em Porto Príncipe, em alguns dos bairros mais calmos, como durante a noite (porque não há praticamente vida noturna no Haiti, não há luz, nem serviços que se possam encontrar em outros países) se vê um contínuo desfile de carros das nações Unidas, em frente aos melhores bares e restaurantes, gastando muitos dólares, e lá fora o povo dormindo nas ruas.

- É realmente ofensivo e indignante...

- Isto pede uma reflexão, porque escutamos alguns governos, quando passam furações ou sucedem outros acontecimentos climáticos, dizer que as tropas estão ali precisamente para nos ajudar em maus momentos. Mas isso não é o determinante, nem nada disso. A ocupação do Haiti é um novo esquema para dobrar a rebelião popular num país onde as classes dominantes não têm possibilidade alguma de ganhar as eleições de forma limpa. Então, é preciso impor, pela força das armas uma estratégia de dominação. Esse é o verdadeiro papel dos ocupantes. E para os que dizem que “melhor essas tropas do que as dos Estados Unidos”, nós dizemos que é justamente o contrário. De outra forma teríamos tido o inimigo de frente, de maneira mais clara. Em vez disso, ver irmãos latino-americanos enviados por governos que teriam que apresentar outro tipo de comportamento diante do drama haitiano, é muito duro. Eu estive em bairros populares muito castigados por estas tropas e escutei o que diz o coração dessa gente. A indignação com que contam como bombardeiam durante a madrugada para capturar supostos bandidos destes bairros. Ou quando soldados entram aos montes e chutam as portas, arrastando para fora aterrorizados moradores. Por isso, não há lugar para mais mentiras: trata-se de uma ocupação clara da República do Haiti, e à medida que esta situação segue, haverá mais resistência.
COMENTARIO DE LUIZ NAVARRO - O governo "LULA", que elegeu-se disfarcado de comunista, terá a historia a mostrar o quanto participou da desavergonhada ocupação do territorio Haitiano, somente para satisfazer a politica do imperio.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

VERGONHA DAS VERGONHAS!

Há mais de 7.000 presos políticos na Colômbia

Entrevista com Agustín Jiménez, presidente do Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos da Colômbia, que fala da dramática situação em que vivem mais de 7.000 lutadores e lutadoras na prisão.

Resumen Latinoamericano / Diagonal – Surgido há 38 anos, o Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos (CSPP) da Colômbia, tal como nos explica seu presidente, Agustín Jiménez, centra seu esforço na “atenção especial à situação carcerária e jurídica das pessoas que são acusadas de cometer delitos políticos”. Dentre eles, “a maioria são pessoas que exercem alguma ação social ou atividade política. Como são opositores ao Governo, este lhes realiza armações para tentar demonstrar que são guerrilheiros ou cria julgamentos simulados para prendê-los”.

Que tipo de presos existem na Colômbia?

Basicamente se dividem em três grupos. Primeiro estão as pessoas que participam diretamente do conflito armado e que são membros dos grupos insurgentes. Em segundo lugar estão aqueles que vivem nas zonas nas quais estes grupos tem presença e que normalmente são acusados de pertencer à guerrilha porque em algum momento lhes dão algum apoio ou tem algum contato, como é normal que suceda já que eles estão no mesmo espaço. A maioria deles são humildes camponeses ou indígenas que não escolhem viver ali, mas que estão em seu território nos quais ocorrem estas situações. Em terceiro lugar, com grupo mais numeroso, estão os dirigentes sociais e sindicais, defensores de direitos humanos e políticos da oposição que são detidos e acusados de pertencer à guerrilha.

Quantos presos políticos há na Colômbia?

Nós estamos trabalhando com 7.000 (sete mil) pessoas que estão nos centros carcerários acusados de delitos como o de rebelião ou de participar em conflitos armados como membros dos grupos insurgentes.

Qual é a situação atual a respeito da criminalização da luta social na Colômbia?

Atualmente a situação é bastante grave porque o governo de Álvaro Uribe tratou de aproveitar a existência de uma conflito armado para deslegitimar as ações das organizações e comunidades que lutam por seus direitos acusando-os de pertencerem a alguma organização (armada). O Governo desenhou toda uma série de estratégias para construir julgamentos simulados contra estas pessoas. Especialmente tem utilizado os depoimentos arranjados de quem tem a condição – ou dizem tê-la – de reinseridos e que pertenceram aos grupos insurgentes, testemunhando contra os dirigentes sociais e declarando o que o Governo quer que digam. Muitas vezes os militares e os policiais os entregam para isso, montando provas falsas. Outro dos recurso que utiliza o Governo é a rede de informações que se põe de acordo com as autoridades para fazer os simulacros judiciais.

Isto tem provocado, durante o governo de Uribe, uma cifra de 10.000 (dez mil) pessoas presas arbitrariamente como parte de uma política que busca impor o terror à população através de detenções em massa. A maioria delas foram libertadas, mas outras se encontram nos centros carcerários. Mas o Governo também utiliza o Exército para criminalizar os protestos. Por exemplo, no caso dos protestos universitários, usando o Exército nas universidades, violando a autonomia universitária, ou nos territórios indígenas, quando estes realizam alguma forma de protesto nos seus territórios.

E mais, o Governo sai permanentemente aos meios de comunicação a estigmatizar todos os líderes ou defensores dos direitos humanos chamando-os de terroristas e sustentando que todas as suas ações de denúncia estão conjugadas com os grupos guerrilheiros.

Como foi afetado o tema dos presos políticos pela política de “segurança democrática” de Álvaro Uribe?

Como o rótulo de “terrorista”, o Governo pretende justificar uma ação de perseguição e hostilidade contra as pessoas detidas por motivos políticos, colocando-as em situações ainda mais graves que as que vivem o resto dos presos.

Muitos presos políticos são forçados a sofrer isolamentos prolongados e situações críticas de direitos humanos e em alguns casos são obrigados a suportar que lhes coloquem nos mesmos espaços que os presos paramilitares, o que compreende um risco altíssimo para eles, sobretudo porque os paramilitares têm o apoio da guarda e inclusive às vezes da direção da carceragem para atacar os presos políticos.

Ainda mais, os presos políticos são enviados a lugares muito distantes da família, o que se converte em sofrimento permanente para eles.

Como o Plano Colômbia tem afetado a política carcerária de Uribe e de forma mais concreta, no tocante aos presos políticos?

Através do Plano Colômbia, Uribe firmou um acordo com o Federal Bureau of Prisons (Escritório Federal de Prisões) dos EUA para construir um número bastante grande de cárceres que eles chamam de prisões de alta segurança. Nessas prisões, à imagem e semelhança do que promove a política dos EUA, o que se busca é manter de maneira permanente uma situação de pressão e repressão sobre o preso como forma de castigo. Isto está provocando, por exemplo, que alguns presos tomem a decisão de suicidar-se, ante a aplicação de um regime carcerário que é inumano.

A guarda de prisões foi também formada pela Federal Bureau of Prisons para aplicar pressão permanente e controle de segurança, os regulamentos carcerários foram modificados para privilegiar a segurança em detrimento dos direitos humanos.

Tudo isso têm provocado um quadro muito grave nos centros carcerários do país para todas as pessoas detidas, mas em especial para os presos políticos, porque esta política carcerária também se desenvolve com a idéia de ter elementos para a represália contra o preso que se considera inimigo do regime.

Até que ponto tem sido aplicada na Colômbia a política estadunidense de defesa do uso da tortura?

Foi observado um aumento significativo, nesse sentido, porque o exército colombiano tortura muito, desde há muito tempo.

Até há pouco tempo, nos centros carcerários se tinha cuidado com o uso da tortura, mas nos últimos três ou quatro anos voltaram a aumentar os indicadores de tortura em toda Colômbia. Agora, muito da tortura está se dando fora dos centros carcerários, nos momento da detenção e nos centros de reclusão temporária, sobretudo com a finalidade de conseguir informações que permitam aumentar as ordens de captura.

Mais informações em: http://www.comitedesolidaridad.com/

Traduzido por: Dario da Silva

COMENTARIOS DE LUIZ NAVARRO - Minha gente, no Brasil tambem se criminaliza dirigentes de Movimentos Sociais e contra eles são forjadas provas e o tratamento; é aterrorizante.

sábado, 2 de janeiro de 2010

AS "PROMESSAS" DO NEGÃO?



NEGÃO DISSE QUE 'GOVERNARIA MANAUS DENTRO DE ÔNIBUS'

O prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PTB), fecha o seu primeiro ano de gestão com um saldo de mais de 20 que ainda não saíram do papel, e várias medidas impopulares, que vão da redução do número de meias-passagens, passa pelo aumento de cargos comissionados e desemboca na criação da taxa do lixo.

A lista de promessas que não saíram da prancheta incluem:

O bolsa família municipal,

Criação de mil creches solidárias,

Móvel, UTI na maternidade Moura Tapajós,

Internet nos bairros,

Laboratórios de informática,

Fim do turno intermediário,

Renovação da frota de ônibus,

Duplicação das equipes do Médico da Família,

Shopings de entretenimentos,

Construção de casas populares para garis e professores,

Redução de cargos comissionados.

Uma das críticas do então candidato Amazonino ao antecessor era a “gastança” da prefeitura com os comissionados. “A prefeitura tem uma folha perto de R$ 70 milhões. O absurdo não é pagar funcionário público, mas gastar com cargos comissionados e secretarias desnecessárias para acomodar acordos políticos”, declarou Amazonino em entrevista a A CRÍTICA no dia 19 de outubro de 2008.

Na reforma administrativa aprovada em fevereiro, Amazonino enxugou o número de secretarias de 36 para 27. E baixou a quantidade de subsecretarias de 40 para 27. Pegou o município com 1.565 cargos de confiança. Porém encerra 2009 com 1.668 cargos de comissão. Isso porque, no pacote de medidas aprovado às pressas na última sessão do ano da CMM, a prefeitura emplacou a criação de 252 postos de livre nomeação.

Demonstrativo postado no site do Tesouro Nacional mostra que os gastos com a folha de pagamento em 2008 totalizaram R$ 814,9 milhões, média de R$ 67,9 milhões/mês. De setembro de 2008 a agosto de 2009 (último mês da gestão de Amazonino informado ao Tesouro) esse valor subiu para R$ 866 milhões. Uma média de R$ 72,1 milhões/mês. Planilha no site da prefeitura indicaR$ 74,6 milhões de despesa com pessoal em novembro último.

No mundo da lua

Durante a campanha eleitoral de 2008, o então candidato Amazonino Mendes prometeu que, se fosse eleito, governaria Manaus perto do povo, dentro de um ônibus que percorreria os bairros da cidade.

Internet

Amazonino também disse que levaria Internet de graça para os bairros em carretas. O projeto demonstrou-se inviável. “Essa não foi a melhor solução segundo avaliação dos técnicos da Prefeitura. de Manaus. A prefeitura está em negociação com empresas do ramo para ver qual o melhor sistema. em 2010, vamos trabalhar para colocar um bom sinal em todos os pontos públicos, escolas, unidades de saúde”, disse a Semcom.

A renovação de 80% da frota de ônibus é uma das promessas do prefeito que ainda não ocorreu. Mas em agosto Amazonino autorizou o reajuste da tarifa de R$ 2,00 para R$ 2,25. O aumento seria a contrapartida para as empresas renovarem 10% da frota até novembro, 30% até 15 de março de 2010 e 100% até 15 de julho do mesmo ano. As empresas também engordaram sua receita com a diminuição de meias-passagens.

A duplicação das equipes do programa Médico da Família é outro compromisso de campanha não-cumprido no primeiro ano de mandato. De acordo com a Semcom, a prefeitura vai substituir as 158 casinhas do Médico da Família em módulos com 400 metros quadrados. Até 2013, a meta da administração Amazonino é implantar 90 dessas estruturas.

No primeiro ano de gestão, Amazonino também não implantou as unidades móveis de saúde, carretas com equipamentos médicos que atenderiam nos bairros. O projeto, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), será colocado em prática em 2010 porque em 2009 não havia previsão no orçamento aprovado pela gestão anterior.

CUIDADO EM 2010 VEM MUITAS MAIS 'PROMESSAS'

* A população vota acreditando nas promessas de campanha. "É muito comum os governantes apresentarem promessas como propostas. Mas é preciso analisar para ver se as promessas são viáveis. Para ganhar eleição, muitas vezes, fala-se qualquer coisa". Ele lembra que todos os dias a população é massacrada com a prestação de serviços público que deixa a desejar, seja na área da educação, do transporte, da saúde e do saneamento básico. "A Prefeitura ainda não conseguiu resolver em definitivo os buracos das ruas, bem como a drenagem e o esgoto. Hoje, tampam-se os buracos, mas amanhã já estão abertos novamente. Além disso, todos os dias, presenciamos nas ruas coletivos 'no prego'. Isso é um atentado à dignidade das pessoas. Ser prefeito de uma cidade não é só prometer. Tem que cumprir as promessas em forma de propostas".
Fonte: Acrítica

Postado:Prof.Sérgio

Obras: Amazonas na lista da Corrupção



Um órgão com a missão de zelar pelo dinheiro público não pode viver sob suspeita, sobretudo em ano eleitoral – quando o resultado de suas auditorias, querendo ou não, terá influência no processo político. VEJA decidiu, então, verificar se o TCU cumpre suas funções com equilíbrio ou se, de fato, apenas tenta atrapalhar a vida do governo. A reportagem debruçou-se sobre uma lista de quinze obras – todas de orçamentos milionários – nas quais o tribunal encontrou indícios gravíssimos de desvios (veja a tabela ao longo desta reportagem). Os extensos relatórios de auditoria foram lidos linha a linha. As obras, localizadas em onze estados e no Distrito Federal, foram visitadas e seus gestores, entrevistados. Ao cabo de quatro meses de trabalho, é possível afirmar que as análises do TCU seguem critérios técnicos e estão bem fundamentadas, já que se baseiam em cifras e cruzamentos de informações que não deixam dúvidas a respeito das irregularidades. "O TCU cumpre o seu papel e não se curvará a pressões políticas que interfiram em suas atividades", diz o ministro Aroldo Cedraz, que integra o tribunal.


Fonte:Veja

Postado:Prof.Sérgio