sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

HONDURAS O GOLPE NA LIBERDADE!








Honduras: Pronunciamento frente à reunião dos presidentes latinoamericanos e caribenhos em Cancún, México


A Rede Jubileu Sul Américas manifesta sua posição frente a situação política em Honduras. Fazendo nosso o chamado do povo hondurenho que boicotou em grande medida as eleições de novembro realizadas em pleno contexto de repressão e golpe militar, e que segue mobilizada pela democracia na "Frente de Resistência Popular" - pelo não reconhecimento de Porfírio Lobo como representante legítimo do país. A carta foi entregue a representações diplomáticas dos governos em Cancún e convidamos todas as organizações a seguir enviando esse pronunciamento as presidências e chancelerias de seus países.

Temos acompanhado com apreensão os desdobramentos políticos em Honduras com o fim do mandato do presidente Manuel Zelaya em 27 de janeiro de 2010 e o seu exílio na República Dominicana.

Desde o momento que Zelaya foi retirado do poder pelo golpe militar, governos, organizações internacionais e movimentos sociais tem se posicionado de forma veemente, repudiando a ação golpista e as ações de seus dirigentes ilegítimos. Seguiram-se meses de violações aos direitos humanos - perseguições, torturas, assassinatos e cerceamento à liberdade de expressão - mas também de uma heróica e criativa resistência democrática ao governo de Michelletti por parte da população hondurenha, articulada na “Frente Nacional de Resistência Contra o Golpe de Estado em Honduras”” - hoje “Frente Nacional de Resistência Popular”.

O cinismo, a hipocrisia e o simulacro marcaram a estratégia midiática e diplomática do governo golpista em sua tentativa de vender internacionalmente a idéia de “normalidade” política em Honduras, ao mesmo tempo em que o presidente Zelaya estava abrigado na embaixada brasileira. A convocação de eleições nesse contexto de repressão compõe o núcleo duro da estratégia de legitimação do golpe, perigosamente reproduzida como “uma solução para crise institucional de Honduras” por parte da mídia internacional, deputados republicanos dos EUA e oligarquias identificadas com o “modus operandis” do golpismo brando.

Assim, as eleições de novembro e a vitória do Sr. Lobo dão continuidade ao processo político do golpe de Estado. O boicote de diversos partidos e candidatos ao processo eleitoral; a ausência de observadores internacionais; as denúncias de coação econômica; a militarização e aberta repressão a população no dia das eleições; assim como o baixo comparecimento mentirosamente divulgado em 65%, posteriormente anunciado pela própria comissão eleitoral do governo golpista em 49% e estimado em torno de 30-35% pelos observadores da Frente Nacional de Resistência ao Golpe tornam inviável o reconhecimento dessas eleições como legítima por parte dos governos latino-americanos e caribenhos e das organizações internacionais.

Fazemos um claro chamado aos governos da região para que não virem as costas à população hondurenha nesse momento, legitimando o golpismo brando e abrindo um perigoso precedente na América Latina e no Caribe para esse tipo de estratégia. Os hondurenhos mobilizados pela democracia seguem perseguidos, as violações de direitos humanos são diárias e os principais agentes golpistas têm o total respaldo do governo de Lobo. Neste sentido fazemos nosso o apelo da população hondurenha que repudiou claramente as eleições e da “Frente Nacional de Resistência Popular” pelo não reconhecimento do resultado dessas eleições e de Porfírio Lobo como representante legítimo de Honduras.

Igualmente é preciso desconhecer os atos dos governos de Micheletti e Lobo, em especial qualquer endividamento interno ou externo, negociação ou assinatura de acordos comerciais e de associação, concessão territorial ou de direitos de exploração do patrimônio natural do povo de Honduras por sua manifesta ilegitimidade.

Cabe aos governos da região manter e coordenar essa firme posição de repúdio e não permitir que instituições financeiras multilaterais (FMI, BIRD, BID) e outras Organizações Internacionais estabeleçam futuros empréstimos ou acordos com o governo ilegítimo. Respaldamos plenamente o povo de Honduras em seu direito de desconhecer tais acordos, e de negar-se a pagar por eles, responsabilizando também aos emprestadores, investidores e governos negociadores pela geração de um dívida ilegítima e absolutamente nula, contraídas por regimes que carecem de legitimidade popular.

A inação da nova administração frente aos dirigentes diretamente implicados no golpe e nas violações de direitos humanos subseqüentes no governo Micheletti corroboram a necessária e continua pressão por parte da comunidade internacional frente a reinante impunidade e por um governo democrático de fato em Honduras.

A motivação das oligarquias e de suas alianças internacionais para o golpe foi justamente se antecipar a possibilidade de ampliação da democracia com uma constituinte no país que implicasse em ampliação de direitos civis, políticos, sociais, econômicos, culturais e ambientais, reformas no aparelho de Estado e na distribuição de recursos. Neste sentido, corroboramos a demanda dos partidos, organizações e movimentos sociais hondurenhos pela realização de uma Assembléia Nacional Constituinte no país.

Por fim, enfatizamos nossa preocupação quanto aos processos de militarização no continente latino-americano que buscam sufocar avanços democráticos, da resistência da sociedade civil ou mesmo de governos progressistas. Honduras compõe uma parte desse processo que segue vivo com a instalação de bases na Colômbia, a criminalização dos movimentos sociais por toda parte e a militarização da ajuda humanitária do Haiti após o trágico terremoto que abateu o país, entre outros exemplos.

Viva a Resistência ao Golpe e as eleições ilegítimas em Honduras!

Por uma Assembléia Nacional Constituinte Popular e Democrática!

Por uma integração solidária latino-americana frente àbarbárie da militarização!

Jubileu Sul / Américas

23 de fevereiro de 2010


Postagem de : Luiz Navarro

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

COMO ALTERAR A VONTADE DO ELEITOR

Em junho do ano passado, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça quatro executivos e duas secretárias da construtora Camargo Corrêa, quatro doleiros e um empresário pela suposta prática de crimes financeiros investigados durante a Operação Castelo de Areia da Polícia Federal. Uma movimentação ilegal de cerca de US$ 16 milhões nos últimos anos.

A operação investiga crimes de superfaturamento de obras públicas e doações ilegais a partidos políticos e candidatos, além de ligações entre os denunciados e membros da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Segundo o Ministério Público os documentos apreendidos já comprovam a ocorrência dos crimes financeiros, mas é possível aprofundar as apurações quanto aos outros delitos, com repercussão na Justiça Eleitoral. (1)

Há cerca de um ano, o senador Pedro Simon questionava da tribuna do senado sobre a milionária participação das empreiteiras no sistema de poder no Brasil: “Por que uma empreiteira vai dar dinheiro para todo mundo? Por amor?” Simon tinha razão. Denúncias posteriores, também feitas pelo MPF, acusaram as principais construtoras do país de formar conluio para fraudar processos de licitação do metrô de Salvador.

Em 23 de maio de 2007, Simon declarou ao jornal gaúcho Zero Hora: “as empreiteiras controlam o Orçamento da União, apresentando projetos diretamente nos ministérios e através de emendas individuais dos parlamentares”. E “Isso acontece desde o governo Collor, quando a CPI do PC Farias e a dos Anões do Orçamento revelaram a corrupção praticada pelas empreiteiras. Tentei criar uma CPI para investigar os corruptores, mas o governo Fernando Henrique impediu”. A blindagem tucana afastava assim o “perigo” instalado em sua base de apoio e contrariava desejos da OAB e de partidos de oposição à época.

Há nomes graúdos, tanto da oposição quanto da situação, entre os envolvidos na Operação Castelo de Areia. Não estão ausentes figuras exponenciais, festejados “combatentes da ética”, como o senador Jarbas Vasconcelos, do PMDB de Pernambuco, e membros do alto tucanato paulista, como o vice-governador, Alberto Goldman. Lamentavelmente, algumas operações com base em denúncias do MPF vêm sendo abafadas por ingerência institucional, com destaque para as ações do STF. (2)

Segundo o Estado de S. Paulo, desta segunda-feira, 22/2/2010, cinco empreiteiras receberam R$ 243 milhões da prefeitura de São Paulo, “depois de doarem, juntas, R$ 6,8 milhões à campanha de reeleição do prefeito (Gilberto Kassab)”. E “o valor dos contratos pode ser superior, já que nem todos foram ainda 100% executados”. A Camargo Corrêa, OAS, Christiani Nielsen, Engeform e S/A Paulista, conforme o site De Olho nas Contas, da própria Prefeitura, obtiveram contratos com secretarias da administração municipal que superam o valor doado em mais de três mil porcento. (3)

Entre as doações consideradas ilegais pela Justiça Eleitoral, a Camargo Corrêa é a campeã, de uma relação onde consta ainda o Banco Itaú e a Associação Imobiliária Brasileira (AIB). Elas totalizam R$ 10 milhões de um total de R$ 29,8 milhões arrecadados para a campanha de reeleição de Kassab em 2008. Para a Justiça Eleitoral, o fato configura “abuso do poder econômico” que “altera a vontade do eleitor”.

Hoje se sabe que o juiz que “aprovou” as contas de Kassab, condenou, ao mesmo tempo, a forma como foi feita a arrecadação de recursos e que agora é alvo de decisão que determina a cassação do mandato do prefeito na capital paulista. Ambas decisões têm em comum o fato de que a forma “dificulta sobremaneira o verdadeiro instituto da prestação de contas no processo eleitoral” e expõe “íntima e perigosa relação negocial existente entre empresas privadas e o poder público”. (4)

(1) http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0206200902.htm

(2) http://ultimainstancia.uol.com.br/new_site/novonoticias/EM+NOVA+DENUNCIA+MPF+ACUSA+PRINCIPAIS+CONSTRUTORAS+DO+PAIS+DE+FORMAR+DE+CARTEL_64186.shtml?__akacao=148201&__akcnt=e3e82fd2&__akvkey=fa4c&utm_source=akna&utm_medium=email&utm_campaign=InfoUI_060609

(3) http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,cinco-empreiteiras-ja-receberam-r-243-mi-de-kassab,514417,0.htm

(4) http://noticias.uol.com.br/politica/2010/02/24/juiz-que-aprovou-contas-de-kassab-condenou-forma-de-arrecadacao-da-campanha.jhtm

Postagem de : Luiz Navarro

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

OS DESAFIOS DO SOCIALISMO NO SECULO 21 NA VENEZUELA

Os desafios do socialismo no século 21 na Venezuela


Entrevista com Chronis Polychroniou, editor do diário grego Eleftherotypia

Por William I. Robinson

Há histórias preocupantes vindo da Venezuela. A situação na fronteira está tensa, há uma nova base militar colombiana próxima à fronteira, o acesso dos EUA a várias novas bases na Colômbia... Será que o regime se preocupa com uma possível invasão? Se sim, quem está para intervir?

Chronis Polychroniou - O governo venezuelano está preocupado acerca de uma possível invasão estadunidense. Contudo, penso que os EUA estão seguindo uma estratégia de intervenção mais refinada que podíamos denominar guerra de atrito. Já vimos esta estratégia em outros países, tais como na Nicarágua na década de 1980, ou mesmo no Chile sob Allende. É o que no léxico da CIA é conhecido como desestabilização, e na linguagem do Pentágono é chamado guerra política – o que não significa que não haja componente militar. É uma estratégia que combina ameaças militares e hostilidades com operações psicológicas, campanhas de desinformação, propaganda, sabotagem econômica, pressões diplomáticas, mobilização de forças da oposição política dentro do país, manipulação de setores insatisfeitos e a exploração de queixas legítimas entre a população. A estratégia é hábil em aproveitar dos próprios erros e limitações da revolução, tais como corrupção, clientelismo e oportunismo, os quais devemos reconhecer que são problemas sérios na Venezuela. É hábil também em agravar e manipular problemas materiais, tais como escassez, inflação dos preços e assim por diante.

O objetivo é destruir a revolução tornando-a não funcional, pela exaustão da vontade da população em continuar a lutar para forjar uma nova sociedade e, deste modo, minar a base social de massa da revolução. De acordo com a estratégia dos EUA a revolução deve ser destruída fazendo com que entre em colapso por si mesma, minando a notável hegemonia que o chavismo e o bolivarianismo foram capazes de alcançar dentro da sociedade civil venezuelana ao longo da última década. Os EUA esperam provocar Chávez de modo a que tome a posição de transformar o processo socialista democrático num processo autoritário. Na visão deles, Chávez finalmente será removido do poder através de um cenário produzido pela guerra de atrito constante – seja através de eleições, de um putsch militar interno, um levantamento, deserções em massa do campo revolucionário, ou uma combinação de fatores que não podem ser antecipados.

Neste contexto, as bases militares na Colômbia proporcionam uma plataforma crucial para operações de inteligência e reconhecimento contra a Venezuela e também para a infiltração militar contra-revolucionária, a sabotagem econômica e grupos terroristas. Estes grupos de infiltração destinam-se a provocar reações do governo e sincronizar a provocação armada com toda a gama de agressões políticas, diplomáticas, psicológicas, econômicas e ideológicas que fazem parte da guerra de atrito.

Além disso, a simples ameaça de agressão militar dos EUA que as bases representam constitui uma poderosa operação psicológica estadunidense destinada a elevar as tensões dentro da Venezuela, forçar o governo a posições extremistas ou a fortalecer as forças internas anti-chavistas e contra-revolucionárias.

Entretanto, é importante verificar que as bases militares fazem parte de uma estratégia mais ampla dos EUA em relação a toda a América Latina. Os EUA e a direita na América Latina lançaram uma contra-ofensiva para reverter a guinada para a esquerda ou a chamada "Maré Rosa". A Venezuela é o epicentro de um emergente bloco contra-hegemônico na América Latina. Mas a Bolívia, Equador e os movimentos sociais e forças políticas de esquerda da região são igualmente alvos desta contra-ofensiva tal como a Venezuela. O golpe em Honduras deu ímpeto a esta contra-ofensiva e fortaleceu a direita e as forças contra-revolucionárias. A Colômbia tornou-se o epicentro regional da contra-revolução – realmente um bastião do fascismo século 21.

A "Revolução Bolivariana" de Chávez tem sido muito popular entre os pobres. Poderia explicar como a sociedade venezuelana tem mudado desde que Chávez chegou ao poder?

Em primeiro lugar, vamos reconhecer que a Revolução Bolivariana colocou o socialismo democrático na agenda mundial depois de atravessarmos um período na década de 1990 em que muitos ficavam mesmo alarmados em falar de socialismo, quando parecia que o capitalismo global havia atingido o pico da sua hegemonia e quando alguns na esquerda compravam a tese do "fim da história".

A Revolução Bolivariana deu às massas pobres e em grande medida afro-caribenhas a sua voz pela primeira vez desde a guerra da independência do colonialismo espanhol. O governo Chávez reorientou prioridades para a maioria pobre. Ele foi capaz de utilizar os rendimentos do petróleo, em particular, para desenvolver saúde, educação e outros programas sociais que tiveram resultados dramáticos na redução da pobreza, eliminando virtualmente o analfabetismo e melhorando a saúde da população. Organizações internacionais e agências têm reconhecido estas notáveis realizações sociais.

Contudo, como alguém que visita a Venezuela regularmente, eu diria que a mudança mais fundamental desde que Chávez chegou ao poder não é a destes indicadores sociais mas sim o despertar político e sócio-psicológico da maioria pobre – um vasto processo popular de mobilização das bases, expressão cultural, participação política e participação no poder. A velha elite e a burguesia foram parcialmente substituídas no Estado e do poder político formal – embora não inteiramente. Mas o medo real e o ressentimento dos velhos grupos dominantes, o pânico e o seu ódio contra Chávez é porque eles sentiram deslizar do seu domínio a capacidade confortável de exercer dominação cultura e sócio-psicológica sobre as classes populares como o fizeram durante décadas, mesmo séculos. Naturalmente, ali ainda há outros muitos mecanismos através dos quais a burguesia e os agentes políticos do antigo regime são capazes de exercer sua influência, particularmente através dos meios de comunicação que em grande medida ainda estão nas suas mãos.

Quão avançados são os planos de nacionalização de Chávez? Há alguma evidência de que eles levam aos resultados desejados?

A grande mudança econômica óbvia foi a recuperação do petróleo do país para um projeto popular – e mesmo que haja ainda uma burocrática oligarquia PDVSA. Outras empresas chave, tais como a siderurgia, foram nacionalizadas. E o setor cooperativo – com todos os seus problemas – tem se ampliado. No entanto, o poder econômico ainda está em grande medida nas mãos da burguesia.

A estratégia da revolução tem sido erguer novas instituições paralelas e também tentar "colonizar" o velho Estado. Mas o Estado venezuelano ainda é em grande medida um Estado capitalista. A questão chave é: como pode um projeto de transformação avançar enquanto opera através de um Estado corrupto, clientelista, burocrático e muitas vezes inerte legado pelo antigo regime? Se forças revolucionárias e socialistas chegam ao poder dentro de um processo político capitalista como você confronta o Estado capitalista e os entreves que ele coloca nos processos de transformação? De fato, na Venezuela, e também na Bolívia, as instituições do Estado muitas vezes atuam para constranger, diluir e cooptar lutas de massas vindas de baixo.

Do meu ponto de vista, na Venezuela a maior ameaça à revolução não vem da oposição política de direita, mas sim da chamada direita "endógena" ou "chavista" e pertencente ao bloco revolucionário, incluindo elites do Estado e responsáveis partidários, desenvolverão um interesse mais profundo em defender o capitalismo global do que na transformação socialista.

A revolução tem mais de uma década. Está amadurecendo ou está chegando a uma etapa de declínio e deformação?

Eu não diria que a revolução está em "declínio" ou "deformação". A guinada à esquerda na América Latina começou como uma rebelião contra o neoliberalismo. Os regimes pós neoliberais empreenderam suaves reformas redistributivas e nacionalizações limitadas, particularmente de recursos energéticos e serviços públicos que anteriormente haviam sido privatizados. Eles foram capazes de reativar a acumulação. Mas o pós-neo-liberalismo que atualmente não caminha em direção a uma profunda transformação socialista, está rapidamente a atingir os seus limites.

O processo bolivariano enfrenta contradições, problemas e limitações, tal como todos os projetos históricos. Eu diria que tanto a revolução venezuelana como os processos boliviano e equatoriano podem estar a rebelar-se contra os limites da reforma redistributiva dentro da lógica do capitalismo global, especialmente considerando a atual crise do capitalismo global. O anti-neoliberalismo que não desafia mais fundamentalmente a própria lógica do capitalismo choca-se contra limitações que podem agora ter sido atingidas.

Pode ser que a melhor ou a única defesa da revolução seja radicalizar e aprofundar o processo, pressionar pelo avanço de transformações estruturais que vão além da redistribuição. O fato é que a burguesia venezuelana pode ter sido deslocada em parte do poder político, mas ainda detém grande parte do controle economico. Romper tal controle implica uma mudança mais significativa na propriedade e nas relações de classe. Isto por sua vez significa romper a dominação do capital, do capital global e dos seus agentes locais.

Recordemos as lições da Nicarágua e de outras revoluções. Alianças multi-classe geram contradições desde que a etapa da lua-de-mel da reforma redistributiva e dos programas sociais fáceis alcancem o seu limite. Então as alianças multi-classe começam a entrar em colapso porque há contradições fundamentais entre distintos projetos e interesses de classe. Nesse ponto, uma revolução deve definir mais claramente o seu projeto de classe; não apenas no discurso ou na política mas na transformação estrutural real.

A um nível mais técnico, poderíamos dizer que as contradições geradas pela tentativa de romper a dominação do capital global não são uma falha da revolução. A Venezuela ainda é um país capitalista no qual a lei do valor, da acumulação de capital, está operativa. Esforços para estabelecer uma lógica contrária – uma lógica da necessidade social e da distribuição social – chocam-se contra a lei do valor. Mas numa sociedade capitalista violar a lei do valor lança tudo na loucura, gerando muitos problemas e novos desequilíbrios que a contra-revolução é capaz de aproveitar. Isto é o desafio para qualquer revolução orientada para o socialismo dentro do capitalismo global.

William I. Robinson é professor de Sociologia, Universidade da Califórnia – Santa Bárbara

(Publicado originalmente em http://www.zmag.org/znet/ viewArticle/23797)

Postado por: Luiz Navarro

MÉDICOS DE CUBA NO HAITI- A SOLIDARIEDADE SILENCIADA

José Manzaneda *

Adital -
adução: ADITAL

[Esse texto, traduzido por Adital, é o roteiro do seguinte vídeo, em espanhol:
http://www.cubainformacion.tv/index.php?option=com_content&task=view&id=13417&Itemid=86

Você pode inserir seus comentários sobre o vídeo no YouTube e participar no
debate: http://www.youtube.com/watch?v=6DikHDHXvL0]

Os aproximadamente 400 cooperantes da Brigada médica cubana no Haiti foram a
mais importante assistência sanitária ao povo haitiano durante as primeiras
horas após o recente terremoto. Essa informação foi censurada pelos
grandes meios de comunicação internacionais.

A ajuda de Cuba ao povo haitiano não começou por ocasião do terremoto. Cuba
atua no Haiti desde 1998 desenvolvendo um Plano Integral de Saúde(1),
através do qual já passaram mais de 6.000 cooperantes cubanos da saúde.

Horas depois da catástrofe, no dia 13 de janeiro, somavam-se à brigada
ubana 60 especialistas em catástrofes, componentes do Contingente "Henry
Reeve", que voaram de Cuba com medicamentos, soro, plasma e alimentos(2). Os
médicos cubanos transformaram o local onde viviam em hospital de campanha,
atendendo a milhares de pessoas por dia e realizando centenas de operações
cirúrgicas em 5 pontos assistenciais de Porto Príncipe. Além disso, ao redor
de 400 jovens do Haiti formados como médicos em Cuba se uniam como reforço à
brigada cubana(3).

Os grandes meios silenciaram tudo isso. O diário El País, em 15 de janeiro,
publicava uma infografia sobre a "Ajuda financeira e equipamentos de
assistência", na qual Cuba nem sequer aparecia dentre os 23 Estados que
haviam colaborado(4). A cadeia estadunidense Fox News chegava a afirmar que

Cuba é dos poucos países vizinhos do Caribe que não prestaram ajuda.
Vozes críticas dos próprios Estados Unidos denunciaram esse tratamento
informativo, apesar de que sempre em limitados espaços de difusão.

Sarah Stevens, diretora do Center for Democracy in the Americas(5) dizia no
blog The Huffington Post: Se Cuba está disposta a cooperar com os EUA
deixando seu espaço aéreo liberado, não deveríamos cooperar com Cuba em
iniciativas terrestres que atingem a ambas nações e os interesses comuns de
ajudar ao povo haitiano?(6)

Laurence Korb, ex-subsecretário de Defesa e agora vinculado ao Center for
American Progress(7), pedia ao governo de Obama "aproveitar a experiência de
um vizinho como Cuba" que "tem alguns dos melhores corpos médicos do mundo"
e com quem "temos muito o que aprender"(8).
Gary Maybarduk, ex-funcionário do Departamento de Estado propôs entregar às
brigadas médicas equipamento duradouro médico com o uso de helicópteros
militares dos EUA, para que possam deslocar-se para localidades pouco
accessíveis do Haiti(9).

E Steve Clemons, da New America Foudation(10) e editor do blog político The
Washington Note(11), afirmava que a colaboração médica entre Cuba e EUA no
Haiti poderia gerar a confiança necessária para romper, inclusive, o
estancamento que existe nas relações entre Estados Unidos e Cuba durante
décadas(12).

Porém, a informação sobre o terremoto do Haiti, procedente de grandes
agências de imprensa e de corporações midiáticas situadas nas grandes
potências, parece mais a uma campanha de propaganda sobre os donativos dos
países e cidadãos mais ricos do mundo. Apesar de que a vulnerabilidade
diante da catástrofe por causa da miséria é repetida uma e outra vez pelos
grandes meios, nenhum quis se debruçar para analisar o papel das economias
da Europa ou dos EUA no empobrecimento do Haiti. O drama desse país está
demonstrando uma vez mais a verdadeira natureza dos grandes meios de
comunicação: ser o gabinete de imagem dos poderosos do mundo, convertidos em
doadores salvadores do povo haitiano quando foram e são, sem paliativos,
seus verdadeiros verdugos.

*Quadro Informativo 1. Dados da cooperação de Cuba com o Haiti desde 1998:*

- Desde dezembro de 1998, Cuba oferece cooperação médica ao povo haitiano

através do Programa Integral de Saúde;

- Até hoje trabalharam no setor saúde no Haiti 6.094 colaboradores que
realizaram mais de 14 milhões de consultas médicas, mais de 225.000
cirurgias, tendo atendido a mais de 100.000 partos e salvado mais de 230.000 vidas.

- Em 2004, após a passagem da tormenta tropical Jeanne pela cidade de
Gonaives, Cuba ofereceu sua ajuda com uma brigada de 64 médicos e 12
toneladas de medicamentos.

- 5 Centros de Diagnóstico Integral, construídos por Cuba e pela Venezuela,
prestavam serviços ao povo haitiano antes do terremoto.

- Desde 2004 é realizada a Operação Milagre no Haiti e até 31 de dezembro de
2009 haviam sido operados um total de 47.273 haitianos.

- Atualmente, estudam em Cuba um total de 660 jovens haitianos; destes, 541
serão diplomados como médicos.

- Em Cuba já foram formados 917 profissionais, dos quais 570 como médicos.

Cuba coopera com o Haiti em setores tais como a agricultura, a energia, a
pesca, em comunicações, além de saúde e educação.

- Como resultado da cooperação de Cuba na esfera da educação, foram
alfabetizados 160.030 haitianos.

*Quadro 2. Dados das atuações do Contingente Internacional de Médicos

Cubanos Especializados em Situações de Desastres e Graves Epidemias, Brigada

"Henry Reeve", anteriores à cooperação no Haiti:*

- Desde sua constituição, a Brigada Henry Reeve cumpriu missões em 7 países,
com a presença de 4.156 colaboradores, dos quais 2.840 são médicos.

- Guatemala (Furacão Stan): 8 de outubro de 2005, 687 colaboradores; destes
600 médicos.

- Paquistão (Terremoto): 14 de outubro de 2005, 2 564 colaboradores; destes
1 463 médicos.

- Bolívia (inundações): 3 de fevereiro de 2006-22 de maio, 602
colaboradores; destes, 601 médicos.

- Indonésia (Terremoto): 16 de maio 2006, 135 colaboradores; destes, 78
médicos.

- Peru (Terremoto): 15 de agosto 2007-25 de março 2008, 79 colaboradores;
destes, 41 médicos.

- México (inundações): 6 de novembro de 2007 - 26 de dezembro, 54
colaboradores; destes, 39 médicos.

- China (terremoto): 23 de maio 2008-9 de junho, 35 colaboradores; destes,
18 médicos.

- Foram salvas 4 619 pessoas.

- Foram atendidos em consultas médicas 3.083.158 pacientes.

- Operaram (cirurgia) a 18 898 pacientes.

- Foram instalados 36 hospitais de campanha completamente equipados, que
foram doados por Cuba (32 ao Paquistão, 2 a Indonésia e 2 ao Peru).

- Foram beneficiados com próteses de membros em Cuba 30 pacientes atingidos
pelo terremoto do Paquistão.

Notas:

(1) http://cubacoop.com

Postagem de: Luiz Navarro

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

PT: QUAL A GRANDE TRANSFORMAÇÃO

PT: Qual a GrandeTransformaçã o?

Leonardo Boff

Não sou membro do PT mas um cidadão que se interessa pelos destinos do
nosso pais, nos últimos sete anos moldados pelo governo Lula.
A campanha eleitoral se iniciará oficialmente dentro de pouco. Há o grande
risco de que predomine um espírito menor, diria quase infantil, de uma
campanha plebicistária entre os feitos do governo de FHC e daquele de Lula.

Seria a disputa tola entre o ontem e o anteontem ou entre o atrasado e o
velho, como preferem alguns ecologistas. Pois ambos os contendores, na
relação desenvolvimento e natureza, manejam o mesmo paradigma, sob severa
crítica mundial, por conter o veneno que nos pode matar. Isso só serviria
para distrair os eleitores dos verdadeiros problemas que o Brasil e o mundo
irão enfrentar.

Uma disputa eleitoral séria, à altura da fase planetária da humanidade e da
importância fundamental do Brasil dentro dela, não deveria estar voltada
para o passado a ser continuado mas, sim, para o futuro a ser construido
coletivamente. Quem apresenta o melhor projeto de Brasil para o nosso povo e
em sua relação para com a nascente sociedade mundial? Que contribuição
essencial podemos dar face aos cenários dramáticos que se desenham no
horizonte?

Permito-me apresentar três sugestões para animar a discussão interna do PT.
O lema do encontro nacional - A Grande Transformação - nos remete Karl
Polanyi com o clássico livro do mesmo título (1944) no qual mostra como a
sociedade virou uma sociedade de mercado, transformando tudo em mercadoria.

Não será essa a Grande Transformação pensada pelo PT. Para que seja outra
coisa, o partido deve assumir seriamente este fato irrecusável: A Terra
mudou porque já estamos dentro do aquecimento global. A roda não pode mais
ser parada, apenas diminuir-lhe a velocidade. Se o termômetro da Terra subir
para mais de dois graus Celsius, nos próximos decênios, como previstos pelos
melhores centros de pesquisa, enfrentaremos no Brasil e no mundo a
tribulação da desolação. Muitos projetos já concluidos do PAC poderão ser
anulados. Não incluir em todos os planejamentos este dado é mostrar falta de
inteligência prática e irresponsabilidade histórica. Do contrário teremos
que aceitar a maldição de nossos filhos e filhas e de nossos netos e netas.

Outro dado não menos perturbador é: a insustentabilidade do sistema-Terra. A
partir de 23 de setembro de 2008 ficamos sabendo que o planeta Terra
ultrapassou em 30% sua capacidade de repor os bens e serviços necessários
para a vida. Estamos consumindo hoje o que precisaremos amanhã. Se quisermos
universalizar o nivel de consumo das classes médias mundiais, incluidos os
oitenta milhões de brasileiros, precisaríamos já agora de três Terras iguais
a esta. Este modelo de crescimento, como parece subjacente ao PAC, mostra a
sua inviabilidade a médio e a longo prazo. Não é que deixemos de produzir.

Devemos produzir mas dentro de um outro paradigma menos depredador do
sistema-Terra, com um acordo de respeito à suportabilidade de cada
ecossistema e com uma ampla inclusão social, imbuidos todos de uma ética do
cuidado, da responsabilidade universal e da busca do bem viver para todos.

Por fim, o PT precisa conscientizar o fato de que o Brasil é, seguramente, o
pais-chave para o equilibrio do Planeta. Ele é a potência das águas, o
detentor das maiores florestas, as grandes sequestradoras de dióxido de
carbono e reguladoras dos climas, com imensa biodiversidade e vastas terras
agricultáveis, podendo ser a mesa posta para as fomes do mundo inteiro, com
capacidade incomparável de gerar energias alternativas e com um povo
altamente criativo, que fez um ensaio civilizatório dos mais significativos,
não imperialista, e com uma visão encantada do mundo que lhe permite, no
meio das contradições. celebrar suas festas, torcer por seus times e dançar
seus carnavais, características essas decisivas para conferir um rosto
humano à mundialização emcurso.

O futuro passa por nós. Não percebê-lo por ignorância oudistração é não
escutar os apelos da Mãe Terra e é defraudar seus filhos e filhas, nossos
irmãos e irmãs que apenas pedem singelamente viver com decência.

- Leonardo Boff, Teólogo.

Um  outro mundo é possível. Um outro Brasil é necessário!

Postagem de: Luiz Navarro

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

MARCOS FALA DE GANGUE NO HAITI

Marcos, você repete o que ouve da mídia quando diz que o povo Haitiano é formado por "gangue". O que a mídia não fala é que o Haiti existe no quintal dos Estados Unidos, e é o país mais pobre do mundo. O que não é dito é que o Haiti vive debaixo de constantes golpes e invasões de seu territorio. Agora mesmo os Norte-americanos expulsaram o Presidente constitucional Jean Bertand Aristide e colocaram em seu lugar um marionete seu, asim como fizeram em Honduras onde apoiaram um golpe de Estado retirando do Governo um Presidente eleito constitucionamente pelo motivo de querer consultar o povo em plebiscito.


Colocaram 20.000 soldados com todo tipo de armas e não deram a minima para os soldados brasileiro a serviço da ONU. O Haiti Marcos,  é constituído de uma população brava aguerrida e que busca permanentemente seus ideais, objetivado sempre a melhor qualidade de vida de seus habitantes. Marcos possuir bens materiais sem possuir dignidade e liberdade, é melhor ser o mais pobre do mundo como o povo Haitiano.

Ser subserviente e lacaio de um poder podre pela corrupção, como o poder imperialista que só tem infelicitado o mundo, é melhor ousar lutar, ousar vençer. As armas são usadas para manter os milionarios corruptos com seus privilégios. Marcos abra o olho deixe de ser manipulado pelos expertos, e respeite o povo Haitiano que são negros valorosos e radicalmente discriminados, que apesar de tudo, continuam em busca do ideário de LIBERDADE.
Marcos o Socialismo é comprovadamente o sistema inteligente criado pelo pensador do seculo KARL MAX, para uso da humanidade como forma ideal de todos viverem bem, leia a entrevista do jogador do Flamengo Peckovist.
Escrito e postado por: Luiz Navarro

OS DOIS PREMIOS NOBEL DA MENTIRA

Dalai Lama & Obama:

O encontro entre dois Prémio Nobel da mentira

por Domenico Losurdo [*]

A notícia é agora oficial. Dentro em breve o Dalai Lama será recebido por Obama na Casa Branca. O encontro entre estas duas almas gémeas era inevitável: com vinte anos de separação entre um e outro (1989 e 2009), ambos receberam o Prémio Nobel da Paz e ambos receberam esta distinção ad maiorem Dei gloriam ou, para mais exatidão, para a maior glória da "nãção eleita" por Deus. 1989 foi o ano em que os EUA obtiveram o triunfo na guerra fria e preparavam-se para desmantelar a União Soviética, a Jugoslávia e também – como eles esperavam – a China. Nestas condições, aquele que ia ser coroado campeão da paz não podia ser senão o monge intrigante que desde há trinta anos, encorajado e financiado pela CIA, lutava para destacar da China um quarto do seu território (o Grande Tibete).

Em 2009, a situação havia mudado radicalmente: os dirigentes de Pequim haviam conseguido evitar a tragédia que se queria infligir ao seu país; ao invés de serem remetidos às décadas terríveis da China, oprimida, humilhada e muitas vezes condenada em massa à morte por inanição, à "China crucificada" de que falam os historiadores, um quinto da população mundial havia experimentado um desenvolvimento prodigioso, enquanto se verificava claramente o declínio e o descrédito que afligia a super-potência solitária que em 1989 havia acreditado ter o mundo aos seus pés. Nas condições que emergiram em 2009, o Prémio Nobel da Paz coroava aquele que, graças à sua habilidade oratória e à sua capacidade de se apresentar como um homem novo e vindo de baixo, estava destinado a recuperar o lustro do imperialismo estado-unidense.

Na realidade, o significado autêntico da presidência Obama está presente aos olhos de todos. Não há zona do mundo na qual não se tenha acentuado o militarismo e a política de guerra dos EUA. Ao Golfo Pérsico foi enviada uma f rota, equipada para neutralizar a possível resposta do Irão aos bombardeamentos selvagens que Israel prepara febrilmente graças também às armas fornecidas por Washington. Na América Latina, depois de ter encorajado ou promovido o golpe de estado em Honduras, Obama instala sete bases militares na Colômbia, relança a presença da IV frota, aproveita a urgência humanitária do Haiti (cuja gravidade é também a consequência da dominação neocolonial que os EUA ali exercem desde há dois séculos) para ocupar maciçamente o país: com uma deslocação de forças que é também uma forte advertência aos países latino-americanos. Na África, sob o pretexto de combater o "terrorismo", os EUA reforçam o seu dispositivo militar por todos os meios: a sua tarefa real é tornar o mais difícil possível o abastecimento de energia e matérias-primas de que a China tem necessidade, de modo a poder estrangulá-la no momento oportuno. Na própria Europa, Obama não renunciou à expansão da NATO para o Leste, e ao enfraquecimento da Rússia; as concessões são formais e visam apenas isolar a China o mais possível, o país que se arrisca a por em causa a hegemonia planetária de Washington.

Sim, é na Ásia que o carácter agressivo da nova presidência estado-unidense emerge com toda clareza. Não se trata apenas do facto de que a guerra no Afeganistão foi estendida ao Paquistão, com o recurso aos aviões sem piloto (e a sua consequência de "danos colaterais") claramente mais maciço que na época da administração Bush júnior. É sobretudo no que se refere a Formosa que é significativo. A situação estava a melhorar nitidamente: entre a China continental e a ilha, os contactos e os intercâmbios retomavam-se e desenvolviam-se; as relações entre o Partido Comunista Chinês e o Kuomitang foram restabelecidas. Com a nova venda de armas, Obama quer atingir um objectivo bem preciso: se realmente não se pode desmantelar o grande país asiático, pelo menos é preciso impedir a reunificação pacífica.

É neste ponto que anuncia a sua chegada a Washington um velho conhecido da política de contenção e de desmantelamento da China. Eis que no momento oportuno entra de novo em cena Sua Santidade que, antes mesmo de por os pés nos EUA, benzeu à distância o mercador de canhões que tem sede na Casa Branca. Mas o Dalai Lama não é universalmente conhecido como o campeão da não-violência? Permito-me, a propósito desta manipulação refinada, remeter para um capítulo do meu livro (A não-violência. Uma história afastada do mito), que o editor Laterza (de Bari-Roma) lançará nas livrarias a 4 de Março próximo. Por enquanto limito-me a antecipar um único ponto. Obras que têm como autor ou co-autor ex-funcionários da CIA revelam uma verdade que jamais deve ser perdida de vista: a não-violência é um "écran" (screen) inventado pelo departamento dos serviços secretos estado-unidenses empenhados sobretudo na "guerra psicológica". Graças a este écran, Sua Santidade foi mergulhado numa aura sagrada, quando desde há muito, após a sua fuga da China em 1959, ele promoveu no Tibete uma revolta armada, alimentado pelos recursos financeiros maciços, pela poderosa máquina organizador e multi-mediática e pelo imenso arsenal estado-unidense; revolta que entretanto fracassou por causa da falta de apoio por parte da população tibetana. Tratava-se de uma revolta armada – escrevem ainda os ex-funcionários da CIA – que permitiram aos EUA acumular experiências preciosas para as guerras na Indochina, ou seja, para guerras coloniais – sou seu que acrescento, desta vez – que devem ser classificadas dentre as mais bárbaras do século XX.

Agora, o Dalai Lama e Obama encontram-se. Estava na lógica das coisas. Este encontro entre os dois Prémio Nobel da mentira será tão afectuosa quanto pode ser um encontro entre duas personalidades ligadas entre si por afinidades electivas. Mas ela não promete nada de bom para a causa da paz.

 Em  16/Fevereiro/2010

[*] Ensina história da filosofia na Universidade de Urbino. Dirige desde 1988 a Internationale Gesellschaft Hegel-Marx für dialektisches Denken, e é membro fundador da l' Associazione Marx XXIesimo secolo "Rievoluzione".

O original encontra-se em www.domenicolosurdo. it e a versão em francês em Le Grand Soir

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
Postagem de: Luiz Navarro

"IDEOLÓGICOS"

Mensagem de Marcelo Cerqueira: Sob o sugestivo título "Ideológicos", leio na Coluna Panorama Político (hoje, O Globo) que o ex-ministro Delfim Neto irá contribuir com o PMDB (seu atual partido) para formular o programa partidário a oferecer à candidata Dilma. Delfim também poderia contribuir para a História revelando como ajudou a constituir e a financiar a Operação Bandeirantes (OBAN), nucleo do DOI-CODI, órgão do Estado especializado em torturas e "desaparecimentos" de adversários da ditadura civil-militar de 1964.


Marcello Cerqueira

advogado

OAB/RJ 3.083
Postagem de:Luiz Navarro

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

ENTREVISTA COM IVAN PINHEIRO-SECRETARIO GERAL DO PCB

ENTREVISTA COM IVAN PINHEIRO, SOBRE AS EEIÇÕES DE 2010


A Revista CAROS AMIGOS número 155, que está nas bancas, apresenta uma reportagem especial “ELEIÇÕES 2010 – Disputa de projetos ou falsa polarização?”, em forma de entrevistas com representantes de sete Partidos “do campo democrático-popular e da esquerda”, segundo classificação da jornalista Tatiana Merlino.

São entrevistados, com as mesmas perguntas, Brizola Neto (PDT), Ivan Pinheiro (PCB), Ivan Valente (PSOL), José Eduardo Dutra (PT), José Maria de Almeida (PSTU), Luiza Erundina (PSB) e Renato Rabelo (PCdoB).
Aqui estão, na íntegra, as respostas do Secretário Geral do PCB, camarada Ivan Pinheiro.

Secretariado Nacional do PCB

O que está em jogo nessas eleições?

Deveria estar em jogo um intenso debate sobre os grandes problemas nacionais, uma discussão ideológica, o confronto de projetos, a política externa brasileira, a integração da América Latina, a soberania nacional, a reestatização da Petrobrás, a redução da jornada de trabalho, a reforma agrária e outros temas sobre o presente e o futuro do país. Infelizmente, as oligarquias e a mídia podem, com a força que têm, fazer desta eleição um par ou ímpar entre dois projetos de administração do capital, um capitaneado pelo PT e outro pelo PSDB.

Há um risco de os candidatos deste campo, que disputam quem é mais eficiente para alavancar o capitalismo brasileiro, ficarem disputando qual mandato de 8 anos (FHC ou Lula) apresentaram os melhores indicadores macroeconômicos: quem mais deu confiança aos investidores internacionais, quem "destravou" mais a economia, quem criou mais e piores empregos, quem reduziu mais o "Risco Brasil" etc.

O que pode mudar no cenário político do país?

Se o debate for centrado na administração do capital vai mudar muito pouco. Podem mudar os comandantes da máquina pública, do balcão de empregos e interesses. Alguma mudança de estilo. Se as oligarquias conseguirem "americanizar" as eleições de 2010, ou seja, uma disputa entre a coca-cola e a pepsi-cola, as mudanças serão menores ainda. No mundo todo, a burguesia força a barra para estabelecer um bipartidarismo no campo da ordem, para afastar o risco de uma alternativa de esquerda. O que pode determinar mudanças no Brasil são fatores externos, como os desdobramentos da crise do capitalismo, a tendência do imperialismo a potencializar sua agressividade e outros fatores.

As mudanças serão pequenas até porque Lula, na questão principal (a política econômica) manteve a orientação do governo FHC. E este modelo não estará em debate. O que estará em debate é a forma de administrá-lo. Além do mais, as diferenças entre Lula e Alckmin eram mais notáveis e significativas do que aquelas entre Dilma e Serra.

O que pode provocar alguma mudança, na realidade, é o fato de Lula não ser o Presidente a partir de 2011. Ninguém, como ele, tem a capacidade de fazer a conciliação entre o capital e o trabalho. Nada melhor do que um ex-operário formado no sindicalismo de resultados para fazer um governo em que o capital aumente sua parcela no PIB em relação ao trabalho e este interprete isso como um mal necessário, para manter empregos, mesmo que a cada dia mais precarizados. Para a burguesia que pensa, que não é troglodita, o melhor cenário seria um terceiro mandato para Lula.

O que deve ser defendido pelas esquerdas?

Primeiro, temos que precisar o que significa esquerda hoje, nesta diluição ideológica e nesta manipulação de conceitos. Até o PPS (aliado do DEM e do PSDB) se considera "de esquerda". Os socialdemocratas e social-liberais que apóiam incondicional e sistematicamente o governo Lula se consideram "de esquerda". Aliás, no Brasil, ninguém assume que é "de direita".

Vou falar, portanto, do que considero como esquerda, um campo político que, à falta de definição melhor, posso chamar de esquerda revolucionária ou esquerda socialista, ou seja, aquela que não quer reformar o capitalismo, mas superá-lo.

Portanto, penso que a verdadeira esquerda no Brasil deve envidar esforços no sentido de criar uma frente, de caráter anticapitalista e antiimperialista, permanente, para além das eleições, voltada para a luta de massas. Não pode ser apenas uma coligação eleitoral, como foi a chamada frente de esquerda em 2006, que se dissolveu antes mesmo da realização do primeiro turno; e que não tinha programa, mas apenas candidatos.

Esta frente deve incorporar, além dos partidos políticos registrados no TSE, todas as organizações políticas, político-socias e movimentos populares que se coloquem no campo da superação do capitalismo, na perspectiva do socialismo. O programa desta frente deve ser conformado não pelas cúpulas das organizações que a compõem, mas a partir de um amplo debate a partir das bases.

O que pode significar avanço ou retrocesso para o processo de redemocratização do país?

O problema hoje no Brasil não é o risco de um golpe militar clássico ou de novo tipo, como o que se deu na Venezuela, em 2002, como tentativa, e agora em Honduras, como realidade. Os maiores riscos de retrocessos políticos são a criminalização dos movimentos sociais e da pobreza, as restrições ao direito de greve, as limitações aos partidos políticos de esquerda, através de cláusulas de barreira etc.

Os riscos maiores de retrocesso na questão democrática são principalmente os de âmbito mundial. Com a crise do capitalismo e a acirrada disputa por recursos naturais não renováveis, o mundo corre riscos de guerras e conflitos de todo o tipo, com o recrudescimento da agressividade do imperialismo.

Como os movimentos sociais podem interferir nesse processo?

Os movimentos sociais têm um papel fundamental a desempenhar no processo de mudanças sociais, desde que não se limitem à esfera de sua atuação específica, à parcialidade da luta. O MST é um excelente exemplo de um movimento social, a meu ver o mais importante do Brasil, que soube compreender isso. Hoje, o MST não é um apenas um movimento social, mas incide na questão política, como a luta em defesa da Petrobrás e até na solidariedade internacional.

Por isso, temos defendido que os movimentos populares participem da frente anticapitalista e antiimperialista, no mesmo espaço com organizações políticas.
Postagem de: Luiz Navarro

O MEIA DO FLAMENGO PETKOVIC! VIVIAMOS UM REGIME SOCIALISTA, TODO MUNDO BEM!

O Meia do Flamengo e um dos principais responsáveis pelo Título Brasileiro do Flamengo, o Servio (nascido na Iuguslávia Socialista) Petkovic em entrevista recente:

Ana Maria Braga: Como foi nascer num país com tanta dificuldade?

Petkovic: Quando nasci não tinha dificuldade nenhuma, era um país maravilhoso, vivíamos um regime socialista, todo mundo bem, todos tinham salário, todos tinham emprego. Problemas aconteceram depois dos anos 80.

http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Flamengo/0,,MUL1484475-9865,00-ENTRE+O+CAFE+E+O+SAMBA+PET+AFIRMA+O+MELHOR+TIME+DO+MUNDO+E+O+FLAMENGO.htm
Postagem de: Luiz Navarro

domingo, 14 de fevereiro de 2010

LUTEI PELO JUSTO, PELO BOM E PELO MELHOR DO MUNDO

OLGA BENARIO PRESTES

ÚLTIMA CARTA ESCRITA AO MARIDO E À FILHA, NO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DE RAVENSBRÜCK,
ANTES DE SER CONDUZIDA À MORTE EM CÂMARA DE GÁS

(ABRIL/1942)

Queridos:

Amanhã vou precisar de toda a minha força e de toda a minha vontade. Por isso, não posso pensar nas coisas que me torturam o coração, que são mais caras que a minha própria vida. E por isso me despeço de vocês agora. É totalmente impossível para mim imaginar, filha querida, que não voltarei a ver-te, que nunca mais voltarei a estreitar-te em meus braços ansiosos. Quisera poder pentear-te, fazer-te as tranças – ah, não, elas foram cortadas. Mas te fica melhor o cabelo solto, um pouco desalinhado. Antes de tudo, vou fazer-te forte. Deves andar de sandálias ou descalça, correr ao ar livre comigo. Sua avó, em princípio, não estará muito de acordo com isso, mas logo nos entenderemos muito bem. Deves respeitá-la e querê-la por toda a tua vida, como o teu pai e eu fazemos. Todas as manhãs faremos ginástica... Vês? Já volto a sonhar, como tantas noites, e esqueço que esta é a minha despedida. E agora, quando penso nisto de novo, a idéia de que nunca mais poderei estreitar teu corpinho cálido é para mim como a morte.

Carlos, querido, amado meu: terei que renunciar para sempre a tudo de bom que me destes? Corformar-me-ia, mesmo que não pudesse ter-te muito próximo, que teus olhos mais uma vez me olhassem. E queria ver teu sorriso. Quero-os a ambos, tanto, tanto. E estou tão agradecida à vida, por ela haver-me dado a ambos. Mas o que eu gostaria era de poder viver um dia feliz, os três juntos, como milhares de vezes imaginei. Será possível que nunca verei o quanto orgulhoso e feliz te sentes por nossa filha?

Querida Anita, meu querido marido, meu Garoto: choro debaixo das mantas para que ninguém me ouça, pois parece que hoje as forças não consegu em alcançar-me para suportar algo tão terrível. É precisamente por isso que esforço-me para despedir-me de vocês agora, para não ter que fazê-lo nos últimas e difíceis horas. Depois desta noite, quero viver para este futuro tão breve que me resta. De ti aprendi, querido, o quanto significa a força de vontade, especialmente se emana de fontes como as nossas. Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo. Prometo-te agora, ao despedir-me, que até o último instante não terão porque se envergonhar de mim. Quero que me entendam bem: preparar-me para a morte não significa que me renda, mas sim saber fazer-lhe frente quando ela chegue. Mas, no entanto, podem ainda acontecer tantas coisas... Até o último momento manter-me-ei firme e com vontade de viver. Agora vou dormir para ser mais forte amanhã. Beijo-os pela última vez.

Olga
Fonte: Instituto Luiz Carlos Prestes (http://www.ilcp.org.br/)
Postagem de Luiz Navarro

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

REVOLUCIONÁRIO, PATRIOTA E COMUNISTA

Luiz Carlos Prestes

Revolucionário, patriota e comunista

Anita Leocádia Prestes

Nos dias 5 e 6 de fevereiro, em Caracas, Venezuela, foi realizado o Fórum Internacional Homens a Cavalo. Como informou o Vice-presidente da Venezuela, Elías Jaua, na abertura do evento, o Fórum faz parte de um conjunto de ações para render homenagem aos líderes e processos políticos impulsionados na América Latina, em busca de um caminho de justiça e bem-estar. A iniciativa se inscreve na comemoração do 192º aniversário de nascimento (31 de janeiro de 1818) de Ezequiel Zamora.

Jaua, também Ministro do Poder Popular para Agricultura y Terras, destacou que o presidente da República, Hugo Chávez Frías, tomou como raiz profunda da revolução o ideário de Zamora, chamado General do Povo Soberano, baseado em 3 aspectos: como continuador do pensamento e do programa social da independência; impulsionador de um amplo processo de participação popular e seu pensamento latino-americano e integracionista.

O Fórum contou com a presença de diversos expositores internacionais que destacaram o legado de revolucionários como Luiz Carlos Prestes, Emiliano Zapata, Pancho Villa, Francisco Morazán, Eloy Alfaro, Tupac Katari, Augusto Sandino e Farabundo Martí.

Anita L. Prestes esteve presente ao Fórum Internacional Homens a Cavalo e fez uma apresentação sobre a trajetória revolucionária de Luiz Carlos Prestes. Segue abaixo o texto por ela elaborado e divulgado no evento.

Luiz Carlos Prestes (1898-1990), desde muito jovem, revelou indignação com as injustiças sociais e a miséria de nosso povo, mostrando-se preocupado com a busca de soluções efetivas para a situação deplorável em que se encontrava a população brasileira, principalmente os trabalhadores do campo, com os quais tivera contato durante a Marcha da Coluna (1924-27), que ficaria conhecida como a Coluna Prestes. Muito antes de tornar-se comunista, Prestes já era um revolucionário. Sua adesão aos ideais comunistas e ao movimento comunista apenas veio comprovar e confirmar sua vocação revolucionária, seu compromisso definitivo com a luta pela emancipação econômica, social e política do povo brasileiro. Como revolucionário, Prestes foi um patriota - um homem que dedicou toda sua vida à luta por um Brasil melhor, por um Brasil onde não mais existissem a fome, a miséria, o analfabetismo, as doenças, a terrível mortalidade infantil e as demais chagas que sabidamente continuam ainda hoje a infelicitar nosso país.

A descoberta da teoria marxista e a conseqüente adesão ao comunismo representaram, para Prestes, o encontro com uma perspectiva, que lhe pareceu factível, de realização dos anseios revolucionários por ele até então alimentados, principalmente durante a Marcha da Coluna. A luta à qual resolvera dedicar sua vida encontrava, dessa forma, um embasamento teórico e um instrumento para ser levada adiante - o Partido Comunista. O Cavaleiro da Esperança, uma vez convencido da justeza dos novos ideais que abraçara, tornava-se também um comunista convicto e disposto a enfrentar toda sorte de sacrifícios na luta pelos objetivos traçados.

No processo de aproximação ao PCB, Prestes rompeu de público com seus antigos companheiros - os jovens militares rebeldes conhecidos como os “tenentes” -, posicionando-se abertamente a favor do programa da “revolução agrária e antiimperialista” defendido pelos comunistas brasileiros. Seu Manifesto de Maio de 1930 consagra o início de uma nova fase na vida do Cavaleiro da Esperança. A partir daquele momento, Prestes deixava definitivamente para trás os antigos compromissos com o liberalismo dos “tenentes” e enveredava pela via da luta pelos ideais comunistas que passariam a nortear toda sua vida.

Pela primeira vez na história do Brasil, uma liderança de grande projeção nacional, a personalidade de maior destaque no movimento tenentista, - na qual apostavam suas cartas as elites oligárquicas oposicionistas, na expectativa de que o Cavaleiro da Esperança pusesse seu cabedal político a serviço dos seus objetivos, aceitando participar do poder para melhor servi-las -, recusa tal poder, rompendo com os políticos das classes dominantes para juntar-se aos explorados e oprimidos, para colocar-se do lado oposto da grande trincheira aberta pelo conflito entre as classes dominantes e as dominadas, entre exploradores e explorados. Prestes tomava o partido dos oprimidos, abandonando as hostes das elites comprometidas com os donos do poder, não vacilando jamais diante dos grandes sacrifícios que tal opção lhe acarretaria.

Tratava-se de um fato inédito, jamais visto no Brasil. Luiz Carlos Prestes, capitão do Exército, que se tornara general da Coluna Invicta, que fora reconhecido como liderança máxima das forças oposicionistas ao esquema de poder vigente no Brasil até 1930, talhado, portanto, para transformar-se no líder da “revolução” das elites oligárquicas, numa liderança política confiável dessas elites, usava seu prestígio para indicar ao povo brasileiro um outro caminho – o caminho da luta pela reforma agrária radical e pela emancipação nacional do domínio imperialista, o caminho da revolução social e da luta pelo socialismo.

Como foi sempre coerente consigo mesmo e com os ideais revolucionários a que dedicou sua vida, sem jamais se dobrar diante de interesses menores ou de caráter pessoal, Prestes despertou o ódio dos donos do poder, que se esforçariam por criar uma História Oficial deturpadora tanto de sua trajetória política quanto da história brasileira contemporânea.

Mesmo após seu falecimento, Prestes continua a incomodar os donos do poder, o que se verifica pelo fato de sua vida e suas atitudes não deixarem de serem atacadas e/ou deturpadas, com insistência aparentemente surpreendente, uma vez que se trata de uma liderança do passado, que não mais está disputando qualquer espaço político. Num país em que praticamente inexiste uma memória histórica, em que os donos do poder sempre tiveram força suficiente para impedir que essa memória histórica fosse cultivada, presenciamos um esforço sutil, mas constante, desenvolvido através de modernos e possantes meios de comunicação, de dificultar às novas gerações o conhecimento da vida e da luta de homens como Luiz Carlos Prestes, cujo passado pode servir de exemplo para os jovens de hoje.

Luiz Carlos Prestes dedicou 70 anos de sua vida à luta por um futuro de justiça social e liberdade para o povo brasileiro. Luiz Carlos Prestes foi um revolucionário, um comunista e um internacionalista, que jamais vacilou na luta pelos ideais socialistas e pela vitória da revolução socialista no Brasil e em nosso continente latino-americano. Prestes foi um defensor conseqüente dos países socialistas, tendo à frente a URSS. Esteve sempre solidário com as Revoluções Cubana e Nicaragüense. O legado revolucionário de Luiz Carlos Prestes deve ser preservado e desenvolvido pelas novas gerações de revolucionários latino-americanos. Este é o objetivo principal do Instituto Luiz Carlos Prestes (www.ilcp.org.br) recentemente criado no Rio de Janeiro.

Candido Portinari, Coluna Prestes, óleo sobre tela, 46 x 55cm, Paris, 1950

http://www.portinari.org.br

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07/fevereiro/2010
Postagem de: Luiz Navarro

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

MEU GOVERNO SEGURAMENTE NÃO FOI DERRUBADO PELO POVO

Jean Bertrand Aristide, disse essas palavras em entrevista no dia 9 de fevereiro de 2010, concedida para o professor Hallaeard da Universidade de Middlesex - Inglaterra as 14:15hs. Aristide é padre adepto da "Teoria da Libertação", somando com teologos inteligentes e capazes. Cito como exemplo frei Leonardo Boff, D. Luís Soares Vieira e muitos outros que tem a capacidade de perceber que o capitalismo é produtor de miseria e que o "SOCIALISMO" é a grande alternativa. A União Sovietica só ruiu porque deixou de apoiar a participação do trabalhador como comandante dos meios de produção e participante direto nas decisões politicas. Os primeiros 30 anos de revolução, a produção da União Sovietica deixou o mundo capitalista perplexo. Os quarenta anos restante foi vivido do sucesso estabelecido pelos trabalhadores nos primeiros trinta anos. E tudo foi mudado, em nome da conciliação nacional com os burgueses devido a ameaça de invasão do governo Hitler, como posteriormente aconteçeu.
Os homens capazes, com grande visão, de raciocinio lúcidos, sabem que não existe vida feliz para todos, fora do "SOCIALISMO".
O povo Haitiano é pobre porque é negro e por isto discriminado, é pobre porque não se submete a escravidão e rejeita ser manipulado por seus agressores vizinhos Norte-americanos. Os haitianos sempre lutaram com garra, por LIBERDADE.
Escrito por : Luiz Navarro

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O HAITI PRECISA DE MÉDICOS E ENGENHEIROS E NÃO DE SOLDADOS!

Mário Maestri:

O Haiti precisa de médicos e
engenheiros e não de soldados

Por Igor Ojeda, da Redação do Brasil De Fato

Historiador diz que é urgente a saída imediata e incondicional das tropas de ocupação brasileiras no Haiti. E que sejam substituídas por médicos, enfermeiros, engenheiros e agrônomos. Que a bandeira brasileira não siga servindo de mortalha ao povo haitiano!

P - A grande mídia nacional e mundial lembra que a extrema pobreza do Haiti agravou as consequências do terremoto. Ela nada diz sobre as causas dessa pobreza. Por que o Haiti é o país mais miserável do hemisfério ocidental?
Mário Maestri - A pobreza extrema do Haiti é uma construção histórica bicentenária, produto da incessante intervenção colonialista e imperialista, em boa parte devido precisamente a ter sido o Haiti, a ex-colônia francesa Saint-Domingues, a pérola da produção escravista açucareira, a primeira e única nação negreira onde os trabalhadores escravizados insurrecionados obtiveram a liberdade, em 1804. Isso, após derrotar expedições militares francesa, inglesa e espanhola. Ao se transformar no segundo Estado americano a obter a independência, após os Estados Unidos, e o primeiro a abolir a escravidão, o Haiti passou a ser temido, como exemplo para os cativos americanos. Apesar do cordão sanitário em que se envolveu a ilha, repercussões da revolução fizeram-se sentir no Brasil escravista. O Haiti foi objeto de bloqueio quase total, nos seus primeiros anos, pelas nações metropolitanas, e até mesmo americanas independentes, que chegaram a apoiar, na luta pela autonomia. Já em 1825, foi obrigado a pagar, sob pena de agressão militar, pesadíssima indenização à França, estimada em atuais 21 bilhões de dólares! Conheceu, no século 20, intervenções militares dos EUA, que, mesmo após a desocupação, em 1934, transformaram o país em semicolônia, sobretudo através das sinistras ditaduras dos Duvalier, Papa-Doc e seu filho Baby Doc.

P – É enorme a população haitiana vivendo em Porto Príncipe em favelas. Esse foi um dos fatores determinantes do alto número de vítimas do terremoto. Por que essa forte migração do campo para a cidade?
R - O regime histórico da propriedade da terra no Haiti foi a plantagem escravista. Com a revolução de 1804, houve importante divisão de latifúndios em lotes unifamiliares, que retomaram as tradições camponesas negro-africanas, ensejando independência alimentar. Isto não produzia excedentes mercantilizáveis, capazes de serem apropriados pelo neo-colonialismo, e exigidos para o pagamento da dívida da Independência. As intervenções imperialistas, com a colaboração das frágeis e corruptas elites negras e mulatas, desdobraram-se para metamorfosear a agricultura familiar-camponesa em mercantil.
Importantes levantes camponeses foram duramente reprimidos para reconstituir a grande propriedade. A expropriação da terra e reversão para produtos comerciais ensejou enorme migração urbana, nascida também da depredação do meio ambiente, com o desmatamento selvagem para produção de carvão vegetal, com o aumento do combustível doméstico, impostos pelo imperialismo e organismos internacionais, para a recuperação da economia. As enormes massas de miseráveis urbanos são vistas como mão de obra extremamente barata às indústrias maquiadoras que se estabeleceram no Haiti. As forças brasileiras e da ONU têm reprimido duramente as manifestações pelo aumento do ínfimo salário mínimo.

P - Seis anos após o golpe contra Aristide e a chegada da Minustah, a situação não melhorou? Por quê?
R – A intervenção militar franco-estadunidense, orquestrada pelo governo Bush, afastou o presidente constitucional Jean-Baptiste Aristides, em 29 de fevereiro de 2004. Ainda que ele tivesse rompido com suas antigas raízes populares e de esquerda, quando deposto, seu governo lutava por autonomia relativa e despertava a mobilização social. O que era inaceitável, em uma região próxima de Cuba e fundamental aos EUA. Devido ao envolvimento no Iraque, Bush 2º convocou o presidente Lula da Silva para capitanear a ocupação militar [e pagar seus custos, é claro], participando da organização do governo títere pró-imperialista. Essa ocupação deveria reorganizar a ilha segundo os interesses políticos do grande capital, sobretudo franco-estadunidense, com algumas migalhas para os brasileiros. O governo Lula da Silva aceitou o convite envenenado para fortalecer seu objetivo de ingressar, inferiorizado, sem direito, como membro do Conselho de Segurança Permanente da ONU. O grande sonho da diplomacia tupiniquim.
Foi também concessão à alta oficialidade das forças armadas brasileiras, com interesses econômicos, políticos e ideológicos na operação. Serviria também para treinar tropas na repressão urbana, em região socialmente parecida, social e etnicamente, a das favelas, sobretudo do Rio de Janeiro. Nos últimos seis anos, as tropas brasileiras comandaram a repressão, praticamente sem qualquer oposição por parte da imensa maioria dos partidos, sindicatos, organizações etc. ditos populares e de esquerda do Brasil. Destaque-se o silêncio do movimento negro organizado, atrelado ao governismo. A prova dos nove dessa intervenção se deu durante e, sobretudo, após essa terrível catástrofe, com a total ausência de Estado e de instituição haitianas autônomas, que jamais se pretendeu criar. Apenas o presidente René Preval funciona como testa de ferro ao despudorado intervencionismo internacional em nome da solidariedade que acaba de se concluir com a literal ocupação militar maciça dos EUA no país, que ignorou olimpicamente a ONU e o seu preposto brasileiro, que já não sabe mais onde se meter e o que fazer. Hillary acaba de propor que o parlamento e o presidente deem carta branca aos Estados Unidos nas operações!

P - Fala-se em "desconcentrar" a capital, incentivando o retorno da população aos povoados de origem. Seria isso uma boa ideia? Quais as possíveis consequências?
R – A operação humanitária tem se dado no contexto de enorme desprezo imperialista, prenhe de um imenso racismo cada vez menos implícito. Realidade que se registra na proposta de enviar parte da população urbana ao campo sem qualquer consulta à mesma! Destaque-se o claro corte polpotiano da proposta, e que parte dessa população não tem mais raízes agrárias. Não podemos esquecer, também, que não há campo em condições mínimas para incorporar os que aceitassem a solução – acesso à terra; recursos contra a erosão, falta de água; financiamento; ajuda durante os primeiros tempos; preços mínimos etc. Eram miseráveis urbanos, aos olhos do mundo seriam miseráveis rurais, mais discretamente. Após a terrível passagem do furacão Jeanne, em 2004, a única contribuição real da chamada comunidade internacional foi a reorganização da polícia, para reprimir os seguidores de Aristides, o que fizeram com enorme capacidade e muita dor e sangue.

P – Qual sua avaliação sobre a atuação que a comunidade internacional vem tendo em relação ao terremoto no Haiti, como, por exemplo, o anúncio da liberação de centenas de milhões de dólares?
R – O que vemos, até agora, passada uma semana do desastre, é desassistência, indiscutivelmente responsável por dezenas de milhares de mortos. A imensa maioria da população continua na total desassistência. Dizer que não era possível chegar aos necessitados por razões logísticas é piada. Se fosse insurreição popular desarmada, em dois dias haveria um soldado imperialista em cada esquina! No frigir dos ovos, muito se falou e pouco se fez. Até porque o objetivo era esse. Por além dos bem intencionados, há uma enorme indústria internacional, ligada estreitamente, ideológica, política e economicamente, ao imperialismo, de milhares de pequenas, médias e grandes ONGs, especializadas na assistência às catástrofes, que necessitam e se locupletam com tais sucessos para financiar seus enormes aparatos administrativos. Aparatos que mitigam o desemprego do Primeiro Mundo. Boa parte dos fundos postos à disposição do Haiti pelos organismos internacionais, como o FMI, o Banco Mundial etc. são empréstimos, que deverão ser pagos, sempre com o sangue e suor da população. E outra parte das doações midiatizadas serve para pagar as operações das respectivas nações...

P – Ao mesmo tempo, o Haiti possui uma dívida externa de mais de 1 bilhão de dólares. Não é contraditório?
R – Não, não é contraditório. É necessário, para manter a dependência. Veremos que, no final de tudo, essa dívida será ainda maior! Temos que lembrar que a catástrofe haitiana mantinha-se nos últimos anos, com parte da população do país comendo literalmente bolos de terra, sem que nada fosse realmente feito, a não ser controlar militarmente o país e reprimir a organização e a mobilização popular, sob o comando do Brasil. Víamos sempre belos soldados, belos tanques, belos fuzis, funcionários internacionais bem falantes, e melhor pagos, é claro, e uma enorme e profunda miséria popular. Se as grandes nações, e seus governos tão humanos, quiserem ajudar, que se anule, imediatamente, a dívida do país, que se encontra quase totalmente nas mãos do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento, hoje em quase dois bilhões de dólares, e se conceda a autonomia que o país clama. Até agora, os Estados Unidos e a ONU não permitem o regresso do presidente constitucional deposto Jean-Baptiste Aristides.

P – Mesmo no Brasil e França criticam o controle excessivo dos EUA na ajuda humanitária, organizada pelo Pentágono e pela USAID. Denuncia-se que os estadunidenses priorizam o pouso de seus aviões, sobretudo militares, no aeroporto de Porto Príncipe, que controlam. Obama enviou 10 mil marines, o que causou preocupação sobre eventual ocupação militar.
R – Aristides, deposto em 1991 pelo governo estadunidense republicano, voltou ao governo, em 1994, devido à intervenção patrocinada pelos democratas, de novo no poder. A intervenção no Haiti, em 2002, foi novamente uma ação republicana, sob a presidência de Bush 2º, que contou com a oposição dos democratas, sobretudo da burguesia e intelectualidade negra desse partido, muito forte. Atualmente, no governo dos EUA encontram-se democratas negros. Se associamos isto à tradição imperialista, compreenderemos o enorme ativismo dos EUA em um viés notadamente militarista. Cuba manda médicos e remédios. Os EUA, porta-aviões e marines de fuzis embalados!
Não é certo ainda o que os democratas e Obama pretendem para o Haiti. Talvez sequer eles saibam precisamente o que fazer com o sofrido país, nos seus detalhes, devido ao caráter inesperado da crise. Há, porém, elementos claros. A ocupação militar do país, com tropas infinitamente maiores às da ONU, deixa claro que, nessa região, é o imperialismo dos EUA que manda. Um movimento que se associa ao retorno dos EUA à América Central e do Sul, expresso no golpe de Estado em Honduras, nas bases militares na Colômbia etc.. O governo Obama teme igualmente imigração maciça clandestina de haitianos para os EUA. Ficaria muito feio, sobretudo para um presidente negro, com raízes paternas africanas, prender em campos de concentração a população negra haitiana! É melhor que fiquem no país, morrendo de fome! Hoje, na região, para os EUA, o grande problema a ser resolvido é a Venezuela. Certamente teremos novas bases militares dos EUA no Haiti, região estratégica, e muito barata! Os EUA chegaram no Haiti para ficar, por muito tempo, no mínimo.

P – Já se começam a ouvir algumas vozes falando em reconstrução do Haiti. Quais os riscos que trazem as reconstruções depois de tragédias naturais, e o que o senhor acha que pode ocorrer no Haiti?
R – A grande imprensa do Brasil, com destaque para a Globo, retoma a proposta internacional sobre o Haiti como Estado falido. Ou seja, nação incapaz de se organizar e reger por si só, tendo que ser monitorada, para seu bem. Como está ocorrendo agora! Uma volta aos tempos dos protetorados. A reconstrução pode constituir balão de ensaio para gestão não nacional de territórios, por órgãos internacionais, não-estatais etc. Para tal, seria importante por fim à capital, na sua dimensão metropolitana, centro de expressão e pressão popular.
Não podemos esquecer que as grandes catástrofes são os melhores momentos para o grande capital realizar reorganizações estruturais de populações e recursos, devido à fragilidade das populações e enfraquecimento das suas organizações. Nuvens terríveis cobrem os horizontes do povo haitiano. Os trabalhadores e todos os homens e mulheres de bem do país devem se mobilizar contra isso. A primeira exigência deve ser a imediata e incondicional saída das tropas militares de ocupação brasileira do Haiti, substituídas por médicos, enfermeiros, engenheiros e agrônomos. Que a bandeira brasileira não siga servindo de mortalha a esse povo! Temos que ajudar a plantar a vida, não a morte, nesse país glorioso. Se o Nélson Jobim quiser voltar fantasiado ao país sofrido, que seja de médico!

24/1/2010

Fonte: ViaPolítica/Brasil De Fato/Mário Maestri

Mário Maestri, 61, colaborador permanente de ViaPolítica, é historiador da escravidão colonial e professor do PPGH da Universidade Passo Fundo (UPF).
Postagemde: Luiz Navarro

sábado, 6 de fevereiro de 2010

É PRECISO OLHAR PARA FRENTE

WADIH DAMOUS (*)

A OAB do Rio vai lançar a Campanha pela Memória e pela Verdade, o que inclui a defesa da abertura dos arquivos da ditadura militar.

A SECCIONAL da OAB no Estado do Rio vai lançar nos próximos dias a Campanha pela Memória e pela Verdade, o que inclui a defesa da abertura dos arquivos da repressão política na ditadura militar.

As razões que justificam a campanha são muitas. Há, em primeiro lugar, razões humanitárias. A mais evidente delas diz respeito ao elementar direito das famílias de desaparecidos políticos de dar-lhes uma sepultura.

Aliás, esse direito é recorrente na história da humanidade. Provavelmente, aprimeira menção a ele se dá na "Ilíada", de Homero (século 8 a.C.), que nos fala de interrupções nos combates na Guerra de Troia para que os exércitos homenageassem seus mortos e enterrassem seus corpos. Séculos depois, Sófocles tratou do tema em sua peça "Antígona", encenada na Grécia em 422 a.C., como bem lembrou Marcello Cerqueira em recente artigo na edição de dezembro de 2009 da "Folha do IAB" (Instituto dos Advogados Brasileiros).

Assim, desde que a humanidade se reconhece como tal, é respeitado o direito das famílias de enterrar seus mortos. É o que faz, aliás, Antígona, na citada peça de Sófocles. Ela cavou com as próprias mãos a sepultura do irmão Polinices e pagou com a vida o desafio às ordens de Creonte, rei de Tebas.
Polinices fora condenado à morte e a não ter direito a uma sepultura, para que seu corpo ficasse à disposição de cães e aves de rapina. Ele -a exemplo do que se repetiria com outros personagens até nossos tempos- desafiara o déspota de então.

No Brasil, conhecem-se casos de mães que, durante décadas, recusaram-se a mudar de endereço ou a trocar a fechadura da porta de casa, na esperança de que um filho preso um dia reaparecesse.

Sabe-se de muitos natais em que famílias prepararam a ceia deixando uma cadeira vaga na mesa, enquanto esperavam, em vão, o retorno de um ente querido para festejar a data com os seus.

Conhecer o destino dos desaparecidos políticos, saber em que circunstâncias morreram, quem os assassinou e a mando de quem é um direito das famílias.Tanto quanto dar-lhes uma sepultura digna. Tal como quis Antígona para seu irmão Polinices.

Mas não só razões humanitárias exigem a abertura dos arquivos da repressão política. Os que se opõem a ela e propugnam que se ponha uma pedra sobre o assunto lembram a necessidade de olhar para o futuro, e não para o passado. É argumento de peso. Afinal, o ressentimento é, sempre, mau conselheiro. Na vida pessoal e na política.

Mas justamente a necessidade de construir um futuro democrático é que torna necessário o conhecimento dos horrores acontecidos durante a ditadura. Mesmo que isso signifique submeter a sociedade a um verdadeiro choque e desagradar aos militares.

Arrastar o lixo para baixo do tapete só fará com que ele possa ressurgir mais tarde. Já a luz do Sol sobre o acontecido fará com que se criem anticorpos, impedindo a repetição da barbárie.

O golpe de 1964 é, até hoje, cultuado nos quartéis. Chegou-se ao ponto de, no primeiro governo Lula, um ministro da Defesa demitir-se por não obter apoio do presidente ao questionar uma ordem do dia, lida nos quartéis, de exaltação à ditadura.

Ora, não é assunto exclusivo das Forças Armadas o tipo de formação ministrada aos nossos jovens que se dedicam à carreira militar. Ao contrário, essa questão é de interesse da sociedade. Não é aceitável que novas gerações de militares sejam formadas com mentalidade antidemocrática. As Forças Armadas devem ser doutrinadas e preparadas para defender a Constituição e o Estado de Direito.

Também para isso é importante a abertura dos arquivos. Ela trará para o centro da reflexão o papel desempenhado pelas Forças Armadas na ditadura e sua herança até hoje.

É mais fácil defender o direito à memória e a abertura dos arquivos da repressão esquivando-se do conflito com as Forças Armadas e afirmando que elas não participaram, como instituição, de torturas e assassinatos. Mas isso é falso. Ainda que torturadores e assassinos tenham sido ínfima minoria dentre os militares, eles não agiram à revelia do comando. Suas ações tiveram o aval dos chefes das Forças Armadas e da ditadura.

É por isso que, hoje, o espírito de corpo se faz presente quando se fala em trazer luz sobre o que aconteceu ou em punir executores diretos dos crimes. Vivemos, então, uma situação "sui generis". Quase 25 anos depois de passarmos a um regime civil, os militares ainda se arvoram no direito de
determinar os limites até onde podem ir a democracia e o conhecimento de nossa história recente.

Por isso também, abrir os arquivos é essencial para quem quer construir um Brasil melhor. Isso é o que se recomenda para quem olha para a frente. Daí a Campanha pela Memória e pela Verdade.

(*) WADIH DAMOUS é presidente da OAB-RJ.
Postado por: Luiz Navarro

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE:

Só com pressão sobre o governo e o parlamento conheceremos a verdade!

Ivan Pinheiro

Secretário Geral do PCB

A ninguém interessa mais a criação de uma COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE, para apurar os crimes até hoje impunes da ditadura militar, do que ao PCB, às demais organizações e militantes que na clandestinidade lutaram contra o arbítrio, aos familiares, amigos e camaradas das vítimas.

No caso dos revolucionários, que ainda não arriamos a bandeira do socialismo, a apuração interessa mais ainda, pois a revelação da verdade e a punição dos criminosos são fundamentais para que não voltem a acontecer prisões ilegais, torturas e desaparecimentos. Nesse sentido, mesmo as organizações populares mais recentes no Brasil, que não têm vítimas a prantear, e os jovens que não viveram a ditadura, devem participar desta batalha.

É bom lembrar que a ditadura escolheu suas vítimas entre os comunistas, independente da forma de luta que adotavam. Sabiam os ditadores – agentes do imperialismo e das oligarquias – que os comunistas não lutavam apenas pelo restabelecimento das liberdades democráticas, mas para que o advento destas criasse melhores condições de luta para a superação do capitalismo.

No caso do PCB, a ditadura tentou destruí-lo – como se fosse possível – ou pelo menos fragilizá-lo, antes de iniciar a “transição democrática, lenta, segura e gradual”, por cima, através de um pacto de elites, para que mudasse apenas a forma da ditadura de classe da burguesia e não o seu conteúdo. Entre 1974 e 1975, foram assassinados dezenas de militantes do PCB, pelos quais até hoje choramos. Seus corpos continuam desaparecidos, inclusive de quase todos os membros do Comitê Central que não haviam ido para o exílio, ficando aqui para dirigir o Partido na clandestinidade. (*)

É claro que estes assassinatos, somados a outros fatores endógenos e exógenos, contribuíram para o enfraquecimento político e a degeneração ideológica do PCB nos anos 1980, resultando na ascensão de uma direção nacional majoritariamente reformista, em geral dos que vieram do exílio, onde todos perderam os vínculos com as massas e muitos aderiram às idéias “eurocomunistas” e “liquidacionistas”.

Mas uma COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE interessa, em primeiro lugar, ao conjunto do povo brasileiro. É um pré-requisito para a consolidação das liberdades democráticas em nosso país.

Por estas imensas razões, o PCB lamenta profundamente que o Presidente Lula reincida em suas constantes conciliações com a direita, exatamente nesta matéria. Bastaram alguns dias de pressão da mídia hegemônica e de alguns comandos militares para ele, em 13 de janeiro de 2010, reeditar o Decreto que assinara em 21 de dezembro de 2009, com base nas conclusões da Conferência Nacional de Direitos Humanos, com as quais se comprometera publicamente.

Um dos riscos é que o Presidente tente “empurrar com a barriga”, se possível para depois de seu mandato, como poderá fazer com Cesare Battisti, que continua preso no Brasil. Outro risco é a descaracterização da apuração dos fatos pela futura Comissão da Verdade, caso ela seja criada. No texto original, declarava-se que a Comissão seria encarregada de examinar as violações de direitos humanos no contexto da repressão política do período da ditadura. A retirada da expressão sublinhada, na reedição do decreto, certamente gerará pressões para se tratar a questão como se tivesse havido no Brasil uma guerra simétrica, entre duas “forças armadas” e como se ambas tivessem torturado e desaparecido com adversários.

O recuo de Lula não é apenas de natureza semântica, como sustentam seus defensores no campo da esquerda. Há até alguns destes - inclusive vítimas da ditadura – que, com o objetivo de fazer Lula parecer de esquerda, manipulam o recuo do Presidente, disseminando a fantástica versão de que a direita tentou no fim do ano dar um golpe militar para derrubar Lula, como se isso fosse possível prosperar no Brasil de hoje e como se o imperialismo e as oligarquias (que são as únicas forças capazes de perpretar golpes da espécie) estivessem insatisfeitos com os rumos do governo. Logo Lula, que acaba de ser agraciado, no Fórum Econômico Mundial, com o inédito título de “Estadista Global”, conferido pelo “comitê central” do imperialismo, que quer mostrar ao mundo a “esquerda” de que gosta e necessita para manter a ordem capitalista.

Só não explicaram quais os poderosos setores insatisfeitos que animavam o golpe para derrubar Lula, se os banqueiros, os barões do agronegócio, os empreiteiros, os heróis usineiros, a FIESP!

Como fazem com a política econômica herdada de FHC - culpando Henrique Meirelles de mantê-la, para preservar Lula -, esses setores tentam passar a impressão de que o único responsável pelo recuo é o Ministro da Defesa. Alguns chegam a pedir a cabeça do arrogante Nelson Jobim (ex-Ministro da Justiça de FHC), como se ele não fosse funcional a Lula, que o nomeou não para garantir a “tranquilidade da caserna” contra golpes fora de moda, mas para unir as Forças Armadas em torno do grande consenso hegemônico da burguesia brasileira, ou seja, para respaldar militarmente a inserção competitiva do Brasil no sistema capitalista mundial, como parte do imperialismo.

Lula é um pragmático. Não pensa duas vezes se tiver que escolher entre apurar o passado e garantir seu futuro. O seu governo internamente não está “em disputa”. É uma sofisticada engenharia política da ordem. Como todo político burguês, ele nomeia conservadores para a defesa e a área econômica e progressistas para as áreas sociais e de direitos humanos, administrando eventuais conflitos com a experiência de sindicalista de resultados, ainda que a contradição seja complicada, como esta em que a mão direita do Presidente tranca os arquivos da ditadura e a mão esquerda acena com uma Comissão de Verdade.

O patético Jobim, metido a valentão, que adora se fantasiar de “general da banda” (como diz o jornalista Laerte Braga), está cada vez mais firme e forte no governo Lula. Numa cena ridícula, apareceu fardado no Haiti, onde ficou apenas os minutos necessários para tirar umas fotos, sem sair do aeroporto, para fingir que o Brasil não havia levado uma “bola nas costas” dos EUA, sócios majoritários do imperialismo, que lá haviam botado mais do que o dobro de tropas que o Brasil absurdamente dirige no Haiti, a pedido de Bush a Lula, em 2004, logo depois que um comando militar americano seqüestrou o presidente eleito do país. Na ocasião, Lula primeiro mandou a seleção brasileira de futebol e depois as tropas, de olho grande numa cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, parte da estratégia do Brasil como potência capitalista.

O “general” Jobim é o grande articulador da corrida armamentista brasileira, suporte indispensável tanto para o Brasil ser aceito no seleto clubes das nações imperialistas como para hegemonizar países mais fracos, sobretudo na América Latina, ajudando a abrir mercado para suas grandes empresas exportadoras, empreiteiras e mineradoras, generosamente alavancadas pelo BNDES.

A política do Ministério da Defesa, obviamente aprovada pelo Presidente da República, é uma boa pista para decifrarmos alguns objetivos estratégicos do Estado burguês brasileiro. É uma política militar muito mais ofensiva do que defensiva, o que revela a intenção de se projetar no campo imperialista e não de resistir a ele.

O “general” acaba de chegar de Israel, onde esteve em missão oficial de cinco dias, um pouco mais do que ficou no Haiti! Foi às compras, com o talão de cheques assinado pelo Presidente, exatamente num país cuja tecnologia militar é voltada para a agressão a povos vizinhos e a defesa contra a insurgência popular, sobretudo palestina. Israel é a cabeça de ponte do imperialismo norte-americano no Oriente Médio. No cardápio, aviões não tripulados, “caveirões”, armas anti-distúrbio e anti “terrorismo”, tudo a pretexto de segurança nas Olimpíadas e na Copa do Mundo.

É significativo que o Secretário de Relações Internacionais do PT – que lidera um campo considerado à esquerda no seu Partido – tenha vindo a público criticar Jobim, e não a Lula, pela compra de material bélico israelense, ou seja, mais um caso de crítica correta dirigida à pessoa errada, numa velha tática diversionista, para preservar o “chefe”. É como as manifestações contra a política econômica que fazem na frente do Banco Central e não do Palácio do Planalto!

Há dois meses, começaram a chegar, por Porto Alegre, 240 tanques alemães “Leopardo I”, comprados por Lula e Jobim, a 900 mil reais a unidade. Os tanques não foram para a Amazônia nos defender da “ameaça imperialista”. Estão todos sendo localizados no oeste do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, exatamente nas fronteiras do Brasil com países irmãos. Aliás, ex-irmãos, porque o decreto nº 6.592, de 2 de outubro de 2008 (assinado exatamente pela dupla Lula e Jobim), feito sob medida diante da ofensiva popular na América do Sul, estabelece parâmetros subjetivos para definir o que é “agressão estrangeira”, incluindo “ameaças a nossos interesses nacionais” em países fronteiriços. Este decreto já foi usado em uma delas, no ano passado, quando tropas brasileiras ocuparam toda a nossa fronteira com o Paraguai, numa operação simbolicamente denominada “Operação Fronteira Sul – Presença e Dissuasão”, exatamente no momento em que trabalhadores sem-terra paraguaios vinham ocupando latifúndios transnacionais produtores de soja de propriedade de brasileiros (os chamados “brasiguaios”). E ainda não havia os novos 240 tanques alemães!

Ainda em 2008, Lula e Jobim assinaram acordos militares com a Colômbia de Uribe, inclusive, textualmente, para a localização de “grupos armados” (leiam-se FARCs), utilizando-se do aparato tecnológico do SIVAM (Sistema de Vigilância da Amazônia). O Brasil é um fornecedor de armas para o governo colombiano, além dos super-tucanos, aviões militares de fabricação brasileira usados no criminoso ataque ao acampamento de Raul Reyes, no Equador. Este “mercado” explica a cumplicidade e o silêncio do governo brasileiro frente à instalação de sete bases militares dos EUA na Colômbia. Não é à toa que, há três meses, Uribe e Lula se encontraram na FIESP, em São Paulo, numa agenda reservada, com a presença de empresários dos dois países, exatamente após o Presidente Chávez ter suspendido o comércio bilateral com a Colômbia, em função das bases imperialistas, que Fidel Castro bem definiu como “sete punhais no coração da América Latina”.

Diante destas evidências, fica claro que Lula não vai mudar novamente a redação do decreto que cria a Comissão da Verdade. Se mudar de novo, corre o risco de piorar. Fica claro também que não criará por decreto a Comissão da Verdade, o que a Constituição lhe asseguraria. Lula criou uma comissão para apresentar o projeto de uma comissão a um Congresso Nacional majoritariamente conservador, diante do qual lavou as mãos; se a Comissão não sair, a culpa não terá sido dele!

Por sinal, nesta semana o Presidente fez um segundo recuo no Programa Nacional de Direitos Humanos, desta vez com a questão do aborto. Qual será o próximo? Ainda mais em ano eleitoral, em que ele buscará votos para sua candidata no centro e na direita, no pressuposto de que já os tem na esquerda.

Neste quadro, na avaliação da direção nacional do PCB, não tem sentido para os setores democráticos efetivamente interessados na apuração da verdade lutar pela rejeição do decreto, mesmo na forma como está hoje redigido, e muito menos ter a ilusão de que se pode melhorá-lo. A redação atual do decreto é reflexo da correlação de forças determinada pela opção de Lula pela governabilidade institucional burguesa. E, cá entre nós, o fato de ter saído o decreto foi uma vitória dos movimentos de defesa dos direitos humanos, o que mostra que a disputa se dá na sociedade e não dentro do governo.

Assim sendo, não temos outra opção a não ser apoiar o decreto, mesmo com a redação mitigada que assumiu.

Fizemos aqui um breve histórico da política externa brasileira e do comportamento do governo e de sua base de apoio dita de esquerda, para alertar a todos os que seguiremos na luta pela apuração da verdade, para que não sejamos manipulados como massa de manobra pelo diversionismo, o oportunismo e o eleitoralismo.

A única maneira de se tentar ainda viabilizar a criação no Brasil de uma COMISSÃO DA VERDADE, que mereça este nome - nos moldes das que já foram criadas na Argentina, no Chile, no Uruguai e em outros países que viveram ditaduras -, é promover uma grande mobilização democrática para pressionar o governo e o parlamento no sentido de implantá-la com celeridade. Fora disso, é jogar para a platéia, é campanha eleitoral, é tergiversar, fingindo que os Jobins, os Lobões, os Meireles, os Stefhanes não foram nomeados, mantidos e prestigiados por Lula.

Na opinião do PCB, urge a articulação, por iniciativa legítima da OAB e das organizações voltadas para os direitos humanos, de uma ampla petição coletiva – assinada por um expressivo conjunto de organizações e personalidades, nacionais e estrangeiras - dirigida ao Presidente da República e ao Congresso Nacional, exigindo a criação da COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE e a urgente abertura dos arquivos da ditadura.

Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 2010

Ivan Pinheiro
Secretário Geral do PCB (Partido Comunista Brasileiro)

(*) EXIGIMOS A VERDADE SOBRE TODOS OS DESAPARECIDOS, ALÉM DOS CAMARADAS QUE AQUI HOMENAGEAMOS:

Célio Guedes

David Capistrano

Elson Costa

Hiram Pereira de Lima

Itair José Veloso

Jayme Miranda de Amorim

João Massena de Melo

José Montenegro de Lima

Luiz Maranhão Filho

Nestor Veras

Orlando Bonfim

Walter Ribeiro
Postado por: Luiz Navarro

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

N0TA POLITICA DO PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO

NOTA POLÍTICA DO PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO/CR/SC



ABAIXO A CRIMINALIZAÇÃO!

Na noite de quinta (28/01) para sexta (29/01), três lutadores do povo tiveram sua liberdade cassada no sul do Estado de Santa Catarina, na cidade de Imbituba. Um mandado de prisão, até o início da noite de sexta, ainda estava para ser cumprido contra um quarto companheiro.

O Partido Comunista Brasileiro presta sua total solidariedade militante aos quatro companheiros perseguidos e presos arbitrariamente pela Polícia Militar do Estado em ação organizada pelo Ministério Público do Estado, sob ordens do reacionário e conservador juiz Welton Rubenich, sob a absurda e infame alegação de “formação de quadrilha”.

O documento que abre o processo é explícito ao destilar todo seu rancor contra o povo, classificando as reuniões promovidas pelos companheiros de “prática odiosa”, quando odioso é o cerceamento dos direitos constitucionais de liberdade de reunião e de expressão, relembrando as práticas dos tempos sombrios da Ditadura Militar.

É repugnante saber que uma mulher grávida (gravidez de risco, ainda) é cercada em sua casa e “convidada” a se entregar à polícia sob a alcunha de criminosa, apenas por lutar pelos seus direitos.

Mais do que nunca, os comunistas do PCB apóiam irrestritamente a luta do MST pela abolição da exploração capitalista e a propriedade privada no campo, sublinhando que crime é o latifúndio. Se lutar por direitos como o acesso a terra, a moradia e ao trabalho é um crime, então resta-nos preparar a resistência e fortalecer as lutas contra um Estado que reprime os lutadores do povo enquanto mantém livres os lacaios capitalistas que exploram os trabalhadores da cidade e do campo.

Resta-nos claro que esta ação não é descontextualizada, mas faz parte de todo processo fascista de criminalização dos movimento sociais, que em Santa Catarina, caminha e prospera com a perseguição a livre associação. A ação das últimas horas lembra também a política de Bush pós o 11 de setembro, como muito bem observado em nota divulgada pelo MST.

Pela imediata reparação da arbitrariedade cometida pelas forças da repressão!

Abaixo a criminalização dos lutadores do povo!

Liberadade imediato aos presos políticos do governo LHS!

Crime é a exploração do capital e o latifúndio!

PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO – PCB/SC, 29 de janeiro de 2010.