terça-feira, 6 de abril de 2010

O DILEMA DO PSOL

O PSOL nasceu com as células cancerígenas petistas já em adiantado


estado de metástase. Mas a canibalização do debate interno (em torno

das candidaturas) não é efeito de comportamento aético ou do arrivismo

de grupos / frações.

A canibalização (funcional à forma como se dá o

debate) é em essência efeito de um debate que nasceu e se processa

pautado pelo democratismo, perversão antiga das democracias formais

que hegemonizam o entendimento vulgar do que seja a prática mais

avançada possível da representação política.


O PSOL cultiva internamente as ilusões de classe comuns ao tipo de formalismo

político burguês-liberal, reproduzindo, no microcosmo dos seus grupos,

a luta fraticida entre entre grupos, sob a aparência de que estes são

redutíveis necessariamente às ideias / interesses que postulam. Vê-se

que, no caso específico, os grupos se digladiam antes para controlarem

instâncias e processos burocráticos do que em torno de um projeto

calcado numa teoria e prática revolucionária.


Ter citado o partido bolchevique para efeito comparativo trata-se de "forçar a barra": no

caso russo havia uma luta político-ideológica que delineou uma

vertente de direita e o núcleo duro do partido leninista. Polos

irreconciliáveis. Se fosse o caso de aceitar a lembrança do exemplo

russo, teríamos que imaginar o perigo que passa o PSOL, pois

estaríamos aqui analisando o conflito entre os grupos sob o foco das

tendências à direita versus as tendências à esquerda.


Sendo fiel à nossa premissa, consideramos (por enquanto) que o conflito é efeito

das perversões do democratismo. O perigo é que o democratismo não

esgota a luta / debate político em si (antes, mascara-o), e, com o

tempo, o que é real e concreto, em termos das contradições que regem a

vida de qualquer instituição, aflora e exige que os atores políticos

se posicionem para além das aparências e ilusões das hegemonias

circunstanciais de grupos.

Quando essa hora soa, o que é concepção de direita ou de esquerda surge cristalinamente. Na verdade, o perigo quehoje passa o PSOL é ver confirmada uma hegemonia à PT (e aí,

desgracadamente, seus fundadores não terão "matado" ritualmente seu

pai). Se tal ocorrer, teremos um arremedo de PT, invejando o pai,

querendo reinventá-lo, mas inexoravelmente fadado a repetir a história

como farsa.

Um abraço. Saúde e paz.


R. Numeriano

(membro do CC e do CR-PE)


Postagem de Luiz Navarro que faz o seguinte comentário -
 Concordo em genero, numero e grau. Parabéns pelo artigo.

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