terça-feira, 29 de junho de 2010

REFLEXÕES DE FIDEL

Como desejaria estar errado


QUANDO estas linhas se publiquem no jornal Granma, amanhã, sexta-feira, o dia 26 de julho, data na qual sempre lembramos com orgulho a honra de ter resistido os embates do império, ficará distante, apesar de que somente restam 32 dias.

Aqueles que determinam cada passo do pior inimigo da humanidade — o imperialismo dos EUA, uma mistura de mesquinhos interesses materiais, desprezo e subestimação as demais pessoas que habitam o planeta — o calcularam tudo com precisão matemática.

Na reflexão de 16 de junho escrevi: "Entre jogo e jogo da Copa Mundial de Futebol, as notícias diabólicas vão deslizando aos poucos, de forma tal que ninguém se ocupe delas".

O famoso evento esportivo entrou nos seus momentos mais emocionantes. Durante 14 dias os times integrados pelos melhores futebolistas de 32 países competiram para avançar rumo a fase de oitavas de final; depois vêm sucessivamente as fases de quartas de final, semifinais e o final do evento.

O fanatismo esportivo cresce incessantemente, cativando centenas e talvez milhares de milhões de pessoas em todo o planeta.

Haveria que se perguntar quantos, no entanto, conhecem que desde 20 de junho navios militares norte-americanos, inclusive o porta-aviões Harry S. Truman, escoltado por um ou mais submarinos nucleares e outros navios de guerra com mísseis e canhões mais potentes que o dos velhos navios de guerra utilizados na última guerra mundial entre 1939 e 1945, navegavam rumo as costas iranianas através do canal de Suez. Juntamente com as forças navais ianques avançavam navios militares israelenses, com armamento igualmente sofisticado, para inspecionar quanta embarcação parta para exportar e importar produtos comerciais que o funcionamento da economia iraniana requer.

O Conselho de Segurança da ONU, por proposta dos EUA, com o apoio da Grã-Bretanha, França e Alemanha, aprovou uma poderosa resolução que não foi vetada por nenhum dos cinco países que ostentam esse direito.

Outra resolução mais forte foi aprovada por acordo do Senado dos Estados Unidos.

Com posterioridade, uma terceira resolução mais poderosa ainda, foi aprovada pelos países da Comunidade Europeia. Tudo isto aconteceu antes de 20 de junho, o que motivou uma viagem urgente do presidente francês, Nicolas Sarkozy à Rússia, segundo notícias, para entrevistar-se com o chefe de Estado desse poderoso país, Dimitri Medvédev, com a esperança de negociar com o Irã e evitar o pior.

Agora se trata de calcular quando as forças navais dos EUA e de Israel se desdobrarão frente às costas do Irã, para unir-se aos porta-aviões e demais navios militares norte-americanos que estão à espreita nessa região.

O pior é que, igual que os Estados Unidos, Israel, seu gendarme no Oriente Médio, possui modernos aviões de ataque e sofisticadas armas nucleares fornecidas pelos EUA, que o tornou na sexta potência nuclear do planeta por seu poder de fogo, entre as oito reconhecidas como tais, que incluem à Índia e o Paquistão.

O Xá do Irã foi derrocado pelo aiatolá Ruhollah Jomeini em 1979 sem empregar uma arma. Depois, os Estados Unidos impuseram-lhe a guerra àquela nação com o emprego de armas químicas, cujos componentes forneceu ao Iraque juntamente com a informação requerida pelas suas unidades de combate e que foram empregues por estas contra os Guardiães da Revolução. Cuba o conhece porque nesse então era, como temos explicado outras vezes, presidente do Movimento de Países Não-Alinhados. Sabemos muito bem os estragos que causou na sua população. Mahmud Ahmadineyad, atualmente chefe de Estado no Irã, foi chefe do sexto exército dos Guardiães da Revolução e chefe dos Corpos dos Guardiães nas províncias ocidentais do país, que levaram o peso principal daquela guerra.

Hoje, em 2010, tanto os EUA quanto Israel, depois de 31 anos, subestimam o milhão de homens das Forças Armadas do Irã e sua capacidade de combate por terra, e às forças de ar, mar, e terra dos Guardiães da Revolução.

A estas, se acrescentam os 20 milhões de homens e mulheres, entre 12 e 60 anos, selecionados e treinados sistematicamente por suas diversas instituições armadas entre os 70 milhões de pessoas que habitam o país.

O governo dos EUA elaborou um plano para organizar um movimento político que, apoiando-se no consumismo capitalista, dividisse os iranianos e derrubasse o regime.

Tal esperança é atualmente inócua. Resulta risível pensar que com os navios de guerra estadunidenses, unidos aos israelenses, despertem as simpatias de um só cidadão iraniano.

Pensava inicialmente, ao analisar a atual situação, que a contenda começaria pela península da Coreia, e ali estaria o detonador da segunda guerra coreana que, a sua vez, daria lugar de imediato à segunda guerra que os Estados Unidos lhe imporiam ao Irã.

Agora, a realidade muda as coisas no avesso: a do Irã desatará de imediato a da Coreia.

A direção da Coreia do Norte, que foi acusada do afundamento do "Cheonan", e sabe perfeitamente que foi afundado por uma mina que os serviços de inteligência ianque conseguiram colocar no casco desse navio, não esperará um segundo para atuar enquanto no Irã se inicie o ataque.

É justo que os fanáticos do futebol desfrutem das competições da Copa do Mundo. Somente cumpro o dever de exortar o nosso povo pensando, sobretudo em nossa juventude, cheia de vida e esperanças, e especialmente nas nossas maravilhosas crianças, para que os fatos não nos surpreendam absolutamente desprevenidos.

Dói-me pensar em tantos sonhos concebidos pelos seres humanos e nas assombrosas criações das quais têm sido capazes em só uns poucos milhares de anos.

Quando os sonhos mais revolucionários se estão cumprindo e a Pátria se recupera firmemente, como desejaria estar errado!

Fidel Castro Ruz

24 de junho de 2010

21h34

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Partido Comunista Brasileiro – Fundado em 25 de Março de 1922

Postagem de : Luiz Navarro

sábado, 26 de junho de 2010

56% DOS COLOMBIANOS NÃO VOTARAM,ENTRE OS QUAIS AFONSO CANO E OS GUERRILHEIROS DAS FARC-EP

Recentemente proclamada a espalhafatosa "vitória" eleitoral do homem cujo sorriso faz lembrar o palhaço publicitário da Mac Donald’s, os cerebrados magos intelectuais da análise política sairam para cultuar seu novo presidente Santos, que de "santo" só tem o sobrenome, já que pelo resto o diabo ficou pequeno diante das atrocidades criminosas na confraria narco-mafiosa, com Álvaro Uribe na cabeça.

O novo governo que chama à "Unidade Nacional" porque sabe que os votos fictícios resultados da política de "um milhão de sapos" (informantes), das moto-serras dos paramilitares das "Águias Negras", "Famílias em Ação" e dos guarda-bosques, dos "falsos positivos" (assassinatos de civis travestidos de guerrilheiros abatidos em combate), como sua cumplicidade com a justiça eleitoral para fazer aparecer números inflados, não foram atingidos como esperavam e cada vez mais está deslegitimada a "democracia" colombiana. Não restou outra alternativa a Santos a não ser convocar-se entre eles mesmos, algo parecido como uma Frente Nacional da época da ditadura do general Rojas Pinilla. Isto porque precisam de todo o aparato do Estado para combater cerca de 17 milhões de cidadãos que não estão de acordo com o Estado narcoparamilitar construído durante estes 8 anos de governo de Uribe.

O mais triste continua sendo o discurso guerreirista de Juan Manuelito. Como se sente apoiado pelas 7 bases ianques que trouxeram para defender sua administração e desestabilizar os governos verdadeiramente progressitas na América Latina, se jacta em dizer que "o tempo das FARC acabou", da mesma forma que disse Uribe há 8 anos e todos os governos em 46 anos.

Se não há diálogo, como ameaça quem vai ser presidente dos colombianos, a resistência se agudiza. Hoje os colombianos devemos empreender a rota emancipadora pela definitiva independência. Cada homem, mulher, criança, ancião devemos desempenhar um papel decisivo para encurralar o novo títere dos norte-americanos, Juan Manuel Santos, que já vemos desgastado com um discurso que não convence a não ser a sua família e aos traidores, como seu vice-presidente, o ex-esquerdista e oportunista Angelino Garzón.

Os quatro anos do período presidencial 2010-2014 acarretarão consigo uma forte ofensiva popular, boicotando as bases militares gringas, organizando as mobilizações, preparando a insurreição. Esta será uma administração nervosa porque das milhões de pessoas que não votaram, que votaram em branco ou anularam seus votos, aí estão os que se somarão à resistência. Santos se cuidará, inclusive, de quem lhe servir café porque este governo que culmina e do qual foi partícipe, deixou mais inimigos do que amigos.

Santos prometeu intensificar a guerra e a resposta será a guerra de todo o povo. Assim, deste modo, junto com o povo insurreto das FARC-EP se esboça a plataforma de 10 pontos que estabelece o Governo de Reconciliação Nacional que propôs as FARC durante anos, cuja proposta evidencia uma verdadeira vocação de paz.

A oligarquia vende-pátria santanderista (seguidora do general Santander, traidor de Bolívar) continua expressando sua condição fascista. As promessas de Santos são o manual elaborado em Washington para calar os magistrados do judiciário; são também a negociação entre cúpulas de partidos decadentes para acabar de se impor aos congressistas que, até a estas alturas, não se sabe qual é a formação do parlamento, graças aos malabarismos fraudulentos das eleições passadas. Para continuar apostando na impunidade perante os crimes de lesa-humanidade cometidos por agentes da força pública.

Santos é um delinquente procurado pela Justiça Equatoriana, que se fez presidente para obter imunidade. Este ser sádico cuja expressão facial reflete maldade (chucky, o brinquedo assassino), recorre ao agradecimento a Uribe porque este abriu a porta ao mundo das máfias que ele não havia conseguido por si mesmo, colocando-o como o segundo no comando de suas tropas paramilitares, inclusive acobertando-lhe a ação terrorista de Sucumbios (ataque ao Equador em 1 de março de 2008), que em seguida Uribe, como cachorro com o rabo entre as pernas, teve que dar a cara na República Dominicana.

Não restam dúvidas, o governo que se avizinha merece que o povo tome uma decisão para:

Enfrentar com audácia a continuidade do fascismo;

Retirar as bases militares gringas de nosso território;

Denunciar a ilegitimidade do Congresso e do Governo;

Fazer com que o governo Santos seja o mais curto da Colômbia, não o deixando governar.

Então, assim, com o pensamento e o exemplo de homens como Bolívar e Manuel Marulanda, vamos construindo o novo poder. Somente na luta decidida estamos abrindo caminhos para a nova alvorada. 200 anos desde a revolta comuneira passando pelo grito de independência, estamos fazendo história para fazer a Nova Colômbia.

Transcrito de El Samaritano/Partido Comunista Clandestino Colombiano - PCCC ABP 06/23/10

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Postagem de : Luiz Navarro

PELO REAJUSTE DE TODAS APOSENTADORIAS PELO SALÁRIO MÍNIMO E FIM DO FATOR PREVIDENCIÁRIO

Renato Nucci Junior

(Membro do Comitê Central do PCB)

O governo Lula, contrariando expectativas geradas por suas próprias declarações, sancionou, em 15 de junho, projeto aprovado no Congresso que garante reajuste de 7,72% para as aposentadorias com valor acima do salário mínimo. Lula vetou, porém, o fim do fator previdenciário. A sanção de Lula ao projeto aprovado no Congresso é o capítulo final de uma novela iniciada em 2009 entre seu governo e as duas principais centrais sindicais governistas: CUT e Força Sindical. Ambas agiram conjuntamente no sentido de esvaziar a aprovação pelo Congresso do PL 1/07, que garantia a todas as aposentadorias o mesmo reajuste aplicado ao salário mínimo, bem como do PL 3.299/08, que punha fim ao fator previdenciário, os dois de autoria do Senador Paulo Paim (PT/RS). Caso fossem aprovados, passariam a depender do veto ou sanção de Lula, colocando tanto o seu governo como sua bancada de apoio no Congresso em uma tremenda saia justa.

Para poupar o governo de maiores constrangimentos, pois os dois projetos já tinham sido aprovados no Senado devido a uma pressão das associações de aposentados, as centrais acertaram com o deputado Pepe Vargas (PT/RS), relator do PL 3.299/08, uma proposta alternativa. No caso do fator previdenciário, acertou-se um protocolo de intenções que levasse à substituição do fator previdenciário pela fórmula 85/95. Na fórmula sugerida pela CUT, seria garantida a aposentadoria integral sem qualquer redutor, caso a soma do tempo de contribuição com a idade chegasse em 85 para as mulheres e 95 para os homens.

No caso do reajuste das aposentadorias, acertou-se com o governo no mesmo protocolo de intenções, que as aposentadorias com valor maior do que o mínimo teriam por base a inflação medida pelo INPC mais a metade do crescimento do PIB de 2009. O índice a que se chegou foi de 6,14% a ser aplicado em 1º de janeiro de 2010, bem distante dos 9% aplicados ao salário mínimo e às aposentadorias com idêntico valor. A proposta foi enviada pelo governo ao Congresso através da Medida Provisória 475/2009. Porém, na Câmara dos Deputados foram apresentadas várias emendas quanto ao índice de correção relacionado ao PIB. A que ganhou apoio dos líderes de bancada foi a emenda apresentada pelo deputado Paulinho da Força (PDT/SP), líder da mesma central que meses antes havia ajudado a barrar o PL 3.299/08, de conteúdo mais avançado, pois garantia indefinidamente para todas as aposentadorias o mesmo reajuste aplicado ao salário mínimo. A emenda propunha a correção do índice em 80% do PIB e não a metade acertada pelas centrais com o governo. O resultado foi uma a elevação do índice dos 6,14% iniciais para 7,72%. Outra emenda à MP 475/2009, de autoria do Deputado Federal Fernando Coruja (PPS/SC), punha fim ao fator previdenciário. Ao ir à votação no Congresso as duas emendas foram aprovadas, com votos da própria base de apoio do governo, que temiam reprovar medidas de grande interesse popular em um ano eleitoral, quando deputados e senadores estão de olho na reeleição.

Coube a Lula, no derradeiro capítulo dessa novela, a responsabilidade individual em tomar uma decisão que lhe confere o cargo: sancionar ou vetar a MP com as alterações aprovadas pelo Congresso. O presidente se viu metido, por sua própria base de apoio no Congresso, em uma encalacrada. Se vetasse as alterações propostas pelo Congresso em sua MP, daria munição a setores da oposição burguesa (DEM, PSDB e PPS) para queimá-lo e, por tabela, respingos cairiam em Dilma Roussef, sua candidata presidencial. Por outro, se sancionasse o projeto, seria acusado por outros setores da mesma oposição burguesa de populismo e irresponsabilidade fiscal, provocando desconfianças junto à própria burguesia, que em bloco refuta qualquer medida tendente a ampliar os gastos do governo, ainda mais em áreas de interesse popular. A saída de Lula foi postergar ao máximo sua decisão, tomando-a justamente em 15 de junho, quando as atenções nacionais se voltavam para a estréia do Brasil na Copa. Por fim, Lula sancionou o reajuste de 7,72%, mas vetou o fim do fator previdenciário. Mas por quê essa escolha? Por quê aprovar o reajuste, mas vetar o fim do fator?

A escolha entre sancionar um e vetar o outro, segue uma lógica que passa pelos cálculos eleitorais, sobre o que resultaria em menor perda de votos, mas a transcende, ancorando-se em cálculos de natureza política e que visam manter a estrutura de um sistema previdenciário desfavorável aos interesses dos trabalhadores. Vejamos. O reajuste de todas as aposentadorias em 7,72%, como vimos, é medida pontual, não se configurando em uma completa mudança no mecanismo de cálculo. Mantém-se a estrutura de reajustes diferenciados entre os aposentados que recebem um salário mínimo e os que ganham mais do que o mínimo. O governo até pode a partir dessa experiência, para o reajuste das aposentadorias em 2011, apresentar ao Congresso índices diferenciados, mas já prevendo, para evitar desgastes e dar certa legitimidade à ação legislativa, a possibilidade de uma emenda que eleve um pouco mais a proposta inicial. Assistiríamos, assim, a uma grande representação no Congresso, entre um governo e seus líderes parlamentares em luta para manter o equilíbrio das contas públicas, contra a irresponsabilidade de parlamentares que de olho em votos futuros se arvorariam repentinamente em defensores do povo, sofrendo a acusação, por parte de economistas e dos editores e jornalistas econômicos de serem populistas e irresponsáveis, por não se preocuparem com as contas públicas. Ao fim e ao cabo de muita encenação, chegariam, governo e parlamentares tanto da situação como da oposição, a um acordo considerado “bom para todos”, mas sem alterar uma vírgula sequer no reajuste diferenciado entre as aposentadorias. Quanto aos custos adicionais gerados por essa elevação, sua cobertura viria de cortes em outras áreas e fontes de custeio e em uma limitação das emendas parlamentares ao Orçamento. Essa é a maneira como o governo cobrirá o custo adicional de R$ 1,6 bilhão por causa do reajuste de 7,72%.

Com o fator previdenciário é diferente. Seu fim representaria uma mudança substancial nas políticas aplicadas nas duas últimas décadas no sistema de aposentadorias, que consistem num ataque profundo aos direitos dos trabalhadores. Mas o que é o fator previdenciário de que tanto ouvimos falar? O fator foi criado pela Lei 9.876/99, no segundo mandato de FHC. Ele se insere no conjunto de reformas regressivas inauguradas pelos governos neoliberais brasileiros a partir da década de 1990, especialmente com Fernando Henrique, mas mantidas e aprofundadas nas duas gestões de Lula, que tem como um dos alvos principais a previdência social. Esse ataque é parte de uma estratégia do capital, que visa retroceder as conquistas econômicas, políticas e sociais alcançadas pelos trabalhadores brasileiros, principalmente na Constituição de 1988, com o desmonte de todas as políticas sociais. A principal justificativa seria a de impedir as chamadas aposentadorias precoces, como forma de reduzir o inexistente déficit da previdência, evitando um suposto desequilíbrio das contas públicas.

O fator previdenciário é uma fórmula de cálculo para a concessão das aposentadorias, cujas variáveis são idade mínima (63 anos e 4 meses para os homens e 58 anos e 4 meses para as mulheres), a expectativa de sobrevida e o tempo de contribuição do trabalhador (35 anos para os homens e 30 anos para as mulheres). Para um trabalhador se aposentar recebendo a média integral, ele tem de combinar todos esses fatores. Caso não consiga, o que é a regra geral, os trabalhadores sofrem enormes prejuízos, levando na maioria dos casos ao pagamento de um “pedágio” por aqueles que não atingem idade e tempo mínimo de contribuição, reduzindo drasticamente o valor das aposentadorias. Em 2007, essa redução por causa do fator previdenciário significou uma diminuição no valor das aposentadorias, em 30% para os homens e 36% para as mulheres. Trata-se, portanto, de uma medida desigual e injusta para os trabalhadores brasileiros, que começam a labutar muito cedo, em empregos informais e onde são obrigados a contribuir mais tempo para atingir a média integral.

É nesse contexto, marcado por uma eleição presidencial onde pretende fazer a sua sucessora e calculando o que seria menos prejudicial à manutenção de um sistema previdenciário desfavorável ao trabalhador, que o governo Lula sancionou o reajuste de 7,72%, mas vetou o fim do fator previdenciário. Como demonstramos, o reajuste ainda fica abaixo do valor aplicado ao salário mínimo e é pontual. Porém, o fator previdenciário é diferente, pois se trata de uma medida inserida em uma política de desmonte dos serviços públicos e dos direitos sociais e trabalhistas, cujo fim acarretaria prejuízos aos interesses de frações do capital cujos lucros advém dos juros ganhos com os títulos públicos. A desculpa manifestada por tais frações, reverberada pela grande imprensa e garantida pelo governo Lula, é sempre a de manter o equilíbrio fiscal. Traduzindo, os gastos com o custeio da máquina pública, além da previdência e os investimentos em saúde e educação, por exemplo, devem ser limitados, pois primeiro deve-se garantir o pagamento dos detentores de títulos da dívida pública. Só em 2009, 36% do Orçamento da União, R$ 380 bilhões, foi destinado ao pagamento dos juros da dívida pública. É para isso que servem os superávits primários, uma economia feita pelo setor público no que tange a investimentos sempre no sentido de gerar um saldo positivo nas contas públicas, cuja finalidade é garantir recursos para o pagamento dos juros da dívida pública. E é para isso, também, que o governo Lula, seguindo os passos de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, mantém no caso da previdência uma política que ataca os interesses dos aposentados e trabalhadores.

Por essas razões, aposentados, pensionistas e trabalhadores ainda na ativa tem uma grande luta pela frente. Em primeiro lugar é preciso garantir para todas as aposentadorias o mesmo índice de reajuste do salário mínimo e uma política de recuperação no valor das aposentadorias e pensões, bem como pôr fim ao fator previdenciário e a qualquer critério que estabeleça idade mínima para a aposentadoria. O reajuste de 7,72% é uma vitória parcial, pois ainda se mantém abaixo do índice aplicado ao salário mínimo e o fator previdenciário ainda impera, atacando os interesses daqueles que após anos de exploração e trabalho árduo, vêem o gozo do seu direito à aposentadoria se tornar cada vez mais distante. Nessa luta, seus principais inimigos são os poderosos interesses de frações da classe dominante brasileira, que tem no pagamento dos juros dos títulos públicos uma importante fonte de acumulação de capital. Uma luta que não pode poupar o governo Lula, que no comando da máquina de Estado, administra-o para atender os interesses de uma burguesia parasitária que ganha muito dinheiro às custas da miséria dos trabalhadores.

Campinas, junho de 2010.

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Postagem de: Luiz Navarro

quarta-feira, 23 de junho de 2010

BARCO ISRAELENSE É IMPEDIDO DE DESCARREGAR NOS ESTADOS UNIDOS

Vitória no porto de Oakland: barco israelense tem a sua descarga bloqueada

Domingo, 20 de junho de 2010

Por Gloria La Riva

Pela primeira vez, um boicote portuário nos EUA em solidariedade à Palestina

Em nossa época esta é uma ação histórica e sem precedentes. Mais de 800 ativistas sindicais e comunitários bloquearam o cais de Oakland durante a madrugada, o que permitiu que os estivadores se negassem a cruzar as linhas do piquete e impediu a descarga de um barco israelense.

De 5:30am a 9:30am, um protesto militante e espirituoso ocorreu em frente às quatro portas do Serviço de Estiva da América, com as pessoas cantando sem parar "Livre, Palestina livre, não cruze a linha do piquete” e "Um ataque contra um é um ataque contra todos, o muro do apartheid vai cair".

Argumentando acerca de sua saúde e segurança – disposições contidas em seus contratos de trabalho – os trabalhadores, ligados à ILWU [organização sindical internacional dos trabalhadores portuários], se negaram a cruzar o piquete.

Entre as 8:30am e as 9:00am, uma arbitragem de emergência foi realizada no estacionamento da empresa Maersk, próximo ao cais. De forma "instantânea", um juiz apareceu no local para decidir se os trabalhadores podiam negar-se a cruzar o piquete sem medidas disciplinares.

Às 9:15am, após confirmar a continuidade do protesto de centenas de pessoas em cada portão de acesso caís, o juiz sentenciou a favor do sindicato, dizendo que a situação era realmente insegura para que os trabalhadores tentassem entrar no cais.

Jess Ghannam, da Aliança Palestina Livre, e Richard Becker, da Coalizão ANSWER (Atue Agora para Parar a Guerra e Acabar com o Racismo, na sigla em inglês), receberam aplausos e gritos de "Viva a Palestina!", ao anunciarem a vitória do movimento. Ghannam disse: "Isto é realmente histórico, nunca antes um barco israelense havia sido bloqueado nos Estados Unidos!"

A notícia de que um navio com contêineres da companhia de navegação Zim Israel estava programado para chegar à área da baía neste domingo provocou uma enorme onda de solidariedade com a Palestina, sobretudo em função do violento atentado israelense, no dia 30 de maio, contra os voluntários que levavam ajuda humanitária para Gaza.

Com 10 dias de antecipação à chegada do navio, um clima de emergência se criou no “Comitê Sindical e Comunitário de Solidariedade com o Povo Palestino". Na quarta-feira, 110 pessoas dos sindicatos e da comunidade vieram ajudar a organizar a logística, a difusão e o apoio da comunidade local. Dentre as organizações que tornaram o ato possível estão a Coalizão Palestina Al-Awda Direito ao Retorno, a Coalizão ANSWER, a Seção local da USLAW (Trabalhadores Estadunidenses Contra a Guerra), e a Seção Sindical do Comitê pela Paz e pela Justiça.

Esta semana, dois conselhos sindicais locais aprovaram resoluções quanto à denúncia do bloqueio israelense a Gaza. Ambos emitiram notas públicas sobre a ação no cais do porto.

O ILWU tem una história de orgulho por estender a sua solidariedade aos povos que lutam em todo o mundo. Em 1984, as massas negras sul africanas participavam de uma intensa luta contra o apartheid, e o ILWU negou-se por 10 dias (um recorde) a descarregar mercadorias do navio "Ned Lloyd", da África do Sul. Apesar de multas milionárias impostas aos sindicatos, os trabalhadores portuários se mantiveram fortes, proporcionando um grande impulso ao movimento contra o apartheid.

Entre as muitas declarações de solidariedade ao protesto estão a dos trabalhadores palestinos e cubanos. A Federação Geral Palestina de Sindicatos, disse que "sua ação de hoje é um marco na solidariedade internacional dos trabalhadores dos EUA, de honestos e valentes sindicalistas. Saudações dos sindicalistas e trabalhadores da Palestina... dos sindicalistas e trabalhadores enjaulados em Gaza."

A Central de Trabalhadores de Cuba (CTC) escreveu: "Nosso povo vive há 50 anos um bloqueio injusto e abominável do governo dos EUA, de modo que entendemos muito bem como o povo palestino se sente, e vamos estar sempre em solidariedade com a sua justa causa. Hoje lhes enviamos o nosso apoio mais sincero. Viva a solidariedade da classe trabalhadora! Fim ao bloqueio de Gaza! Respeito e justiça para o povo da Palestina!"

A ação de hoje em Oakland, no sexto maior porto dos Estados Unidos, é o primeiro de vários protestos e paralisações previstos em todo o mundo, incluindo Noruega, Suécia e África do Sul. Seguramente inspiraremos outros a fazerem o mesmo.


(tradução a partir do espanhol: Rodrigo Fonseca)

Rodrigo Fonseca é da Comissão Nacional e foi membro da Executiva do Amazonas, de onde saiu para  graduar-se em Doutorado no Rio Grande do Sul, que tem hoje o privilegio de contar com sua participação nas decisões da regional.

Comentario e postagem de: Luiz Navarro


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segunda-feira, 21 de junho de 2010

REINTEGRAÇÃO DO PARQUE SÃO PEDRO


Como sempre falamos, o governo tem aparato militar eficiente para reintegrar na posse de terras,( muitas vezes griladas sem o pagamentos dos impostos devidos) pessoas que mantem as terras improdutivas simplesmente especulando, sem contribuir com absolutamente nada para os cofres públicos e com a sociedade, ja que na maioria dos casos, são amigos do "rei".  
Um cidadão quando tem necessidade da policia, é lavrado um boletim de ocorrencias e fica a esperar, esperar e esperar a solução que não vem. Escrivães, Delegados e policiais, são raros nas Delegacias de Policia, estão sempre em diligencias porque o quadro de pessoal é insuficiente para atender a demanda. O governo sempre economiza nas necessidades do povo para poder atender a "ELITE", que possibilita "negocios" rentaveis.
COMO DIZ O DITADO : É UMA VERGONHA!!! 
Luiz Navarro escreveu












domingo, 20 de junho de 2010

SOBRE HEGEMONISMO E CUPULISMO

SOBRE HEGEMONISMOS E CUPULISMOS



Ruy Guimarães*

“Tem tanta gente que se vai

Na imensidão do seu querer

Querendo a vida sem a morte

Ser mais forte, sem sofrer

E ter certeza sem buscar

Ganhar o amigo sem se dar”

Taiguara

O racha no Conclat que fundaria uma nova central surpreende apenas aos incautos e àqueles que não conseguem estabelecer uma análise da realidade concreta para além da sua frente de militância, estabelecendo os nexos entre forma e conteúdo, entre prática e discurso, entre os interesses particulares (inclusive os partidários/eleitorais) e gerais, buscando na história os elementos basilares para o estabelecimento do que realmente representa o novo e o que é recorrente.

A morte anunciada desse empreendimento era uma questão de tempo. Não que torcêssemos por ela. Bastava observar-se o método de construção dessa nova central para prever-se que teria vida curta. Foi menos que isto.

Nós que não cedemos ao canto de sereia do aparelho e que nos mantivemos firmes na construção da Intersindical – Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora, sempre defendemos veementemente a organização intersindical dos trabalhadores como a grande possibilidade de sucesso no enfrentamento ao capital e em defesa dos direitos da classe. Todavia, entendemos que esta organização deve ser resultado da unidade real nas lutas concretas da classe e não fruto da vontade e de acordos de ocasião de dirigentes e vanguardas político-partidárias. Não pode ser motivada pelas benesses financeiras advindas do Estado burguês via imposto sindical.

A unidade intersindical da classe trabalhadora é uma grande obra que deve ser construída sobre sólidos alicerces político-ideológicos e cimentada com um forte compromisso de classe, sob pena de se tornar rapidamente o alter ego da CUT. A base política deve se estabelecer a partir da unidade real em torno de uma prática sindical que respeite a vontade das bases, que ofereça a formação necessária para que o trabalhador no chão da fábrica, no seu local de trabalho tenha condições de compreender a realidade de exploração a que é submetido e seja ele também um organizador das lutas da classe. Este enfrentamento diário, consciente e organizado à exploração do capital forjará a base ideológica que permitirá um salto de qualidade na organização e nas lutas da classe.

A unidade intersindical, forjada na luta concreta, real, com respeito político, com participação consciente das bases desvelará para a classe o caminho da luta anticapitalista e antiimperialista, única forma de garantir conquistas históricas e alcançar novas vitórias rumo à construção do socialismo.

No entanto, certas vanguardas preferem gastar energias construindo apenas seus próprios aparelhos de forma sectária e exclusivista.

A construção dessa nova central desde o começo apresentou um método equivocado. As notícias que se tem do processo de mobilização das bases para as assembléias para eleição de delegados dão conta de métodos tradicionais usados pelo peleguismo mais atrasado como o transporte de “eleitores”. Em certos núcleos do CPERS-Sindicato, por exemplo, aonde há uma forte oposição à CUT – em grande parte de forma despolitizada, é verdade – dirigentes ligados à Conlutas e a setores do PSOL rompidos com a Intersindical, iam para as escolas chamar os trabalhadores para a assembléia votar contra a CUT. Ou seja, apostando na despolitização, na desinformação, pois muitos desses trabalhadores de base usavam um adesivo ou carregavam uma bandeira da Conlutas sem ter o mínimo entendimento sobre o processo.

Por isto, hoje qualquer militante da vanguarda desse processo dizer que as divergências se deram em torno da “composição da direção, [do] caráter da Central e o seu nome” não passa de choro de perdedor. Dentre as divergências que nós do PCB sempre apontamos publicamente está exatamente o método de construção e o caráter que vinha sendo imposto para a nova central. Uma central aonde o voto do estudante influenciaria o rumo da luta operária. Somos favoráveis à unidade dos diversos movimentos sociais e populares nas lutas, mas há que se compreender os objetivos e interesses diferentes, as formas de organização de cada movimento. Com esse caráter que vinha sendo imposto era perfeitamente previsível o inchaço de ativistas de movimentos diversos na luta sindical.

Da mesma forma, queixar-se do “dirigismo” e do “hegemonismo” do PSTU é puro chororô porque esta é uma característica histórica desse partido.

Assim, esperamos que aqueles companheiros que embarcaram no sonho efêmero da “nova” central – que a julgar pelas práticas apresentadas no Conclat já surgiu quase tão velha quanto a CUT – revejam sua posição, encaminhem sua autocrítica na prática e retomem o trabalho duro de construção pela base do instrumento tão necessário de organização e luta da classe trabalhadora. E que lembrem sempre os versos do poeta: “Quem só espera não alcança / Mas quem não sabe esperar / erra demais, feito criança / Cai. E até se entrega ou trai. / E cansa de lutar...”.
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* Militante do PCB/RS, Conselheiro 1/1000 CPERS-Sindicato.

Postagem de : Luiz Navarro

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O MÉTODO, EM ISRAEL

9/6/2010, Pepe Escobar, “The Roving Eye”, Asia Times Online --

http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/LF09Ak01.html

Por que Israel, em operação deliberada e metódica, planejada com uma semana de antecedência* – segundo declarações de altos comandantes israelenses, falando em hebraico, dias antes do ataque –, atacou barco civil, desarmado, em operação humanitária, e que viajava sob bandeira de Comoros? (Diferente da Turquia, Comoros é signatária do Estatuto de Roma da Corte Criminal Internacional de Justiça, que tem competência para julgar crimes de guerra cometidos contra barcos dos estados-membros.)

Por que os fuzileiros israelenses atiraram contra nove ativistas desarmados, para matar, com balas calibre 9mm à queima-roupa, entre os olhos, na testa, na parte detrás da cabeça, no peito, nas costas e nas pernas – inclusive contra um cidadão dos EUA? (A lista final de mortos pode chegar a 15, porque ainda há seis ativistas desaparecidos; a rádio do exército de Israel falou de 16 mortos na 2ª-feira pela manhã, logo depois do ataque ao Mavi Marmara, parte da Flotilha da Liberdade.)

Como Israel pensaria que se safaria dessa, apenas com censurar vídeos e fotos – e depois se safaria outra vez apenas por recusar qualquer investigação por comissão internacional independente, que examinaria o incidente e a posterior manipulação do noticiário?

Por que, pensando em termos geopolíticos, Israel declararia guerra de facto a toda a comunidade internacional – dos países muçulmanos, aos membros da OTAN e a toda a opinião pública internacional?

Haverá aí mero “governo disfuncional”, como Bradley Burston escreveu no diário israelense Ha'aretz? E, estrategicamente falando, haverá método nessa loucura? Ou o método é só a loucura?

Medo. Muito medo.

Pode haver resposta muito simples a todas essas questões: medo.

Consideremos as possíveis motivações dos israelenses. Um dos motivos chaves para que Israel atacasse a flotilha humanitária seria mandar “um sinal” à Turquia sobre o acordo nuclear mediado por Turquia e Brasil, para troca de combustível nuclear do Irã – dado que o sucesso do acordo pôs por águas abaixo a ideia de ataque militar contra o Irã. Interessa a Israel que haja conflito aberto entre Washington e Teerã – o que implica usar o lobby israelense em Washington para sabotar o semidesejo do presidente Obama de encontrar algum tipo de acordo com Teerã para seu programa de enriquecimento de urânio.

Israel deseja uma Turquia fraca – fora do circuito tanto do Oriente Médio quanto da União Europeia (UE). A Turquia é poder emergente regional chave, hoje com boas relações com os vizinhos. A Turquia é chave para os EUA: 70% de tudo que abastece as tropas norte-americanas no Iraque chega até elas pela base de Incirlik na Turquia. Há soldados turcos fazendo a guerra (que é dos EUA) no Afeganistão. Para não falar que a Turquia – em palavras do próprio Obama – é ponte vital entre o Ocidente e o mundo muçulmano.

A Casa Branca produziu resposta frouxa, “Os EUA lamentam profundamente as mortes e os feridos, e trabalha para compreender as circunstâncias que cercaram essa tragédia”. Foi sinal de Washington, dirigido à Turquia, de que a mediação de Turquia e Brasil no acordo de troca de combustível nuclear não é exatamente bem-vinda. (...)

Mas, por mais que Israel deseje ver a Turquia às voltas com problemas imensos tanto com a Síria como com a Grécia, além de já enfrentar a difícil questão interna dos curdos, Ankara absolutamente não está tremendo de medo, ante a “mensagem” dos israelenses. Em termos de poder militar convencional, a Turquia é força superior a Israel e, não bastasse, é importante aliada de EUA e OTAN.

Outro motivo chave dos israelenses é minar e, de fato, trabalhar para abortar, quaisquer negociações produtivas de paz com palestinos e sírios – e tirar a Turquia do campo de jogo. A Turquia está muito profundamente envolvida na tragédia dos palestinos. Há tempos trabalha para aproximar os partidos Fatah e Hamás. Motivo crucial, dos israelenses, parece ser sabotar qualquer iniciativa de paz liderada pelos turcos para resolver o problema palestino – o que inclui a necessidade crucial de o Oriente Médio ser desnuclearizado – o que é anátema para a Israel jamais declarada, mas nem por isso menos, nuclear.

Amarrando tudo isso, há o elemento crucial do próprio medo. Hoje, as antes mitificadas invencíveis Forças de Defesa de Israel [ing. Israeli Defense Forces (IDF), o exército de Israel] já combateram contra o Hezbollah no Líbano em 2006 e contra o Hamás em Gaza em 2008. Sabem o que lhes custou enfrentar a dura realidade de que seus tanques são vulneráveis aos foguetes lança-granadas russos; sabem que seus barcos são vulneráveis aos mísseis do Hezbollah comprados da China. E não há dúvidas de que, a qualquer momento, seus aviões estarão vulneráveis aos mísseis terra-ar S-300 russos.

O novo eixo que está surgindo

O Curdistão iraquiano é hoje virtualmente independente – como Washington desejava. Israel é robustamente ativo em todos os pontos do Curdistão iraquiano. Ao mesmo tempo, os EUA apóiam ativamente os separatistas do Partido Trabalhista Curdo, que tem base no Iraque, na Anatólia Oriental, tanto quanto apóiam os separatistas do Partido Vida Livre do Curdistão [ing. Party of Free Life of Kurdistan (PJAK)] no Irã, e os separatistas curdos na Síria. Os estrategistas militares turcos dedicaram-se exaustivamente a analisar esses desenvolvimentos cruciais. Conclusão dos turcos: a OTAN não é exatamente a panaceia dos sonhos turcos. E resolveram focar o Oriente Médio.

Assim se chegou ao pesadelo perfeito dos israelenses. O novo eixo no Oriente Médio está constituído: Turquia, Irã e Síria. Antes, eram só Irã e Síria. E não há quem conteste a legitimidade histórica dessa trindade, porque aí se unem os xiitas iranianos, a Síria secular e a Turquia sunita pós-otomanos.

Há inúmeros efeitos colaterais fascinantes dessa fertilização de todos por todos – como mais de um milhão de iraquianos, muitos dos quais muito bem educados, que encontram vida nova na Síria. Mas o efeito mais notável desse eixo é que detonou a velha lógica do ‘divide e governe’ do colonialismo ocidental, imposta ao Oriente Médio por mais de um século. O destino da Turquia pode não estar firmemente conectado à Europa e seus medos que, afinal de contas, não quer abraçar a Turquia; a Turquia prepara-se para voltar à liderança do mundo muçulmano.

A vida do novo eixo não vai ser fácil. Operações clandestinas dos EUA já tentaram desestabilizar o governo sírio do presidente Bashar al-Assad – sem sucesso. O mesmo se diga da ação secreta da CIA na província do Cistão-Baluquistão no sudeste do Irã, tentando desestabilizar o governo de Teerã. E os mesmos ‘comandos’ mascarados (nem sempre) e clandestinos (sempre) trabalham para impor nova ditadura militar na Turquia. Mas enquanto a secretária de Estado ia-se tornando cada dia mais vociferante, Assad, Hassan Nasrallah do Hezbollah e o presidente Ahmadinejad do Irã reuniram-se em fevereiro na Síria e organizaram a parceria.

Detalhe crucial, a Rússia saltou para dentro desse barco, para ocupar o vácuo gerado pelos EUA. O presidente Dmitry Medvedev já esteve em Ankara e Damasco e posicionou-se claramente a favor da reconciliação entre Fatah e Hamas, e pela criação de um Estado palestino funcional, que existirá ao lado de Israel.

Até o comandante geral do Comando Central dos EUA, general David (“estou-me posicionando para 2012”) Petraeus já teve de admitir publicamente que Israel, aliado estratégico dos EUA, – tornara-se carga demasiadamente pesada a pesar nas costas dos objetivos estratégicos dos EUA, por causa da colonização sempre buscada da Palestina e do bloqueio imposto a Gaza.

A Rússia, por seu lado, apóia o novo eixo político-econômico de Turquia-Síria-Irã. Preparam-se agora as leis necessárias para permitir viagens sem exigência de vistos, entre Ankara e Moscou. As empresas russas Rosatom e Atomstroyexport estão concluindo a construção da usina nuclear iraniana em Bushehr; estará pronta em agosto. Estão também discutindo a construção de outras usinas; e já têm apalavrado um acordo para construir uma usina nuclear na Turquia, negócio de 20 bilhões de dólares (no qual a Síria também tem interesse). As empresas de gás Stroitransgaz e Gazprom levarão gás sírio até o Líbano – porque Israel impede que o Líbano extraia seu gás de reservas submarinas consideráveis. A Rússia está em movimento. Em breve, Teerã receberá os mísseis S-300 pelos quais já pagou. E a Síria, em breve, terá nova base naval.

No Oleoduto-stão, Rússia e Turquia são irmãs em armas. A Rússia construirá oleoduto crucialmente importante, de Samsun a Ceyhan, para levar o petróleo russo do Mar Negro ao Mediterrâneo. Não bastasse, a Turquia está a um passo de conectar-se ao gasoduto russo South Stream – o que, sim, será desafio ao enrolado empreendimento de Nabucco, apoiado por EUA e UE.

A Rússia – como a Turquia – também quer o Oriente Médio completamente desnuclearizado, o que implica desnuclearizar Israel. Assunto que será discutido na Agência Internacional de Energia Atômica.

Assim se explica que Israel tenha muito medo do novo eixo Turquia, Síria e Irã, tanto quanto teme o apoio russo àquele eixo. Está nascendo um novo Oriente Médio, no qual só há um lugar para Israel: o isolamento.

A estratégia “de cachorro louco” de Israel – concebida pelo ex-líder militar Moshe Dayan – não é exatamente um exercício de integração. Até Anthony Cordesman, conhecido analista centristas e ícone do establishment no Center for Strategic and International Studies, publicou ensaio essa semana, sob o título “Israel as a Strategic Liability?” [port. “Israel como confiabilidade estratégica?”[1][1]].

É possível que Washington “Grande Irmão” continue – eternamente – cega a tudo isso; mas se você for Estado e escolher estratégia que o torna parente próximo da África do Sul no crepúsculo do apartheid – e em momento, vale lembrar, que Israel tentava vender armas atômicas àquele governo de apartheid – nem adianta perdermos tempo com procurar método na sua loucura. É só loucura.

Pepe Escobar recebe e-mails em pepeasia@yahoo.com .

Reproduzido do e-mail enviado por DELTA - JC Macluf

Comentários de Jacob Blinder a respeito deste artigo:


Uma nova configuração geoestratégica e geopolítica no Oriente Médio pode já estar sendo delineada, através da formação de uma aliança da Turquia com a Síria e com o Irã. Isso surge em decorrência das criminosas e equivocadas ações militaristas e colonialistas dos Estados Unidos e Israel na região; da forte resistência que o povo iraquiano e palestino está realizando e do impacto que o prolongado conflito está causando na opinião pública mundial. Surge, portanto, no Oriente Médio uma forte força política, econômica, militar e religiosa que interferirá na região e que sem dúvida nesse processo não haverá espaço para a atuação até agora hegemônica dos Estados Unidos e Israel. E essa aliança pode ainda receber o apoio velado ou explícito da Rússia, que também tem interesse geoestratégico na região. E aí surgirá uma nova oportunidade para a paz com o possível surgimento do tão almejado Estado da Palestina (que poderá ser laico ou não). O artigo abaixo transcrito que foi escrito por Pepe Escobar traz informes interessantes, que são importantes para permitir uma reflexão mais pragmática e menos maniqueísta dessa questão.

Jacob David Blinder.


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Postagem de :Luiz Navarro
Greve de Fome de Manoel da Conceição contra o apoio de Lula, Dilma e do PT à família Sarney no Maranhão


Companheiras e companheiros,

Peço leitura da mensagem abaixo e da matéria de imprensa um pouco mais abaixo. Trata-se da greve de Fome de Manoel da Conceição, histórico líder campones maranhense, contra o apoio de Lula, de Dilma e do PT à Família Sarney no Maranhão. Sou um admirador de Manoel desde que iniciei minha militância. Conheci pessoalmente logo depois que ele chegou do exílio em 1979 e com fizemos muita coisa juntos, como companheiros da APML e depois do fim desta organização. Desde ter militado fazendo sua segurança e sendo seu motorista, até outras atividades tão importantes como redação de textos políticos e muitas atividades de formação política e assessoria no movimento camponês em vários estados do Nordeste.

Em carta enviada no início deste mês a Lula da Silva, Manoel, que foi barbaramente torturado nos cárceres da ditadura, disse: "

"Como que agora meus próprios companheiros de partido querem me obrigar a fazer a defesa dessas figuras que me torturaram e mataram meus mais fieis companheiros e companheiras. Vocês podem ter certeza que essa é a pior de todas as torturas que se pode impor a um homem. Uma tortura que parte dos próprios companheiros que ajudamos a fortalecer e projetar como nossos representantes no partido e na esfera de poder do Estado, na perspectiva de um projeto estratégico da classe trabalhadora. Estou falando do fundo de minha alma em honra à minha história e à de meus companheiros e companheiras que foram assassinadas pelas forças oligárquicas e de extrema direita neste país."

Toda solidariedade ao companheiro Mané da Conceição!

Jorge Almeida

Postagem de :Luiz Navarro

quarta-feira, 16 de junho de 2010

CHE GUEVARA COMPLETARIA 82 ANOS


Assista em http://www.youtube.com/watch?v=SynVFM_6ezk


Neste 14/06/2010 faria 82 anos Ernesto Guevara de La Serna, um dos maiores revolucionários que a história já ouviu falar. Che foi, junto com Raul Castro, um dos brilhantes comandantes de “La Revolución” que, segundo ele mesmo, foi a primeira grande derrota do imperialismo na América Latina e um símbolo para todos os povos oprimidos do mundo. Além de sua contribuição estratégica na guerrilha cubana, Che deixou legado enorme em muitas áreas do conhecimento humano, através de escritos econômicos, políticos, além de ter inaugurado a guerra de guerrilhas chamada de “foquismo” e mais tarde em sua homenagem de “chevarismo”.

Deixou diversos livros e manuscritos, sendo chamados de “o ser humano mais completo do século XX” pelo filósofo Jean Paul Sartre. Escreveu e refletiu sobre quase todos os temas possíveis, e sobre os revolucionários Che disse:

“Devo dizer, correndo o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é movido por sentimento de amor”

Sobre a universidade Che escreveu algo que pode ser considerado revolucionário ainda nos dias de hoje, ou par muitos da UERJ subversivo:

"Um dos grandes deveres da Universidade é implantar suas práticas profissionais ao seio do povo."

Sobre a juventude Guevara também refletiu:

"Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética."

Afirmou diversas vezes que morreria por sua causa:

“No momento em que for necessário, estarei disposto a entregar a minha vida pela liberdade de qualquer um dos países da América Latina, sem pedir nada a ninguém”

O Comandante Che Guevara foi morto em 09/09/1967 pela ordem do próprio presidente de Bolívia General René Barrientos, através do coronel Joaquín Zenteno Anaya, e com a participação do agente da CIA Felix Rodriguez, também conhecido como Capitão Ramos.

O autor do livro, “O ministro Che Guevara, testemunho de um colaborador”, o engenheiro químico Tirso Saenz trabalhou com o comandante até sua partida, em 1965, para lutar em outras guerrilhas. Este autor afirma em seu livro: Eu mesmo vi Che dizer muitas vezes, quase que profeticamente, “Eu não morrerei como um burocrata. Morrerei combatendo em uma montanha”.

Acesse - http://cahis-uerj.blogspot.com/

Gabriel Siqueira

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Postagem de: Luiz Navarro

PETISTA HISTORICO- MANOEL DA CONCEIÇÃO EM GREVE DE FOME!

Petista histórico adere a greve de fome e preocupa time de Dilma

Com saúde frágil, fundador do partido tem histórico de militância contra família Sarney e contesta intervenção em favor de Roseana

Ricardo Galhardo, iG São Paulo
14/06/2010 19:39

Quando o deputado Domingos Dutra (PT-MA) anunciou que entraria em greve de fome contra a decisão da cúpula nacional do PT, que obrigou o partido a apoiar a reeleição da governadora Roseana Sarney (PMDB) no Maranhão, pouca gente na direção do PT deu importância. “Se depender do PT ele vai morrer de fome”, disse um dirigente.

A situação mudou de figura no último domingo, durante a convenção que oficializou a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência, quando chegou ao conhecimento da direção partidária que Manoel da Conceição havia aderido à greve de fome de Dutra. “Isso é sério”, disse o secretário nacional do PT, José Eduardo Cardozo, quando soube da notícia.

Foto: Divulgação

Até Manoel da Conceição aderir à greve de fome, PT dava pouca importância ao protesto

Leia mais

· 'PT doou o partido para Sarney', diz deputado em greve de fome

Manoel da Conceição é descrito pela revista Teoria e Debate, da Fundação Perseu Abramo, braço intelectual do PT, como “sem dúvida uma das mais importantes lideranças camponesas do Brasil em todos os tempos”. Mais velho entre os fundadores do PT ainda vivos, Mané, como é conhecido, está com 75 anos, tem diabetes, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) em 2002 que quase o matou e até hoje causa dificuldade na fala, mas não abalou sua disposição de enfrentar a imposição da direção partidária ao PT maranhense.

“Vou até o final, até ver o resultado. Ou eles tiram a intervenção no Maranhão ou me expulsam do partido. Senão, eles vão me ver morto. A última vez que comi foi na quinta-feira”, disse Conceição, por telefone, ao iG.

Nascido em um pequeno vilarejo no sertão do Maranhão, expulso das terras da família por um latifundiário corrupto, Conceição já passou por situações muito piores do que a greve de fome iniciada quinta-feira.

À Teoria e Debate, ele relatou da seguinte forma um massacre de jagunços contra camponeses que presenciou em 1958 e escapou com vida por milagre: “A casa era um salão grande de um morador, da família Mesquita. Eles eram evangélicos da Igreja Batista. Aí entrou um dos jagunços e matou, sem troca de conversa, cinco pessoas, a bala e punhaladas nos rapazes e em uma senhora de mais ou menos 75 anos, que gritava na sala: ‘Não mate meus filhos!!’ Só que já tinha três rapazes mortos no chão. Deram um tapão na cabeça dela, jogaram a mulher no chão e cravaram nas costas o punhalão.

Ela ficou rodando no chão, esvaindo em sangue. Uma criança de 3 anos, vendo os mortos no chão, corria gritando: ‘Papai, papai...’ Um dos jagunços pegou essa criança e deu uma estucada numa parede de taipa que a cabeça lascou, os miolos se espatifaram no salão”.

Enfrentamento

O histórico de enfrentamentos contra a família Sarney remonta à década de 60. Em 1965, seduzido pelas promessas de reforma agrária do então jovem líder progressista José Sarney, Conceição mobilizou os camponeses do interior maranhense e ajudou a garantir a Sarney a maior votação até então para o governo do estado. Três anos depois ele foi baleado pela polícia comandada por Sarney durante uma reunião de líderes camponeses. Passou mais de uma semana largado em uma cela sem médico nem remédios.

A perna baleada gangrenou e foi amputada em um hospital de São Luís. “Depois o Sarney me visitou no hospital e tentou me comprar oferecendo emprego para mim e para minha mulher, uma casa e uma perna mecânica. Em troca queria que eu trabalhasse para ele. Recusei e fui preso outras nove vezes a mando do Sarney. É por isso que nunca, em hipótese alguma, aceitarei apoiar a oligarquia representada pelos Sarney no Maranhão”, disse Conceição, que no 4º Congresso Nacional do PT, em fevereiro, foi citado nominalmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu discurso.

A direção petista até agora não procurou Conceição e Dutra para conversar. O único interlocutor até agora foi o líder do partido na Câmara, Fernando Ferro (PT-PE). Dutra é visto internamente como opositor já há algum tempo. “Esta greve de fome é uma violência contra o PT”, disse um parlamentar de alta patente.

A dupla de grevistas conta com assistência médica da Câmara. “Hoje (segunda-feira) o médico veio me ver três vezes”, disse Conceição. Apesar disso o temor na direção petista é grande quanto aos estragos que uma possível imagem de Conceição deixando o plenário da Câmara em uma maca possam causar à candidatura de Dilma e à imagem do partido.

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Postagem de Luiz Navarro

terça-feira, 15 de junho de 2010

SAUDADES DOS ARTISTAS REVOLUCIONARIOS!

É grande a saudade dos artistas revolucionarios, que tinham grande independência das emissoras e gravadoras e esternavam para seu público o que tinham contido na alma. Como exemplo forte, citamos Emilinha Borba, com a musica criticando a falta d!água no Rio de Janeiro. - Tomara que chova tres dias sem parar a minha grande magoa lá em casa não tem água e eu preciso me lavar. E temos artista vivo que estão em pé de igualdade com aqueles que deixaram muita saudade. Cito como exemplo o grande compositor e intérprete o nosso querido  e audaz Chico Buarque de Holanda com as músicas Construção e aquela que foi dirigida ao Garrastazu Médici terceiro Presidente do golpe de 1964. - Apesar de você  amanhã há de ser outro dia. Infelizmante surgiu a rêde Globo e asfixiou a criatividade passando a prestigiar os autores melosos e pseudos românticos.
Chico Buarque de Holanda é uma lenda viva, que parece haver perdido a capacidade de protestar.
A capacidade do capitalismo se renovou. Na cidade de Manaus os capitalistas mantém a Zona Leste, debaixo de constantes pervesidades em não fornecer o liquido necessario e insubstituivel que é a agua, a uma população carente que acreditou nas promessas mentirosas e farsante do que é Prefeito da cidade de Manaus.
Existe uma covardia gritante em pessoas que estão no poder, que são incapazes de cumprir o que prometeram ao povo, preferindo aplicar o estelionato eleitoral.


Postagem de : Luiz Navarro

sábado, 12 de junho de 2010

MILHARES DE URUGUAIOS PEDEM JULGAMENTO PARA CRIMES DA DITADURA

Granma –

MONTEVIDÉO, – Dezenas de milhares de uruguaios, entre eles o presidente, José Mujica, marcharam em silêncio pelas ruas de Montevidéo para reivindicar que sejam comunicados o paradeiro dos desaparecidos durante a ditadura militar que governou o país entre 1973 e 1985, assim como exigir o direito da Justiça uruguaia de investigar os responsáveis pelos crimes de guerra perpetrados naquela época.

Familiares das vítimas do regime militar vem afirmando que não será possível uma total reconciliação nacional até que se saiba o paradeiro de mais de 200 desaparecidos e se investiguem os autores dos crimes de guerra.

Sem a verdade e a justiça, não há reconciliação”, foi a palavra de ordem da marcha que ocorre a cada ano desde 1996, segundo Europa Press.

Esta é a primeira manifestação deste tipo em 2010. No ano passado, o protesto fracassara no pedido de anulação da polêmica lei que limita a ação da justiça para investigar violações dos direitos humanos durante a ditadura.

A coalizão governamental Frente Ampla estuda a possibilidade de acabar no Congresso com a lei. A mesma foi questionada por órgãos internacionais e declarada inconstitucional pela Suprema Corte de Justiça uruguaia.

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Postagem de : Luiz Navarro

RESISTÊNCIA URBANA - FRENTE NACIONAL DE MOVIMENTOS

NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE O CONCLAT

A Frente Nacional de Resistência Urbana, organização construída a partir do acumulo de lutas de 15 Movimentos Populares Urbanos presentes em 10 estados, vem por meio desta nota esclarecer nossa posição a respeito das afirmações feitas em nota da Conlutas e em vídeo pelo PSTU sobre nossa presença no processo de construção de uma Central de Trabalhadores.

Todos os movimentos que compõe e contribuíram na construção dessa ferramenta (a Frente de Resistência Urbana) tem como principio a autonomia em relação ao estado e o projeto de construção do poder popular. Considerando outro principio fundamental, o da construção da unidade política dos movimentos populares mais combativos do país, temos utilizado como método de decisão nesse processo de construção o consenso progressivo, o que abriga nossas diferenças e celebra nossas convergências.

Nesse sentido, sempre preservamos a autonomia dos movimentos frente ao debate de reorganização da esquerda que vem acontecendo nos últimos anos, já que entre nos existem diferentes posições acerca deste processo. Por isso decidimos que, a Frente não participaria da construção da Nova Central, ainda que
vários dos movimentos contribuam ativamente em sua construção.

Finalmente, tanto a nota no site da Conlutas, quanto o vídeo no site do PSTU citam a presença da Frente de Resistência Urbana no CONCLAT, e na própria secretaria executiva da entidade. Trata-se de um equívoco, que não contribui com a Frente, mas sim para alimentar uma disputa que não é a nossa. Nós entendemos a importância da construção de uma ferramenta de unidade das organizações da classe trabalhadora, mas não autorizamos a vinculação do nome da Frente Nacional de Resistência Urbana a esse processo.

Postagem de : Luiz Navarro

quinta-feira, 10 de junho de 2010

NO LIMIAR DA TRAGEDIA

POR FIDEL CASTRO, EM PORTAL CUBA


Desde o dia 26 de março, nem Obama nem o Presidente da Coreia do Sul têm podido explicar o que realmente aconteceu com o navio insígnia da Marinha de Guerra sul-coreana - o moderníssimo caça-submarino Cheonan, que participava de uma manobra com a Armada dos Estados Unidos ao oeste da Península da Coreia, próximo aos limites das duas Repúblicas -, deixando 46 mortos e dezenas de feridos.


O embaraçoso para o império é que seu aliado conheça, de fontes fidedignas, que o navio foi afundado pelos Estados Unidos. Não existe maneira de eludir esse fato que os acompanhará como uma sombra.

Em outra parte do mundo, as circunstâncias se ajustam igualmente a fatos muito mais perigosos que os do Leste da Ásia e que não podem deixar de acontecer sem que a superpotência imperial consiga formas de evitá-los.

Israel não se absteria de ativar e usar, com total independência, o considerável poder nuclear criado nesse país pelos Estados Unidos. Pensar de outra maneira é ignorar a realidade.

Outro assunto muito grave é que as Nações Unidas tampouco têm alguma maneira de mudar o curso dos acontecimentos e muito em breve os ultra-reacionários que governam Israel se chocarão com a indomável resistência do Irã, uma nação de mais de 70 milhões de habitantes e de conhecidas tradições religiosas que não aceitará as ameaças insolentes de nenhum adversário.

Em duas palavras: o Irã não cederá perante as ameaças de Israel.

Os habitantes do mundo, logicamente, desfrutam cada vez mais dos grandes acontecimentos esportivos, aqueles relacionados com o divertimento, a cultura e outros que ocupam seus limitados espaços de lazer, no meio dos deveres que lhes ocupam grande parte de seu tempo dedicado aos afazeres cotidianos.

Nos próximos dias, o Campeonato Mundial de Futebol que acontecerá na África do Sul lhes arrebatará todas as horas livres de seu tempo. Com crescente emoção, acompanharão as vicissitudes das personagens mais conhecidas. Observarão cada passo de Maradona e não deixarão de lembrar o instante do espetacular gol que decidiu a vitória da Argentina num dos clássicos.

Novamente outro argentino vem surgindo espetacularmente, de estatura baixa, mas veloz, que aparece como raio e, com as pernas ou a cabeça, dispara a bola à velocidade insólita. Seu sobrenome: Messi, de origem italiana, já é bem conhecido e mencionado por todos os fanáticos.

A imaginação deles é levada até o delírio quando chegam as imagens dos numerosos estádios onde ocorrerão as competições. Os projetistas e arquitetos criaram obras jamais sonhadas pelo público.

Aos governos que sempre estão reunidos para cumprir as obrigações que a nova época impôs sobre seus ombros, o tempo é curto para conhecerem a imensa quantidade de notícias que a televisão, o rádio e a imprensa escrita divulgam constantemente.

Quase tudo depende exclusivamente da informação que recebem dos seus assessores. Alguns dos mais poderosos e importantes Chefes de Estado, que tomam as decisões fundamentais, costumam usar os telefones celulares para se comunicar diariamente entre eles várias vezes.

Um número crescente de milhões de pessoas no mundo vive apegado a esses pequenos aparelhos sem que ninguém saiba qual o efeito que terão na saúde humana. Dilui-se a inveja que deveríamos sentir por não ter desfrutado dessas possibilidades em nossa época, que se afasta pela sua vez velozmente em muito poucos anos e quase sem dar-nos conta.

Ontem, em meio à voragem, foi publicado que possivelmente hoje Conselho da Segurança das Nações Unidas poderia votar uma resolução pendente para decidir se é imposta uma quarta rodada de sanções ao Irā, por negar-se a parar o enriquecimento do urânio.

O irônico desta situação é que se fosse Israel, os Estados Unidos da América e seus aliados mais próximos diriam logo que Israel não assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear e vetariam a resolução.

No entanto, se o Irã é acusado simplesmente de produzir urânio enriquecido até 20%, é solicitada imediatamente a aplicação de sanções econômicas para asfixiá-lo e é óbvio que Israel atuaria como sempre, com fanatismo fascista, igual como fizeram com os soldados das tropas de elite lançados de helicópteros, em horas da madrugada, sobre os que viajavam na flotilha solidária, que transportava alimentos para a população sitiada em Gaza, matando várias pessoas e ferindo dezenas que foram depois presas juntamente com os tripulantes das embarcações.

Logicamente tentarão destruir as instalações onde o Irã enriquece uma parte do urânio que produz. Também é lógico que o Irã não se conformará com esse tratamento desigual.

As conseqüências dos enredos imperiais dos Estados Unidos poderiam ser catastróficas e afetariam a todos os habitantes do planeta, ainda mais do que todas as crises econômicas juntas.

Fidel Castro

8 de Junho de 2010

Postagem de : Luiz Navarro





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quarta-feira, 9 de junho de 2010

ONGS MOSTRAM O CARTÃO VERMELHO PARA O ALDO REBELO DO PC DO B










O Estado de S.Paulo

A apresentação do relatório do projeto que altera o Código Florestal Brasileiro pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) ocorreu em meio a manobras de obstrução e clima de confronto entre ruralistas e ambientalistas. A sessão foi tumultuada desde a leitura da ata até o encerramento.

"Esse relatório tem um lado: o relator contratou uma assessora do agronegócio", disparou Ivan Valente (PSOL-SP). Ele se referia à contratação da advogada Samanta Piñeda, ligada aos ruralistas, que recebeu R$ 10 mil por uma consultoria ao projeto, conforme noticiou o Estado ontem. O dinheiro foi pago com a verba indenizatória de Rebelo e do presidente da comissão especial, Moacir Micheletto (PMDB-PR).

Grande número de militantes de ONGs ambientalistas compareceu à votação para protestar, obrigando a comissão a organizar uma sala contígua com telão para comportar o público. A cada artigo do projeto ou observação polêmica do relator, os manifestantes levantavam cartões vermelhos, em sinal de desaprovação.

Micheletto encerrou a sessão após a leitura do relatório e convocou uma nova reunião para votar o texto para hoje à tarde. Valente anunciou que vai pedir vista e retardar ao máximo a votação da matéria, que irá direto a plenário, caso seja aprovado na comissão especial de meio ambiente. / VANNILDO MENDES



Rafael Cruz

(Greenpeace)

"O relatório traduz as demandas de quem o Rebelo mais ouviu: basicamente o poder público local e representantes do agronegócio. Seu texto revoga um artigo que estava na versão original do código, de 1934, e que foi mantido na revisão feita em 1965: o que tratava as florestas como bens públicos. A anistia sem critérios a todos os que vêm desrespeitando o código é um prêmio para quem agiu fora da lei. O texto está perdoando os desmatadores. No geral, é um retrocesso."

Desmate equivale a 3,5 vezes o Estado de SP

09 de junho de 2010
0h 00

BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Três vezes e meia o território do Estado de São Paulo. Essa é a dimensão da área desmatada nas propriedades rurais do País que deveria estar preservada pelas regras do Código Florestal, cuja mudança é discutida por deputados. A comparação tem como base o cálculo mais conservador levado ao debate na Câmara.

O professor da USP Gerd Sparovek calcula que 870 mil km2 de vegetação nativa desapareceram de onde deveria haver áreas de preservação permanente, como beiras de rios.

Cálculo feito pela própria comissão especial do Código Florestal apresenta uma soma ainda mais dramática: 960 mil km2 de áreas ocupadas hoje por atividades de agricultura e pecuária deveriam voltar a ter vegetação nativa, caso a lei atual fosse mantida e cobrada obediência a ela. Isso significa quatro vezes o tamanho do Estado de São Paulo.

O custo da recomposição é bilionário. E, embora os números não sejam contestados pelos dois lados, ambientalistas e ruralistas divergem sobre a necessidade de novas áreas para plantações e, sobretudo, em como enfrentar o resultado de anos de desobediência à lei.

O estudo reconhece o custo elevado de recompor integralmente áreas desmatadas. Mas insiste que a agricultura pode ganhar espaço em áreas ocupadas com pecuária extensiva. / M.S.

Código Florestal reduz área protegida

09 de junho de 2010
0h 00

Marta Salomon / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo



Críticas. Manifestantes levantam cartão vermelho em protesto contra a proposta de Rebelo

Dedicado aos "agricultores brasileiros", o projeto com mudanças no Código Florestal apresentado ontem em comissão especial da Câmara dos Deputados reduz de 30 para 7,5 metros a área mínima de preservação ambiental às margens dos rios.

A medida integra um pacote de flexibilização das atuais regras de proteção do ambiente, estabelecidas desde os anos 60. Elas vêm sendo descumpridas pela maioria dos 5,2 milhões de produtores rurais do País.

Desmatador pode ter cinco anos de moratória

Proposta, incluída na reforma do Código Florestal pelo relator Aldo Rebelo, isentaria produtores rurais que não respeitam a lei de multas até 2016

08 de junho de 2010
0h 00

Marta Salomon - O Estado de S.Paulo

Moratória. Área de floresta desmatada na região de Marabá, no Pará; multas suspensas

BRASÍLIA

Produtores rurais que descumpriram o Código Florestal terão mais cinco anos para se ajustar à nova legislação. A moratória é prevista no relatório que o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) apresenta hoje, com mudanças no código. A intenção é levar a proposta ao plenário da Câmara antes das eleições.

No período de cinco anos da moratória, os produtores rurais em desacordo com a lei não poderão ser multados. Caso o projeto seja aprovado e entre em vigor em 2011, as punições só começarão em 2016, depois do final do mandato do sucessor de Lula.

Decreto baixado em dezembro pelo presidente havia suspendido as punições até junho de 2011. Há mais de R$ 10 bilhões de multas em processo de cobrança.

O relatório mantém o porcentual de propriedades que deverá ser preservado como Reserva Legal (entre 20% e 80%, dependendo da região), mas transfere aos Estados a prerrogativa de arbitrar quais áreas deverão ou não ser preservadas, até mesmo nas margens de rios. A ideia é manter as áreas ocupadas com a produção de alimentos.

As áreas de proteção permanente, às margens dos rios, poderão ser descontadas no porcentual da Reserva Legal. E as propriedades pequenas, com até 4 módulos rurais, ficarão dispensadas de cumprir a área de reserva. Os demais produtores terão regras de preservação para as áreas que superarem 4 módulos.

Postagem de : Luiz Navarro

domingo, 6 de junho de 2010

A FOICE E O MARTELO DE CERTOS PARTIDOS ESTÃO A DIREITA!

DUARTE PEREIRA
4/6/2010

> Aldo Rebelo:


> Que patético, que vergonha e o quão sórdida e traidora representa a posição sua e do seu partido.

> Pensei que voce fosse comunista,(pelo menos voce se diz), que estivesse do lado dos direitos humanos, em especial daqueles que morreram e deram suas vidas neste pais, muitos através desse Partido seu o PCdoB, como é o caso dos meus irmãos que morreram defendendo essa bandeira. Mas vejo que voce está contra eles ou a memória do que eles representaram, pois quem apoia a impunidade dos carrascos que os trucidaram se coloca contra eles também.

> Patética e covarde a sua posição não acha?

> Voce consegue dormir a noite?

> Voce realmente acha que o STF expressou a vontade nacional? Voce acha que a vontade nacional é pela prevalência da impunidade e da consagração da tortura?

> E pensar que o PCdo B sempre discursou, exaltando a luta da guerrilha do araguaia , o heroismo, etc mas que vemos hoje que tudo isso nunca passou de um lema propagandistico e que é usado ainda hoje pelo seu Partido. No entanto a politica do PCdoB é essa, a da traição da mémoria desses que lutaram e deram suas vidas.

> Estou com nojo. Muito nojo mesmo.

> Lembra-se do congresso da UNE la em Piracicaba que voce foi eleito presidente da UNE. Tinha um discurso firme, radical, cheguei até votar em voce naquela ocasião. Bem mais tarde, por volta de 1992 não me recordo a data encontrei voce na casa de um amigo em Presidente Prudente que era do PCdo B e que fez questão de me convidar a um churrasco pois voce estaria presente.

> Mas que vergonha ! O que voce virou !

> Espero não ouvir mais esses discursos triunfalistas do seu Partido em relação a qualquer morto e desaparecido politico, como forma de propaganda de seu Partido. Ainda me verás virar bicho numa ocasião destas, e ainda ouvirão o que não estão preparados para ouvir.

> Espero que voce não se reeleja nesta proxima eleição, a cada mandato voce se destroi enquanto pessoa e prejudica também a verdadeira democracia que almejamos.

> Clóvis Petit de Oliveira

> irmão de Maria Lucia, Lucio e Jaime Petit da Silva mortos na Guerrilha do Araguaia

> 01/05/10 – Folha de São Paulo

> Militares recebem com alívio decisão do STF

> Jobim avalia que mexer na anistia é reabrir feridas sem ganhar nada em troca; Aldo Rebelo, do PC do B, também elogia medida

> Para o ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, decisão tomada pela corte é "lamentável': "o país tem que aprender a punir a tortura"

> ELIANE CANTANHÊDE

> Apesar das reações negativas, a decisão do Supremo Tribunal Federal a favor de não alterar a Lei da Anistia foi recebida com alívio por oficiais das Forças Armadas e elogiada até pelo deputado Aldo Rebelo, que é do PC do B (Partido Comunista do Brasil) e a considerou correta.

> O ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos), no entanto, considerou "lamentável" o fato de o Supremo ter decidido anteontem, por 7 votos a 2, que não cabe revisão da lei, editada em 1979, para permitir punição de agentes do Estado que tenham praticado tortura no regime militar (1964-1985).

> Na avaliação militar, a decisão do Supremo e a nova redação da Comissão da Verdade, do 3º PNDH (Plano Nacional de Direitos Humanos), enterram a discussão sobre a revisão da Lei da Anistia. O novo texto foi sugerido pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, e prevê investigação dos dois lados, o dos torturadores e o das organizações de esquerda.

> Conforme a Folha apurou, a avaliação de Jobim, que chefia hoje Marinha, Exército e Aeronáutica, é que mexer na anistia seria reabrir velhas feridas sem ganhar nada em troca. Para ele, a lei foi resultado de um acordo que interessava tanto aos governo militares, responsabilizados por torturas, como às organizações de esquerda, acusadas de sequestros e de usar bombas para reagir ao regime. Para Rebelo, o Supremo "interpretou a vontade nacional, que é a vontade da conciliação, da construção do futuro".

> Já Vannuchi lamentou não ter sido criada no Brasil a cultura de contestar judicialmente os militares acusados de torturar opositores da ditadura, ao contrário do que ocorreu na Argentina e no Chile. Ele disse, porém, que foi positivo os ministros citarem a importância de abrir os arquivos do período. A pré-candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT), em visita a Santos evitou comentar a decisão, dizendo que "não cabe mais discussão a respeito".

> Em novembro de 2008, ela afirmou que os crimes de tortura cometidos durante a ditadura eram "imprescritíveis". Ontem, ao ser questionada sobre as divergências entre ministérios em relação ao tema, só disse que o parecer oficial do governo foi o da Advocacia-Geral da União, que recomendou a manutenção da lei. "Eu não sou a favor de revanchismo de nenhuma forma [...] É fundamental que o Brasil lembre e nunca mais caiamos numa ditadura", disse Dilma.

> Colaboraram ANA FLOR, enviada especial a Santos, e a Sucursal de Brasília

Postagem de : Luiz Navarro

IMPORTANTES MANIFESTAÇÕES DE PACIFISTAS DE ORIGEM JUDAICA



ISRAEL: UM GOVERNO DE PIROMANÍACOS PÕE FOGO NO ORIENTE MÉDIO

31/6/2010, Uri Avnery, Gush Shalom [Bloco da Paz] Telavive (Press-release)

http://zope.gush-shalom.org/home/en/events/1275331484

“Só um governo que já tenha perdido toda a capacidade de se autoconter e toda a conexão com a realidade comete tal crime. Atirar contra ativistas pacifistas, agentes de obra de auxílio humanitário, de várias nacionalidades, tomá-los como inimigos e enviar força militar massiva, em águas internacionais, atirar para matar e matar, é inconcebível!”

“Ninguém no mundo acreditará nas desculpas e mentiras do governo de Israel e dos porta-vozes do Exército” – disse o ex-deputado Uri Avnery, do movimento “Bloco da Paz”. Os ativistas do “Bloco da Paz”, com vários outros grupos, reuniram-se hoje em Ashdod, Tel-Aviv, Haifa e Jerusalem.

Hoje é dia de desgraça para o Estado de Israel. Dia de ansiedade, em que os israelenses descobrimos que nosso futuro está entregue a um bando de alucinados, todos de armas engatilhadas, atirando sem qualquer senso de responsabilidade. Hoje é dia de desgraça e loucura e estupidez sem limites. Dia em que o governo de Israel enlameou o nome do país ante todo o mundo, juntou mais provas, a comprovar que a imagem de uma Israel brutal, agressiva, não é invenção de propaganda. Hoje Israel dá um passo gigantesco afastando-se dos poucos amigos que nos restam no mundo.

Sim, houve ato de provocação no litoral de Gaza. Mas os provocadores não foram os ativistas pacifistas convidados a vir à Palestina e que tentavam chegar. Provocação houve, isso sim, praticada pelos comandos armados e encapuzados dos barcos de guerra, a mando do governo de Israel, que, para bloquear o avanço dos barcos dos pacifistas, não vacilou em atirar para matar, e matar!

É hora de levantar o sítio que sufoca a Faixa de Gaza e que tanto sofrimento causa aos palestinos. Hoje, o governo de Israel arrancou a máscara da face – com as próprias mãos – e mostrou a verdade: Israel jamais “desengajou-se” de Gaza. Nenhum desengajamento há, se Israel bloqueia o acesso à área ou manda soldados com ordem para matar e ferir quem tente chegar a Gaza.

Pelos Acordos de Oslo, há 17 anos, o Estado de Israel comprometeu-se a permitir e estimular a construção de um porto de águas profundas em Gaza, pelo qual os palestinos pudessem importar e exportar livremente seus produtos e o que necessitassem comprar, para desenvolver livremente sua economia. É hora de cumprir o acordado e abrir o Porto de Gaza. Só depois que o porto de Gaza estiver aberto, para livre movimentação, como acontece nos portos de Ashdod e Haifa, então sim, Israel ter-se-á “desengajado” da Faixa de Gaza. Até lá, o mundo continuará – com razão – a considerar a Faixa de Gaza como território ocupado por Israel; e Israel, responsável pelo destino dos seres humanos que vivem lá.

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UM CRIME CONTRA ISRAEL

Hebrew in Haaretz today, June 1

O que aconteceu ontem foi um crime. Um crime contra o Estado de Israel.

Um bando de irresponsáveis e pessoas embreagadas pelo poder, decidiu por uma ação que estava fadada a resultar em pessoas mortas e feridas.

Nenhuma pessoa sensata em Israel ou no exterior vai comprar a coleção de mentiras e pretextos com os quais os responsáveis estão tentando justificar-se. Tanto que nenhuma das vítimas tenha sido autorizadas a falar.

Esta operação não foi apenas imoral, mas também voltará contra nós o último dos nossos simpatizantes em todo o mundo e adicionando força para aqueles que pedem um boicote a Israel.

Há apenas uma maneira de limitar o dano:

- Convocar a nomeação imediata de um conselho internacional de inquérito para investigar o caso.

- Levantar de uma vez o bloqueio imoral e ilegal contra o milhão e meio de habitantes da Faixa de Gaza.

- Implementar a proposta de troca de prisioneiros e libertar Gilad Shalit.

Enormes danos foram feitos. Temos de tentar repará-los da melhor forma possível.

(Large special ad published in Hebrew in Haaretz today, June 1)

Postagem de: Luiz Navarro

quinta-feira, 3 de junho de 2010

CARTA AO GOVERNO DE ISRAEL

Senhores que me envergonham:


Judeu identificado com as melhores tradições humanistas de nossa cultura, sinto-me profundamente envergonhado com o que sucessivos governos israelenses vêm fazendo com a paz no Oriente.Médio.

As iniciativas contra a paz tomadas pelo governo de Israel vem tornando cotidianamente a sobrevivência em Israel e na Palestina cada vez mais insuportável.

Já faz tempo que sinto vergonha das ocupações indecentes praticadas por colonos judeus em território palestino. Que dizer agora do bombardeio do navio com bandeira Turca que leva alimentos para nossos irmãos palestinos? Vergonha, três vezes vergonha!

Proponho que Simon Peres devolva seu prêmio Nobel da Paz e peça desculpas por tê-lo aceito mesmo depois de ter armado a África do Sul do Apartheid.

Considero o atual governo, todos seus membros, sem exceção, merecedores por consenso universal do Prêmio Jim Jones por estarem conduzindo todo um pais para o suicídio coletivo.

A continuar com a política genocida do atual governo nem os bons sobreviverão e Israel perecerá baixo o desprezo de todo o mundo..

O Sr., Lieberman, que trouxe da sua Moldávia natal vasta experiência com pogroms, está firmemente empenhado em aplicá-la contra nossos irmãos palestinos. Este merece só para ele um tribunal de Nuremberg.

Digo tudo isso porque um judeu humanista não pode assistir calado e indiferente o que está acontecendo no Oriente Médio. Precisamos de força e coragem para, unidos aos bons, lutar pela convivência fraterna entre dois povos irmãos.

Abaixo o fascismo!

Paz Já!

Silvio Tendler

Cineasta
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Veja a Nova Página do PCB – www.pcb.org.br



Partido Comunista Brasileiro – Fundado em 25 de Março de 1922


Postagem de: Luiz Navarro

terça-feira, 1 de junho de 2010

REPÚDIO INDIGNADO A MAIS UMA COVARDE E DESUMANA AGRESSÃO SIONISTA

(Nota Política do PCB)

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) manifesta seu repúdio e indignação diante do covarde ataque cometido por agentes do Estado terrorista de Israel, que agiram como verdadeiros piratas modernos contra a flotilha humanitária que levava remédios e suprimentos para a população bloqueada da Faixa de Gaza.

Trata-se de uma ação desumana e bárbara contra civis pacifistas, desarmados, realizada em águas internacionais, com o uso de barcos de guerra, forças especiais, helicópteros e armas pesadas. Foram assassinados cruelmente mais de 15 pacifistas e cerca de cinco dezenas ficaram feridos.

Este escandaloso massacre realizado pelos piratas israelenses faz parte da ofensiva sionista para calar todas as forças progressistas do mundo que clamam por uma paz justa na região e pela formação do Estado Palestino, livre e soberano. Além de uma violação ao direito internacional, esta agressão demonstra claramente para o mundo os métodos brutais com que o governo israelense trata não só os palestinos, mas todos os povos que se opõem à sua política de opressão na região. A impunidade de Israel é garantida por sua aliança com o imperialismo, sobretudo o norte-americano.

O Partido Comunista Brasileiro, coerente com sua ação internacionalista em defesa da liberdade dos povos, envia suas condolências às famílias dos pacifistas assassinados nessa ação selvagem, ao mesmo tempo em que manifesta sua profunda admiração por todos os pacifistas da Frotilha da Liberdade que, mesmo arriscando a própria vida, tiveram a coragem de expor ao mundo as atrocidades do bloqueio israelense por terra, mar e ar ao povo palestino na Faixa de Gaza.

Diante dessa barbaridade que envergonha o mundo, o Partido Comunista Brasileiro soma-se às forças progressistas que vêm emprestando irrestrita solidariedade ao povo palestino e dirige-se ao governo brasileiro no sentido de que rompa imediatamente todas as relações comerciais com Israel, expulse seu embaixador do Brasil e realize uma ação firme na ONU contra mais essa barbaridade cometida pelas forças sionistas.



Secretariado Nacional do PCB

31 de maio de 2010.

Postagem de: Luiz Navarro