segunda-feira, 13 de setembro de 2010

PRESOS POLITICOS EM GREVE DE FOME

Tudo indica que, para a Mídia Corporativa, um preso comum cubano que entre em greve de fome vale mais que três dezenas de presos políticos indígenas do Chile, que tomam essa decisão para que alguém os ouça.

Por aqui ninguém do JN perguntará aos candidatos à presidência o que o Brasil poderia fazer para salvar os mapuches, presos sob acusação de terrorismo (lutam pelo direito à terra, triste mania de índios que se recusam a aceitar a realidade e migrarem logo para as favelas e periferias).

A Folha de SP e O Globo do RJ não farão enquetes com seus leitores sobre as medidas que o governo brasileiro deveria imediatamente tomar - afinal, 31 vidas no Chile, e ainda mais 31 índios não pacificados e não reduzidos, não valem o mesmo que uma vida no Irã ameaçada pelo fundamentalismo.

Melhor cobrir os mineiros presos, é muito mais show, tem mais emoção, e todo todo o mundo está do seu lado, rezando para que eles saiam bem - sobretudo aqueles que ficam mais ricos às suas custas, que não podem correr riscos.

Melhor lembrar os quase 3mil mortos no 11 de setembro de 2001 nos EUA, mortos com os ataques aos símbolos do mercado financeiro e do poder militar estadunidenses. Afinal essas vidas sim são de um valor inigualável, tanto que já custaram mais de um milhão de vidas no Iraque, produzidas pelo mesmo país que não se satisfaz em levar morte e destruição ao mundo, desde que foi capaz (o único com essa competência) de utilizar a bomba atômica no Japão e promover vários golpes de estado sanguinários pelo mundo.

Para as fétidas agências de comunicação aliadas ao imperialismo (para as quais essa palavras nem existem, visto que é da sua natureza acompanhá-lo e obedecê-lo), criminosos mesmo são os governos de Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador, visto que esses não aceitam o figurino da conivência internacional com os assassinos e mentirosos yanques.

Vamos furar o bloqueio e acompanhar o que não querem que saibamos.

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Campanha Internacional de apoio aos presos políticos em greve de fome no Chile

13 Setembro 2010

Por Rodrigo Fonseca

Postagem de: Luiz Navarro

Organizações Mapuche e solidárias da Europa e dos Estados Unidos

A partir de 12 de julho de 2010, trinta e um comuneiros mapuche se encontram em greve de fome nas prisões de Concepción, Valdivia, Lebo e Temuco. Os presos políticos mapuche em greve de fome reivindicam o direito a processos justos, à aplicação de uma justiça objetiva e principalmente a abolição da Lei Antiterrorista.

O fato de que prisioneiros políticos indígenas se vejam obrigados a uma ação tão drástica se deve ao fato de que no decorrer da última década, a lei antiterrorista No. 18.314 - ditada durante o regime ditatorial de Pinochet – é aplicada exclusivamente contra os líderes políticos e comuneiros mapuche. A abolição desta lei é exigida por grande parte do Sistema Internacional de Direitos Humanos, entre os quais se destaca a Comissão de Ética Contra a Tortura, cujo relatório foi discutido pelo Comitê de Eliminação da Discriminação Racial das Nações Unidas no mês de agosto de 2009. A aplicação da Lei Antiterrorista é uma violação aos direitos humanos dos cidadãos que exercem seu direito de protestar, reivindicam o direito de propriedade sobre suas terras ancestrais, exigem respeito a sua forma de vida e sua identidade cultural. O Conselho de Direitos Humanos da ONU, em vários Relatórios Especiais, recomendou a não aplicação da Lei Antiterrorista às atividades e manifestações de protesto e reivindicações do povo mapuche. Estas Recomendações sustentam que a aplicação desta lei não garante um julgamento imparcial, e trazem antecedentes sobre os casos em que estes direitos são violados. Destaca-se a utilização de testemunhas sem rosto, a manutenção dos acusados em prisão preventiva indefinida, e submissão dos réus a um duplo julgamento, pela justiça civil e militar, ao mesmo tempo.

No Chile, no curso desta década a perseguição étnica toma proporções alarmantes. Neste momento, 37 dirigentes políticos mapuche estão presos em diferentes prisões do sul do Chile. Desses, 28 prisioneiros foram processados ou condenados pela lei antiterrorista. No total, há 60 comuneiros presos ou em liberdade condicional por sentença ou medidas cautelares. Três mapuche tiveram que pedir asilo político na Argentina (2) e Suíça, e cinco mapuche morreram em consequência dos disparos e da tortura da polícia chilena.

 Poder Executivo e os representantes do Poder Legislativo do Chile têm a obrigação de iniciar um processo de diálogo com os prisioneiros políticos em greve de fome. É necessário retificar a política discriminatória aplicada às históricas reivindicações do povo mapuche, que o Estado do Chile continua violando. O Estado chileno tem a obrigação de respeitar as obrigações dos tratados internacionais que assinou, como é o caso do Convênio 169 da OIT, da Declaração da ONU sobre os direitos dos povos indígenas, e de pôr fim à repressão e às perseguições contra os dirigentes mapuche”.

Pontuamos o seguinte

 Organizações mapuche e solidárias da Europa e dos Estados Unidos, expressam seu apoio aos prisioneiros políticos mapuche em greve de fome, e respaldam suas reivindicações de justiça acerca de:

O fim da violência institucionalizada e a abolição da Lei Antiterrorista;

Pôr fim à política de militarização das zonas mapuche;

Assegurar o respeito às garantias do devido processo, e à liberdade dos presos políticos Mapuche atualmente presos;

Abolição do sistema de "duplo julgamento simultâneo" diante de Tribunais militares e Tribunais Civis. Garantias de defesa dos réus;

Direitos políticos e territoriais, autonomia e autodeterminação. Direitos reconhecidos na

Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, ratificada pelo Estado chileno em 13 de setembro de 2007.

Reafirmamos que a nação mapuche se encontra no legítimo direito de lutar pela recuperação e reconstrução de seu território histórico, usurpado pelo Estado chileno.

Territórios reconhecidos formalmente em tratados internacionais pelo Império Espanhol e o Estado do Chile.

Comunicamos que continuamos nosso trabalho de denúncia do Estado chileno pela sua política racista e repressiva contra a nação mapuche.

Traduzido por: Valeria Lima



Os proletários nada têm a perder, além dos seus grilhões. Têm um mundo a ganhar.

Proletariërs hebben er niets bij te verliezen, behalve hun ketens dan. Zij hebben er alleen maar bij te winnen.

The proletarians have nothing to lose but their chains. They have a world to win.

Les prolétaires n'y ont rien à perdre que leurs chaînes. Ils ont un monde à y gagner.

Los proletarios no tienen nada que perder, como no sea sus cadenas. Tienen un mundo entero que ganar.

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