quinta-feira, 25 de novembro de 2010

EU VOU NO BLOCO DESSA MOCIDADE QUE NÃO TÁ NA SAUDADE E CONSTRÓI A MANHÃ DESEJADA - OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER! 26 Novembro 2010

Classificado em Internacional - Imperialismo

Crédito: PCB

por Antonio Carlos Mazzeo, membro do CC do PCB

"Der Schoss ist frunchtbar noch, aus dem das kroch"

(Ainda está fecundo e procriando o ventre de onde isso veio engatinhando)

Bertolt Brecht

Quem não assistiu ao debate dos candidatos de esquerda no jornal Brasil de Fato perdeu e muito. Foi um grande esforço para romper o bloqueio e a censura "totalitária" da mídia burguesa, que até o fim insistiu em ter somente dois candidatos na disputa eleitoral, com uma regra três e um quarto periférico de esquerda. Ivan Pinheiro, Zé Maria e Rui Pimenta puderam explanar suas propostas de governo, as divergências e as convergências programáticas entre os três Partidos presentes, PCB, PSTU e PCO. A ausência lamentada e criticada, como era de se esperar, foi a de Plínio de Arruda Sampaio, do P-SOL.

Em meu modo de ver, essa iniciativa inaugurou um novo modo de cobertura eleitoral. Mostrou que é possível quebrar monopólios midiáticos e propor alternativas de comunicação, num mundo altamente informatizado, onde as informações chegam em tempo real para as pessoas. Sem exageros, posso dizer que a cobertura do jornal Brasil de Fato fez história no debate do dia 21 de setembro de 2010, entre as esquerdas socialistas. Daqui em diante, as coberturas e os debates eleitorais terão um novo formato e será cada vez mais difícil esconder e enganar a população sobre o que realmente ocorre em nossa sociedade.

Foi o ponta pé inicial, e muito teremos que fazer para tornar essa modalidade uma forma ampla de veiculação de informações. Efetivamente, ficou demonstrado que é possível. Valeu o esforço e o protesto. Ironicamente, até a mídia burguesa foi obrigada a estar presente naquilo que ela tentou esconder! Mas não nos iludamos, esse pequeno grande esforço é só uma das muitas e decisivas batalhas que teremos de travar contra a burguesia e sua mídia. De fato, há uma clara e militante intenção dessa mídia nacional de tentar varrer do mapa e da história os partidos operários e populares.

Mas essa não é uma operação restrita ao Brasil. A ofensiva burguesa contra os trabalhadores é geral e não se limita ao campo informativo. A crise orgânica do capitalismo impõe para a burguesia uma agenda de arrochos salariais e de retiradas das conquistas históricas dos trabalhadores. Privatizar não é somente a sanha furiosa de uma burguesia em crise e sedenta por lucros, mas é fundamental para a sobrevida de uma forma de sociabilidade em agonia.

Isso explica a crescente bonapartização das democracias burguesas. Um dos elementos componentes dessa recriação da história é a restrição às participações institucionais dos partidos comunistas e socialistas revolucionários e a tendência de bipartidarizar as representações políticas.

Não temos espaço aqui para discorrer sobre os processos históricos de cerceamento das lutas operárias no mundo. Mas é relevante que levemos em conta a sucessão ininterrupta das restrições às participações institucionais dos trabalhadores. Alguns cientistas políticos chamam de hegemonia do "modelo" anglosaxão, criado na Inglaterra como a primeira forma política para diluir a participação popular, dividindo o poder não somente em duas câmaras, a dos lordes e a dos comuns, como restringindo gradativamente, a partir do século XIX, a participação de outras organizações políticas. O bicameralismo elitista é seguido por um bipartidarismo bonapartizante que limita a participação dos partidos operários e populares, através de restrições eleitorais nos processos políticos.

Os Estados Unidos da América também possuem uma sistema político extremamente restritivo. Desde a independência, a preocupação das elites estadunidenses foi a de não possibilitar que a maioria do povo pudesse escolher seus governantes mais importantes. Criaram, a partir da própria experiência inglesa e liberal, mecanismos mesclados de votações diretas e indiretas que garantiram o poder aos grupos econômicos hegemônicos. Desde meados do século XIX, alteram-se no poder dois partidos políticos oligárquicos, surgidos da luta pela divisão do poder entre abolicionistas e escravistas. O Partido Democrata, um dos mais antigos do mundo, organiza-se em 1833, no sul estadunidense, por plantadores e donos de escravos, enquanto que o Partido Republicano, de 1854, é fundado para combater a escravidão e incentivar o desenvolvimento de forças produtivas modernas em franca oposição às elites retrógradas, latifundiárias e escravistas do sul. Quando chega ao poder, pela primeira vez, com Abraham Lincoln, provocam uma cisão no bloco burguês que causará a Guerra de Secessão, 1861-1865, e a hegemonia da burguesia industrial, com a vitória das forças da União contra os Confederados.

O PD moderniza-se e ganha sua face atual, a partir da década de 1930, com a liderança de Franklin Delano Roosevelt . Nos EUA, não há voto direto para presidente da república, mas votação em um colégio eleitoral que elege o presidente, com legislação confusa, sem muitas regulações. Mas se para ser delegado (e votar no colégio eleitoral) o membro não pode ter cargo eletivo, por outro lado, esse membro não pode ter nenhum envolvimento com revoltas sociais ou ações anti-governo!

Esse sumaríssimo recorte histórico nos demonstra quanto o movimento operário e dos trabalhadores lutou para garantir a participação das massas populares nos processos decisórios e, principalmente, como a Revolução Russa ampliou esses horizontes de conquistas. Mesmo assim, as burguesias nunca deixaram suas perspectivas de hegemonia autocrática. Pouco mais de duas décadas após a tomada do poder pelos comunistas na Rússia, as burguesias de todo mundo movimentaram-se para reprimir e cercear os movimentos proletários de cunho socialista e comunista.

Fala-se muito da ascensão do nazi-fascismo, na Itália, Alemanha e Japão. Mas cala-se sobre a repressão e cooptação do movimento operário nos Estados Unidos da América. As ascensões dos nazi-fascistas europeus e dos autocratas estadunidenses são resultados diretos da aventura burguesa para conter o avanço do socialismo no mundo. Se nos países fascistas a repressão sangrenta aos movimentos populares é bastante conhecida, as próprias guerras imperialistas, Iª e IIª, com a vitória das forças "aliadas" contra a Alemanha e depois, contra o "eixo", proporcionaram a manipulação do que realmente ocorreu no cenário internacional da luta de classes. Entre as décadas de 1920 e 1930, a crise econômica mundial e a penúria na Europa possibilita a chegada de partidos de extrema direita ao poder, fascistas na Itália e os nazistas na Alemanha, com apoio de suas burguesias e contra as organizações proletárias desses países. Mas também em outros países, a ultradireita chega ao poder. Franco na Espanha, através de uma sangrenta guerra civil, Oliveira Salazar em Portugal, Hiroito no Japão, afogando o movimento operário japonês em sangue, e Vargas no Brasil.

Roosevelt nos EUA terá o papel do desmonte gradativo do movimento operário estadunidense. Juntamente com a implantação do New Deal, atua em duas frentes: de um lado, legaliza os sindicatos, tendo por base de apoio setores da aristocracia operária, cooptados para o projeto burguês de reconstrução da economia. De outro, reprime os segmentos proletários de viés socialista ou comunista, fazendo um acordo com a máfia italo-estadunidense para a eliminação física dos militantes classistas.

Roosevelt implanta um tipo de corporativismo que facilita organizações sindicais amarelas (pelêgas) controlar o movimento em associação com os empresários. Enfrentando períodos de crise, inclusive a IIª Guerra Mundial, teve facilitada suas 4 reeleições para presidente, falecendo no seu 4º mandato. Convenhamos que quatro mandatos em um país bipartidário é mais do que autocracia burguesa, é bonapartismo explícito. No Brasil, Getúlio, que chega ao poder com um golpe de Estado apoiado pela burguesia modernizadora, fará o mesmo com o sindicalismo, mas não terá a competência de Roosevelt para por o país nos trilhos de uma economia saída da guerra.

A existência da União Soviética, com todos seus problemas internos, garantiu no âmbito internacional que o movimento operário e popular mantivesse suas conquistas e, mais do que isso, propiciou a vigência de campos políticos progressistas em países capitalistas, centrais e até nos países periféricos, ainda que com mais dificuldades. De qualquer modo, a presença da URSS freiou e moderou as ofensivas do capital sobre as relações de trabalho e garantiu conquistas democráticas aos movimentos dos trabalhadores. Somente após a falência das primeiras experiências socialistas, inclusive da URSS, a ofensiva burguesa tornou-se mais virulenta e, como diria Marx, sans phrase, (sem véus). Assistimos um grande ataque aos trabalhadores em todo o mundo.

No Brasil, dado o agravamento da crise sistêmica do capitalismo, tudo indica, o governo Dilma deverá ser mais conservador no plano econômico e, consequentemente, no plano social. A necessidade de ajustes para enfrentar a crise colocará demandas do capital que deverão incidir na situação dos trabalhadores. Flexibilizações, perdas de ganhos e até de conquistas legais deverão nortear a política governamental, sem contar com o aprofundamento das privatizações, começando com as reformas da previdência (a 2ª, já que a primeira realizou Lula, sobre os funcionários públicos) e a tributária, que tem por objetivo desonerar a produção, quer dizer, precarizar direitos e arrochar salários, isso tudo, com apoio da CUT e Força Sindical em consonância com o governo, aos moldes da política de Roosevelt ou, como diz a música, "no es lo mismo, pero es igual".

Mas essas medidas, em contrapartida, porão na ordem do dia a luta dos trabalhadores, reacendendo o movimento sindical. Aliás, a esquerda antagonista brasileira está convencida disso. Não nos esqueçamos que a Conlutas e a Intersindical já possuem agendas de lutas ampliadas e de resistência. Outra das reformas agendadas será a política, que proporá a exclusão dos chamados "partidos pequenos", ou dizendo de outro modo, proletários e populares da vida nacional.

O ventre autocrático burguês, mesmo velho e decadente, ainda gesta seus monstros ferozes contra os trabalhadores. A ofensiva em curso, porém, está encontrando resistências em todo mundo, na Grécia, na Itália, na Espanha e na França, pátria emblemática das lutas proletárias. No Brasil, não será diferente. Estamos nos preparando. No debate do dia 21 de setembro pudemos ver quantas convergências a esquerda antagonista está construindo. Apostamos na unidade das esquerdas, apostamos na construção do Campo Socialista, anticapitalista e antiimperialista. Venceremos.

Formulário

Nome

E-mail

Site

Largura: 1000 . Ajuste a altura arrastando esta barra...

Subscrever

Atualizar código

EnviarCancelar

JCommentsVoltar•Entrada

InternacionalDKP Partido Comunista Alemão

FPLP Frente Popular de Libertação da Palestina

FDLP Frente Democrática pela Libertação da Palestina

MCB Movimento Continental Bolivariano

Pacocol Partido Comunista Colombiano

PCA Partido Comunista da Argentina

PCB Partido Comunista da Bolívia

PCC Partido Comunista de Cuba

PCFR Partido Comunista da Federação Russa

KKE Partido Comunista da Grecia

PCV Partido Comunista da Venezuela

PCCh Partido Comunista do Chile

PCE Partido Comunista do Equador

PCPE Partido Comunista dos Povos da Espanha

PCP Partido Comunista Português

PCL Partido Comunista Libanês

PCP Partido Comunista Paraguaio

PCP Partido Comunista Peruano

PCM Partido dos Comunistas Mexicanos

PPP Partido do Povo do Panamá

PRCC Partido Revolucionário dos Comunistas de Canárias

PRCF Pólo de Renascimento Comunista em França

PCU Partido Comunista Uruguaio

TKP Partido Comunista da Turquia

WPB Partido do Trabalho da Bélgica

FRELIMO Frente de Libertação de Moçambique

SACP Partido Comunista Sul Africano

MPLA Movimento Popular de Libertação de Angola

RCI Revista Comunista Internacional

SOLIDINET Rede Solidária

Odiário.info Odiário.info

Resistir.info Resistir.info

Rebelion Rebelion.org

Sede Nacional: PCB Creative Commons

RUA DA LAPA, 180 – conjunto 801 – Lapa – RJ Partido Comunista Brasileiro

Permitida a reprodução, desde que citada a fonte.







Webmaster: Dario da Silva

Nenhum comentário: