domingo, 28 de novembro de 2010

A GUERRA DO RIO- A FARSA E A GEO-POLÍTICA DO CRIME












Que guerra é essa? Quais os seus objetivos? A verdade precisa aparecer, antes que a tragédia aumente - e a verdadeira tragédia não são as interrupções da ordem pública pelos traficantes, com os carros em chamas. A tragédia mesmo é essa lei do mais forte que justifica quaisquer atrocidades contra o "outro", contra os "suspeitos", fazendo uso do "mal necessário" pra combater o "mal sem rosto", jogando um tipo de veneno que aduba o câncer social pra combater aquilo que desconhecemos - e sobretudo nós, a população civil desarmada, plateia encurralada que tende a se fragilizar ainda mais nestas situações.


A analogia que o artigo faz com o Iraque me pareceu perfeita, pois se é impossível defender o genocida Sadam Hussein (tal como é impossível defender os traficantes), igualmente impossível é defender a ação dos EUA para derrotá-lo. Os patetas de toda essa história miserável foram os estadunidenses, com a amputação de milhares de vidas. A guerra durou sete anos (não temos tanto até a copa e as olimpíadas) e segundo o WikiLeaks 63% das vítimas foram civis.

Precisamos de paz com verdade e justiça,

Rodrigo.

Abaixo um texto muito interessante sobre a situãção do Rio de Janeiro.

Acabei de ver do onibus uma imagem típica do tratamento dispensado pelo exército de Israel às crianças: Na calçada do Catete, bairro do Rio, próximo ao Centro, a guarda Municipal reprimia violentamente umas 6 ou 7 crianças negras e de rua que dormem no local. E a população assistia tudo calada. A idade desses meninos variavam de 8 a 13 ou 14 anos. O tratamento era na base da da violência e do ódio. Foi uma cena chocante! A guarda Municipal é treinada por assessores da MOSSAD. E, obviamente , entrou no clima e na onda levantada pelo Estado, através do seu governador.

O clima na cidade é de guerra aos pobres, desempregados, população de rua, etc... Tem especialistas credenciado pela academia falando, na Globo news, asneiras fascistas e exigindo leis que permitam a utilização das armas nestas ocasiões, ou seja estão fazendo campanha para que o Estado tenha mais liberdade para matar...

Esses acontecimentos me fez lembrar a declaração do Jobin, se não me engano no início do ano, que ,participando de um seminário em Israel, declarou em matéria no O Globo, que lamentavelmente nossas leis restringiam o espaço do êxito, como aquele que Israel tem tido contra os palestinos desarmados, classificado pelo nosso ministro, na matéria , de terroristas.



Bom, por favor leiam a matéria do professor abaixo, ela é esclarecedora.

Postado do Blog: somostodospalestinos.blogspot.com

A Guerra do Rio – A farsa e a geopolítica do crime

Cumprindo com compromisso de publicar notícias que não se encontram na grande mídia, divulgamos texto do professor José Claudio S. Alves, sociólogo da UFRRJ, sobre os acontecimentos no Rio.

Nós que sabemos que o “inimigo é outro”, na expressão padilhesca, não podemos acreditar na farsa que a mídia e a estrutura de poder dominante no Rio querem nos empurrar.

Achar que as várias operações criminosas que vem se abatendo sobre a Região Metropolitana nos últimos dias, fazem parte de uma guerra entre o bem, representado pelas forças publicas de segurança, e o mal, personificado pelos traficantes, é ignorar que nem mesmo a ficção do Tropa de Elite 2 consegue sustentar tal versão.

O processo de reconfiguração da geopolítica do crime no Rio de Janeiro vem ocorrendo nos últimos 5 anos.

De um lado Milícias, aliadas a uma das facções criminosas, do outro a facção criminosa que agora reage à perda da hegemonia.

Exemplifico. Em Vigário Geral a polícia sempre atuou matando membros de uma facção criminosa e, assim, favorecendo a invasão da facção rival de Parada de Lucas. Há 4 anos, o mesmo processo se deu. Unificadas, as duas favelas se pacificaram pela ausência de disputas. Posteriormente, o líder da facção hegemônica foi assassinado pela Milícia. Hoje, a Milícia aluga as duas favelas para a facção criminosa hegemônica.

Processos semelhantes a estes foram ocorrendo em várias favelas. Sabemos que as milícias não interromperam o tráfico de drogas, apenas o incluíram na listas dos seus negócios juntamente com gato net, transporte clandestino, distribuição de terras, venda de bujões de gás, venda de voto e venda de “segurança”.

Sabemos igualmente que as UPPs não terminaram com o tráfico e sim com os conflitos. O tráfico passa a ser operado por outros grupos: milicianos, facção hegemônica ou mesmo a facção que agora tenta impedir sua derrocada, dependendo dos acordos.

Estes acordos passam por miríades de variáveis: grupos políticos hegemônica na comunidade, acordos com associações de moradores, voto, montante de dinheiro destinado ao aparado que ocupa militarmente, etc.

Assim, ao invés de imitarmos a população estadunidense que deu apoio às tropas que invadiram o Iraque contra o inimigo Sadam Husein, e depois, viu a farsa da inexistência de nenhum dos motivos que levaram Bush a fazer tal atrocidade, devemos nos perguntar: qual é a verdadeira guerra que está ocorrendo?

Ela é simplesmente uma guerra pela hegemonia no cenário geopolítico do crime na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

As ações ocorrem no eixo ferroviário Central do Brasil e Leopoldina, expressão da compressão de uma das facções criminosas para fora da Zona Sul, que vem sendo saneada, ao menos na imagem, para as Olimpíadas.

Justificar massacres, como o de 2007, nas vésperas dos Jogos Pan Americanos, no complexo do Alemão, no qual ficou comprovada, pelo laudo da equipe da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, a existência de várias execuções sumárias é apenas uma cortina de fumaça que nos faz sustentar uma guerra ao terror em nome de um terror maior ainda, porque oculto e hegemônico.

Ônibus e carros queimados, com pouquíssimas vítimas, são expressões simbólicas do desagrado da facção que perde sua hegemonia buscando um novo acordo, que permita sua sobrevivência, afinal, eles não querem destruir a relação com o mercado que o sustenta.

A farsa da operação de guerra e seus inevitáveis mortos, muitos dos quais sem qualquer envolvimento com os blocos que disputam a hegemonia do crime no tabuleiro geopolítico do Grande Rio, serve apenas para nos fazer acreditar que ausência de conflitos é igual à paz e ausência de crime, sem perceber que a hegemonização do crime pela aliança de grupos criminosos, muitos diretamente envolvidos com o aparato policial, como a CPI das Milícias provou, perpetua nossa eterna desgraça: a de acreditar que o mal são os outros.

Deixamos de fazer assim as velhas e relevantes perguntas: qual é a atual política de segurança do Rio de Janeiro que convive com milicianos, facções criminosas hegemônicas e área pacificadas que permanecem operando o crime? Quem são os nomes por trás de toda esta cortina de fumaça, que faturam alto com bilhões gerados pelo tráfico, roubo, outras formas de crime, controles milicianos de áreas, venda de votos e pacificações para as Olimpíadas? Quem está por trás da produção midiática, suportando as tropas da execução sumária de pobres em favelas distantes da Zona Sul? Até quando seremos tratados como estadunidenses suportando a tropa do bem na farsa de uma guerra, na qual já estamos há tanto tempo, que nos faz esquecer que ela tem outra finalidade e não a hegemonia no controle do mercado do crime no Rio de Janeiro?

Mas não se preocupem, quando restar o Iraque arrasado sempre surgirá o mercado finaneiro, as empreiteiras e os grupos imobiliários a vender condomínios seguros nos Portos Maravilha da cidade.

Sempre sobrará a massa arrebanhada pela lógica da guerra ao terror, reduzida a baixos níveis de escolaridade e de renda que, somadas à classe média em desespero, elegerão seus algozes e o aplaudirão no desfile de 7 de setembro, quando o caveirão e o Bope passarem.

Postagem de: Luiz Navarro

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