terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A TAL DA ÉTICA NO VOTO- A ÉTICA "ZÉ PASTINHA"

Laerte Braga

Um conceito clássico, um tanto reacionário, mas menos por isso inválido para abrir uma discussão, é o que diz que “ética ou moral é o estudo da ação humana enquanto livre e pessoal”. O objetivo? “Traçar a vontade na sua inclinação para o bem.”

Vai daí que, bem de que?

O “empresário” Paulo Stak (vive do aluguel de máquinas industriais, não tem indústria nenhuma) preside a FIESP/DASLU (Federação das Indústrias de São Paulo), a segunda mais poderosa entidade empresarial do Brasil. A primeira é a FEBRABAN (Federação Brasileira dos Bancos).

No processo de discussão e votação da CPMF (Contribuição Permanente sobre Movimentações Financeiras) levou ao Senado Federal um abaixo assinado com mais de um milhão de assinaturas contra o imposto. Em entrevista à imprensa e ao lado do senador Artur Virgílio, declarou que manifestava ali, naquelas assinaturas, a vontade do povo brasileiro de acabar com um imposto dentre os tantos que “nos asfixiam”.

Artur Virgílio, senador da República, líder dos tucanos na chamada Câmara Alta (de altas baixarias), ele próprio acusado de desviar verbas carimbadas para a educação quando prefeito de Manaus, responde na Justiça por isso, reclamou de Stak que haviam “yuppies demais na entrega do abaixo assinado”. “É preciso mais povo” reclamou Virgílio.

“Quantos banguelas você quer?” Foi a resposta de Stak que, dois meses, mais ou menos, depois, gastou um milhão de reais na festa de recepção dos convidados ao casamento de sua filha. Isso enquanto se descobria que as assinaturas foram obtidas entre os camelôs de São Paulo e pagas.

Como, poucos dias antes da votação que determinou o fim da CPMF, o médico Adib Jatene, um dos mais respeitados cirurgiões e homens públicos do País, meteu o dedo no nariz de Stak num restaurante em São Paulo e acusou-o de sonegador.

Stak respondeu que não era bem assim, que o doutor Jatene estava equivocado, mas baixou a cabeça sonegador que é. Entre outras coisas Jatene disparou: “vocês querem o fim da CPMF porque é o único imposto que não conseguem sonegar. Não estão nem um pouco preocupados com o bem estar do povo. Enquanto não se taxar a riqueza neste País vocês não têm moral para coisa alguma”.

Stak não disse nada. Continuou desconversando. Uma questão de força moral. Jatene tem, ele não.

A ética de Stak é essa. “traçar sua inclinação para o bem”. O bem deles. Beira-mar tem uma ética entre seus comandados. Escreveu não leu e ganha um presente sete palmos abaixo da terra. É assim que funciona a “organização”. Não difere nem um pouco do esquema FIESP/DASLU, exceto pelo fato de um ter o amparo da lei e outro não.

O presidente da Associação Brasileira dos Magistrados, o juiz pernambucano Mozart Valadares Pires, recém eleito, tem uma ética peculiar e própria na denúncia dos candidatos com “ficha suja”. Ou seja, aqueles que respondem a processos na Justiça. Coloca no mesmo patamar a candidata Marta Suplicy e o candidato Paulo Maluf, hour concours em qualquer concurso de corrupção em qualquer lugar do mundo.

“Mãos limpas”, “ética”, “ficha suja”, essas expressões ganharam força e se prestam ao papel de iludir a opinião pública mantendo tudo como está, sem nenhuma mudança e assegurando a ética de dominação dos donos.

Foi assim no governo de FHV (Fernando Henrique Vende). A palavra chave era “privatizar” e a conseqüência era “progresso”. Quem se opunha estava contra o futuro. A GLOBO vendeu a idéia o tempo todo e hoje o Brasil é um país fragmentado, a VALE é dona da Amazônia (o general Heleno garante que os índios são os culpados), a ARACRUZ é dona do Espírito Santo em parceria com a própria VALE, os bancos estrangeiros controlam o mercado financeiro a partir do norte-americano Henry Meireles, presidente do Banco Central do Brasil (filial do FED dos EUA).

O futuro está aí. O Brasil em marcha acelerada para o século XIX, inauguração de linhas de diligências da Wells Fargo, vendendo ferro para a China e comprando trilhos e com reservas imensas de petróleo, mas de companhias estrangeiras, na quebra do monopólio estatal e na transferência do controle da maioria das ações preferenciais (sobre os lucros) da PETROBRAS para grupos estrangeiros.

A ética tucana de vender na feira do neoliberalismo por comissão mais vantajosa, ou às vezes nem tanto, mas para amigos do peito (grupo Jereissati por exemplo), um País inteiro e depois o maior dos vendedores, FHV (Fernando Henrique Vende), montar um instituto, o Instituto Fernando Henrique, em São Paulo (onde mais? Sob o controle do reino FIESP/DASLU e batuta do “contratado” da ALSTON José Propina Serra) para perpetuar o “faraó” e lavar dinheiro de Daniel Dantas, na sociedade da mana com a filha do governador em Miami (onde mais também?).

No Brasil as palavras se desvalorizam no sentido de perder o valor intrínseco, da noite para o dia. Se você perguntar a Paulo Maluf se ele se houve com dignidade e lisura em todos os cargos que exerceu vai responder que sim sem piscar um olho sequer. E teve setecentos mil votos para deputado federal.

Fernando Henrique Vende tem mania de dar conselhos assim como se fosse “o farol de Alexandria” (designação dada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim). Tem a ética do espelho mágico. O que diz que maior é ele. Bate e rebate ele próprio.

Essa história de lista suja de candidatos não precisaria existir. Bastaria que a lei fosse cumprida. Que os tribunais de contas, pirâmides do nada, cumprissem seus papéis ao invés de se associarem ao crime, caso de três conselheiros de Minas, um deles Andrada (Toninho Andrada.). Que os tribunais de Justiça não protelassem julgamentos de políticos acusados de corrupção e que se arrastam há mais de não sei quantos anos.

Ou que gilmar mendes não fosse ministro do stf, nem ele e nem marco aurélio melo, responsáveis pela alegria dos banqueiros.

Ou que juízes recusassem o convite da FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos) para um fim de semana com tudo pago em Comandatuba.

O sujeito hoje “corrupta” num estado do norte, Roraima ou Rondônia, deixa por lá estragos sem tamanho e vem “corruptar” em Minas, na FEAM (Fundação Estadual do Meio-ambiente). Falo do quadrilheiro Joaquim Martins da Silva Filho. E Aécio que não sabe direito onde fica a capital do estado que governa, Minas, pois mora no Rio nem tem idéia do que acontece, preocupado que está com o show de cada jogo no Mineirão.

O juiz Mozart Valadares Pires tem dito palavras aparentemente limpas e preocupadas com o resgate da dignidade na vida pública. Mas encapa ideologias totalitárias (são vários grupos de extrema-direita ligados ao seu discurso). O que vale dizer parece ser uma coisa mas é UDN no duro mesmo.

O caso de São Paulo é definitivo. Cita os nomes dos candidatos Paulo Maluf e Marta Suplicy, mas ignora que Gilberto Kassab, o atual prefeito, enfrenta várias acusações de corrupção e que o candidato tucano Geraldo Alckimin é alvo de investigação pela Polícia da Suíça por ter recebido propinas para facilitar concorrências para a empresa ALSTON, fato não noticiado pela mídia brasileira (claro, já viu a mídia, a GLOBO que é o carro chefe, dar tiro no pé?).

A tal “lista suja” virou partido político da hipocrisia. Aquele tipo de coisa, ou gente, que chega e faz um rebuliço danado, você pensa que tudo vai mudar e daí que fica tudo do mesmo jeito, o que no duro ele quer é se acomodar no cesto dos privilégios do mundo institucional falido e corrupto.

Sua própria eleição para a presidência é contestada por seus adversários que falam em compra de votos e fraude em urnas.

Esse trem é que nem Zé Pastinha. Você olha assim, escuta, tem a impressão que está diante de um exemplo de dignidade, caráter, trabalhador e tal, mas quando emerge a face real, é um pilantra sem tamanho, vagabundo da pior espécie. E tem quem acredite que seja bonzinho. Esse é o problema.

Postagem de: Luiz Navarro

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