segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

EGÍPCIOS PEDEM CONSTITUINTE PARA REFUNDAR O PAÍS

Egípcios pedem Constituinte para refundar o país 06 Fevereiro 2011


Classificado em Internacional - Solidariedade

Crédito: Boston.com

Transnacionais da comunicação silenciam o papel dos trabalhadores na rebelião

O Secretário de Relações Internacionais do Partido Comunista da Venezuela (PCV), Carolus Wimmer, denuncia conspiração de Israel, dos EUA e seus aliados europeus para esmagar a autêntica revolução popular no Egito e impor outro governo pró-imperialista

Caracas, 03/02/2011. Modaira Rubio / Especial FDA .- "Neste momento, o povo egípcio clama por uma mudança radical em sua sociedade. Os comunistas fizeram eco a essa demanda e pediram em comunicado não uma mera eleição presidencial, mas uma Assembleia Constituinte para refundar o país com uma nova Constituição e, por isso, os EUA, Israel e seus aliados da Europa capitalista querem esmagar a revolução no Egito. Isso não podemos permitir os revolucionários do mundo, precisamos de solidariedade mais do que nunca para com as lutas dos nossos irmãos árabes ", disse o deputado Carolus Wimmer, secretário de Relações Internacionais do Partido Comunista da Venezuela (PCV), alertando para o complô midiático para minimizar a rebelião popular no Cairo.



"Temos que denunciar que existe o perigo de que uma legítima revolução progressista que está acontecendo, esteja sendo diluída pela mídia em conluio com a burguesia apátrida. Os trabalhadores e trabalhadoras lideram as manifestações e pedem uma constituinte e uma transformação social no Egito ", explicou.



"Definitivamente, nem a CNN nem a BBC, nem nenhuma das transnacionais de comunicação mostra ou diz o que está fazendo a classe trabalhadora no Egito; somente citam os líderes de uma suposta transição, que não se sabe se eles têm apoio popular, para impor midiaticamente um governo pró-imperialista que defenda os interesses da burguesia ", advertiu o parlamentar comunista.



" A mídia silenciou a participação de setores revolucionários; por exemplo, não disseram que os sindicatos e o movimento operário paralisaram fábricas e a produção e têm estado na vanguarda de um levante popular genuíno", destacou.



"Nós sabemos que o Partido Comunista do Egito (CPEgypt) exigiu não apenas a saída de Mubarak, mas pede uma legítima mudança que só será possível com a criação de um conselho de governo composto por todas as forças progressistas que têm o apoio do povo" indicou.



O CPEgypt afirmou em um documento oficial do seu Bureau Político, que o novo governo deve atender as demandas sociais e econômicas da cidadania, submersa na pobreza por um regime corrupto e opressor, e que julgue os saqueadores das riquezas do Egito. Entre eles, Hosni Mubarak, cuja fortuna pessoal é estimada em 40 bilhões de dólares, segundo o jornal alemão Suddeustche Zeitung. Também pede o julgamento dos assassinos, torturadores e genocidas que reprimiram as manifestações civis.



Obama é cúmplice



Para Wimmer, o discurso do presidente dos EUA, Barack Obama, é uma prova incontestável do apoio da Casa Branca para com a classe política dominante no Egito, que só quer continuar a era Mubarak. "A cumplicidade de Obama foi evidente. Não questionou o regime de Mubarak, que levou os egípcios para a mais profunda pobreza e o desemprego de 30% da população ativa, senão para apelar para uma "transição pacífica", sem condições para desmontar a revolução que está acontecendo", destacou.



Risco de invasão



Da mesma forma, Wimmer destaca o perigo de uma intervenção militar estrangeira, se setores progressistas das forças armadas se colocarem ao lado do povo. "Seguramente tentaram aplicar a doutrina da guerra preventiva e a tese de estado falido para justificar as invasões como no Haiti e em grande parte da África e da antiga União Soviética. Israel pressiona seus aliados diplomáticos para que não protestem contra Mubarak. E a chanceler alemã, Angela Merkel, manifestou apoio a Tel Aviv ante uma "instabilidade" possível na região". As potências protegerão os interesses de Israel no Oriente Médio e evitarão a todo custo o estabelecimento de um governo progressista. O chamado é para se juntar à legítima defesa da luta do povo egípcio para a sua libertação nacional", concluiu.

Postagem de : Luiz Navarro

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