sábado, 9 de julho de 2011

DE ROMPIMENTOS E VAIDADES

Camaradas,

Para ser sincero, não li as "Cartas de Rompimento com o PCB", divulgadas no mês passado, mas me atrevo a fazer uma breve crítica das mesmas, pois todas

as cartas de rompimento são, na essência, iguais, sejam políticas ou

amorosas.



Não li e nem vou ler porque, embora considere que nelas possivelmente exista algo aproveitável, textos de rompimento caudalosos são um exercício de petulância, arrogância e vaidade que sinalizam a dimensão ególatra dos seus redatores.



No fim das contas, você tende mais a lamentar a pobreza dos espíritos pequenos do que a saída, propriamente.



Camaradas, não sou mineiro, embora tenha bebido da boa água das Minas Gerais, pois nessa terra morei três anos. Mas sou um pernambucano desconfiado. Acho que em fevereiro ou janeiro um desses rapazes escreveu uma carta na qual pedia licença do CC, a fim de se dedicar aos estudos. Comecei a ler a carta (no fundo, quase um "pede

pra sair" em esboço).



Parei a leitura em menos de um terço das linhas: a luz vermelha acendeu logo. Misturada com sua gigantesca vaidade, via-se o típico exercício do sentimento de marido corneado, que escreve textos que deveriam ser de despedida, mas que se derramam em conselhos velados e indiretos (por trás do biombo da vergonha), para a

mulher que fica. Sabe que a "fila vai andar", e quer que a mesma ande na direção que ele está traçando...



Essas cartas são insuportáveis porque seus redatores parecem querer deixar conselhos sábios e infalíveis aos que ficam e, pior ainda, parecem buscar projetar seu ego no futuro, quando (feita a revolução e sendo vitoriosa sua tese política), dezenas de milhões vão se debruçar sobre seu tirocínio e inteligência políticas e arregalar os olhos, bestificados, sobre como foi possível esse gênio e profeta não ter convencido a nós, reles mortais, sem a sapiência de guias geniais. Acho que esses ex-militantes deviam escrever cartas de suicídio político, breves e honestas.



Acho que o CC deveria tratar desses textos de modo não institucional. Do mesmo modo como não se discutem publicamente as razões de cartas de suicidas, deveríamos determinar que seus redatores (uma vez que decidiram romper) enviem suas cartas para aqueles com dos quais eram mais próximos, em termos do diálogo político. A lista do Partido não deve ser usada arbitrariamente. Não deve ser espaço do exercício egocêntrico de gente que imagina fazer revoluções no papel e na eterna verborragia.

Se decidiu romper, o autor deve enviar a carta apenas à CPN, que disponibilizará o texto apenas aos interessados. E só. Não podemos perder tempo com essa gente que se julga maior do que o Partido.

Roberto Numeriano – membro do CC e do CR-PE do PCB.


Postagem e comentário de: Luiz Navarro  -  Concordo com o Roberto Numeriano, pois se o ex-militante assim o desejasse, teria o espaço das reuniões internas do PCB, para colocar suas idéias. O que aconteçe é que nas discursões democraticas é necesario o convencimento da maioria. Quando derrotada a proposição é necessário a humildade para reconhecer que os demais também  pensam e tem discernimento para decidir pela melhor proposta.

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