domingo, 28 de agosto de 2011

VENEZUELA - BATALHA DE IDÉIAS












Venezuela - Batalha de ideias

Domingo, 28 Agosto 2011 02:00

Rebelión - [Adrián Carmona, Tradução de Diário Liberdade] Habitualmente, encontram-se nos meios de comunicação de nosso país referências constantes à situação venezuelana. Notícias que não teriam nenhuma repercussão se sucedessem em qualquer outro país do mundo – com exceção de Cuba, claro – têm acolhida segura nos mass media espanhóis [1-5] quando se trata de Venezuela.

Esta particular euforia informativa em tudo o que se refere ao país caribenho busca transmitir uma sensação constante de insegurança e instabilidade. Como destaca o jornalista Pascual Serrano [6]

Os cidadãos puderam comprovar a constante presença de Venezuela nos meios de comunicação. Parece que se trata de um país a beira do caos, da desestabilização, em conflito e crise constante. E tudo isso, apesar de não chegarem informações que falem de mortos por violência política, repressão policial, distúrbios de rua ou greves massivas. As organizações de direitos humanos não têm informes de jornalistas presos ou cidadãos perseguidos por razões ideológicas. Por outro lado, países que atravessam por muita maior conflitualidade social como Chile, Peru ou México não são notícia frequente.

Algo similar comentava Santiago Alba Rico [7] a respeito da atenção informativa prestada pelos grandes meios de comunicação espanhóis para a atualidade cubana, enquanto se pisoteavam brutalmente os direitos humanos na Tunísia:

De janeiro a junho deste ano de 2005, por exemplo, El País publicou 618 notícias relacionadas a Cuba, onde não acontecia nada, e somente 658 sobre Tunísia, quase todas sobre o mundial de handebol; e ABC direcionou 400 vezes o olhar a Cuba, país onde não ocorria nada, enquanto somente mencionava a Tunísia 99 vezes, 55 delas em relação ao mundial de handebol. Em 10 de março deste mesmo ano uma rápida busca no Google apresentava 750 links sobre a distribuição do governo cubano das famosas panelas arrozeiras e somente três (dois da Anistia Internacional) sobre a greve de fome e a tortura a presos na Tunísia.

No entanto, a realidade que se levanta frente a imagem ideológica que transmitem os meios de comunicação de massas é outra [8]:

Economia

a venezuelana cresceu 47,4% no período que vai de 1998 a 2008 (os dez primeiros anos do governo bolivariano), o que equivale a um ritmo de 4,3% anual. Em termos de crescimento econômico por pessoa, o PIB venezuelano cresceu neste período uns 18,2%. É interessante contrastar esta cifra com os dados do período prévio a primeira vitória eleitoral de Chávez, quando a economia venezuelana sofreu uma das piores caídas do mundo. Entre 1978 e 1998 o PIB por pessoa sofreu uma contração de 21,5%.

Se nos centrarmos no período posterior a tomada de controle da empresa estatal de petróleo (PDVSA) por parte do governo bolivariano (anteriormente sob controle de setores abertamente hostis ao governo, que utilizaram o setor petroleiro estatal para tratar de desestabilizar e derrotar ao governo eleito) os dados de crescimento melhoram espetacularmente. O PIB real venezuelano cresceu em 94,7%, em 5,25 anos, o que significa um ritmo anual de 13,5%.

Um dado importante a ter em conta é que o setor não petroleiro desfrutou, em grande parte, de taxas de crescimento maiores do que o setor petroleiro. O mesmo pode se dizer do setor privado.

Luta contra a pobreza

gundo o informe Nossa Democracia [9], elaborado pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Venezuela encabeça a lista dos países da América Latina que mais reduziu a pobreza. Os dados confirmam que [8]

a percentagem de lares em condições de pobreza se reduziu em mais da metade, de 54% no primeiro semestre de 2003 até 26% em fins de 2008. A percentagem de lugares em extrema pobreza diminuiu ainda mais: uma caída de 72% até 7% de lares em condições de pobreza extrema.

Igualmente, no período 1998-2008 o índice de Gini (coeficiente que mede o nível de desigualdade de um país; com 0 correspondendo a uma igualdade perfeita e 1 a completa desigualdade) caiu, em tantos por cento, aproximadamente 6 pontos, de 46,96 a 40,99. Podemos compará-lo com a evolução seguida pelo mesmo indicador nos EUA, que entre 1998 e 2005 experimentou uma mudança similar, mas em direção oposta, aumentando de 40,3 a 46,9.

Saúde

os dez primeiros anos de governo bolivariano, a mortalidade infantil [8] “reduziu-se a mais de um terço, caindo de 21,4 até 13,7 óbitos por cada 1000 nascidos vivos”. Igualmente, os venezuelanos desfrutaram de importantes avanços na segurança alimentar. Em particular [8],

o consumo calórico em média aumentou de 91,0% dos níveis recomendados em 1998 até 101,7% em 2007. Ainda mais importante, as mortes relacionadas à desnutrição se reduziram a mais de 50%, de 4,9 a 5,3 óbitos por cada 100.000 habitantes entre 1998 e 2006.

Por outro lado [8],

em 1998, 80% de venezuelanos tinham acesso a água potável e 62% a serviços de saneamento. Em 2007, 92% tinham acesso a água potável e 82% a saneamento. Em comparação com o ano de 1998, aproximadamente quatro milhões de venezuelanos a mais têm agora acesso a água potável e mais de cinco milhões a mais a serviços de saneamento.

Em relação à atenção sanitária oferecida à população venezuelana,

Entre 1999 e 2007, o número de médicos de atenção primária no setor público aumentou mais de doze vezes, de 1.628 a 19.571, brindando, assim, atenção médica a milhões de venezuelanos em situação de pobreza que previamente não tinham acesso a serviços de saúde. Em 1998, o país contava com 417 salas de emergência, 74 centros de reabilitação e 1.628 centros de atenção primária em comparação com 721 salas de emergência, 445 centros de reabilitação e 8.621 centros de atenção primária (incluindo as 6.500 clínicas populares, geralmente em bairros de escassos recursos) para fevereiro de 2007.

Educação

Em matéria educacional [8]

A taxa de escolaridade líquida para a educação básica (graus de 1 a 9) aumentou de 85 até 93,6%, e a escolaridade para a educação secundária aumentou ainda mais, de um quinto da população até mais de um terço [...] Para a educação secundária, o aumento significa que 14,7% de adolescentes entre 15 e 19 anos de idade, o que equivale em torno de 400.000 indivíduos, tiveram a possibilidade de continuar sua educação como resultado direto de uma maior inversão social. Os avanços mais importantes se deram na educação superior: entre os anos escolares 1999-2000 e 2006-2007, a escolarização aumentou em 86%.

Outros dados

Nos primeiros dez anos de governo bolivariano (1998-2008):

O desemprego caiu de 11,3% até 7,8%.

O número de beneficiários do sistema de seguridade social mais que duplicou.

A dívida pública total diminuiu de 30,7% a 14,3% do PIB.

Referências

] Pascual Serrano, Ahora Chávez persigue a Los Simpsons.

[2] Pascual Serrano, El País, Los Simpsons y Padre de familia.

[3] Pascual Serrano, Era en Francia, no en Venezula.

[4] Pascual Serrano, Venezuela y Cuba como munición.

[5] Pascual Serrano, En Venezuela prohíbe Chávez, en Francia la justicia.

[6] Pascual Serrano, Venezuela, donde lo normal siempre es un escándalo.

7] Santiago Alba Rico, Y de pronto, la revolución.

[8] Mark Weisbrot, Rebecca Ray y Luis Sandoval. El gobierno de Chávez después de 10 años: Evolución de la economía e indicadores sociales. Center for Economic and Policy Research (CEPR). Febrero 2009.

[9] TeleSur, Naciones Unidas y OEA confirman reducción de pobreza en Venezuela.

http://estacionfinlandia.wordpress.com

Traduzido para Diário Liberdade por Gabriela Blanco

Postagem de: Luiz Navarro

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