sexta-feira, 30 de setembro de 2011

COMO O CAPITALISMO DISTRIBUI MISÉRIA




A comunicação que queremos fazer juntos

Para superar o capitalismo e construir uma nova democracia, as sociedades precisam saber de tudo
Existente há um ano e meio, Outras Palavras tem procurado dialogar com um público que não corresponde exatamente à noção tradicional de “esquerda”. Compartilhamos com esta a luta por uma sociedade mais justa e a crítica às desigualdades produzidas pela lógica de acumulação infinita do capital. Mas pensamos que a busca de alternativas precisa sondar caminhos não visíveis nos séculos passados.
O site desdobra-se para oferecer, por exemplo, informações e análises sobre uma nova cultura política – para a qual mudar o mundo vai muito além de escolher partidos políticos. Somos sensibilizados pelas revoluções árabes e pelas revoltas da juventude que sacodem a Espanha, a Grécia, o Chile, Israel. Sabemos que são, todos eles, processos nascentes, mais cheios de dúvidas que de programas.
Porém, tocam teclas que ressoam em todo o mundo. A democracia precisa ser reinventada. Os seres humanos querem construir o futuro coletivo todos os dias e por meio de atitudes concretas – não a cada dois anos, depositando um voto em urna. É hora de encontrar fórmulas que convertam estas opções quotidianas em potência transformadora.
Esta busca não será fácil. Por isso, Outras Palavras tenta enxergar, também, as ameaças. Procuramos focar, por exemplo, a ditadura dos mercados financeiros – uma espécie de antítese da nova democracia. Tentamos oferecer informações capazes de desvendar seus mecanismos. Queremos desfazer, em especial, a ilusão de que “não há alternativas”; de que, diante das crises, as sociedades devem permanecer passivas, aceitar sacrifícios, fechar os olhos para a concentração brutal de riqueza e de poder que as finanças atuais promovem.
Nossa aposta na força do jornalismo está relacionada àquilo que enxergamos como um dos grandes dilemas de nossa época. A democracia representativa, que nasceu com as revoluções do século XVIII, está se esgotando e é pressionada por forças de sentido oposto.
Ela corre o risco de se reduzir ao que José Saramago chamou, certa vez, de uma fachada, um tapume ilusório por trás do qual os grandes poderes tomam as decisões que de fato pesarão sobre nosso futuro. Ela pode, ao contrário, reviver na forma de múltiplos espaços de decisão, participativos e conectados entre si, capazes de tornar efetivas as vontades majoritárias – mas, ao mesmo tempo, abertos à diversidade, a criar um “mundo em que caibam todos os mundos”, na definição sagaz do subcomandante Marcos.
O jornalismo pode ser decisivo, para a construção desta segunda hipóteses – e vai s tornar cada vez mais importante, no tempo da nova cultura política. Se nossas vontades já não podem ser mediadas por governos, parlamentos e partidos, então precisamos assumir a responsabilidade por nossas próprias escolhas. Se já não nos satisfazemos em delegar nossos projetos a cada dois anos, a nossos “representantes”, precisamos encontrar nós mesmos, em relações sem intermediários com outros seres humanos, os caminhos para realizá-los.
Precisamos saber de tudo. Da crise financeira e dos projetos para ciclovias. Das revoluções árabes às novas relações que os seres humanos podem estabelecer com as substâncias psicoativas. Das possibilidades e riscos da nanotecnologia às formas de redistribuir a riqueza social apropriada pelo agronegócio ou as mineradoras. Das fontes limpas de energias aos desafios de programas como o Bolsa-Família e o Luz para Todos.
O jornalismo de profundidade é essencial para conhecer tudo isso. Mas queremos fazê-lo com muito mais gente.

MAIS:

Nenhum comentário: