quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Tão logo recebeu o diagnóstico de um câncer na laringe, o ex-presidente Lula fez a opção de fazer seu tratamento no melhor e mais caro hospital da América Latina, o Sírio Libanês, em São Paulo. Nenhum reparo, pois como ex, tem direito às “regalias constitucionais” – dois veículos executivos oficiais, dois assessores, o plano de saúde mais caro do país, funeral de chefe de Estado e remuneração de aproximadamente R$ 26 mil, em valores de hoje –, tudo pago integralmente pela Casa Civil, como prevê a Constituição da República Federativa do Brasil. Imediatamente também, nas redes sociais, surgiram manifestações de internautas sugerindo a Lula que fosse enfrentar seu tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS). Não tardou e começou a tentativa dos lulo-petistas de desqualificar essas manifestações querendo passar a ideia de que essas pessoas seriam rancorosas e estariam, mais uma vez, sendo preconceituosas com esse pobre metalúrgico que chegou a chefe de Estado e que, portanto, desejariam a sua dor, o seu sofrimento e talvez até a sua morte. Na realidade, a mensagem que está sendo passada pelas redes sociais é de que se aproveite este momento para uma tomada de decisão urgente, eficaz e eficiente. Essa decisão é para que milhões de brasileiros submetidos a precariedade deste sistema de saúde falido e sucateado, cujos recursos são sabidamente desviados, e que são obrigados a enfrentar fila de meses e até anos – tempo muitas vezes maior do que se leva para percorrer a distância entre São Bernardo e São Paulo – para ter acesso a procedimentos básicos, não tenham suas vidas colocadas em risco dia após dia pela falta de profissionais, medicamentos, leitos hospitalares e equipamentos. E também que milhares não mais morram, todos os dias, por puro descaso, muitas vezes antes mesmo de ter um diagnóstico e iniciar o tratamento. Na realidade, a sociedade brasileira está usando as redes sociais para relembrar ao próprio Lula suas declarações, feitas em 2010, quando fez questão de dizer que a saúde pública no Brasil era de muito boa qualidade e que “até queria ficar doente para poder utilizar o SUS”. Então, companheiro, não perca a oportunidade. Entre na fila, retire a ficha e aguarde porque enfrentar o tratamento de um câncer no Sírio-Libanês torna essa batalha, no mínimo, mais confortável. Professora aposentada do curso de Engenharia Elétrica da UFSM e conselheira da Sedufsm MARIA BEATRIZ CARNIELUTTI



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