sábado, 5 de maio de 2012


Homenagem MEDALHA DINARCO REIS ao camarada JOÃO MASSENA



JOÃO MASSENA

João Massena Melo nasceu em 18 de agosto de 1919, em Palmares, Pernambuco, filho de Sebastião Massena Melo e Olímpia Melo Maciel. Operário tecelão da Fábrica de Tecidos Nova América e, posteriormente, operário metalúrgico, era casado e tinha três filhos quando desapareceu em 1974, então aos 55 anos.
Integrou o Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB), partido pelo qual começou a militar e por cuja legenda foi eleito vereador no antigo Distrito Federal, em 1945. Seu mandato foi extinto em 1948, com o fechamento do Partido e sua cassação. Em 1962, foi eleito Deputado Estadual pelo antigo Estado da Guanabara pela legenda do Partido Social Trabalhista (PST). Teve novamente seu mandato cassado, de acordo com o artigo 10 do Ato Institucional n° 1, de 9 de abril de 1964, decretado pela ditadura. A partir daí, usou os codinomes de João Augusto, Jacinto e Mário.
Foi condenado pelo Conselho Permanente de Justiça Militar a cinco anos de reclusão, em 7 de julho de 1966. Preso, em 1970, por agentes da 2ª Auditoria da Marinha, foi brutalmente torturado. Toda sua família foi presa e levada para a Ilha das Flores. Sua casa foi saqueada. Posto em liberdade em fevereiro de 73, foi novamente preso na cidade de São Paulo, no dia 3 de abril de 1974.
Trechos do livro “Desaparecidos Políticos”, de Reinaldo Cabral e Ronaldo Lapa, nos esclarecem que “Massena permaneceu preso durante dois anos e sete meses apenas com a prisão preventiva decretada. Mas nesse período não puderam desaparecê-lo, no dizer de sua mulher, afinal ele fora preso com testemunhas. Massena foi solto em fevereiro de 1973.”
“A libertação de Massena, para sua mulher, foi uma verdadeira armadilha. Eles - os organismos de repressão - ficaram à espreita e, na primeira oportunidade, apanharam o ex-deputado. Massena escreveu sua última carta para a família. Marcava um encontro com sua mulher, que seria realizado num fim de semana, entre os dias 5 e 6 de abril. Ela foi ao encontro, esperou todo o fim de semana, mas Massena não apareceu. Então julgou que alguma coisa acontecera, mas ainda não colocara a prisão dele como uma possibilidade. No dia 20 de abril, o homem na casa de quem Massena se hospedara em São Paulo lhe informou que Massena saiu de casa dia 3 ou 4 de manhã, ‘apenas com a roupa do corpo, dizendo que voltaria para o almoço e não voltou'."
Sua família, então, passou a desenvolver intensa busca, seguindo o mesmo ritual das outras famílias de desaparecidos: foi a São Paulo e buscou os conhecidos órgãos de repressão, foi a hospitais de emergência, cemitérios, Instituto Médico Legal. Ninguém sabia do seu paradeiro. Em documentos referentes a João Massena arquivados no antigo DOPS de São Paulo, foram encontradas as seguintes anotações: “Em 24 de junho de 1974, sua filha Alice Massena Melo solicitou ao Presidente da República, General Ernesto Geisel, providências no sentido de localizar seu pai”.
A família impetrou um habeas corpus no STM, que foi negado sob a alegação de que Massena não se encontrava preso em nenhuma dependência militar. Seu julgamento, uma farsa devido ao desaparecimento, só ocorreu em 20 de setembro de 1978.
Matéria da Folha de São Paulo publicada no dia seguinte, 21, com o título "Auditoria da Marinha absolve acusados do PC", afirma que "O Conselho Permanente de Justiça absolve, por prescrição da ação penal, Luiz Carlos Prestes, Marco Antônio Tavares Coelho, Dimas de Assunção Perrim, João Massena Melo, Elson Costa, Orlando Rosa, David Capistrano, Luiz Inácio Maranhão Filho, Hiran de Lima, Itair José Veloso, Jaime Amorim, entre outros".


Postagem de Luiz Navarro

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