domingo, 4 de maio de 2014

O PSOL ESTÁ DIVIDO EM QUANTAS FRENTES?

Dialogando com o Presidente Nacional do PSOL

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(resposta a texto público de sua autoria, aqui transcrito1)
Ivan Pinheiro*
Tive o prazer de conhecer pessoalmente o novo Presidente do PSOL, Luiz Araujo, numa visita cordial que fez, há cerca de um mês, à sede nacional do PCB no Rio de Janeiro para uma bilateral com o Secretariado Nacional do nosso partido. O encontro transcorreu num clima de camaradagem e franqueza.
Apesar da simpatia e do diálogo elevado, não foi uma reunião com a direção nacional do PSOL, mas com a tendência do seu Presidente, com a qual, aliás, temos convergências, inclusive na questão internacional. É infactível uma bilateral com a direção nacional do PSOL, por se tratar de um partido de tendências, cada qual com direção e linha política próprias, nos marcos da luta pela hegemonia do partido.
Mas está totalmente desfocado o resumo que o companheiro Luiz Araujo faz das opiniões que lhe prestamos na ocasião. O PCB não apresenta a pré-candidatura de Mauro Iasi, "como forma de autoconstrução", conforme suas palavras. Deixamos claro à delegação da tendência do PSOL visitante que, há muitos anos, o PCB tem expressado que não está disposto a ser procurado apenas às vésperas das eleições, para conhecer propostas de meras coligações eleitorais, e que nossa proposta de frente é para além das eleições e para além dos partidos registrados no TSE, pois não são só estes os protagonistas na luta contra a ordem burguesa em nosso país.
Lutamos por uma frente permanente, de caráter anticapitalista e anti-imperialista, que se conforme nas ruas, piquetes e barricadas e no debate franco das divergências, para encontrarmos o que nos une, através de um programa comum.
O eixo central da reconstrução revolucionária do PCB é a estratégia socialista da revolução brasileira e não a via eleitoral.
Dissemos aos nossos interlocutores o que dissemos publicamente em nosso último programa na televisão: as eleições de 2014 não são para o PCB o fato político mais importante do ano, mas sim as manifestações, greves e revoltas, antes, durante e depois da Copa, em que o povo vai aprendendo a lutar e perdendo o medo da repressão.
Sem procuração do PSTU, e a despeito de nossas posições antagônicas com este partido na luta anti-imperialista, não é elegante tornar públicos entendimentos bilaterais reservados. O dirigente do PSOL, com o devido respeito, não pode ser porta-voz nem comentarista de conversas entre parceiros que podem não se coligar, mas podem e devem estar lado a lado nas lutas populares. Esta é uma regra de ouro no diálogo entre organizações que se pretendem aliadas.
Mas uma vez tornado público o fato de o PSOL ter rejeitado uma reivindicação do PSTU de uma coligação com o PSOL no Rio de Janeiro, é irresistível indagar o que a direção do PSOL entende como frente de esquerda. Exatamente no Estado em que esse partido deve eleger uma grande bancada, em função de chamados "puxadores de legenda”, talvez o único em que um eventual aliado pode eleger um parlamentar, o PSOL não aceita coligação, para não "correr o risco" de outro partido de oposição de esquerda ter representação no parlamento, ou seja, pretende o monopólio institucional neste campo político. Que aliado é este?
O PCB não abrirá mão da pré-candidatura do camarada Mauro Iasi à Presidência da República, não por autoconstrução, mas para contribuir com uma tribuna, se possível plural, de denúncia do capitalismo e da democracia burguesa, pela criação de uma verdadeira Frente de Esquerda, inclusive com aqueles militantes e organizações que resistem à forma partido e que defendem o voto nulo, posição política que respeitamos como forma de luta, mais do que aos reformistas que acham que através das eleições é possível humanizar o capitalismo e torná-lo ético.
Não estamos pedindo ao PSOL coligação no Rio de Janeiro, sua reserva eleitoral, onde queremos continuar desenvolvendo ações políticas com sua combativa militância de base, independente de coligações. Não temos obsessão por mandatos parlamentares.
Em alguns outros Estados, o PCB poderá construir alianças eleitorais, no campo que se conhece como frente de esquerda, a depender do programa, do tipo de relação que tivermos localmente, da unidade na luta, da direção unitária da campanha e de assegurarmos espaço para a nossa campanha nacional, que será mais política do que eleitoral.
Quanto ao fato de que provavelmente haverá diversos candidatos com perfil de esquerda, o PCB insistirá na necessidade de nos unirmos na mesma campanha em torno da pauta de reivindicações que nasceu das ruas, a partir das manifestações de junho de 2013.
*Ivan Pinheiro
Secretário Geral do PCB
Rio de Janeiro, 2 de maio de 2014

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